quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A escandalosa monopolização do ensino superior



A fatia não é pequena: um terço do mercado dos cursos de Ensino Superior. É simplesmente um absurdo que o Governo Federal e o CADE permita tal monopolização do mercado nas mãos de apenas cinco grupos empresariais na Educação Superior. O que reflete de imediato na falsa panaceia da explosão do Ensino Superior privado como algo automaticamente "positivo" para o país, mas sim apenas uma mera troca entre oferta e demanda: distribuição de diplomas para seus os consumidores e lucros exorbitantes para os empresários do setor.

Neste quadro, como a Educação se tornou apenas mais uma mercadoria na cartilha neoliberal, ainda temos a fusão de faculdades e decorrência de desemprego de professores e funcionários e rebaixamento salarial, acentuando um maior nível de precarização das condições trabalhistas.

Enquanto lucram com muitos cursos economicamente baratos e estruturalmente frágeis, setores fundamentais dentro da sociedade ficam carentes de recursos humanos, como por exemplo, na área de saúde, ao ponto do Governo Federal de ter que "importar" médicos para atuarem no Brasil.

Constitucionalizando o clientelismo



A escrotidão política levada ao extremo. Nossa maravilhosa Câmara dos Deputados acaba de aprovar uma PEC, conhecida delicadamente como "orçamento impositivo", que simplesmente obriga o Executivo bancar financeiramente as emendas dos honoráveis parlamentares, independente do que seja tais projetos. Logo, é dinheiro do contribuinte para ser jogado no ralo das medidas que visam apenas garantir apoio de regiões-bases de sustentação eleitoral do parlamentar (popularmente, nutrir o "curral eleitoral"). O valor fixado é de 1% da renda líquida prevista na arrecadação da União e liberado anualmente pelo Executivo para a farra parlamentar.

Na prática, se for devidamente sancionada esta avacalhação da democracia eleitoral, as negociatas ao estilo do "mensalão" terão preço fixo estabelecido constitucionalmente. É uma bisonha evolução do fisiologismo e da institucionalização da corrupção entre os poderes.

Agora, a PEC mensalônica seguirá para o Senado. Deverá passar até com facilidade tal estupidez no Senado e, posteriormente, a presidenta Dilma terá uma saraivada de coerções e chantagens parlamentares para aprovar tão estapafúrdia PEC do mensalão constitucional.

A democracia e o bem comum sucumbem à corrupção fisiológica.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Lições neoliberais para a vida ser tratada como um grande cassino





Belas contribuições que a UNICAMP presenteia seus alunos da graduação: lições de pôquer para o mundo dos negócios. O fato da UNICAMP ter uma tradição mais heterodoxa, é de se estranhar que lições desta natureza em seus recintos, e que são comuns nas Faculdades de Economia dominadas pela vertente neoliberal nos grandes centros.

O mundo da vida como um grande cassino global, onde ganhar e perder são meras regras de um jogo de azar (ou, oxalá, alguma "sorte").

Se as brincadeiras supostamente acadêmicas como o jogo pôquer ou o uso obsessivo da Teoria dos Jogos podem valer para empanturrar os currículos dos alunos, devemos entender que outras possibilidades de visão do mundo deverão ser também trabalhadas e estudadas.

Claro, se fosse algum curso de orientação mais à esquerda já iriam fazer burburinhos e reclamar pelo fato da universidade fazer "ideologização" acadêmica. Todavia, se for algo for aprovado e reverenciado pelo livre mercado canibalesco e com chancela de universidades estadunidenses ou inglesas de aporte neoliberal, aí tudo pode!

Para uma universidade "laica", é preciso enfrentar a ideologia dominante do neoliberalismo como mote fundamentalista da cosmovisão do mundo. Se um outro mundo é possível, necessariamente passará pela amplitude de observações e visões de possibilidade para além da lógica do mercado.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

A cultura "nonsense"



Até parece mentira, mas não é... O cantor Lobão vira professor e dará um curso expositivo-cultural sobre seu magnâmico livro "Relatos da Terra do Nunca" na garbosa Livraria Cultura no Shopping Bourboun, para a fina flor paulistana. O livro é conhecido mais pelas bravatas herbáceas sem nexo de Lobão do que por algum flerte com a realidade.

Ao módico preço de quase 400 reais para o interessado ver Lobão expelir groselhas, pitombas e outras bobagens afins com sua postura de iconoclastia do apocalipse em um total estimado de seis horas (segundo site do evento).

Certamente há mal-gosto para tudo, delírios a todo vapor e nem Salvador Dalí acreditaria em tanto "nonsense" dos dias atuais. Afinal de contra, quem disse que o "nonsense" é algum pecado?

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O aplauso bestializado: glamourizando o fascismo pós-moderno.





A Pós-modernidade, como novo marco referencial dos elementos “modernos” do mundo ocidentalizado, é a desertificação das estruturas e a tentativa de solidificar as possibilidades, por mais improváveis que elas possam ser ou parecer, cujo efeito mais nítido foi à porosidade realizada no interior das ideologias. Na crise instaurada pelo descolamento da Política perante a realidade (resgatando aqui o conceito de “realpolitik”) e o esfacelamento das ideologias, amplamente de origem mais a esquerda do espectro, é sintomático à confusão dentre meios e ações ao buscar se resgatar o protagonismo do indivíduo na ação política. 

No meio das ações dos protestos de inverno, o país sentiu um respiro do protagonismo do protagonismo de muitos cidadãos, sob a forma de demandas genéricas ou pontuais, assistidas pelos protestos de inverno. Todavia, na rabeira da onda catártica reivindicatória que eclodiu exponencialmente no Brasil em poucas semanas, também se viu surgir elementos obscuros e anti-democráticos que pareceram como forma de subproduto dos esgotos ideológicos e oportunismo sociopata.

O esquerdismo mais radical, sempre padecendo de visão mais lúcida do mundo, hoje parece ser sintomático que para se agir contra a direita, se apela a qualquer coisa, mesmo que esta “qualquer coisa” é uma “coisa” tipicamente de direita. Curiosamente, um relevante mídia que se autointitulam “esquerda”, sempre tão crítica da mídia “da direita”, aplaude posturas tipicamente da direita e as quais sempre criticaram, tais como o vandalismo de grupos fascistóides como o tal “Black Bloc” (até o nome é um clichê gringo para quem tenta se fingir tão nacionalista!), ou algumas “mídias alternativas”, como a tal “Ninja”, que mais parece algum rescaldo regurgitado do mambembe “Aqui Agora”, programa popularesco do SBT, no início dos anos 1990, que pretendia reproduzir a “vida real” nas telas, cujo slogan era: "um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!".

Na falta de idéias, apela-se a violência fascista e irracional no atual momento “politicamente correto” e que nada pode ser dito contra os hormônios juvenis que se escondem covardemente sob a forma de uma sociopatia criminosa. É certo que em momentos históricos de idéias curtas e cegueira compulsiva, qualquer coisa parece ser válida para tentar tapar o buraco do vazio existencial, inclusive o viés fascista na tentativa de se impregnar em uma democracia autoritária. 

Assim segue o romanceiro beneplácito da violência gratuita e banalizada: o aplauso da violência com lastro de uma suposta “performance política”. Chega a ser risível tais analogias grandiloquentes e altamente questionáveis na falsa formulação de quem tenta colocar um mínimo de estofamento “idéario” para quem não tem ideal algum (aliás, é no niilismo sociopata de intolerância e a negação da política que se nutre a ação violenta de tais elementos). Tratar elementos fascistóides como "heroizinhos do anti-capitalismo" é o mesmo que aplaudir as ações violentas do crime organizado que atacaram as bases da polícia militar e prédios públicos, em São Paulo, ou mesmo aplaudir a violência bestializada das torcidas organizadas de futebol. Em ambos os casos, é perceptível a mesma estratégia de promover atos de barbárie em nome de suas causas, o PCC em nome de seus “empreendimentos comerciais nutridas pelo narcotráfico” e as torcidas em nome da pancadaria gratuita na suposta “defesa” da hora dos seus times. Já as viúvas negras escondidas pelo anonimato de grupos fascistóides, bem, nem eles mesmos sabem as razões do uso da testosterona em praça pública, mas o importante é interditar a democracia via vandalismo generalizado e posar como “heróis pátrios do apocalipse”. 

As esquerdas progressistas não pode acreditar nesta masturbação retórica que beira o cinismo dos que pregam a violência fascistóide como “atuação política” e não será com pirotecnia no circo que ganhará simpatia e apoio da população. O discurso da violência apenas serve para arregimentar mais violência, tanto dos manifestantes quanto das forças policiais. O resultado é amplamente conhecido e não tem como ser negado. 

Do que se trata a tal “performance  política” alardeada pelo vandalismo gratuito e banalizado? É muito fácil se esconder os belos rostinhos em máscaras infantojuvenis, ficar brincando no Facebook de “deuses das trevas”,  atear fogo e sair correndo. Quanta “tática” inteligente conta o grande vilão, a “polícia”! Duvida-se que se furtado o aparelho de som do carro de qualquer um dos mesmos mascaradinhos, vão logo correndo com toda a indignação cobrando ações enérgicas das autoridades policiais pelo tal furto. “O que vale para os outros, não vale para mim e vice-versa”, eis uma velha máxima da retórica do jeitinho brasileiro. O fascismo é a arquitetura do cinismo humano em estágio mais puro e irracional. Nenhuma democracia que pretenda ser livre e sólida deverá tolerar o fascismo como “opção política” de grupelhos sociopatas, sob o risco de se contaminar com as bactérias nefastas da intolerância radicalizada e estúpida.

As crises do capitalismo são fases do mesmo processo de sua estrutura. O que é mais difícil é propor alternativas possíveis contra o domínio do capital. O que se torna estranho e perigoso é a vertente de apoiar grupelhos que lembram muito mais a Juventude Hitlerista que apenas praticam a sabotagem, a manipulação e o vandalismo como “expressão”, como se diz agora, de forma histrionicamente contagiante, a “estratégia estética” de imposição de suas sociopatias umbilicais contra o “grande mundo incompreensível, feio e chato”. A força da violência banalizada ganha lastro na turba despolitizada, agressiva e niilista que acredita que qualquer mudança ocorrerá sob o lastro da destruição irrestrita. Todavia, é justamente o contrário, é na impossibilidade de mudança que goza lacanianamente o sociopata político. Quanto maior o desafio da mudança, maior será o esforço que ele, o sociopata político, fará para não mudar absolutamente nada. É na manutenção do status quo, via violência expelida pela testosterona, que funda o desejo do sociopata político em se nutrir no artifício do vandalismo pretensamente insurgente.  Ao negar a democracia, tais adeptos do vandalismo banalizado e colonizado em hordas selvagens, deseja impor sua própria ordem, ou seja, a promoção da barbárie sob o esgotamento do ser humano como motor político da História.

Vale salientar, que depois da invasão das tropas da União Soviética na Berlim fragmentada e nazista, em 1945, impondo a derrota final de Adolf Hitler e o sepulcro da Segunda Guerra Mundial, após restabelecida a democracia, o Parlamento alemão, o Reichstag, instituiu uma inscrição emblemática em suas paredes como forma de resgatar uma imprescindível lição: “a melhor proteção contra o fascismo é a democracia”. Desta forma, é importante sempre estar de olhos bem abertos, pois o fascismo, sob suas metamorfoses ambulantes, sempre estará bem debaixo do travesseiro das democracias dorminhocas e desatentas.

sábado, 3 de agosto de 2013

O fetiche da sociopatia pseudo-revolucionária






Aos que optam pela estupidez da violência, se masturbam histericamente nas redes sociais para arregimentar adeptos da suposta causa da afronta pela afronta, pura e simples, e depois querem se posar como mártires dos seus próprios umbigos e de sua visão de mundo distorcida. Podemos entender tais indivíduos como se utilizando uma tipificação aproximada: sociopatas pseudo-revolucionários.

Suas práticas são simples, na absoluta falta de propor qualquer idéia, no ímpeto autoritário de seus desejos, despejam sua ferocidade maniqueísta e megalomaníaca, e acima de tudo, potencializam sua agressividade em bandos mascarados, buscando o anonimato.

Aos que acham que a democracia, por mais frágil que seja, deve aplaudir os fascistas disfarçados de "democratas", é preciso ter consciência que a violência é um caminho cego de mão-dupla. Quem opta pela violência bestializada não deve reclamar do revide policialesco e igualmente bestializado.

Ainda, para os jocosos excretores de testosterona profissionais em praça pública, contribuem de forma patente para desmobilizar os grupos e pessoas comuns que realmente procuram se organizarem e protestarem com suas pautas de demandas. A senha de aparecer para a mídia, provocar um suposto terror infanto-juvenil no "poder" e ver seu objeto de desejos serem estilhaçados pelas ruas se torna o fetiche de suas mobilizações catárticas.

Os fantoches herdeiros da juventude hitlerista, agora, com denominações mais modernas e igualmente agressivas, servem apenas como factóides para a desestabilização dos grupos que agem democraticamente. É sabido que a pedagogia da histeria violenta apenas serve aos donos do poder. Sintomaticamente, tais elementos fascistas não se constituem como um contraponto ao "inimigo" que dizem combater (seja lá qual for), mas apenas contribuem para justificar o poder policialesco sobre toda e qualquer forma de manifestação não-violenta. Neste sentido, os grupos mais radicais que praticam o fetiche da violência e sabotam os movimentos democráticos reivindicatórios servem apenas como uma extensão não-oficial da repressão.

Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica

Em artigo nesta sexta-feira , o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito...