domingo, 29 de junho de 2014

A flor da pele: a preocupante crise emocional da Seleção.





No maior teste dos selecionados brasileiros dos últimos tempos, uma seleção jovem, inexperiente em Copa do Mundo, que carrega o peso e a pressão de 200 milhões de técnicos de futebol cuja disputa acirrada é em casa, sempre festiva emoção, mas altamente explosiva. Se a casa é um trunfo para os donos dela, para os adversários, inquilinos provisórios, é uma conquista de ouro desbancar com muito mais vigor o dono do imóvel.

O resultado é visto em campo, uma seleção nervosa, emotiva, errando muito e, acima de tudo, com picos de ansiedade que quase tirou neste sábado o tão alardeado "sonho do hexa". 

Sintomaticamente, se tornaram comuns as lágrimas durante a execução do hino nacional por parte dos jogadores brasileiros. Assistimos neste sábado o choro desmedido do goleiro Júlio César, antes e depois da cobrança de pênaltis. Neymar foi um símbolo do desgaste emocional, desabado em campo sendo amparado o Felipão. Até mesmo o sempre poço de gelo, Parreira, o grande técnico tetracampeão do mundo em 1994, estava muito exaltado na área técnica e brigando muito com o quarto árbitro sobre jogadas não sinalizadas pelo juiz inglês. 

A explosão emocional que bateu na trave de Júlio César na cobrança de Jara foi o ímpeto de explosão catártica dos jogadores. Seria leviano em não lembrar que a catarse foi também nacional, sim, de todo aquele povo que torcia pela Seleção, dentro do estádio e principalmente fora dele, e voltou a se apaixonar por ela. Se o futebol é ópio do povo, que a verdade seja dito: nada é mais aderente à afetividade nacional que um gramado bailando a camisa canarinho. 

A Copa do Brasil de amor e de ódio. Fato que somente com Felipão essa paixão com as cores nacionais voltou a ferver por parte da população. O mesmo Felipão pentacampeão em 2002. Diante dos ecos à capela do hino nacional, o velho bordão da “pátria de chuteiras”, a torcida e os jogadores em clima de euforia e catarse. A sobrevida passou para a próxima sexta-feira, contra um bom selecionado da Colômbia. Outro espasmo emotivo?

Assim é o Brasil, como todos os nossos problemas e com toda a emoção de não ser derrotado... Nunca! Nesta Copa, o maior de todos os adversários da Seleção Brasileira é ela mesma, sua ansiedade estampada nos rostos dos jogadores e o medo do fracasso iminente. O medo de perder para si mesma, a fragilidade de se olhar para o espelho e se reconhecer como gigante.

Independente de qualquer que seja o resultado nos próximos jogos, raramente, temos que reconhecer que o que se viu foi um elenco com muita garra para vestir a camisa verde-amarela. Coisas que somente Felipão pode reinventar (logo ele, que sabe muito bem explorar o lado emocional dos jogadores)!  

Com altos e baixos, vitória ou derrota, esta seleção merece o carinho do torcedor brasileiro. Já ficou para a História. É emocionante!

sábado, 28 de junho de 2014

Brasil no sufoco e com Júlio César




No sufoco! Jogando um futebol pobre e previsível, Brasil precisou de muita sorte e do dia inspirado do goleiro Júlio Cesar para vencer o combativo Chile.

Mais uma vez, os erros foram contabilizados. As frágeis laterais com um Daniel Alves péssimo e Marcelo com ar de perdido em campo. O meio de campo continuou a ser um queijo suíço sendo dominando quase por todo o tempo de jogo pelos chilenos. A posse de bola era muito maior para a brava seleção de vermelho.

O Brasil abriu o placar com um gol contra, mas dado a David Luiz, e tudo parecia se encaminhar para uma típica goleada contra os chilenos. Porém, o que era para ser fácil, se complicou com uma lambança de Hulk que deu chances para Alexis Sánchez empatar de forma bisonha com ajuda dos erros da defesa brasileira. Preocupação!

Brasil que havia começado bem melhor, agora era facilmente acuado pelo time chileno, se bem que as oportunidades reais de gol eram mínimas para ambas as seleções. A violência foi protagonista e Neymar foi muito caçado em campo. Final de primeiro tempo e sufoco!

Sem mudar para o novo tempo, a Seleção continuou a praticar um futebol sonolento e previsível, onde a raça era o que destacava. Do outro lado, a raça chilena também foi imperativa. Baixo nível técnico em jogo amarrado e feio de assistir. Daniel Alves continuou errando.

Jogo embolado, Felipão começa a mexer no time. Jô no lugar de Fred era horrível. Fernandinho abusando nas faltas deu lugar ao apagado Ramires. Oscar burocrático cedeu lugar ao também apagado William. O banco de Felipão nada vez para mudar os destinos da partida. Quanto a Neymar, já bem machucado e bem marcado, pouco criou e tal como toda a Seleção, pouco igualmente foi ofensivo. Para se ter uma idéia da mediocridade brasileira em campo, Hulk, com mais pulmão em campo, era o destaque do time brasileiro... Sofrível!

Jogo se arrastando, com uma bola na trave chilena no final do jogo que parecia decretar o "mineirazzo" (uma cópia tétrica do fantasma de 1950). Não foi desta vez, ufa!

Para desespero do torcedor, a partida foi para a prorrogação. O Brasil se portou melhor em campo com um Chile exausto e guerreiro. Em trinta minutos, o placar em nada se moveu.

Pênaltis! Bateu o desespero da torcida e fez tilintar o marca-passo de muita gente. Hora de Júlio Cesar, cria do Flamengo, que chorava copiosamente em campo, aparecer para sua redenção.

1 x 0: David Luiz convertia o primeiro. Júlio César defendia o primeiro tiro chileno.
1 x 0: Wiliam jogava para fora e Júlio César, de novo, defendia o chute de Alexis.
2 x 1: Marcelo faz e Aránguiz também.
2 x 2: Hulk cobra péssimo e Díaz empata para desespero da torcida brasileira.
3 x 2: Neymar convertia o último chute e, para a sorte do país sede do Mundial, a pancada de Jara batia na trave. Deu Brasil para a próxima fase!

Haja batimento cardíaco!... Sufoco até o final, Júlio César despontando como o principal nome da partida.
Algumas lições óbvias a serem observadas. Primeiramente, é notória a pobreza futebolística do selecionado brasileiro e, somente, na garra vem fazendo resultados neste sufoco todo! Neymar, assim como no jogo do México, bem marcado pelos chilenos, não mostrou todo o seu potencial. Daniel Alves somente está nesta equipe devido a excelente amizade com Felipão, é horrível, sempre horrível! Marcelo é um doido que fica na lateral e haja suspiro de desespero quando este amalucado pega na bola. Oscar se apagou e morreu a rara criatividade no meio de campo. Talvez Hernandes bem melhor e oportuno para dar maior consistência neste setor. O banco não vem resolvendo. Fernandinho bem mais apagado do que o segundo tempo contra Camarões, quando entrou e fez a diferença. Jô é uma piada e Fred é apenas um cara legal e esforçado. Ponto final!

Haja sorte e raça para esta Seleção, pois no quesito bom futebol está sofrível!

Em tempo: É bom destacar a forte marcação e disciplina tática da seleção chilena comandada pelo argentino Jorge Sampaoli. A freguesia continua, mas cada vez mais díficil de manter a clientela.
  

  

segunda-feira, 23 de junho de 2014

BRASIL 4 X 1 CAMARÕES: Brasil com "neymardependencia" vence o insosso Camarões.




Há uma máxima no futebol que diz "em Copa do Mundo, não tem jogo fácil". Um belo bordão para justificar os erros dos grandes medalhões ao título do maior de todos os campeonatos do planeta. Nessa toada, Brasil e Camarões era um desses jogos que somente com muita má vontade a Seleção Brasileira iria perder diante de um adversário que somente veio para passear no país. Começou bem, atacando, porém mais na força de vontade do que equilíbrio técnico. Péssimo sinal da típica ansiedade que a Seleção vem pastando para "concluir" o jogo nos minutos iniciais (vide o gol "bobo" contra a Croácia, na estréia). Neymar inspirado fez o primeiro gol. Belo gol! Tudo parecia se encaminhar para a óbvia goleada. Parecia?

A afobação continuou e o meio de campo brasileiro parecia inexistente. Até numa incrível falha de toda a zaga brasileira por via de um escanteio gratuito, Camarões empatou com Matip. O que parecia inacreditável, ocorreu e bateu o desespero tanto da Seleção quanto da torcida brasileira. Porém, Neymar mostrou que está a fim de jogar de fato a Copa, faz um outro belo gol para fazer 2 a 1 e aliviar todo um país. Festa e a certeza que a dependência por este rapaz é total em um time bom, mas limitado. Porém, como diz um outro bordão "é o que temos para o momento". É muito preocupante!

Mesmo à frente do placar, a Seleção não tinha meio de campo e até a seleção camaronesa resolver jogar um pouquinho de bola. Deu sufoco na zaga, com novas boas atuações de David Luiz e Tiago Silva, mas sem grande trabalho para Júlio Cesar. Luiz Gustavo, novamente atuou bem. Paulinho, novamente, sumiu em campo e as ligações diretas entre defesa e ataque eram facilmente destruídas pela péssima zaga de Camarões e nossas laterais continuam bem irregulares. Daniel Alves, mais uma vez, é uma fragilidade na equipe. Péssimo final de primeiro tempo, ruim de assistir e palpitava o coração verde-amarelo de tensão!

O segundo tempo, para alívio da torcida, Felipão troca o pálido Paulinho por Fernandinho com a tentativa de recompor o meio de campo. Deu certo com ótimas assistências. Parecia um outro time. Ganhou mais consistência a área que mais o Brasil vem pecando. Fred desencantou com um gol com o “estilo Fred", meio de cabeça, meio de cara, todo desajeitado, mas tá valendo. Alívio total! Hulk, nada incrível, apenas esforçado cedeu lugar para Ramires e Neymar já cansado saiu para dar lugar a William. Para finalizar, Fernandinho que deve tomar a titularidade do insosso Paulinho, fez o quarto gol e sacramentou a vitória. Brasil classificado com um futebol mais vistoso perante uma frágil equipe que veio de "chinelinho".

Próximo adversário da Seleção é contra o freguês Chile. Todavia, é preciso pés nos chão. A seleção chilena vem fazendo uma excepcional Copa, bem acima da sua média. Tem bom toque de bola, bom ataque e ainda com uma defesa mais vulnerável. Se o Brasil entrar de salto alto será goleado. Sim, não é nada difícil de ocorrer. É fácil perceber o descontrole da jovem equipe brasileira e a pressão de jogar em casa. Os chilenos sabem disto e apostaram na tática de impor pressão ao Brasil. Cabe ao Brasil jogar como fez no segundo tempo de Camarões, controlar o meio de campo e dar qualidade ao passe ao ataque, principalmente para Fred que será bem marcado. Quanto a Felipão, é necessário mudar a equipe titular: Fernandinho é bem melhor que Paulinho, Maicon é bem melhor que o Daniel Alves e Hulk é Hulk, não podemos esperar nada, além disso, e ponto final. Quanto a Neymar, será ele o talismã para tirar esta seleção do ostracismo da severa falta de criatividade no ataque. Não vai ser fácil.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Preocupante futebol: Brasil sofrível empata com o igualmente sofrível México.



Fred, o cone da partida. Um retrato do que foi a atuação pífia da Seleção contra a mediana Seleção do México, cujo maior destaque esteve no goleiro. Brasil sem criatividade, previsível, errando muitos passes e o bendito jogo de fazer ligação direta com os chutões de Júlio César tentando acionar o ataque dorminhoco. Não dá para aceitar uma seleção que deseja o título mundial com um futebol varzeano bem ao estilo do nosso dolorido campeonato brasileiro.

Nossos laterais são fracos. Daniel Alves não merece ser titular e o jogo passado já mostrou claramente isto. Marcelo meio perdido em campo com alguns lampejos e só.

No ataque, Fred não atuou e serviu apenas para parar as jogadas em tolos impedimentos. Jó entrou e não fez nada. Bernard muita correria e nada. Neymar, muito bem marcado, mostrou que seu futebol quando é bem "vigiado" se apaga. Ramires fez pouco, assim como Paulinho que nem suou a camisa de tão apagado.

Destaques ficaram com nossa zaga que trabalhou bem, Tiago Silva, o melhor da partida, preciso e seguro e David Luiz, até com ímpeto de ir para o ataque. Júlio Cesar não comprometeu, mas irritava a insistência de ligação direta e fico evidente o desespero do time sem criatividade no vazio meio de campo. Luiz Gustavo atuou novamente bem e William entrou tarde e não fez nada. Oscar foi o Oscar de sempre. Contra a Croácia foi um Oscar que não é o "normal".

Casou espanto é ver a seleção completamente dominada no meio de campo, principalmente, no segundo, por uma seleção, que me perdoe os hermanos mexicanos, mas muito fraca. México é pior tecnicamente que a Croácia, e mesmo assim o Brasil conseguiu atuar bem pior que o primeiro jogo. Preocupante!

Uma coisa serviu para os brasileiros, minimizar este oba-oba péssimo e ter consciência, conforme já comentei em outras postagens, que temos uma das seleções mais frágeis dos últimos tempos atuando numa Copa do Mundo. Holanda e Alemanha são disparadas, as melhores seleções atuando na primeira rodada da primeira fase e o Brasil que se viu hoje em campo foi um horror, sofrível e seguramente um time que dificilmente passa das oitavas de final jogando assim. É preciso ligar o sinal vermelho na testa de Felipão.

sábado, 14 de junho de 2014

A bem conhecida tragédia da escola pública brasileira.



A educação pública brasileira é uma paródia (mas não tão paródia assim, pois merece o rótulo de "hecatombe") do enorme e fétido esgoto educacional que é vivenciado cotidianamente as escolas públicas. A tragédia não é de hoje e tem causas muitos previsíveis e conhecidas.

Cito particularmente o caso de São Paulo, particularmente já completei mais de dez e inúteis anos a serviço da equipe de "enxugar gelo" em péssimas, horripilantes, desestruturadas escolas públicas da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Lembranças boas? Nenhuma, zero e pura depressão!

A crise da educação é muito pior e mais dramática quando se entra no ensino noturno e não se sabe se seus alunos são "alunos da escola" ou candidatos à ingressarem nas fileiras de alguma organização criminosa. Sem contar o horripilante nível cultural que mais parece uma sucursal de alguma região após bombardeio massivo de frente de batalha da Segunda Guerra Mundial.

À surdina, fiquei sabendo que a Fundação Casa (ex-FEBEM), em São Paulo, começa a depositar com mais ênfase seus "alunos" de "liberdade assistida" (a famigerada sigla L.A. que os professores já sabem que é problemas à vista) nas escolas públicas (economia de verbas?) e aí sim, temos uma bela formação entre o que já era pior e o muito pior. A Fundação Casa é outra tragédia que sequer se sabe com alguma clareza para que ela realmente serve: se é um presídio-mirim, uma escola do crime ou um “point” passageiro para o gueto se formar para o crime na vida adulta. As tragédias humanas estruturais desembocam quase sempre em violência instrumental futura.

Não há nenhum tipo de preocupação em políticas sociais para a adolescência e os pós-adolescentes, exceto aquele besteirol já carcomido de incentivar o hip-hop, funk e demais bobagens afins como se o destino de todo pobre é se fantasiar de negro estadunidense ou se uniformizar para o tráfico e no caso, as garotas, se posar para a capa de alguma revista da rua Aurora. Em suma, no máximo é a condução desta política patética de encher conta corrente de ONGs picaretas com dinheiro público para promover bobagens inúteis e somente tem alguma visibilidade em épocas eleitoreiras. Promoção de políticas públicas educacionais não é somente promover dancinhas da moda ou do "gueto" para prover ONGs oportunistas e tirar comodamente das costas do Estado o seu compromisso básico com Educação! É uma tragédia com consentimento de país, professores e Poder Público.

Quem já passou experiências completamente desagradáveis em sala de aula sabe o clima infernal de estar dentro de uma pocilga de quatro paredes, um quadro negro quebrado e rabiscado e um bando de almas desvalidas e sem nenhum norte na vida. Sem mencionar a questão salarial do professor da rede que é um verdadeiro insulto e que somente atrai péssimos profissionais como "professores". Poucos realmente se salvam e, quando "salvos", adoecem ao longo do período ou pedem demissão por não mais aguentar tal situação.

Somos pentacampeões mundiais no futebol, mas me matéria de Educação Básica sequer conseguimos sair dos últimos lugares das eliminatórias. Nem aparecemos na fotografia de algum torneio, exceto alguns casos raros que é muito mais da força pessoal do indivíduo do que resultado de políticas públicas factíveis.

Brincamos de se fazer Educação Pública. É patético, ridículo e, acima de tudo, uma irresponsabilidade governamental sem tamanho de todos os partidos de base governista ou da oposição de todas as esferas de Poder, sem exceções.

Queremos realmente levar a sério a Educação Pública no Brasil? Eu duvido.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

BRASIL 3 X 1 CROÁCIA: Neymar, Oscar e juiz japonês dão vitória ao Brasil sob a arquibancada da casa grande em Itaquera.


O cenário não poderia ser mais brasileiro, toda a branca da Casa Grande ocupando todos os espaços do estádio do Itaquerão. Sem negros e mulatos visíveis, todo bairro da modesta região de Itaquera se parecia num albino bairro dos Jardins ou Higienópolis entronizado nas poltronas do estádio Padrão FIFA de arrogância absoluta.

Sim, ela mesma, toda a classe burguesa que passou a criticar de forma oportunista a realização da Copa do Mundo e dizia que aqui seria o pior lugar da Terra para ter algo neste sentido. Mas como todo fascínio das classes médias e altas pelo fascismo é estruturalmente reacionário e oportunista, lá estava todos os branquinhos com ares europeus cantando o "hino nacional" (claro que no dia-a-dia todo este pessoal tem ojeriza e fazem beicinho contra o país, mas o importante é fazer jogo de cena para as televisões mundiais) para, logo depois, xingarem de forma ridícula a presidenta Dilma: para alguns fascistoides neuróticos de plantão foi um gozo maior que a vitória do Brasil. Freud explica muito bem isto!

Em campo, o que foi visto não era bem o que a verdadeira torcida da seleção esperaria, mas era compreensível em jogos de estreia. Um Brasil afobado, muito bem marcado pelo time da Croácia que fez também que se esperaria jogando contra o time da casa: forte marcação, recuada e subindo apenas em rápidos contra-ataques. Não deu outra: no segundo bom erro de passe brasileiro permitiu que o ataque croata fizesse o primeiro gol do Mundial na arena pública do Corinthians com uma enorme ajuda do péssimo lateral Marcelo. Histórico primeiro gol contra do Brasil em atuações na Copa do Mundo. Susto, preocupação e ampliação da ansiedade.

Após o gol sofrido, o Brasil pareceu que tinha acordado em campo, e foi mais inciso no ataque, até o gol magistral de Neymar empatando a partida. Alívio e muito alívio em campo e toda a Casa Grande presente no estádio vibrando. Ironias do destino! O restante foi administrar a partida com as contínuas e sofríveis atuações dos laterais Marcelo e Daniel Alves, por sinal, ambos ainda não entenderam que o mundial já tinha começado há 45 minutos.

No intervalo, sem substituições por parte de Felipão e andava reclamando muito do juiz japonês, Yushi Nishimura, e em muitos lances de bola e agressividade entre os jogadores parecia perdido em campo. Após uma bela encenação teatral do apagado Fred, o juiz deu pênalti para o Brasil. Apesar do esforço do bom goleiro croata, Pletikosa, Neymar com pênalti mal batido, mas que entrou. Se entrou foi gol, o segundo gol do Brasil e o alívio se amplia deixando lugar para a certeza da vitória. Neymar dois a um.

Perdendo, os croatas insistiram e partiram para o ataque. Júlio Cesar sofrível, fez suas lambanças de sempre, inclusive em um gol mal anulado que o juiz japonês assinalou como sendo uma falta em Julio Cesar, que não houve. Não teve jeito, o juiz era "nosso" e ponto final. Coisas do futebol e nada deste besteirol que o juiz foi "comprado". Curiosamente, quatro anos atrás, o mesmo juiz da derrota e eliminação brasileira da "era Dunga" para a Holanda, cuja partida trágica o mesmo juiz nipônico não marcou um pênalti sofrido por Kaká.

Com ótima atuação de Luiz Gustavo e brilhante "estréia" do acordado Oscar que sempre andava apagado em atuações pela seleção, deixou o dele as 45 do segundo tempo, em uma bela inserção dentro da área croata e chutando de bico para a trave direita de Pletikosa: 3 a 1 e ponto final.

Entre mortos e feridos, o Brasil ganhou de forma suada, com péssima atuação coletiva e contando com a simpatia nipônica do apito. Dos poucos destaques positivos, apesar da vitória que é fundamental, entre eles, foram que Neymar ao estilo “Pelé” mostrou que de fato não veio usar sua "máscara" e carregar o fardo ao lado de uma grata atuação como elemento-surpresa de Oscar, o absoluto em campo. Fred sequer suou a camisa, mas deverá ser contratado para atuar nas novelas da Rede Globo. Júlio Cesar irá causar muitos infartos em torcedores. Marcelo precisa tirar a cabeleira dos olhos e jogar mais bola e Daniel Alves não poderá continuar a ser titular da seleção. Felipão certamente é ótimo, mas é teimoso. É preciso mudar o time de forma a não sofrer tanto e depender de juízes canastrões. Logo, é preciso mais que os santos e orixás a continuarem a olhar pela seleção... É preciso jogar bola coletivamente.

Ah sim, quanto a Casa Grande falastrona, bem falastrões são sempre assim, quando ganham, dizem que é a "vitória é deles", quando perdem dizem agora que é "culpa da Dilma", sendo ela o atual objeto masturbatório de gozo do ranço conservador fascistóide tupiniquim.

Assim segue o nosso país do futebol e de uma das elites sociopolíticas mais cínicas do mundo. Quanto a seleção de Felipão, a próxima parada é Fortaleza contra o instável e sofrível México mas, por sinal, é uma seleção que sempre "cresce" jogando contra o Brasil. Mais sufoco a vista, porém sem tanta qualidade tática tal como foram os bons croatas.

sábado, 7 de junho de 2014

Propostas para uma "nova era": o século XIX





Gosto do Prof. Mauro Iasi, do histórico Partido Comunista Brasileiro (PCB), que se postula a candidatar ao Planalto. Como sempre, as esquerdas, nem no apocalipse, conseguem se unir para um mínimo programa em comum. Logo, a briga continuará para ver quem é mais "socialista" que o outro e deixam o campo para o conservadorismo deitar e rolar. 

Adoro este "senso de responsabilidade" política das esquerdas mais conservadoras! É muito mais fácil ficar na fase oral freudiana com ilações de um mundo que desejamos e quem sabe um dia conquistar... Assim fica bem mais fácil conjecturar e não sair deste campo das prosopopeias!

Particularmente, como professor teórico que Iasi é, acho muito pertinente algumas de sua ideias. Todavia, é preciso entender que qualquer "projeto socialista" precisa ser factível com a realidade sob o risco de sempre ser uma paródia ou um sonho de Cinderela. Antes de qualquer coisa, cabe a fatídica pergunta: qual socialismo? O "real" ou o retórico?

A esquerda precisa avançar com projetos que possam ser factíveis para uma realidade que ficou refém do neoliberalismo.

Defender grupos fascistóides como os mascaradinhos "black bloc", pouco acrescenta ao debate e achar que simplesmente buscar acabar com a polícia vai também diminuir a violência é mera ilusão.

Entendo a posição do Prof. Iasi, creio que se nos estivéssemos em outro mundo, por exemplo, Marte ou Júpiter, seria muito factível algumas de suas conjecturas. O diabo mesmo é que estamos na Terra e no Brasil, com uma sociedade altamente violenta, desigual e uma forte demanda consumista sob a batuta do capitalismo aos nossos moldes.

Diante da realidade pouco atraente, a tarefa seria pensar para além de um mundo utópico que não é mais o século XIX, uma vez que estamos no apogeu narcísico do século das distopias, o século XIX.

Portanto, se as esquerdas mais históricas e combativas desejarem ter algum projeto de poder e se impor dentro de uma realidade extremamente áspera, tal tarefa vai para além dos sonhos de uma noite de verão recheada de nostalgia e com cheiro de mofo.

Greve no metrô: o velho palanquismo e o oportunismo estúpido.





Os metroviários somente podem estar de deboche com a população! Esperaram 2014 anos e alguns meses para justamente, faltando uma semana para a Copa do Mundo, fazerem greve com reivindicações tão subjetivas que eles mesmos sabem que não serão resolvidas com paralisações. Oportunismo é a praga que versa nos irresponsáveis.

Adoro estas esquerdinhas eufóricas e sindicalismo pelego que está grassando nos pais, cada vez mais irresponsáveis, narcísicos e que apenas contribuem para o fortalecimento dos conservadores.

As lutas sindicais devem ser tratadas com estratégia para assegurar maior conquista na observância da realidade circundante. Greve em cima da hora, em pleno evento internacional que o mundo todo está de olho é dar um tiro no pé conquistar antipatia por parte de toda a população. Quem ganha com isto?

De olho nas eleições, se o sindicato da categoria quer fazer "média" contra o tucano governador Geraldo Alckmin, tais sindicalistas míopes não percebem que somente irá respingar no Governo Federal.

Um pouco de sobriedade e menos palanquismo oportunista ajudaria muito os sindicatos e as próprias esquerdas cada vez com menos tutano e mais imaturidade em prol de fazer o trabalho sujo involuntário para a direita.

Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica

Em artigo nesta sexta-feira , o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito...