segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A tarefa docente: A arte do ofício na sociedade pós-moderna sob a égide neoliberal brasileira


Há um discurso que beira a hipocrisia dentro de uma sociedade cada vez mais projetada com as trágicas lições do neoliberalismo à brasileira voltadas para o consumismo imediatista, satisfação instantânea e o narcisismo compulsivo em detrimento do olhar crítico perante aos dilemas da totalidade social. Neste sentido, a Educação é vista como algo individualizado e movida à promoção do capital no que tange a destruição da educação pública e a louvação mercantilista da atividade privada, em especial, na Educação básica.

A crise de autoridade do professor esta na mesma esteira da crise de identidade típica dos fenômenos da Pós-modernidade, onde as certezas mais factíveis viraram transformações líquidas de um mundo cercado de muitas bugigangas tecnológicas, relações efêmeras objetais, massificação do consumismo e o transbordamento da angústia existencial.

Sintomaticamente, as carreiras voltadas à Educação seguem em baixa, tanto no seu prestígio social, quanto a remuneração por suas atividades. Nítido o déficit de professores em especial, nas áreas mais ligadas as ciências. O incentivo à carreira, as dificuldades operacionais e os péssimos salários comparado à outras carreiras de exigência de formação similar contribuem para explicação da baixa procura por candidatos à tarefa docente nas faculdades e universidades. Lembrando ainda a frágil formação dos cursos ligados as licenciaturas, tendo em vista uma precarização de currículos e estrutura para a formação dos futuros profissionais da área. A mídia também participa do papel de descaso do professor ao transformar a profissão em motivo de chacota de programas humorísticos, transformando o docente em “pobre coitado”, digno de pena pública, cercado por um bando de imbecis com indagações patéticas, que seriam os alunos.

A educação com engajamento de reflexão crítica e humanista vem vertiginosamente perdendo espaço dentro da Educação Básica. O conteudismo é hoje a matéria orgânica que garante a sobrevivência das escolas da rede privada, quanto que no bojo da educação público é o sintoma do abandono por parte do Estado (por exemplo em São Paulo, o maior centro econômico do país, onde se assiste um alarmante e sistemático sucateamento do sistema estadual de educação).

Os caríssimos sistemas de ensino privado com todo um modelo de marketing de didatismo mecanicista oriunda da “decoreba” de conteúdos para os vestibulares aliados com alguns floreios “divertidos” para ocupar o tempo do aluno e justificar o alto investimento das mensalidades por parte dos pais dele. De modo geral, o ensino básico do sistema privado virou um grande cursinho pré-vestibular cuja única meta é a promessa aos pais para uma vaga numa (boa) faculdade pública aos seus filhos. Por outro lado, a tarefa dos pais, dentro de um modelo de consumismo desenfreado, é fazer a burocrática transação comercial entre os filhos e a escola e ponto final. Assistimos assim a terceirização das responsabilidades dos pais que são protocoladas em escolas bem remuneradas pelo suor dos seus “investimentos”. Não é a toa que se associa de forma pejorativa o termo oriundo da Economia, o “investimento” mercantilizado associado a um “fundo de longo prazo”, com elementos da Educação cujo slogan bem sintético é travestido em: “invista no seu filho para um futuro melhor!”

O reconhecimento profissional e social do professor é cada vez menor e é margeado pela política de produtividade perante seu oficio. A idéia de “bom professor” hoje é  aquele que dá “show” na sala de aula, sobre nas luminárias e dá cambalhota, que deve fazer de tudo para que o aluno, omisso e supostamente desinteressado, possa “aprender”. Em nada o aluno é vocacionado para ser minimamente cobrado de suas responsabilidades individuais e sociais, não há castração simbólica, mas somente a bajulação sistemática em agradar o aluno sem frustra-lo minimamente. Outro sintoma é o circo armado por parte da associação espúria entre empresas de formaturas e escolas e nome da diversão dos alunos a um alto custo: tudo vira festa, zoeira e irresponsabilidade em nome dos bons e garantidos lucros.

A transição de modelos educacionais sólidos e rígidos, característicos da Modernidade, para modelos líquidos e imediatistas típicos da Pós-Modernidade foi avassalador, mas ambos ainda permanecem igualmente agressivos. O que era um conjunto de regras rígidas e coercitivas virou um festival de niilismo e consumo. A escola perdeu a força conjectural da transformação, ora virou um grande parque de diversões utilitarista, ou um celeiro de fomentação do vazio bárbaro, onde o aluno se ofender o docente é ele, o professor, que deverá beijar os pés do aluno para pedir “desculpas”. Caso o aluno não goste da cara do professor, ele corre imediatamente para a coordenação pedindo a “cabeça” dele. Como bons clientes, para a escola preocupada com os lucros, o aluno sempre tem razão!

Diante do universo de desconstrução do ensino, é cada vez mais comum o caso de agressões físicas por parte de alunos contra seus professores por motivos torpes e banais. Ademais, é mais um aspecto da sociedade pós-moderna, a incapacidade do sujeito em lidar minimamente com as frustrações de um mundo complexo e cheio de questões latentes.  Seguindo o lastro das dificuldades docentes, há um grande número de profissionais com sérios problemas psicológicos derivados da precarização do seu ofício e as angústias oriundas da pressão por parte de direções escolares com olhar da avidez capitalista e alunos agressivos ou tensões psicológicas típico do excesso de seres humanos confinados em diminutas salas de concreto armado.

Com o declínio do poder docente, menos pela ação dos seus profissionais, mas muito mais para um mundo que se tornou muito mais permissível a banalização do conhecimento e regrado por uma série de atrativos tecnológicos de expressividade questionáveis. A escola, na maioria das suas entidades, se comprometeu a simplesmente ser um passatempo dos alunos para que não ocupe o tempo dos pais. A ação lúdica é peça integrante da aprendizagem, todavia o seu excesso se torna pasteurizado e inútil. Afinal, o professor é “pago para cuidar dos filhos (deles)”, como muito se ouve em enfadonhas reuniões de pais mais exaltados com atitudes grosseiras perante o professor, o feitor terceirizado dos filhos.

A educação deixou de ser um bem público universal para se tornar mais uma mercadoria na feira de variedades do capital. Uma frase lapidar do grande educador brasileiro, Paulo Freire (1921-1997), dizia que “[...] a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. Neste contexto, apesar dos ataques sistemáticos que tenta manipular a Educação ora como mais um elo da produtividade capitalista de formação de produtos (no caso do ensino privado), ora como um elemento social sucateado relegado à sua própria sorte (no caso do ensino público), a tarefa dos docentes que toma seu oficio como significação de seus desejos, ainda resiste de forma valente.


Por fim, algumas ações pontuais ainda mostram que a situação não está completamente perdida, como a revalorização dos institutos federais de Educação Básica por parte das últimas gestões do Governo Federal.  Por mais cínica que seja a construção ideológica momentânea presente numa sociedade, seus atores sociais entendem que por mais que seja desconstruída a Educação pela ação de um capitalismo desenfreado, somente ela é o alicerce social para qualquer estrutura humana que carece essencialmente da transmissão da cultura, seja ela mais elaborada, seja ela mais elementar. A tarefa dos atores docentes que se seguem na “aventura” da Educação como ofício, ainda os desafios tão profundos quanto a fragmentação da própria estrutura da sociedade atual.

sábado, 31 de outubro de 2015

O boteco político e o sujeito que goza na sua ignorância primária como mecanismo de defesa


O debate político nas redes sociais, e fora dela, é curioso. Particularmente, curiosíssimo! Um turvo esboço do tempo histórico o qual atravessamos.
Dentre das possibilidades em jogo, vejamos suas ações e consequências do tão alardeado "cidadão de bem", um novo (mas não tão novo assim) eufemismo para relatar o sujeito do cotidiano e que se apresenta como detentor da verdade divina e protegido pela sacralidade cristã.
Se o sujeito está doente, irá um médico. Se o sujeito está passando por problemas emocionais, irá a algum dos meus colegas psicólogos ou psicanalistas. Está-se com fome, certamente irá a um restaurante ou procura entender como se prepara uma refeição.
Porém, quando o assunto é política, o sujeito movido ao bom senso (o qual hoje se transformou no "senso infantilizado"), não tem dúvidas, trata tudo como se fosse matéria da geração espontânea da mente dele numa mesa de boteco, ingerindo todas as doses de cachaça possível para desenrolar um cabedal de bobagens sem limites.
Doravante, existem questões mais profundas. Entre elas a necessidade de refletir os motivos e quais os interesses de fazer da política não um instrumento essencial do sujeito da vida cotidiana, mas um mero objeto banal de pouquíssima importância real na sua vida, exceto para gozo da ignorância primária.
Não devemos canonizar a política (ou qualquer outra área do conhecimento humano), mas é pertinente responsabilizar nossos posicionamentos a respeito dela e, de todo assunto o qual se deseja manifestar como "sujeito-do-suposto-saber". Não é lícito atacar, ofender e depois sair correndo com a desculpa que precisa ir ao banheiro ou que não disse "aquilo" que se pretendida dizer. Atos falhos é a porta dos fundos de uma linguagem operada na inconsciência.
Voltando ao "cidadão de bem". Claro, que ele não quer ouvir ninguém que tenha um mínimo de conhecimento a respeito. Afinal, a tal "política", para esse sujeito, a macro-política, não é conhecimento derivado de um olhar histórico, social, conjectural e perceptivo. Segundo tal premissa, tal sujeito, com seu ego encharcado de ódio primal e ignorância recebida por osmose, tem a ciência que para ele a política é como piolho, ou seja, tem na cabeça de qualquer um que possa ler algumas páginas de revistas sensacionalistas ou noticiários tão elucidativos quanto à claridade das águas do rio Tietê.
Portanto, ao dizer afirmações aleatórias movidas apenas pelo ranço pessoal com se fosse o mais fino substrato da verdade, o desejo de gozar com o ato de odiar um objeto de suposto amor, o sujeito abre mão da possibilidade do debate, ressignificação de concepções e o enriquecimento de idéias, e abraça a sua ignorância primária. Fato que se tornou patente de orgulho famigerado e confiança alucinada do dito "cidadão de bem" diante dos mecanismos de defesa dele.
Diante da terra minada por areia e debates da profundidade de um pires, dentro ou fora das redes sociais, a política se tornou não mais um território da orquestração de suas idéias, posicionamentos e conjecturas, mas um território livre para as derivações composta de um nanômetro de conhecimento, o elogio profundo à estupidez e a consagração das alucinações do boteco no gozo da sua ignorância primária. O caminho é longo e os debates parecem se tornar cada vez mais curtos e povoados de afetações.

sábado, 24 de outubro de 2015

Sectarismo esquerdista e o complexo de Édipo mal resolvido


Entre os grandes problemas enfrentados por parte das esquerdas é o complexo de Édipo mal resolvido. Como é natural a tríade do desejo não-realizado, desejar matar o pai castrador (a direita) e desposar a mãe (o poder). Naturalmente, não aceita entender que sua luta provém da realidade política, de um cenário que não está no mundo da fantasia, mas do adensamento das condições conjecturais.
Quando o complexo de Édipo é mal resolvido, o resultado da vida adulta é a neurose com medo de ser castrado. Sim, esta parcela da esquerda mais sectária parece não admitir a possibilidade de existência do mundo real e, portanto, vive a fantasia de um mundo que será idealizado por força natural de alguma revolução fantasmagórica. Ademais, apesar de todos os indícios que não se pode fazer um omelete sem abrir a caixa de ovos e quebrar a casca do seu conteúdo, acreditam serem seres de uma pureza ímpar.
Desta forma, a obsessividade por limpeza, ao acreditarem serem arautos intocáveis de uma política não-dialogada com nenhum setor que não seja tão puritano quanto os agentes deste sectarismo, reforçam ainda mais a idéia de que o mundo seria feito a partir do narcisismo revolucionarista sem lastro com a realidade.
Naturalmente, o resultado não poderia ser outro a não ser o fiasco da construção simbólica de um mundo dividido entre puros e impuros, entre seres "revolucionários" e "agentes do Grande Mal". Na plenitude da zona de conforto, o berço ainda continua sendo o lugar mais quente e confortável para as políticas infantilizadas do puritanismo sectário destas esquerdas iluminadas.
Na politica, os opostos se encontram com uma justaposição quase perfeita. Enquanto o cata-vento da esperança continuar a girar sem norte, os sonhos pueris irão trabalhar de forma direta e voluntariamente para as posições mais à direita e seus radicalismos. Afinal, é de conhecimento público que o mundo não é lugar para amadorismo na política (ou seja, a chamada "realpolitik") e, para os sonhadores que se recusam a pisar no solo de um "mundo impuro", é melhor e mais confortável ficar preso ao berço das ilusões puritanas e gozar com ardor o complexo de Édipo mal resolvido.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Em editorial, a FOLHA se declara abertamente para o golpe de Estado

Neste domingo, 13/09, o diário paulistano FOLHA DE S. PAULO perdeu toda sua a cínica máscara de democrata que ela insistia em usar e, agora, assumiu, em editorial de capa, o que sempre foi nos últimos tempos: um veículo golpista.
Não surpreende esta postura fascista e antidemocrática do Grupo FOLHA, afinal, sempre esteve confabulando para alimentar ódios, histerias coletivas e desinformações para o seus leitores. Por sinal, visão que o diário claramente se manifestou ao longo do posicionamento reacionário do jornal nos protestos catárticos conservadores desde 2013.
No mesmo editorial de suprema arrogância da FOLHA com um título chantagista grafado como "Última chance", a empresa da família Fria faz uma apologia ao golpe contra a presidente Dilma Rousseff. Ainda dar um receituário com remédios completamente nefastos neoliberais para uma crise política que o próprio jornal ajudou a fomentar. Se a receita de Dilma contra a crise é amarga, o que a FOLHA pede em seu editorial é pior ainda! Sob a uma forma cretina e rasteira, o grupo FOLHA da família Fria abraça abertamente a ilegalidade de uma aventura sem lastro no apoio do golpe de Estado, sem se importar com as consequências desta calamidade política e sem nenhuma questão que justifique tal procedimento.
Já tivemos em situação muito mais dramática na economia e, sequer foi se ventilado qualquer tipo de golpe de Estado desde o início da Nova República, após o processo de redemocratização do país. Logo, quais seriam as razões para justificar um golpe de Estado se não fosse fomentar o ódio político contra um dado partido político, eleito democraticamente, o qual está na presidência desde 2002, como passaporte para uma aventura completamente inescrupulosa.
Sim, é bom que seja bem explicita o desenho da trama em curso: a fomentação do ódio fabricado pela Grande Mídia se encontra na personificação simbólica e passional contra o Partido dos Trabalhadores (PT). Todavia, tal impetuosidade virulenta do grupo FOLHA nunca é visto contra nos demais políticos que não seja contra o PT. Ao contrário, procura sempre suavizar ou ocultar os fatos adversos quando a demanda é contra governos tucanos. O fato de a economia brasileira estabelecer, na atualidade, com seus números em crise, em um momento que é sabidamente o reboque de crise globalizada, em nenhum momento é aceitar dar aval para medidas perversamente golpistas.
É reconhecido que o governo errou em muitos pontos ao conduzir sua política econômica, todavia não é nenhum motivo para se aplicar um traiçoeiro e insano golpe de Estado com o farto uso de mentiras e deturpações para convencer a opinião pública da necessidade farsesca de estuprar a democracia.
A questão em jogo não é apoiar ou não o governo Dilma, mas sim, lutar pela manutenção do regime democrático do Estado Brasileiro e ser contra os ratos que vem se escondendo debaixo do tapete da democracia querendo subtraí-la.
Não é possível retroceder nossa cambaleante democracia e ficarmos calados, passíveis e apoiando casuísmos e desejos nefastos destrutivos de uma imprensa irresponsável que apoia uma oposição tão corrupta quanto cretina e, ambos, assumidamente se postulam como golpistas contra a democracia brasileira. É fundamental lembrar um velho lema contra golpistas do passado e do presente: "Fascistas, não passarão!".

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A sanha dos tucanos e seus parasitas: um oceano de cinismo oportunista dos golpistas de plantão


Um governo que quebrou o país, recorreu ao FMI, torrou o patrimônio público vendendo empresas com valores muita abaixo do mercado para o capital privado, deixou a corrupção correr solta (assim como nos governos tucanos), tinha relações completamente espúrias com o Congresso Nacional, uma imprensa e comprou votos para sua própria reeleição e no plano educacional, entre outra desgraças, não construiu nenhuma universidade pública... Quanto a tudo isto, o Judiciário brasileiro é covarde, cínico e passional, nada investiga, nada pune, nada diz quando envolve casos de pessoas ligadas aos tucanos ou o próprio governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

O “cidadão médio” têm muita memória curta e muito ódio jorrando ao fazer associação simbólica do PT com "pobres". As distorções políticas e das informações sobre a política são fundamentais em uma sociedade desigual para que se se aprofunde ainda mais essas desigualdades e os as diferenças entre classes sociais. Pior ainda, para este público que pouco reflete as informações distorcidas da Grande Mídia é não perceber que Dilma e o PT estão muito longe de ser um governo efetivo de esquerda, pelo contrário, compactua a maldita cartilha neoliberal em nome de uma governabilidade cambaleante. Porém, os ódios cegos e distorcidos não compreendem a política como é, mas apenas pensam nas ações políticas como se estivesse sentados num trono de uma privada.

A crise econômica está longe de qualquer outra crise durante o governo de FHC, mas a visão da Grande Mídia é que estamos pior que a aventura grega do caos econômico. Se a crise está batendo forte, não é nas costas das classes mais abastadas e rentistas que lucram e vampirizam sempre do sangue e suor dos trabalhadores.

Agora, de carona dos impulsos de ódio e histeria coletiva em praça pública, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso vem dar uma de eminência parda sugerindo que a presidente Dilma renuncie para colocar o país num atoleiro político sem precedentes. Por sinal, qualquer pessoa com mínimo de bom senso sabe que o desfecho de uma aventura desta natureza ninguém teria a menor idéia de como iria cessar ou desenrolar. Ainda, na esteira das bobagens midiáticas, se ventilou de forma irresponsável nas redes sociais, a comparação cínica que fazem com o governo Collor e o governo Dilma, eleito por duas vezes com a maioria dos movimentos sociais apoiando (mesmo que seja de forma crítica) é estapafúrdia por uma série de fatores políticos e apenas mostra o grau de cegueira que a Grande Mídia impôs aos seus teleguiados leitores.

A instabilidade democrática derivada de golpes de estado é o pior que se possa malograr numa democracia. Já vimos este filme antes e ainda se insiste na irresponsabilidade e insanidade política de políticos inescrupulosos. Isto porque FHC é o "príncipe da sociologia brasileira", título que ele adora se gabar! Imagine se fosse um operário fabril com esta postura golpista? Para falar algo tem que ter um mínimo de moral política, coisa nem nenhum FHC e nenhum destes tucanos golpistas canalhas. O mais curioso é ver a “capivara” de cada um destes políticos sujos e corruptos da tal “oposição” que agora pregam o golpe de estado no Brasil: ao fazendeiro escravocrata Ronaldo Caiado ao senador playboy Aécio Neves. É simplesmente patético!

Diante de tudo isto, FHC deveria ao menos ter a grandeza de manter-se sua boca imensa fechada e saber que o seu rabo é tão grande sujo que não dá moral nenhuma vir colocar mais fogo na fervura política fabricada por seu partido golpista no país.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

De mulher para mulher: as delícias do gozo feminino de exercer o machismo fascista de cada dia



As mulheres são muito mais interessantes para qualquer análise dada sua complexidade e natureza. Chico Buarque, magistral compositor e cantor brasileiro, sabia disso e escreveu um clássico imortal "Geni e o Zepelim", uma ode ao desejo e o escárnio da personagem da canção. Hoje, temos a presidenta Dilma Rousseff como a Geni do momento, merecedora do ódio público, principalmente de uma parcela significativa de mulheres. Neste último domingo, 16 de agosto, mais uma movimentação nacional para a exacerbação do ódio em praça pública municiado pela Grande Mídia. A série de cartazes, gestos e palavras de ódio são representativas de um momento que a pulsão de morte passa a orientar uma parcela da sociedade, sem uma objetividade política mais clarividente, exceto o apelo ao ódio represado do cotidiano.

Dilma é um caso que salta aos olhos e merece reflexão em tempos de gritos fascistas e insanidade coletiva nas ruas. Não apenas por ser a presidenta, mas pela dimensão humana que envolve toda a dimensão do linchamento moral de uma mulher. Pela primeira vez no Brasil uma mulher foi eleita e reeleita como presidenta da república, fato histórico dentre de um contexto de uma política patriarcal e machista. Mesmo assim, nada como criar celeuma diante do fato. Pergunta-se de forma objetiva: se a presidenta não fosse mulher, despertaria tanta inveja e ira de outras mulheres?


Vindo de muitos homens que apenas toleram mulheres para serviços "menores" e sexuais, não poderia se esperar nada além de diferente do patriarcado chauvinista. Um jorro perverso de gozo de pura pulsão de morte diante daqueles que insultam os mais fracos perante os seus olhos. Todavia, nada mais sintomático foi ver e ouvir um bando de mulheres xingado em praça pública outra mulher nestas manifestações midiáticas "anti-Dilma e anti-PT", a presidenta Dilma, com os mesmos insultos que os homens mais boçais e machistas costuma dirigir-se ao "sexo frágil" (por sinal, a fragilidade apenas está na conotação machista do péssimo termo). Mais curioso ainda é que toda esta insatisfação é de conteúdo vazio, sem um significado real, apenas comentários genéricos sobre a pessoa da presidenta. Nenhuma crítica mais consistente sobre a condução do seu governo, exceto pelo apelo histérico de uma suposta moralidade com os pudores do do era vitoriana. Neste caso, o gozo preferido é falar mal, como nos comezinhos da velha fofoca da vizinhança, das festinhas dos sorrisos do cinismo amarelo, dos ambientes familiares e de trabalho.

Daí um dos fatores que é tão difícil de acabar com a violência contra as mulheres quando estas assumem posturas violentas contra si mesmas. A "questão do gênero", tão em moda dos debates de agora e explorada de forma ora simplória, ora e histérica, parece apenas ver a superfície que atinge esta dimensão social subjetiva da violência introjetada e projetada que vai além da natureza meramente aparente.

Aos gritos de "vaca", "vagabunda", "puta", "vergonha", muitas mulheres que participaram do circo dos horrores deste domingo fascista dão o salvo-conduto para todos aqueles que gozam oprimindo o outro ter toda a liberdade de fazer o mesmo com elas. Como se fosse liberado para insultar, bater, arrebentar qualquer mulher "odiada". Se Dilma é a "vaca" desejada do momento eleito por uma parcela de mulheres com verborragia fascista, logo a presidenta seria o objeto da inveja de todas elas. Nada mais amado/odiado do que seu objeto de amor/ódio.


O nosso fascismo cotidiano é muito mais complexo do que a vã filosofia da superfície dos rótulos e do fetiche das nomenclaturas caricaturais. Estamos imerso no velho terreno pantanoso da exploração da política do ódio, onde se estabelece a guerra de todos contra todos e, consequentemente, de forma ambivalente, todos serão violadores e vitimas de si mesmos. 

terça-feira, 21 de julho de 2015

O reflexo da indiferença paulistana: mudanças de velocidade em marginais para salvar vidas vira o novo motivo para gozar o ódio dos “cidadãos de bem”


A celeuma por detrás das modificações dos limites de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros é mais um retrato da indiferença e o egoísmo patológico que adoece o paulistano. Além disso, toda uma sórdida campanha da mídia local contra o prefeito Fernando Haddad por ele ser simplesmente do PT. Qualquer criatura com dois neurônios operacionais entende (ou deveria entender) que quanto maior a velocidade desenvolvida num automóvel, maior a propensão técnica à acidades, principalmente numa cidade complexa e sitiada de carros por todos os lados. Mas o tal “cidadão de bem”, sempre preocupadíssimo com o próprio rabo egóico, pára um segundo para refletir sua conduta de vida?

Hoje mesmo, pela manhã, ouvindo passivamente o programa do Jose Paulo de Andrade na Rádio Bandeirante de São Paulo, cuja programação tem como especialidade absoluta falar mal dos governos do PT e enaltecer o governador tucano, Geraldo Alckmin. A pérola do dia foi dizer, em seu programa matinal, que ao reduzir a velocidade das marginais iria causar maiores congestionamentos e poderia provocar mais mortes! Ademais, para dar maior "cientificidade" à esculhambação do prefeito Haddad, o programa duvidou da capacidade intelectual dos operadores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), e questionou a formação dos técnicos, fazendo uma ilação preconceituosa, que eles não seriam formados em São Paulo, logo, não conheceriam a realidade paulistana. Possivelmente, para os comentaristas da reacionária e bairrista Rádio Bandeirantes, somente e tão somente, existe tráfego e congestionamentos exclusivamente na cidade de São Paulo. É desnecessário dizer que se a medida fosse aplicada pela gestão de Alckmin, a rádio faria questão de ressaltar a preocupação "humanitária" do coração de titânio do governador tucano. É sempre assim, na “imparcial” cobertura Band de notícias!

Do ponto de vista da realidade prática e trágica, o Brasil é um dos campeões mundiais de mortes no trânsito. Somente em 2013, 42.266 pessoas morrem vítimas das irresponsabilidades e acidentes automobilísticos. O Poder Público, no que tange a regulação do trânsito para proteger vidas, tem que agir de forma incisiva, técnica, educativa e também punitiva. Não vamos esperar que somente o “bom senso” (este bordão tão subjetivo) opere de forma cândida, espontânea e ordeira com os paulistanos, isto não irá ocorre na selva das rodas das insanidades psicológicas traduzidas na irracionalidade das ruas.

Ademais, qual o sentido de produzir tantos carros cuja velocidade irracional é como uma arma tanto para o motorista, quanto para os pedestres? Tecnicamente, por exemplo, um acidente com uma velocidade de 60 km/h em um tráfego intenso já impossibilitaria um tempo de reação do motorista o qual fosse possível evitar uma colisão. Num país onde a indústria automobilística dita as normas da circulação viária, a vida humana e o deslocamento coletivo é relegado à ultimo plano em nome exclusivo dos lucros.


Na patologia de uma pós-modernidade artificial e voltada para o lucro egóico, a pressa da sociedade para o vazio é o reflexo de um mundo onde a indiferença é o produto maior de uma modernidade cada vez mais excludente, ignorante e, sobretudo, alheia ao sentido de coletividade e segurança em comunidade. Neste contexto, a política do ódio, vai de vento em popa, procurando sempre um pretexto para exalar as frustrações cotidianas e escolher um "inimigo" material e bem calculado para gozar as insatisfações. No rol da estrada do absurdo, a Grande Mídia faz o papel de um pequeno demônio na orelha do "cidadão de bem" e vive a assoprar os motes do momento para faz jus ao ódio represado.

terça-feira, 14 de julho de 2015

O partido mais canalha do Brasil


Entre todos os lixos partidários, não há duvidas que a legenda do PSDB se tornasse o partido mais canalha do país (sim, o termo não é exagerado!). A social-democracia de sua antiga fundação se transformou hoje num berço do golpismo e de todas as medidas contrárias aos interesses nacionais. Sim, não precisa ser um grande analfabeto político para perceber o que move os interesses do partido de estirpe paulistano que é a insanidade histérica de derrubar Dilma (mesmo com todas as medidas neoliberais que assolou o segundo governo do PT/PMDB) de qualquer maneira e com toda a mídia hipócrita a serviço dos tucanos. Não bastou perde nas urnas, criar uma falsa divisão no país, mas é preciso, segundo a baba escorrendo dos seus membros mais irracionais e irresponsáveis, atear fogo no país.
Com um imbecil assumidamente insano com suas várias declarações idiotizadas, Aécio Neves, presidente da legenda golpista, é o senador símbolo de um partido cuja única meta é destruir e levar o país ao atoleiro com implicações senis e propostas retrógradas para sociedade. Se o PT surfa numa plataforma indigesta e equivocadamente neoliberal e os demais partidos da direita carcomida buscam tão somente nutrir-se do poder parasitando suas entranhas, o PSDB assumiu a postura do golpismo e do radicalismo patético contra qualquer interessa nacional.
Para os tucanos, cuja em sua história nunca tiveram a menor preocupação com a sociedade (lembrando que o Plano Real, a despeito do ego estratosférico de FHC, nunca foi um plano dos tucanos), principalmente para os que mais dependem das estruturas estatais, quanto pior a crise brasileira, maior é o desejo de arrebentar com o Estado. Sinais evidentes do empobrecimento famélico do debate nacional e das posturas de suas figuras políticas.
Para o golpismo dos tucanos e as mentiras sistemáticas ventiladas pela grande imprensa, é preciso que até o mais poliana dos analfabetos políticos compreenda os dilemas de um momento assumidamente perverso. Há aqueles que preferem atirar gasolina na fogueira, para este, o inferno não é o limite. Se atolarmos numa crise econômica, é imprescindível nos atermos a uma avassaladora mediocridade na política e um estado de porosidade em todas as questões mais importantes para o país. Reflexos também de uma parcela significativa da sociedade que apenas aprendeu a ser passivamente um voraz consumista egocêntrico e patologicamente conservador sem se atentar sobre os valores mais pertinentes e fundamentais da vida em comunidade.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Lutas raciais não devem justificar o ódio irracional e ocultar a verdadeira luta de classes pan-racial.


De fato, é bom o novo clipe da música “Boa Esperança” do rapper Emicida, forte e intenso. Todavia, deixo salientar que não sou apreciador do gênero, mas entendo sua pertinência cultural na sociedade. Porém, o que realmente não aprecio é a apologia da violência, por mais legítima que possa ser a revolta é natural do ser humano, mas um mar de ódio é também um oceano de barbárie. Não há diferenças entre negros, brancos ou qualquer outra coisa se não for a imposição política dos grupos, ou seja, a dominação social e a condução da exclusão como modelo operante da civilização capitalista.

Brancos não são mais "bonzinhos" ou "mauzinhos" que os negros assim como seus desejos perversos não são melhores ou piores de acordo com a sua tez. A dominação e a luta de classes vão além da mera questão racial e está na esfera das oportunidades dos grupos imporem suas ideologias.

Se por hipótese, todos os brancos fossem assassinados pela via do ódio racial como sugere o clipe de Emicida, brotaria da terra e sobre ela, enfim, um paraíso negro no planeta? Um rico negro não é menos pilantra que um rico branco, todavia, a ascensão do primeiro é mais difícil que o segundo dentro do mundo capitalista de origem branca europeizada. Aos que fazem apologia ao assassinato dos brancos também usaria todo o vigor contra negros igualmente perversos e dominadores quanto os de pele de cor diferente? Seriam os negros menos materialistas que os brancos e o gozo dos homens negros de ter relações sexuais com mulheres brancas seria o mesmo que têm ao transar com mulheres negras? É importante destacar que tais questões não são triviais e não devem ser refletidas de forma tão superficial como comumente assiste-se de vários setores sociais e de grupos que exalam a intolerância e um racismo atávico.

Se a cor significasse apenas e tão somente estratagema primordial para a eclosão da bondade humana não teríamos tantas desigualdades entre grupos éticos no continente africano, por exemplo, em estados governados por negros. Logo, é importante salientar que este debate é muito mais profundo do que a mera e sensível desejo de ódio de uma cor sobre a outra. É legítima a luta pela igualdade humana, todavia considero nefasta a promoção do ódio e da violência como medida compensatória de um dado desejo de ódio motivado pelo poder.

Por que uma mulher incomoda tanta gente?


São da natureza humana a agressividade e o ódio canalizados para as ações mais primitivas e grotescas. Séculos de uma busca de consolidação da civilidade ainda não permitiu que as histerias grotescas, as perversões e o desejo pulsional do ódio possam evaporar dos grupos sociais e do próprio indivíduo.

Dois exemplos que chamaram a atenção nos últimos dias nas redes sociais, o espaço de ódios pulsionais por excelência na pós-modernidade digitalizada. O primeiro foi o adesivo para carros que trazia como estampa a presidenta Dilma Rousseff numa posição de coito cuja região genital coincidia com o orifício para a abertura do tanque de gasolina. O segundo caso é o linchamento público nas redes sociais da nova jornalista, Maria Júlia, que apresenta as condições climáticas do global Jornal Nacional. Qual o crime dela e que despertou tanta revolta entre homens e mulheres? Ser negra e, além disto, utilizar-se o par do ódio: mulher e negra.

É mais do que necessário compreender a "política do ódio" que vem se aplicando por parte dos setores mais conservadores, fascistas e reacionários da sociedade brasileira, em especial, que utilizam dos meios de comunicação para induzir o que mais de primitivo tem na sociedade: a intolerância agressiva e odiosa.

Quanto gozo é exalado por alguém que enche a boca em público para xingar uma mulher como "vagabunda", "prostituta", "safada", "imunda", "macaca"...? O gozo libidinal do sujeito serve como descarga emocional para suas frustrações e revela o que tem de pior em seus medos: o pavor do outro e, mais ainda, o pavor de ser também o seu objeto de gozo fazer semblante para seus temores.

Para um exemplo prático e tragicamente ilustrativo. Os soldados de Hitler adoravam fazer sexo com "judias vadias" ao mesmo tempo em que mandavam outras judias serem incineradas vivas em campos de concentração. O gozo de destruir o objeto de prazer é também o gozo de se fundir a ele, em busca da totalidade do prazer do sujeito perverso e destrutivo. Assim também funcionam os mecanismos de gozo de soldados que invadiam aldeias, vilarejos, cidades e estupravam todas aquelas que faziam semblante de mulher. O inimigo com vagina potencializa todos os ideais fantasiosos dos soldados e que autorizaria a eles utilizar do sexo e da humilhação atos de bravura e descarga de poder fálico.


É mais do que necessário que a sociedade que não compactue com a barbárie imponha limites drásticos contra o jogo perverso dos perversos, de todos aqueles que flertam com atos e atitudes fascistas e daqueles que gozam na destruição do seu objeto de gozo. Não é ético ser tolerante aos intolerantes sob pena de agir como eles, ou seja, ser conivente com os perversos não tornam os não-perversos menos perversos. Do conforto da passividade nasce a a autorização para a barbárie. 

terça-feira, 30 de junho de 2015

Contra a sociedade do fanatismo e do ódio, penalizar os elos mais frágeis é a mais torpe canalhice.


Os nobres deputados picaretas que sempre ficam impunes dos seus crimes e ainda tem proteção especial para não ser incomodados por suas patifarias, agora, abusam da tentativa de emplacar a demagógica PEC 171/93 que visa a redução da maioridade penal, querem colocar na conta do lado mais frágil da sociedade, jovens pobres e sem rumo, a conta da vingança social irracional.
É de uma sordidez sem tamanho enjaular adolescentes juntamente com outros presos nas putrefatas escolinhas do crime que virou o sistema penitenciário brasileiro. Se a solução mágica do encarceramento da forma que é conduzida no Brasil fosse sinal de recuperação do penitenciado e diminuição da violência, teríamos outro cenário que não seja a quarta maior população carcerária do mundo.
A violência no país é estrutural e não será penalizando indistintamente jovens pobres da forma mais cruel possível que iremos amenizá-la, pelo contrário, não é apostando no ódio vingativo social turbinado por parte de uma mídia sensacionalista, fascistóide e irresponsável que obteremos melhores horizontes.
É trágica esta guinada canalha que a politicagem nacional vem adotando, e a Grande Mídia ecoando um discurso do fanatismo apelativo do medo, da violência e da incitação ao ódio. O discurso simplista que tenta divulgar de forma mentirosa é que para resolver a violência praticada pelos adultos e conduzida por eles, deve-se penalizar crianças e adolescentes. 

Sim, há casos pontuais de grave violência cometidos por menores, mas que devem ter tomadas medidas específicas para cada situação (para isto, as leis já estão na praça, é preciso aplicá-las corretamente). Ademais, quem acredita que algum adolescente burguesinho irá ser punido por eventuais crimes? O discurso do fascismo brasileiro é do ódio contra pobres, pretos e desvalidos sociais.
A sociedade brasileira, ao contrário que possa aparecer o belo discurso cordato do "cidadão de bem", traduz manifestações evidentes que demonstra não se importar seriamente com a educação de suas crianças e jovens coletivamente no âmbito de jovens mais pobres e em situação de risco. Bastar ver as condições depauperadas de escolas públicas estaduais e da carreira docente, temos o exemplo gritante de São Paulo que padece extremamente enfermo com sucessivos e desastrosos governos tucanos, é o mais rico estado da federação onde se optou pela desconstrução do sentido educacional em promoção da barbárie institucional.
Ao penalizar os elos mais frágeis de uma sociedade perversamente injusta e desigual, os políticos de Brasília, em especial àqueles mais reacionários, demagógicos e com seus gordos rabos cheios de dinheiro fazendo coro de palanque e inventando soluções mágicas tendo em vista uma sociedade acuada, egocêntrica e preocupada mais exclusivamente com os próprios narizes perdendo em vista a totalidade do conjunto social.


Os perigos dos modismos instantâneos


Se um suposto ato singelo e histórico como a comemoração da permissão oficial do casamento gay nos Estados Unidos teve uma avalanche de comoventes fotos coloridas, o que diria se a causa do adesismo fosse para outras causas menos nobres? Por detrás de uma causa justa, podemos refletir outros oportunismos como penduricalho.
As redes sociais passam longe de serem meras brincadeiras de crianças conectadas e o Facebook é mais um exemplo do quanto pode ser facilmente sugestionado o adesismo dos seus usuários menos atentos.
A ferramenta de "coloração arco-íris" de fotos no Facebook foi amplamente usada após o anuncio da liberação de casórios gays estadunidenses. Imaginemos se a ferramenta fosse para outras causas adesistas entre elas, a favor do consumo de uma dada mercadoria, posicionamentos políticos para um dado grupo ou até mesmo inclinações virulentas e irracionais para golpes de Estado. O teste colorido poderá produzir num futuro bem próximo é possível imaginar várias opções para os potenciais clientes por parte dos donos da rede social, no caso aqui, o Facebook.
Lembramos que estamos vivendo uma transformação da comunicação de forma nunca antes possível de ser manipulável e que o homem-forte da propaganda nazista, Joseph Goebbels, jamais iria imaginar. Mais uma vez, é pertinente que estamos não na era do conhecimento, mas nos tempos da informação instantânea, sem maturação e escassa ou nenhuma reflexão. Ademais, o senso crítico é ainda uma das poucas armas contra os fáceis e manipuláveis adesismos de plantão.

sábado, 27 de junho de 2015

O 7 a 1 inesgotável: Craques das pernas de pau e um bobo da corte como técnico de uma Seleção Brasileira horripilante e, agora, fora da Copa América


Patética! É a definição de uma seleção de pernas de pau com grife. Ficou claro que sem Neymar, o Brasil não ganha em dominó. Fim da camisa amarela tão vitoriosa?
Jogando na cidade chilena de Concepción, até com inicio um pouco mais animador, o Brasil fez um golzinho logo no início do primeiro tempo com Robinho e, simplesmente, parou de jogar nos restantes 75 minutos de jogo. Apática e horrível, o selecionado de pernas de pau de Dunga ficou assistindo todo o time do Paraguai avançar, encurtar os espaços da seleção e chutar em direção ao gol. O time do flamenguista Cárceres fez o que quis do Brasil e não foi melhor devido a própria limitação técnica dos paraguaios que abusam da força física fazendo muitas faltas.
Firmino foi uma piada em campo que vive apenas de grife, um poste pior que a história de Fred no fracasso da Copa do Mundo em terras brasileiras. Até que aos 26 minutos do segundo tempo, a criançona destemperada do Thiago Silva, mais uma vez, mete infantilmente a mão na bola e pênalti para o aguerrido Paraguai. Claro que o caçador de borboletas, o goleiro Jefferson, da segunda divisão botafoguense do futebol brasileiro, não poderia seguir e gol do Paraguai. A partir dai, a Seleção Brasileira que se arrastava em campo, implorando para o término da partida achando que iria se sobressair nos pênaltis e tremeu como vara verde do temível paraguaia vencedor de... nenhuma Copa do Mundo!
Acovardado e perdido em campo, as crianças de Dunga se resumiu a dar chutões perdidos em campo e o Paraguai dominar completamente e ameaçar a virar o jogo. Fim da partida, e na disputa dos pênaltis, Everton Ribeiro e o troglodita do Douglas Costa desperdiçam suas batidas e o Paraguai permanece, agora, para jogar as semi-finais da competição. Ficou mais do que claro que jogadores como a "invenção" Firmino, além de Douglas Costa, Fernandinho, não tem condições de vestir a camisa brasileira, além de mais da metade desta seleção convocada por Dunga. Além do próprio Dunga e suas dunguices não devem ter mais sobrevida nà frente da Seleção.
Acovardada e medíocre, dependente exclusivamente de um Neymar imprevisível, a Seleção Brasileira segue o calvário enquanto dos seus corruptos dirigentes da CBF fugindo da Justiça. Com um futebol pobre, patético, sofrível de uma geração com grife de bons empresários que está longe de ser brilhante e tão pouco tem algum espírito mais aguerrido. Pelo que se viu nesta Copa América, esta Seleção pífia vai sofrer muito para conquistar uma vaga na próxima Copa do Mundo, isto é, se tiver força para ficar na frente de Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e, até mesmo, o Peru. O vexame histórico do 7 a 1 tomados em casa diante da Alemanha parece ser inesgotável. Quanto o futuro, resta ao torcedor brasileiro recomendações severas dos bons cardiologistas.


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Cristiano... Quem?: O fosso cultural como sintoma do nosso tempo de histeria consumista.


O poço parece ser sempre mais fundo para quem olha de cima do que quem está em baixo. Assim, na horta da pós-modernidade brasileira, estamos cultivando o que foi plantado em anos de massificação de consumo, esterilidade educacional e numa sociedade voltada para o materialismo e as relações efêmeras. A cultura é sempre o reflexo de uma sociedade com suas vicissitudes, progressos e patologias.

Pior que o sertanejo universitário é o funk de apologia ao crime organizado e o consumismo histérico e, para a sorte da sanidade auditiva, são modismos do momento que irão passar como outros fenômenos siderais de pertinências similares. Dois ritmos sonoros tão toscos e irritantes que faz Satanás perder as estribeiras e achar que o melhor lugar é se chafurdar no seu Inferno e jamais pisar nesta Terra de insanos e profundo mau gosto.

Tragédias são tragédias, o que muda é o grau de impacto delas ou o nível de sensacionalismo impregnado daqueles que buscam venderem notícias. Logo, todo o noticiário midiático pipocou em comoção com a divulgação da morte de acidente automobilístico de um tal Cristiano... Quem? Até a apresentadora global, Fátima Bernardes, em programação ao vivo, confundiu o defunto com o jogador português, Cristiano Ronaldo. Recuperada da gafe, depois ela e os demais 99% dos brasileiros descobriram que o sobrenome do morto é Araújo, um assoprador de microfone do sertanejo universitário. Assim funciona a Grande Mídia e a comoções das tragédias humanas pontuais, transformando uma prisão de ventre numa epidemia diarreica. 

O sucesso nacional pós-morte poderia soar como sátira se não fosse literalmente uma tragédia em dois aspectos: a perda humana e a construção de um drama ficcional para atender o gozo do público. A morte de uma figura de um ilustre desconhecido e que fez mais sucesso na tragédia no que em vida é mais um registro do ápice do lixo cultural da massificação de mídias sociais. Assim, podermos retornar os conceitos de "industria cultural" empregado pelos frankfurtianos que alertava a coisificação da cultura como bens comercializáveis, ou seja, a cultura como objeto de mera mercadoria atrelada à uma sociedade do espetáculo.

Os supostos fãs ou que adoram se posarem de moscas de padarias, fizeram todo o teatro da comoção histérica diante dos holofotes de abutres da Grande Mídia. Certamente, não é o caso de não se lamentar a tragédia ocorrida afinal, foram vidas humanas perdidas. Porém é factível buscar compreender os motivos pelos quais uma sociedade se comporta por espasmos de indução histérica, ou seja, é do tipo daquele sujeito que segura a alça do caixão e sequer sabem quem está dentro dele. Vale lembrar que a mesma sociedade que subitamente tem comoção na catarse da morte de um desconhecido é a mesma que num passe de mágica midiática começa a odiar figuras políticas  e partidos. Basta lembrarmos os episódios da histeria convulsiva das manifestações mais agressivas de 2013, ainda com sinais em 2014, para bem além de vinte centavos e o comportamento manipulatório da Grande Mídia em detrimento da fabricação do ódio e a corrosão da popularidade da figura da presidenta Dilma e do seu partido, o PT. Sinais que até hoje são visto no posicionamento diário da Grande Mídia e sua relação obscura com a deformação de informações contra a figura da presidenta e o PT. Episódios como de Cristiano, o neo-famoso, é mais um exemplo do poder deflagrador das mídias em sensibilizar e criar emoções postiças nos sujeitos. 

A falência da cultura se torna evidente quando a pobreza estética e melódica se torna um movimento de "frisson" entre as pessoas. Para um publico que pede pouco, muito pouco, se contenta com o descartável, finge que gosta de algo que nem sabe o que é e não tem paciência sequer para ouvir. Não importa a música ou quem abre a boca para berrar e machucar os instrumentos. No caso do sertanejo universitário, o que importa é sonorizar a sofrência daquilo que se dá como musica em três temas grandiloquentes: balada, bebida e pegação! Lembrando que a indústria da música é movida com toneladas de jabás sofríveis, muita grana para divulgar o péssimo produto e insistir que vale a pena engolir a cachaça com rótulo de whisky mesmo que seja feito de vinagre.

O mérito dos anos Lula-Dilma foi tirar milhares dos brasileiros da miséria econômica para um patamar menos subnutrido. Todavia, as demais outras misérias, a cultural, cidadã e política, perpetuam-se até os dias de hoje. Apostaram-se todas as fichas numa sociedade consumista que pouco se importa para a Educação como elemento estrutural (aqui, a referência para a educação publica, das massas pobres, que vem sendo relegada à um sua própria sorte). A mediocridade também abate as camadas mais escolarizadas, logo o gosto de mimetizar o mau-gosto faz sintonia do nível da pobreza chinfrim dos debates políticos que vem ocorrendo na sociedade brasileira. 

Naturalmente, com a aposta na barbárie, a cultura virou sinônimo de bricolagem-pastelão, ou seja, uma mercadoria de consumo imediato e descartado na mesma rapidez. Sintomas de quanto anda o nível da cultura das classes médias e mais pobres brasileiras e o quanto estamos até o pescoço atolado dentro do poço num tempo que a mediocridade é a sinfonia de nossa história presente. Mas o que esperar de uma sociedade cujo ódio e a histeria parecem ser os produtos derivados de um momento de vazio substancial e horizonte narcísico sem fronteira?

sexta-feira, 12 de junho de 2015

A Educação no esgoto: somente uma sociedade medíocre permitiria um governo como o de Geraldo Alckmin


Que o governo de Geraldo Alckmin é especialista em "foder" com a categoria docente, não resta dúvida! Que é um grande “filho de uma puta”, mau-caráter e canalha, também não é novidade alguma! Ao professor, humilhado de todas as formas, seja pela vergonhosa esmola que lhe é pago , seja é sistematicamente corroído pelas péssimas condições de trabalho e segurança, resta-lhe duas coisas: adoecer ou exonerar.

Alckmin, assim como todos os tucanos dentro da dinastia paulista, fingiu que nada existia, nem greve, nem professores, nem sequer se existe Educação Básica. Logo, o desgaste natural de uma greve, os dias cortados e descontados na folha de pagamento, a insegurança da “normalidade” e a frágil credibilidade de um sindicato que prima pelo peleguismo se torna empecilhos reais para a desmotivação do ser humano na condição de "professor", que em geral, se acostumou a viver na barbárie cotidiana dos últimos anos.

Sabemos que sociedade brasileira mais reacionária, ou seja, aquela parcela com voz ativa e mais recursos, pouco está interessada na Educação. Logo, ela totalmente desinteressa se temos os piores índices educativos, uma vez que o grande feito de pais e mais da classe média é mimar seus próprios filhos e fazerem deles adultos idiotizados no futuro. Quem liga para Educação de pobres? Quem realmente se importa se temos uma sociedade cada vez mais pateticamente conectada em aparelhos eletrônicos e "desplugada" da realidade?

Alckmin sabe que os professores são passivos e que a Educação Básica não afeta diretamente a produção imediata das engrenagens capitalistas e sequer nenhum grande patrão o qual seria financiador de campanhas eleitorais tucanas. Logo, é fingir que esta tudo bem e tocar o barco da ignorância perversa.

Com a desmotivação da profissão e a ausência de uma carreira, os melhores professores não ficam e apenas os que "estão" professores a ficar ocupando espaço. Logo, cada vez mais o nível profissional dos professores tenderá a cair e a mediocridade sistemática impera de forma natural. O senso de criticidade e realidade se tornam cada vez mais distante e mais fácil para qualquer governo ou sindicato leniente operar. A "tia" ou o "tio" cede lugar do profissional de educação.

Na mediocridade dos debates atuais, a sociedade se preocupa muito mais com questões narcísicas, as questões da histeria sexual, o xingamento da presidenta ou a culpabilização de um único partido por todas as desgraças do país. A banalidade do debate sobre genitálias parece ser mais instigante do que entender que não podemos nos afundar no poço do obscurantismo e do fanatismo narcísico-capitalista. Qualquer coisa que for completamente estúpida, sensacionalista e indolor para o capital é porta de entrada para grandes bobagens ditas nas mídias e redes sociais. Nosso cotidiano é estreito, tacanho e, essencialmente, medíocre.


Qual o sentido da Educação em tempos de estupidez crônica? Não somos melhores do que se estabeleceu por aí e, pior ainda, tampouco desejamos mudar a realidade. Se o mundo é outro, não faz parte do pequeno umbigo narcisista, não interessa o melhor apreço de atenção. Assim, é a lógica o qual um governo medíocre sequer dá atenção a um pilar fundante de uma sociedade moderna que é a Educação. Afinal de conta, quem se importa para a Educação de fato numa sociedade tão medíocre quanto o governo que é o representante desta mediocridade? Temos um belo convite para o retorno ao período das trevas e da ignorância autoritária.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

As canalhices do "Estadão" para criticar de forma irresponsável os professores e defender o governo Alckmin.


Ah o ESTADÃO ! O histórico jornalão da putrefata elite xenófaba paulistana, defensora número um dos tucanos e porta-voz do Governo Alckmin. Não é de estranhar que o bolorento ESTADÃO venha em seu Editorial , "Aula de bagunça", avacalhar a greve dos professores da rede estadual para defender o indefensável, a canalhice perversa do seu queridinho governador. É de uma sordidez dizer que o pedido de aumento dos professores, que há anos vem sendo esfacelado por um arrocho sem igual, é "despropositadamente inexequível"!
É de uma profunda canalhice que os magnatas do ESTADÃO venha zombar dos professores, fazer um jornalismo da pior espécie, cheio de desinformação, preconceito e sequer queira conhecer as reais condições da destruição da Educação Básica pública por parte deste irresponsável governo tucano que já dura mais de duas décadas em São Paulo.
Dizer que o sindicato dos professores, a APEOESP, é do PT, é risível. Curiosamente, dizer que a greve é política petista contra Alckmin é desconhecer o estado de desertificação que se encontra as escolas públicas estudais e os piores soldos pagos aos professores. Basta de deboche, porta-vozes tucanos do ESTADÃO! Chega de escrever insanidades em prol de defender o pior dos governos da Federação, tendo em vista a maior arrecadação de todos os estados do país.
Se não tem competência para ter um minimo de sensibilidade, papagaios-de-pirata do ESTADÃO, que levem seus jornalistas para as ruas, conhecer a realidade e não ficarem em palacetes com ar condicionado escrevendo besteirol irresponsável, leviano e covarde. Não sejam tão covardes prezados jornalistas-cacarecos, assumam responsabilidade perante as questões sociais! Basta de escreverem tanta mentira escrota em suas páginas reacionárias e retrógradas em prol de mais desigualdade social.


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O Editorial d'O Estado de São Paulohttp://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,aula-de-bagunca,1700460 Acesso em: 05 jun. 2015.

Falsos Opostos: Quando a fantasia delirante da sexualidade estereotipada vira um grande nicho lucrativo


A sexualidade, ou melhor, o delírio da fantasia da sexualidade, é mais uma mercadoria que dá lucros para o capitalismo. Pouco é importante discutir de forma minimamente séria ou mais madura tais questões, se não for um grande arroto de pornochanchada sem nexo e estereótipos sexuais.

Fugir da realidade com encenações carnavalescas não contribuem para a construção melhor reflexão sobre o ser humano. Neste nicho de delírios narcísicos, temos a hipertrofia do ego no afã do seu puro narcisismo. Entre grupos heterofóbicos e homofóbicos, onde ambos é o puro desejo reverso e assim se (re)criam das suas faltas estruturais das suas personalidades.

Por exemplo, em São Paulo, a "Parada Gay" e a "Marcha para Jesus" tem o comum o distanciamento da racionalidade em prol da promoção de produtos os quais o lucro dos seus organizadores é promovido pelo ódio ao "inimigo" e a mistificação que tanto uma irreal pansexualidade como uma não-sexualidade são elementos fundamentais para o ser humano. Todavia, o desejo de cada grupo supostamente antagônico é fazer frente ao ódio do outro, ou seja, o Outro é o meu objeto recalcado de desejo na sinfonia das mobilizações histéricas.

O entrechoque das suas queixas é o produze como elementos estruturantes. Será que alguém para desenvolver sua própria sexualidade mais madura carece de todo um espetáculo carnavalesco cujo subproduto é a ostentação da imbecialidade?

Estamos no século XXI, e quanto à sexualidade é discutida e promovida por eventos e atitudes histéricas e estereotipadas, o capitalismo triunfa lucrando com a estupidez explícita dos seus consumidores para além da genitália.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Marta Suplicy, a neo-recalcada do oportunismo eleitoral.


A idade para uns chega com sabedoria, para outros, a estupidez permanente. Aos 70 anos de idade, a atual senadora pelo PT de São Paulo, Marta Suplicy provou, mais uma vez, que a vaidade narcísea imediatista é capaz de jogar por terra todo um passado. Atraída pelo desejo desenfreado por holofotes, Marta vê na corrida a Prefeitura de São Paulo, local o qual foi mandatária pelo PT, um trampolim para ventilar novamente seu nome nacionalmente.

Toda a trajetória política de Marta veio pelo carisma do seu ex-marido, Eduardo Suplicy, inclusive o sobrenome que ainda mantém como estratégia política de marketing pessoal. Porém, cuspir no prato que alimentou por anos, onde conquistou prestígio pessoal e força política é das formas mais cretinas da leviandade humana. Marta agora usa o discurso da direita de 15 de março, recheada de bordões anti-PT e com fabulações tão firmes como gelatina. É verdade também que tensões entre Marta e o PT sempre existiu, faz parte do conjunto democrático de ideias pregado pelo partido, mas que nunca passou de “fogo amigo” e, posterior, apaziguamento das partes.

O tempo passou e este clima de “fogo amigo” se ampliou. Sem força dentro do PT paulista para lançar suas pretensões pessoais e se aproveitando da onda conservadora da direita e seus extremos, Marta agora salta para o PSB, mais uma das inúmeras legendas-tampão para qualquer adesista oportunista. Todavia, nada impede que Marta troque de partido, mas antes é preciso deixar o posto de senadora e entregar o cargo para o PT. Certamente a disputa entre ela e seu ex-partido dará panos para várias mangas. Afinal, com a avacalhação que é o sistema partidário no Brasil, as mudanças de siglas e cargos no Brasil funciona ao bel-prazer do oportunista de plantão sem nenhum controle com relação ao público que elegeu o candidato, ou seja, um candidato é eleito por um partido e até o final do seu mandato já passou por diversos outros partidos. É a festa partidária impune e que Marta agora quer se aproveitar disto, assim como inúmeros outros políticos-surfistas de legendas.

Ao invés de preservar sua biografia, Marta, que foi deputada, prefeita, ministra e, agora senadora, pelo PT, quer jogar tudo na lama e, não contente, usa-se a forma mais covarde e midiática de achincalhar seu partido. O seu ápice foi nas páginas amarelas do fascista tablóide tucano, a Revista Veja. Como boa sexóloga, Marta faz o jogo da terapia que ela mesma recomendava em tempos do semanário feminino da rede Globo, a “TV Mulher”, na primeira metade dos anos 1980. Logo, Marta e seu neo-ódio oportunista contra o PT faz agora o teatro circense típico dos casais em neuras que se separam e tornam a vida deles uma comédia pastelão de xingamentos mútuos onde a maturidade foi a primeiro a pedir o divórcio.


A liberdade é de quem a conquista e cada um tem o direito de fazer o que desejar na vida, afinal, a liberdade esta posta aí, e cada um faça seu melhor enforcamento possível. Curioso que a origem de Marta foi de uma mulher da elite paulistana num partido de esquerda a frente do seu tempo, uma figura política destemida, muitas vezes mimada, cheia de gafes e atitudes dúbias atuando em temas tabus da sociedade do seu tempo e, por sinal, derivou força política para sua atuação dentro do cenário paulista e nacional. Agora, Marta Suplicy, preferiu o caminho mais fácil e o recalque da vestimenta da direita, com um discurso reacionário, imediatista e infantilizado. Triste, Marta, muito triste!

terça-feira, 21 de abril de 2015

FIESP na campanha para convencer que a escravidão é o melhor dos mundos para o trabalhador


Está sendo vinculada na televisão uma propaganda da FIESP, onde o seu presidente e ex-candidato a governador de São Paulo, Paulo Skaf, com a escancarada cara-de-pau que lhe é peculiar, vem querendo aplicar o conto da Carochinha ao dizer que a "terceirização" contida na regulamentação da maldita PL 4330 é "benéfica para os trabalhadores e para o país".

Para ser mais patético o "spot" comercial, desfila ao longo dos trinta segundos um bando de "caras felizes" com caderninho azul que simboliza o emprego registrado dando a impressão que trabalhar de forma completamente precária ao estilo que remete à escravidão é o rumo que o país necessita. Skaf, com aquele sorriso de múmia no formol, garante aos telespectadores que é o melhor dos caminhos é o retorno ao período anterior ao decreto da Lei Áurea.


Assim opera a lógica os patrões: adoram reclamar de tudo, cortam todos os benefícios possíveis, xingam o governo pelos impostos que eles sonegam em nome exclusivamente do lucro: fácil, rápido e indolor.

domingo, 12 de abril de 2015

Um continente perverso: algumas breves peculiaridades do fascismo à brasileira


Apesar de pouco divulgado, é sempre pertinente (re)lembramos um curto e magistral documentário de Jorge Furtado de 1989, “A Ilha das Flores”. Didático na sua essência, ele serve para refletirmos uma sociedade que tem em sua alma a podridão de impor que uns tem mais direitos do que outros. As cenas são cruzadas e dá um efeito muito sintético de entendimento de como a crueldade, a ganância e a desigualdade é o motor de um continente de tantas riquezas e contradições intrínsecas.

Nossa mediocridade é orgânica, fruto de uma sociedade parida da desordem e da acumulação. Somos hoje um bando de seres que tentam coexistir num mesmo espaço, porém a briga por farelos nós diferenciam de forma qualitativa. Quem tem o monopólio do capital e do poder de polícia assume as rédeas do jogo entre quem pode mais e os que nada podem.

A violência viceja com dois aspectos: como (o)pressão das classes mais pobres e a manutenção da desigualdade com a promessa de “melhores oportunidades” para todos. O que de fato, é que o tal “todos”, na linguagem capitalista, são apenas alguns, muito poucos, apenas os bons adaptadores das hostilidades do sistema podem garantir as benesses de algumas uvas da videira cujos donos é apenas um punhado de espertalhões. A Justiça beneficia quem mais pode comprar anteparos no mercado da Lei, bons advogados e alguns juízes de moral “flexível” é quase sempre a senha para a impunidade no alto estrato social. O emaranhado de leis se constituiu numa teia indecifrável de um fetichismo jurídico que pouco dá vazão a atitudes realmente de punição e justiça, propriamente ditos. Diante da injustiça generalizada, a farra dos ricos e da política da “carteirada” (ou seja, o mote “com quem você pensa que está falando?”), punir os pobres parece ser a melhor política e a mais fácil, diante do mar de injustiças e demagogias reinantes que tomou conta da opinião pública.

A pobreza ainda é vista não como um crime hediondo das classes dominantes contra as mais desfavorecidas.  Ser pobre no Brasil nunca foi um castigo existencial, ou seja, não chega a ser uma “limitação” das relações sociais[1], mas diante de uma lógica de pura perversão, se tornou uma questão de não ter habilidade do papel “empreendedor” dentro do mundo em que vive. A lei da selva é a doutrina selvagem da procriação e castração capitalista.

A política é a produção de falsos estabilizadores os quais impedem maior mudança das relações de trabalho e capital e a manutenção das regras rígidas entre pobres e ricos. A representação popular é trocada pela representação daqueles que fazem a manutenção da sociedade. Nossa democracia é inacabada, apesar dos avanços, mas preocupa os valores que originam dela pouco ainda é visto como fundamentais por parte significativa dos brasileiros. Nossa democracia é ainda pequena e incipiente perante as desigualdades latentes e, consequentemente, o Estado é ainda mínimo para atender toda a demanda necessária. Ademais, somente com pura e sádica perversidade desejar um “Estado mínimo” diante de tantas fragilidades máximas em nosso país.

Os padrões de crueldade são estabelecidos por regras burocráticas, onde alguns pouquíssimos grupos tem acesso e se isolam em um poder quase sempre marcado por desvios, corrupção, clientelismo, ou seja, o lado subterrâneo da democracia. Por outro lado, os avanços sociais mais pertinentes corridos nos últimos anos, através de políticas sociais redistributivas para aqueles setores mais frágeis socialmente, são logo minimizadas, ridicularizadas e criticadas justamente pelas elites bem nutridas e setores mais abastados da classe média. Uma vez que é pertinente não dar espaço para conquistas que possam alterar qualquer nuança do status quo vigente e dai, o esgotamento do modelo redistributivo sem aprofundar as reformas essenciais para uma profunda transformação do meio socioeconômico.

Sim, somos imensamente perversos, não por uma questão de gênero ou fetiche sexual, mas pela própria capacidade humana de gozarmos com pequenos e grandes atos de perversidade, uns com outros, e conviver aplaudindo com riso histérico dos que mantem o poder sobre aqueles que nada podem fazer além de ter autopiedade e acreditar que algum salvador extraterreno divino mude a sua condição.

Aqui, a questão da perversidade é a matriz do pensamento autoritário do fascismo que nos impede de olhar o Brasil com um ar de maior soberania entre um passado malogrado e um futuro cheio de vãs promessas. O fascismo à brasileira é muito mais cruel e difere dos aspectos clássicos do Europeu. Aqui, o ódio de classes está no ódio aos pobres. O conceito é tão arraigado que quando um pobre tem a ilusão de ascende de classe, “virou classe média”, ele começa a reproduzir o mesmo discurso do asco que as classes dominantes têm dos pobres. Por sinal, da classe dominante, o que lhes interessa com relação aos pobres são basicamente duas questões básicas: a força de trabalho dos trabalhadores cada vez mais precarizados e o sexo das mulheres pobres. O primeiro é óbvio, é o que move o mundo do capital, o segundo é pelo fato que sexo genital é primitivo e é um produto meramente comercial, passível de trocas. Por isto que a prostituição (explícita ou implícita) é a atividade mais próspera no mercado de compra da força de trabalho e independe de crises econômicas sistêmicas e, aquela, que cria mais ilusões gananciosas e infantis da ascensão exponencial do desejo de “mudar de vida”.

Iludimo-nos achando que somos civilizados. No caso brasileiro, não somos mais ou menos perversos do que outros povos, mas a nossa peculiaridade perversa inviabiliza um projeto maior e de maior durabilidade de mudança radical das estruturas socioeconômicas. De progresso simétrico, vivemos de pequenos surtos, suspiros, lampejos de uma esperança do “Brasil do futuro”... Porém, um coito interrompido logo se segue e sempre os ânimos recaem a posição de uma depressão passiva. Seria mais oportuno dizer que estaríamos em vias de alguma civilização, assim ao menos teríamos um norte a se avizinhado, apesar do gosto “medíocre” que a elite perversa sempre fez acreditar na nossa ficcional incapacidade de mudança em nossa sociedade. O verde da grama dos outros sempre foi vendida como melhor que o verde que faz a borda da bandeira nacional! Nesse conjunto, a questão ideológica preconizada pela Grande Mídia conservadora, mesquinha e insanamente gananciosa expõem tensões fabricadas em meio a desinformações, histerias e ódios cheios de vazios.

Sim, estamos melhores que num passado mais recente e primitivo na sua estrutura. Há pouco tempo atrás a pobreza extrema atingia os brasileiros em maior número, mas longe de acreditarmos que o cheiro do perfume é condicionante básico da emancipação humana e o fim das opressões de uns poucos contra todos os demais. Todavia, sem um projeto alternativo de realmente busque modificar as estruturas mais abissais de nossa sociedade, logo, o que podemos esperar é um movimento conservador reacionário de ares fascista. Mesmo apelando para pactos sociais com alguns lampejos de claridade. É preciso ir além de uma mera iluminação inconsciente para um progresso, sem buscar a via fácil e volátil pelo acesso dos mais pobres um mero consumismo de bens materiais e cultura estúpida. Se o Brasil deseja amadurecer com mais desenvoltura, é preciso ultrapassar velhos paradigmas inócuos, e buscar a fecunda e inadiável dignidade humana dentro dos alicerces da cidadania brasileira a todos e sem restrição. Todavia, por este caminho, não será sem lutas dos trabalhadores e dos movimentos sociais mais ligados às classes mais depauperadas diante de uma classe hegemônica de dominação cujo ranço é de matriz fascista, escravocrata e sádica.





[1] Há uma fetichização do “ser pobre”, um elemento valorativo quando vemos, por exemplo, a cultura do carnaval, onde a “comunidade” é levada ao panteão dos imortais dos “bambas”, em particular no Rio de Janeiro (com muito mais força) e em São Paulo. Todavia, esta ideologia sazonal de fluidez da demanda da paixão pela “pobreza” em termos culturais serve como um bloqueio entre “eles” (pobres) e nós (ricos) por parte das elites dominantes. Como se quisessem dizer em alto e bom som: “Aceitamos sua cultura três dias no ano, mas somente isto; os demais impomos a nossa cultura segregadora durante todo o longo restante dos dias do ano”. Uma espécie de canibalização da cultura alheia para domesticar suas pulsões e desejos em prol do controle daqueles que operam e decidem de fato as rédeas sociais. Outro exemplo é a preocupante ascensão meteórica da cultura evangélica que parte da premissa ideológica de despossuir o desejo do “convertido”, domesticando-o de tal maneira que seja um servo, não de Deus, mas dos desígnios da Igreja e de seus pastores que manipulam e controle o desejo de seus dóceis fieis. 

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