segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

O perverso laboratório fluminense: mafiosos golpistas oportunistas, uso indevido de tropas militares e conversa para otário ser enganado


Somente um ingênuo poliano poderá acreditar que forças militares que não tem menor experiência em áreas urbanas de densidade populacional de alta complexidade com nível de pobreza avassaladora e nunca penderem sequer um moleque que toma conta de "boca de fumo" poderá "acabar" instantaneamente com o crime organizado no Rio de Janeiro.
Todas as experiências com militares ocupando o Rio de Janeiro desde 1992, na orquestração de grandes eventos, se mostraram apenas um teatro midiático inútil e perdulário aos cofres públicos. O Rio de Janeiro vem sendo um perverso laboratório que mostra de como não fazer segurança pública: fracassos e mais fracassos retumbantes vivendo de pirotecnia e testosterona dos seus agentes públicos de segurança. O sucateamento das polícias e a crise das UPPs mostraram que a segurança pública nunca foi prioridade real nos seguidos governos fluminenses.
Desde quando as operações do narcotráfico é novidade naquele estado e quem disse que nas favelas se produzem drogas e armas? Tropas militares têm tarefas constitucionais de proteção de fronteiras e fiscalização de tráfego de armamento e materiais ilícitos. Qualquer soldado com alguns neurônios com ou sem patente sabe muito bem de tais premissas! O resto é conversa para otário acreditar que a imposição de estado de sítio garantirá a sua liberdade e segurança!
A intervenção federal de caráter militar no Rio de Janeiro é uma afronta à qualquer sentido de democracia no âmbito federativo. A covardia golpista do governador Pezão mostra o nível de cinismo e escrotice que se instalou no governo fluminense, maior responsável pelo estado de desertificação da segurança pública local. Ademais, o que temos de fato é um grande ensaio que poderá ter consequências nefastas no escancaramento do estado de exceção imposto pelo golpe de estado de 2016 comandada pelo mafioso Michel Temer e os parasitas golpistas do PSDB e PMDB com todo o apoio da burguesia golpista nacional.
Enfim, deve-se ressaltar que não há mais nenhum limite ético-jurídico e muito menos político no cenário caótico do Estado brasileiro. Estamos diante de um nefasto período histórico no país que somente pode ser comparado aos tempos sombrios no marco trágico de 1964. Não existe mais nenhuma segurança jurídica que possa dar algum atenuante ao estado de caos golpista que parasita o Brasil sendo que as principais instituições jurídicas são integrantes da coalização que alicerça a conspiração golpista.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Sintoma de uma sociedade à deriva: Brasil mergulhado em um golpe de estado e uma instantânea redenção alucinante carnavalesca



O carnaval no Brasil, na sua cepa industrializada, é um misto entre diversão, hedonismo e pontual alucinação coletiva que se buscar levar mais com mais interesse a fantasia do que a própria realidade. Diante destes elementos consistentes, temos a indústria do carnaval que recolhe vultosos lucros numa grande maquinaria de diversão e espetáculo de massa. Em momentos de crise aguda da realidade e autoestima coletiva ao nível dos dedões dos pés, qualquer fantasia delirante se torna motivo de orgasmos múltiplos e senso de realidade afogando em um mar de serpentinas e desesperança.

A campeã do carnaval carioca foi a Beija-flor, da cidade de Nilópolis, na Baixada Fluminense, sob o ponto de vista político, é uma das “escolas reacionárias” do Rio de Janeiro ligado ao jogo do bicho fluminense e suspeita de compra de jurados em alguns títulos conquistados pela escola. Como uma boa bajuladora do poder e da Rede Globo, desta vez levou para a Marquês de Sapucaí um arremedo de enredo, típico da crítica míope da “direita-coxinha” de matriz pequena burguesa que carrega a ostentação do mantra do “combate a corrupção” (leia-se, anti-petismo). Para ampliar o nível de insanidade típico desta festa brasileira, a escola ainda levou a carnavalização da violência para a avenida, transformando fantasias e adereços bisonhos em apologia à barbárie. Ultrapassou-se o nível da tal “crítica social” e descambou para um alucinante “realidade” chegando até mesmo ao disparate alucinógeno de ter fantasias de “traficantes com armas” no sambódromo. O quesito básico de uma proposta lúdica de carnaval é sublimar a realidade e não reforçar elementos psicóticos dela. A escola de Nilópolis aproveitou-se da falta de verbas oficiais para compor um cenário que se ausentava de fantasias típicas do carnaval “industrializado” e se apoderou da paixão do senso comum em prol da vitória no sambódromo. Acima de tudo, é bom dizer que os carnavalescos da escola foram sagazes e astutos em buscar apelos midiáticos em prol da evolução do enredo na avenida com apelo popular. Lembrando que a Beija-flor tem como uma das suas características históricas de ser uma das escolas que busca sempre "causar", a apologia midiática, no carnaval e ganhar "simpatia" do público. O ponto alto deste sensacionalismo na avenida foi à era do polêmico carnavalesco Joãosinho Trinta. Ressalta-se que tal como uma empresa qualquer, faz parte de uma escola de samba buscar "simpatia" do público como mola-propulsora para conquistar títulos e, naturalmente, lucros financeiros.

A vice-campeã fez a mesma estratégia do "causar" na avenida. A “desconhecida” escola de samba Paraíso do Tuiti, situada do bairro carioca de São Cristóvão, novata na passarela das consagradas do carnaval carioca, trouxe um enredo de crítica superficial à vida política brasileira e que causou mais furor por parte de uma esquerda com ejaculação precoce e órfã de elementos para enfrentar a realidade do que os próprios membros das escolas. No lastro das plumas e paetês da “neorevolucionária” Tuiti, foi tema efusivo das redes sociais e calorosos debates da profundidade de um pires. O mote do “Fora Temer” virou pastiche orgástico fetichista de folião tão útil quanto vender garrafões de água em pleno Oceano Atlântico! Tuiti se consagrou instantaneamente como a “queridinha” de pessoas mais ligadas às esquerdas e ao esquerdismo infanto-juvenil afoito com alegorias que faziam críticas caricaturais à ocupante ilegítimo do Planalto, Michel Temer, e críticas ao desmonte da CLT. Todavia, a mesma escola que desfilou tais críticas tão férreas à trituração da CLT pela junta conspiratória após tomada de assalto o poder em 2016, foi acusada de empregar trabalhadores sem carteira assinada ao longo da confecção do atual desfile em 2017. Para quem tem conhecimento dos desfiles na Sapucaí, críticas sociais, veladas ou não, pontualmente sempre apareceram na avenida nos enredos carnavalescos sem causar maior furor em tempos de menor intensidade subjetiva da orfandade política. Vale lembrar que foi a mesma Paraíso do Tuiti que no ano passado, fez um desastroso desfile de carnaval que provocou um gravíssimo acidente na Marques de Sapucaí com 20 vítimas, sendo uma fatal. O ocorrido foi considerado um dos casos mais emblemáticos dos acidentes do carnaval industrializado carioca. Porém, o "caso Tuiti" foi “abafado” pela LIESA e a imprensa carioca, leia-se, a Rede Globo, e a Tuiti não sofreu nenhuma punição, seja no âmbito criminal, seja na administração do carnaval carioca.

Vale ainda lembrar que as escolas de samba cariocas, a LIESA (Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro) e a LIERJ (Liga das Escolas do Rio de Janeiro), em conjunto no ano do golpe de 2016, apoiaram a escalada golpista a qual, oportunisticamente, este ano "criticaram" na avenida. Lembrar ainda que foram efusivamente entusiastas do então candidato a prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, o mais forte braço político de Edir Macedo, o chefe da "Igreja Universal", maior organização neopentecostal do país com arquiteturas financeiras e políticas que deixam as facções criminosas do narcotráfico no chinelo. Destaca-se o apoio maciço dos presidentes da Mangueira e Tuiti para a candidatura de Crivella na época. A tradicional e vitoriosa escola do carnaval carioca, a Estação Primeira de Mangueira trouxe uma crítica tão pedante contra o atual prefeito do Rio de Janeiro que até o nome do enredo da escola deixou escancarada a posição da escola: “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco”. O simples corte de verbas para o carnaval de 2018 por parte do prefeito-biônico da Igreja Universal, sabidamente que o mesmo tem ojeriza pela cultura carnavalesca, levou a “fúria” dos carnavalescos reacionários contra a atual cúpula do poder carioca. O samba do oportunismo em prol de vinganças particulares seguiu a sina de cabo-eleitoral à atirador à esmo contra o atual prefeito carioca.

Remando os enredos vencedores na Sapucaí em 2018. Ambas as escolas abusaram da estratégia da polêmica fácil, independente do que se propõem a ser um desfile de carnaval industrializado: a coerência em seu percurso ao longo da avenida. Todavia, exigir coerência em escola de samba é acreditar em contos de carnaval “revolucionário”. Deve-se ser ressaltado que em tudo isto é preciso levar em consideração que a potente indústria do carnaval carioca (como uma indústria capitalista qualquer) visa lucros e somente a eles que interessa travestida no mote de "cultura popular".

"Causar" faz parte das estratégias de trabalho das escolas de samba. Ver algo, além disso, será preciso deitar no divã de um bom analista. As fantasias são pertinentes para o sujeito, assim como outros elementos que operam na fronteira entre o consciente e o inconsciente, porém estar preso essencialmente a fantasias é criar um mundo onde a realidade se torna impossível de penetrá-la. O aprofundamento da crise política gerada por um golpe de estado em 2016 colocou grande parte da esquerda brasileira (em amplo espectro) diante de uma depressão profunda e ampliou-se um perigoso nível de autismo político que apenas favorece elementos estratégicos da burguesia brasileira e seus títeres operacionais de plantão. Daí que mora o perigo de transformar a vida em um grande tubo de ensaio sob a égide de uma zona de conforto que beira a psicose em nome de uma ilusória redenção política carnavalesca. O carnaval de 2018 deixou escancarado o sintoma de uma sociedade à deriva, entregue a sua própria sorte e que se agarra em instantâneas fantasias de carnaval para uma redenção que somente durou até a quarta-feira de cinzas.


quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O aprofundamento do golpe: um país de Alices e a dura realidade política


Nesta quarta-feira, 24 de janeiro, mais um dia de pura bizarrice na história brasileira patrocinada por um Judiciário que vem fazendo a Constituição Federal como suporte de sua diarreia crônica e, hoje, na figura de três patéticos e populistas desembargadores. Nada mais podre e sórdido foi usar todo um aparato midiático sensacionalista com transmissão em “tempo real” para banalizar a justiça e ampliar o circo da vida política nacional. O resultado foi mais um capítulo de vexame internacional do país cuja opinião pública mundial se encontra perplexo e, logo, desmoralizando todo o progresso conquistado justamente nos governos Lula e Dilma no campo das relações externas.

O Brasil de Alices que acha que os grandes problemas nacionais se resolverão caso Lula for preso, mesmo sabendo que não existe nenhuma prova concreta contra o sujeito e sequer conseguiram escrever um processo decente dentro de um estado de direito.  Nada mais dantesco é inverter a ordem de legítima defesa dentro de um estado democrático de direito, ou seja, quem é acusado tem que provar e não o acusador de apresentar provas de supostas denúncias! É a inversão total de qualquer mínima prática jurídica processual e criminal! Vale lembrar, que essa é uma velha prática muito usual das polícias em bairros de periferia do país cuja operação que é praticada com qualquer cidadão que é abordado pelos “homens da lei”.

A questão não é julgar Lula, mas o destino eleitoral deste ano. Será se Lula não estivesse ainda tão forte em pesquisas eleitorais, a trupe de toga e a pastoral do Ministério Público  partidarizados e seletivos estariam tão preocupados com o ex-presidente ao ponto de forjar uma série de acusações sem nenhuma prova material? Gostar ou não de Lula, é uma questão que qualquer um pode considerar, porém é inegável o direito de todos aqueles supostamente acusados terem direito de ampla defesa. Isto é lei e não uma questão subjetiva de algum juizeco narcisista apoiado pelo grande capital. A justiça não poderá ser excessivamente partidarizada de tal forma que muda radicalmente sentenças de acordo com a vontade pessoal e política dos acusadores somente para promover o desejo daqueles que efetivamente controlam este país.

Um ano e meio antes, as mesmas Alices diziam que o Brasil entraria no Éden Tropical se puxassem escandalosamente o tapete de Dilma. Pois é, puxaram o tapete da presidenta, derrubaram todos os direitos trabalhistas e, logo em brevíssimo tempo, os previdenciários, além da entrega de todas as riquezas possíveis para as mãos de um punhado de burgueses, por sinal, os mesmos que patrocinaram todo financiamento do golpe.

Cerca de quatro anos antes, algumas Alicinhas juravam de pés juntinhos que o problema principal do país (talvez único, oxalá!)  era a alta das tarifas de ônibus da gestão do Fernando Haddad, o então prefeito petista de São Paulo, pois tudo era uma questão próxima de vinte centavos. Coitadas das crianças Alicinhas! Serviram apenas como bucha de canhão para a burguesia lançar a onda psicótica de imbecilização social que varreu o país e culminou no golpe de 2016. Claro, toda esta histeria coletiva não poderia ser realizada senão pela campanha de guerra diária da grande mídia em  distorcer fatos, mentir deliberadamente e provocar um clima de desespero irreal e ódio político em pessoas que sequer se dão conta do que é a Política. O mais curioso é ação fulminante dos elementos manipulatórios por parte da grande mídia, justamente, naqueles grupos sociais menos desprovidos de “senso crítico” (ou seja, menos elaboradores de questionamentos) e total ignorância da percepção do mundo da Política. Desta forma, a narrativa do “ódio ao PT” seduziu as Alices de plantão em seu berço de dormência a respeito da real vida política envolta em suas vidas.

De 2013 para cá, o Brasil somente desceu a dantesca ladeira do abismo sem ainda encontrar nenhum chão para se apoiar. Os principais golpistas e toda a junta de conspiradores tomaram conta dos destinos políticos e econômicos  e, consequentemente, plantam com muito agrotóxico um futuro dantesco para todos os trabalhadores e miseráveis da nação.

Diante do caos instalado com o apoio militante de uma imprensa bandida que faz parte da arquitetura de imbecilização e domesticação da “massa” que constitui a multidão que assiste o tsunami tropical passivamente, tudo é possível em um mundo onde não existem regras legais. A lei na democracia burguesa  que sempre pendeu mais favoravelmente aos mais ricos os quais possuem maior capital para pagar todo o teatro jurídico, portanto, esperar que parta do Judiciário uma equidade milagrosa e “apolítica” é ser mais uma Alice no campo dos sonhos. E, para ampliar o drama do caos brasileiro, o maior responsável pela erosão do estado de direito no país é o próprio Poder Judiciário a mando da macroestrutura que opera o grande capital (nacional e estrangeiro)!

O problema não é Lula, pois ele pode ou não vencer mais uma eleição ou, ainda, simplesmente, sair para a vida de avô dos seus netos. “Boa sorte a ele”!, muitos diriam com rancor ou piedade! Porém, a conjuntura política atual é muito mais complexa. A questão é a amplitude do golpe que esquartejou em pouquíssimos meses o que foi conquistado arduamente durante anos pela valorosa classe trabalhadora. Lula não é a solução dos nossos abissais problemas, mas é parte dela (queiramos ou não!). Diante das circunstancias de confronto imposto pela burguesia que decidiu não aceitar nenhum tipo de encenação do "jogo democrático" provido pelas urnas, a questão que urge está em um caminho complexo e cheio de espinhos: quem componentes políticos poderão ser construídos para cessar a queda livre dentro do abismo? Ao contrário do que alguns propalam com soluções mágicas e sem renovação real dos quadros políticos do campo das esquerdas, temos ainda que apostar na única liderança possível no momento, na figura de Lula, caso também o PT use as "sandálias da humildade", de aglutinar uma composição entre os partidos de esquerdas (algo sempre complicado no que tange um sectarismo de idéias e vaidades diversas) em torno de um programa mínimo de regate da democracia e das lutas sociais.

Se Lula não é o líder ideal para o Brasil por uma série de razões, que se apresente outro em seu lugar, com potencial de votos e carisma para canalizar apoios necessários para enfrentar o trator compulsivo da perversão burguesa. Cabe exclusivamente à população decidir nas urnas de forma democrática, sob o ponto de vista eleitoral de forma soberana e livre. Caso contrário, é preciso saber lidar entre um "tipo ideal" weberiano de um suposto líder político e as condições impostas de uma duríssima "Realpolitik" que vem canalizando para o endurecimento do estado de exceção.


Em tempo: Que as Alices não fiquem esperando que a “democracia” cairá novamente no colo do país pela bondade samaritana daqueles que, simplesmente, estraçalhou-a com perversão para seus próprios interesses. Nunca foi assim na História brasileira e não será agora que tal misticismo irá se realizar.

domingo, 16 de julho de 2017

Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica


Em artigo nesta sexta-feira, o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito peculiar para agradar os leitores da FOLHA e esconder os fatos que ao menos deveriam ser expostos.

Ao usar sua coluna no jornalão paulistano o professor uspiano foi extremamente infeliz. Sob o pretexto da condenação arbitrária do juiz tucano midiático golpista do Sérgio Moro contra Lula, Safatle usou o fato para atacar ex-presidente e expor o grau de fanfarronice o qual o professor vem surfando desde que virou "pop-star gourmet" dos leitores da FOLHA.

Safatle é um acadêmico pseudo-esquerda ilustrado do Alto do Olimpo Uspiano que adora surfar na crista da onda do momento. O que é a modinha do momento, Safatle abraça para agradar os leitores da FOLHA: ora aplaudiu blaquibloquis, ora criticou-os, apoiou a Lava Jato e todo o cabedal reacionário do falso combate a corrupção dos cretinos da República de Curitiba, criticou o PT (pela simples crítica de ser PT ao debilóide estilo "coxinha") e, claro, a crítica de Lula pelo fato de ser Lula. Nada que agregue alguma crítica à farsa seletiva da Lava Jato, o show midiático e as sentenças que extrapolam qualquer Estado de Direito e a Carta Magna ou, em especial, o que representa o estado de exceção que engoliu o país.

Faz lembrar aqui o dia que Safatle usou o mesmo espaço na FOLHA, quando o PSOL-SP puxou o seu tapete quando o mesmo desejava concorrer ao governo de São Paulo, para soltar cobras, lagartos e desaforos contra o seu próprio partido. Logo, as velas de Safatle se movem ao sabor dos ventos e das circunstâncias midiáticas com verborragia que é típica do acadêmico de bancada e pouco está preocupado com a materialidade da História.

Em meio ao golpe de estado, a covardia e a canalhice de boa parte dos intelectuais são de fazer corar a todos os homens e mulheres que dignificaram e ajudaram a sociedade com a reflexão crítica e a postura firme contra as injustiças e mazelas do mundo. Quando elementos da intelectualidade acadêmica fazem praticamente o mesmo jogo do senso comum do sujeito do boteco da esquina, é sinal que algo está muito errado no quesito da racionalidade derivada dos espaços de reflexão.


Diante desta esteira, Safatle se posiciona como mais um sufista (dos muitos que embalam uma pseudo-esquerda ilustrada acadêmica) que tanto se encontra na academia: finge que é esquerda quando a onda é favorável, mas não passa de um reacionário enrustido que não demora muito para esconder a verdadeira face.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

PARA ALÉM DE LULA


Os ataques contra Lula representam o símbolo de uma nova era de retomada da ganância da burguesia nacional anti-nacionalista, escravocrata e colonizada. É a reação dos donos do poder com sua sede feroz pelo esquartejamento dos direitos trabalhistas e sociais em nome da escravização do trabalhador.
Não se aplica um ardiloso golpe de estado apenas por amores às práticas da "ética política”. Um golpe de estado é a virada de mesa, é o puro reacionarismo dos grupos que sempre defecaram em cima dos mais pobres e da democracia. A direita brasileira nunca foi democrática e seu viés "republicano" somente foi projetado quando seus interesses não foram prejudicados ou ameaçados.
As esquerdas e o campo mais progressistas sempre lutaram ao longo da História com suor e sangue por direitos e horizontes que, por outro lado, uma mídia podre a todo o momento procurou desconstruir o discurso do real. A projeção midiática da ideologia proto-fascista de um discurso depressivo e niilista de que nada neste mundo prestaria, toda a política seria exclusiva de uma “coisa de ladrão” e, portanto, todos deveriam olhar somente para o próprio rabo. A projeção dos aspectos individualistas, a maldição da ideologia neoliberal do empreendedorismo, a repulsa infanto-juvenil à política e a política do ódio a tudo aquilo que não seja em prol dos interesses dos patrões se torna beatificado como verdade absoluta pela constelação da grande mídia dominada histórica e  sistematicamente por seletas famílias. 
Lembrando que os protestos da onda conservadora fabricada midiaticamente em 2013 culminariam no endosso passivo pelas camadas médias da população diante da derrubada da presidenta Dilma em 2016 e demonização do seu Partido dos Trabalhadores (PT) e do ex-presidente Lula. Desta maneira, contra qualquer ilação da consciência de classe por parte dos trabalhadores, segue atacado sistematicamente pelo apelo midiático aos elementos narcísicos mais atávicos e primários e alinhavados pela retórica da “pureza política” no suposto combate à corrupção.
A centralidade do trabalho é concomitantemente aliada da centralidade da violência. Portanto, o par trabalho-violência é um binômio que constitui, alicerça e modela as sociedades capitalistas. No Brasil, a ênfase da violência, em todos os seus aspectos, é pressuposto central da domesticação e doutrinação das massas sufocadas e deixadas à reboque dos acontecimentos. Diante a ação persecutória à figura pessoal de Lula por parte dos setores golpistas do Judiciário, em particular, a operação midiática da Lava Jato e seu expoente “heroico”, o juiz Sergio Moro, é um fator emblemático. É desnecessário dizer que Lula não é santo, pois é homem de carne e osso. Nem Lula é santificado e tampouco os seus detratores. Lugar de santo é na bricolagem religiosa do oratório. Não existe nenhum paradigma que se possa dizer que para atuar na política é preciso angariar nível de “santidade”, como se o ser humano fosse possível ser casto e puro ao longo de toda a sua vida. Basta lembrar que a reivindicação irracional, assassina e eugênica do “puritanismo” na política foi da práxis dos setores da extrema-direita cujo ápice desenvolveu na Alemanha nazista dos anos 1930 e 1940. Todavia, não se trata da figura pessoal de Lula acossado covardemente por uma Justiça parcial e que destrata o estado de direito, mas o que ele representa para o campo das esquerdas no meio do lodaçal que afoga o golpeado Brasil.
A perseguição de Lula é o combate simbólico contra as esquerdas e tudo que representa o campo progressista. A luta de classes agora é escancarada e os setores privilegiados da burguesia brasileira, sempre atrelados aos interesses internacionais, não medem esforços para atacar todas as parcas conquistas dos trabalhadores dos últimos anos. O reflexo da natureza do golpe de 2016 se mostra cristalino no trator impiedoso do governo Temer diante das “reformas” previdenciária e trabalhista aliado a todo um cabedal dos mais bizarros retrocessos humanitários já vistos no país em num curtíssimo período histórico de apenas alguns meses. O depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira, 10 de maio, reafirmou que a única coisa de concreto em todo o circo midiático instalado na cidade de Curitiba é o caráter persecutório em torno da vida pessoal do ex-presidente e a obsessão de Moro em incriminá-lo sem provas cabais.
Não nos iludimos e nem tenhamos falsas esperanças! Não há nenhum horizonte que dê alguma garantia factível para a realização das eleições presidenciais em 2018 e, por sua vez, seriam as primeiras após o golpe 2016. Como acreditar no estabelecimento das normas democráticas em um país sob a imposição de um estado de exceção com turvo verniz de “normalidade jurídica” e tendo os principais golpistas no comando do Poder Judiciário, em especial, no Supremo Tribunal Federal (STF)? Nem tampouco que haja uma figura política que agregue as forças democráticas e as esquerdas sem a participação direta de Lula e o seu partido, o PT. A Constituição é apenas uma peça retórica o qual foi violentada e ignorada principalmente por aqueles que têm como tarefa constitucional de protegê-la de arbítrios e violações.
O que está em jogo é muito além da figura pessoal do ex-presidente Lula, mas as possibilidades da contra-ofensiva diante da hegemonia da burguesia golpista e escravocrata. Aceitar com indiferença, arrogância ou desprezo como mote egóico diante dos abusos coercitivos do estado de exceção imposto ao país é calar-se servilmente diante de qualquer possibilidade de mudança diante do quadro vigente, além de entregar a cabeça passivamente aos abutres. Quando o estado de direito é sufocado em nome da imposição de históricos grupos dominantes, é sinal que o país está a deriva diante da sua própria História e colocando em potencial risco o destino de todos os brasileiros que não compactuarem com as premissas impostas pelos atuais usurpadores nominais do poder.


segunda-feira, 1 de maio de 2017

NÃO COMPRE PRODUTO ORIGINÁRIO DE FURTO OU ROUBO; NÃO SEJA CÚMPLICE DO CRIME ORGANIZADO


Hoje, indo em direção ao Parque Carmo (zona leste de São Paulo) fui abordado por um motoqueiro para me assaltar. Trajado como se fosse um típico “moto-boy” com o moto com baú com capacete de forma que seria impossível identificar. Parou a moto ao meu lado na calcada e avançou em minha direção pedindo meu celular. Ao mostrar para ele o meu celular, modelo simples sem internet e nenhuma bugiganga adicional, simplesmente ele não quis levá-lo e foi embora. Certamente que o “ramo de atividade” do cavalheiro era o furto de smartphones. Logo depois, avisei ao serviço de policiais do parque, um dos policiais disse que nada poderia fazer, pois, segundo ele, era muito difícil coibir este tipo de assalto.

Roubos e furtos de celulares, concomitantemente, é uma das modalidades do crime que mais cresce em São Paulo. Os números impressionam: somente o Estado de São Paulo registrou 34.683 roubos e furtos de telefones celulares em fevereiro de 2017, representando um aumento de 16% na comparação com os 29.984 ocorrências dessa natureza contabilizadas em fevereiro de 2016, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

Existe um comércio milionário de produtos eletrônicos roubados o qual a população fomenta esta indústria da criminalidade. O desejo de status imposto pela ideologia capitalista transforma pessoas “comuns” em colaboradores potenciais do crime organizado. A ganância inata é amplificada pelo capitalismo, que alimenta o lado mais nefasto dos desejos humanos, e se constitui no motor da própria destruição do sujeito e, consequentemente, com implicações sociais. A suposta oferta supostamente tentadora por um produto roubando ou furtado que pode custar cerca de 10% do valor original contempla a motivação para as quadrilhas agirem em um lucrativo ramo sem ônus para que repassa e muito prejudicial para quem foi vítima do roubo ou furto (muitas vezes, com resultados trágicos!). Pouco adianta esbravejar contra políticos e reclamar da violência se o dito "cidadão de bem" é cúmplice ao comprar produtos de origem de furto.

É bom sempre lembrar o que diz o Código Penal Brasileiro (Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940) diz a este respeito:

“Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte: (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996). Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996)”

sexta-feira, 24 de março de 2017

GREVE GERAL!: LUTAR NÃO É OPCIONAL, É OBRIGAÇÃO NA LUTA PELA EXISTÊNCIA!


As mudanças das condições sociais do Brasil são assustadoras diante de um atroz estado de exceção resultante de um golpe de estado. O que se projetava de pior após a derrubada da presidenta Dilma está se consolidando com velocidade espantosa carregando consigo o empobrecimento generalizado dos trabalhadores e miseráveis deste país.

É preciso que os trabalhadores entendam que a maior vítima deste golpe não foi a ex-presidenta Dilma ou o PT, mas são todos aqueles que vivem do trabalho assalariado e aqueles que padecem em busca de um sustento mínimo, ou seja, são eles, os próprios trabalhadores! É preciso deixar muito bem claro: está em curso uma guerra da nossa perversa elite política, econômica e midiática contra os mais vulneráveis e fracos deste país!

Os ataques contra a soberania e economia nacionais são campos de desarticulação e destruição promovidos pela conspiração golpista que tomou o poder. Destruição ampla e irrestrita do patrimônio público e empresas públicas com a entrega de todos os recursos minerais estratégicos para os capitalistas estrangeiros e empobrecimento das possibilidades econômicas.

Ataques viscerais contra direitos trabalhistas históricos adquiridos é o caminho que conspiração golpista usa estrategicamente para desarticular toda a estrutura mínima do frágil estado de bem estar da classe trabalhadora brasileira. Extinção da aposentadoria, terceirização do trabalho formal, precarização oficializada, destruição da CLT, ampliação massiva da jornada de trabalho, redução real e drástica dos salários, deixar nas mãos dos patrões as regras trabalhistas são elementos que deixarão, de fato, a vida do trabalhador à beira da escravidão. Lembrando ainda que os programas sociais vêm sofrendo também ataques e reduzindo recursos públicos para tais, como os programas de transferência de renda e desarticulando todo o sistema de educacional brasileiro.

A terceirização aprovada nesta quarta-feira pela Câmara dos Deputados libera para todas as atividades a precarização do emprego é na prática o extermínio da CLT e deixar que os direitos dos trabalhadores fiquem reféns das veleidades dos patrões. Desta forma, até mesmo os futuros concursos públicos estarão ameaçados já que a terceirização irá invadir a administração pública, fato que paulatinamente já está acontecendo. Na prática, a terceirização aprovada pelos deputados que atuaram no golpe pela via parlamentar, é aceitar que todas as irregularidades e abusos trabalhistas sejam considerados agora “legais” e sem o menor poder de defesa para os trabalhadores (incluindo, entre outras coisas, aumento na jornada de trabalho, redução de tempo de almoço, corte de férias e fim do descanso remunerado). É o retorno à escravidão sob o patamar do assalariamento como muitos trabalhadores pelo país já sentem na pele.

É preciso lutar e não aceitar o retorno oficial à humilhação da ultrajante senzala via a miséria do assalariamento sem nenhum direito trabalhista! A sociedade certamente ficará muito pior e muito mais empobrecida precarizando as condições mínimas de dignidade à vida humana.

A GREVE é historicamente o maior instrumento do trabalhador na luta por sua dignidade humana contra as perversas ações da usura desmedida do capital. Não há espaço para proselitismos pós-modernos que fazem apologia para ações intempestivas narcísicas a serviço do discurso capitalista, pois a luta coletiva é o espaço vital para os trabalhadores e a GREVE é o caminho da mobilização contra uma sociedade cuja democracia não existe mais, foi extirpada e cortada tal como o mandato da presidenta Dilma. Não é possível passivamente esperar que uma hipotética eleição para 2018 em um passe de mágica irá tudo mudar através de um desastroso atrelamento a um messianismo político, pois sequer sabemos se realmente teremos eleições é até lá é tempo demais para tantas desgraças contra os trabalhadores. Ademais, não existe mais legalidade jurídica no país que agora é assolado por atos arbitrários, desonestos e ultrajantes por parte de um sistema judiciário apodrecido que foi o principal fiador do golpe de estado de 2016. Até 2018 tudo é possível dentro de um estado de exceção é a História recente do país não deixa de nos dar exemplos nefastos.

Lutar não é opcional ou mais um verbo de encenação egóica, mas é DEVER de todo o trabalhador que tem consciência do seu papel social e de continuar a existir com mínima dignidade na sociedade. Se os sindicatos e centrais sindicais apáticos e acomodados não se mobilizarem para sua própria existência, eles mesmos não terão mais nenhum trabalhador para preencher suas entidades que ficarão às moscas, uma vez que os trabalhadores terceirizados não terão nenhuma possibilidade ou motivação para a sindicalização. Chega de burocratização, conformismo e subserviência patronal é preciso mobilizar e conscientizar os trabalhadores para mais um papel histórico contra a tirania dos agentes do terror em prol do capital!

BASTA DE ESCRAVIDÃO! É GREVE GERAL e todos os golpistas são TRAIDORES e INIMIGOS do povo brasileiro.

PELA REVOGAÇÃO DE TODOS OS ATOS DO DESGOVERNO GOLPISTA E CADEIA PARA OS INIMIGOS DO POVO!

O perverso laboratório fluminense: mafiosos golpistas oportunistas, uso indevido de tropas militares e conversa para otário ser enganado

Somente um ingênuo poliano poderá acreditar que forças militares que não tem menor experiência em áreas urbanas de densidade populacion...