quinta-feira, 11 de maio de 2017

PARA ALÉM DE LULA


Os ataques contra Lula representam o símbolo de uma nova era de retomada da ganância da burguesia nacional anti-nacionalista, escravocrata e colonizada. É a reação dos donos do poder com sua sede feroz pelo esquartejamento dos direitos trabalhistas e sociais em nome da escravização do trabalhador.
Não se aplica um ardiloso golpe de estado apenas por amores às práticas da "ética política”. Um golpe de estado é a virada de mesa, é o puro reacionarismo dos grupos que sempre defecaram em cima dos mais pobres e da democracia. A direita brasileira nunca foi democrática e seu viés "republicano" somente foi projetado quando seus interesses não foram prejudicados ou ameaçados.
As esquerdas e o campo mais progressistas sempre lutaram ao longo da História com suor e sangue por direitos e horizontes que, por outro lado, uma mídia podre a todo o momento procurou desconstruir o discurso do real. A projeção midiática da ideologia proto-fascista de um discurso depressivo e niilista de que nada neste mundo prestaria, toda a política seria exclusiva de uma “coisa de ladrão” e, portanto, todos deveriam olhar somente para o próprio rabo. A projeção dos aspectos individualistas, a maldição da ideologia neoliberal do empreendedorismo, a repulsa infanto-juvenil à política e a política do ódio a tudo aquilo que não seja em prol dos interesses dos patrões se torna beatificado como verdade absoluta pela constelação da grande mídia dominada histórica e  sistematicamente por seletas famílias. 
Lembrando que os protestos da onda conservadora fabricada midiaticamente em 2013 culminariam no endosso passivo pelas camadas médias da população diante da derrubada da presidenta Dilma em 2016 e demonização do seu Partido dos Trabalhadores (PT) e do ex-presidente Lula. Desta maneira, contra qualquer ilação da consciência de classe por parte dos trabalhadores, segue atacado sistematicamente pelo apelo midiático aos elementos narcísicos mais atávicos e primários e alinhavados pela retórica da “pureza política” no suposto combate à corrupção.
A centralidade do trabalho é concomitantemente aliada da centralidade da violência. Portanto, o par trabalho-violência é um binômio que constitui, alicerça e modela as sociedades capitalistas. No Brasil, a ênfase da violência, em todos os seus aspectos, é pressuposto central da domesticação e doutrinação das massas sufocadas e deixadas à reboque dos acontecimentos. Diante a ação persecutória à figura pessoal de Lula por parte dos setores golpistas do Judiciário, em particular, a operação midiática da Lava Jato e seu expoente “heroico”, o juiz Sergio Moro, é um fator emblemático. É desnecessário dizer que Lula não é santo, pois é homem de carne e osso. Nem Lula é santificado e tampouco os seus detratores. Lugar de santo é na bricolagem religiosa do oratório. Não existe nenhum paradigma que se possa dizer que para atuar na política é preciso angariar nível de “santidade”, como se o ser humano fosse possível ser casto e puro ao longo de toda a sua vida. Basta lembrar que a reivindicação irracional, assassina e eugênica do “puritanismo” na política foi da práxis dos setores da extrema-direita cujo ápice desenvolveu na Alemanha nazista dos anos 1930 e 1940. Todavia, não se trata da figura pessoal de Lula acossado covardemente por uma Justiça parcial e que destrata o estado de direito, mas o que ele representa para o campo das esquerdas no meio do lodaçal que afoga o golpeado Brasil.
A perseguição de Lula é o combate simbólico contra as esquerdas e tudo que representa o campo progressista. A luta de classes agora é escancarada e os setores privilegiados da burguesia brasileira, sempre atrelados aos interesses internacionais, não medem esforços para atacar todas as parcas conquistas dos trabalhadores dos últimos anos. O reflexo da natureza do golpe de 2016 se mostra cristalino no trator impiedoso do governo Temer diante das “reformas” previdenciária e trabalhista aliado a todo um cabedal dos mais bizarros retrocessos humanitários já vistos no país em num curtíssimo período histórico de apenas alguns meses. O depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 10 de maio, reafirmou que a única coisa de concreto em todo o circo midiático instalado na cidade de Curitiba é o caráter persecutório em torno da vida pessoal do ex-presidente e a obsessão de Moro em incriminá-lo sem provas cabais.
Não nos iludimos e nem tenhamos falsas esperanças! Não há nenhum horizonte que dê alguma garantia factível para a realização das eleições presidenciais em 2018 e, por sua vez, seriam as primeiras após o golpe 2016. Como acreditar no estabelecimento das normas democráticas em um país sob a imposição de um estado de exceção com turvo verniz de “normalidade jurídica” e tendo os principais golpistas no comando do Poder Judiciário, em especial, no Supremo Tribunal Federal (STF)? Nem tampouco que haja uma figura política que agregue as forças democráticas e as esquerdas sem a participação direta de Lula e o seu partido, o PT. A Constituição é apenas uma peça retórica o qual foi violentada e ignorada principalmente por aqueles que têm como tarefa constitucional de protegê-la de arbítrios e violações.
O que está em jogo é muito além da figura pessoal do ex-presidente Lula, mas as possibilidades da contra-ofensiva diante da hegemonia da burguesia golpista e escravocrata. Aceitar com indiferença, arrogância ou desprezo como mote egóico diante dos abusos coercitivos do estado de exceção imposto ao país é calar-se servilmente diante de qualquer possibilidade de mudança diante do quadro vigente, além de entregar a cabeça passivamente aos abutres. Quando o estado de direito é sufocado em nome da imposição de históricos grupos dominantes, é sinal que o país está a deriva diante da sua própria História e colocando em potencial risco o destino de todos os brasileiros que não compactuarem com as premissas impostas pelos atuais usurpadores nominais do poder.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

NÃO COMPRE PRODUTO ORIGINÁRIO DE FURTO OU ROUBO; NÃO SEJA CÚMPLICE DO CRIME ORGANIZADO


Hoje, indo em direção ao Parque Carmo (zona leste de São Paulo) fui abordado por um motoqueiro para me assaltar. Trajado como se fosse um típico “moto-boy” com o moto com baú com capacete de forma que seria impossível identificar. Parou a moto ao meu lado na calcada e avançou em minha direção pedindo meu celular. Ao mostrar para ele o meu celular, modelo simples sem internet e nenhuma bugiganga adicional, simplesmente ele não quis levá-lo e foi embora. Certamente que o “ramo de atividade” do cavalheiro era o furto de smartphones. Logo depois, avisei ao serviço de policiais do parque, um dos policiais disse que nada poderia fazer, pois, segundo ele, era muito difícil coibir este tipo de assalto.

Roubos e furtos de celulares, concomitantemente, é uma das modalidades do crime que mais cresce em São Paulo. Os números impressionam: somente o Estado de São Paulo registrou 34.683 roubos e furtos de telefones celulares em fevereiro de 2017, representando um aumento de 16% na comparação com os 29.984 ocorrências dessa natureza contabilizadas em fevereiro de 2016, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

Existe um comércio milionário de produtos eletrônicos roubados o qual a população fomenta esta indústria da criminalidade. O desejo de status imposto pela ideologia capitalista transforma pessoas “comuns” em colaboradores potenciais do crime organizado. A ganância inata é amplificada pelo capitalismo, que alimenta o lado mais nefasto dos desejos humanos, e se constitui no motor da própria destruição do sujeito e, consequentemente, com implicações sociais. A suposta oferta supostamente tentadora por um produto roubando ou furtado que pode custar cerca de 10% do valor original contempla a motivação para as quadrilhas agirem em um lucrativo ramo sem ônus para que repassa e muito prejudicial para quem foi vítima do roubo ou furto (muitas vezes, com resultados trágicos!). Pouco adianta esbravejar contra políticos e reclamar da violência se o dito "cidadão de bem" é cúmplice ao comprar produtos de origem de furto.

É bom sempre lembrar o que diz o Código Penal Brasileiro (Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940) diz a este respeito:

“Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996). Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)”

Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica

Em artigo nesta sexta-feira , o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito...