sábado, 19 de março de 2016

O fantasma de mais um golpe ronda o Brasil: 18 de março 2016 - um relato da manifestação da Avenida Paulista contra o assalto do Estado Democrático de Direito

  


  1. Um fio de esperança em meio à tormenta.
Avenida Paulista, São Paulo, sexta-feira, 18 de março de 2016. Enfim, depois de muita letargia, a reação dos que tomaram até agora pancadas calados da onda conservadora golpista e um contra-ataque popular favorável ao Estado Democrático de Direito preservando a manutenção da presidenta Dilma Rousseff em seu cargo eleitoralmente, de forma democrática, definido pela maioria dos brasileiros em 2014.

Vou de metro até a manifestação contra o golpe e para a defesa do Estado Democrático de Direito na velha e mais significativa em termos de densidade midiática da cidade, Avenida Paulista, 2700 metros comprimento de pista, região central do capital paulista desde os antigos barões de café do final do século XIX.

Morador da zona leste periférica da cidade, sigo pela Linha Vermelha do Metrô paulistano até a conexão com a Linha Amarela no Metrô República.  As 17 horas, o horário era início de pico, mas anormalmente estava bem abaixo da média. Até então, sem incidentes, exceto no acesso à conexão subterrânea com o Metro Consolação da Linha Amarela onde um grupo de aproximadamente seis pessoas “anti-PT” aos berros ruminavam a respeito do local onde a presidenta deveria “tomar kisuco”. Alguns transeuntes responderam “não vai ter golpe”, ampliando tensões, porém, o clima do “deixa disso” venceu e os másculos misóginos seguiram seu caminho em direção ao Metro República. Neste sentido, se houvesse uma briga generalizada, certamente o resultado seria muito preocupante, pois o espaço hermético do Metro, dentro de um túnel de acesso, é um perigo constante para grandes aglomerações convulsionada. Logo, sem nenhum incidente, pego o metrô até a Estação Trianon-Masp onde seria o ponto central do evento.


  1. O cenário
Desde as 17 horas toda a Avenida Paulista já estava tomada de manifestantes nos dois lados da avenida com o predomínio do vermelho das cores do PT e CUT, com muitos simpatizantes de outros movimentos sociais como a Frente Brasil Popular, APEOESP, CNTE, MST, MTST entre outros e diversas agremiações de movimentos LGBT, negro e hip-hop.  A cada minuto aumentava a densidade dos manifestantes o que mostrava a força da mobilização. Fato bastante relevante foi a quantidade de policiais que formavam um cerco em quase toda a extensão da Avenida Paulista muito bem armado. Um fato inédito de quem sempre participou de muitas manifestações grevistas na região, o prédio da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) estava sendo vigiado por seis viaturas do patrulhamento ostensivo na porta da sede com muitos policiais armados, inclusive portando metralhadores. Não é lindo você ter uma polícia de contenção portando fuzis de assalto típicos de guerras em meio a milhares de pessoas? Eis nossa “pacífica” polícia da gestão tucana que é considerada uma das mais letais do mundo!

Voltando ao prédio do suprassumo da burguesia industrial paulista. Para quem desconhece os fatos a FIESP, aderiu oficialmente ao golpe de estado e, como deboche anti-PT, ofereceu almoço com “filet mignon” para meia dúzia de gatos pingados pró-golpe que ficou sediado na porta da entidade e hoje, pela manha, foi retirada pela policia paulista. Paradoxalmente, como nada de gentilezas se espera da burguesia paulista a mesma FIESP que os governos perdeu bilhões em dinheiro público em desoneração fiscais (com o mote de “geração de empregos”), razão que impactou diretamente na crise dos cobres públicos, agora quer a cabeça da dupla Dilma e Lula. Quem muito acaricia o patrão, perde a cabeça e é jogado no camburão!  No mundo capitalista que o PT insiste em não aprender ou se fazer de bobo da corte, não existem “amigos do povo”, existem oportunistas da exploração do trabalho assalariado: negócios não tem amizade e gente é apenas um número de identidade (quando útil, até ser descartado e virando arquivo no protocolo), e, fundamentalmente, tudo é para oportunidade para os lucros! Difícil de entender?

Retomando a manifestação. Aos passar dos minutos, difícil mesmo foi andar na avenida devido à quantidade de manifestantes de diversas idades e origens: homens, mulheres, muitos jovens, senhores e senhoras, um espaço com pluralidade e notava-se um alento de alegria naquela multidão. Dentro destas pessoas, encontro o Prof. Dr. Alessandro Soares da USP/Leste o qual ele e seu grupo de estudos estavam distribuindo ao público o manifesto dos professores do Curso do Curso de Gestões Públicas da Universidade de São Paulo (USP). Fui seu aluno em um dos cursos de Pós-Graduação da USP e conversamos brevemente em meio a multidão. É claro, o assunto não poderia ser outro senão a grave situação política do país, onde todos nós estamos preocupados com o avanço do fascismo às vésperas de um golpe de estado.

Cenário pronto e que nutria de expectativa de todos os milhares de presentes do Paraíso a Consolação. O discurso ficou por parte de três carros de som, sendo o maior deles, posicionado em frente ao MASP, lotado de vários representantes de entidades o qual ficou sendo o palco central dos discursos. Durante minha presença inicial na avenida, percebi uma estratégia intervencionista da Polícia Militar (PM): com três helicópteros da PM circulando baixo, o barulho que reverberava impedia de ouvir os discursos daqueles que estavam no carro de som. Tal tática de guerra perdurou até por volta das 19h e, após disso, cessaram suas exibições aéreas.


  1. A força carismática de Lula
 Naturalmente, toda a expectativa, entre várias falas contra o golpe, foi para a espera da presença do ex-presidente Lula. Havia rumores que o ex-presidente não iria comparecer e, particularmente, por razões de segurança, acreditei que ele não iria estar presente. Porém, para a alegria dos presentes, eu estava errado. Lula é Lula! Pouco mais das 19 horas e a Lua se fazia também presente em meio às várias estrelas, é anunciando com grande entusiasmo a presença de Lula e, não poderia ser diferente, toda a multidão entrou em euforia. Aos gritos de “Lula guerreiro do povo brasileiro” e o bordão-padrão que infelizmente tem que ser resgatado: “Não vai ter golpe!”.

Camisa vermelha e acenando com sorriso para a multidão, Lula é simplesmente um “pop star”! Posiciono-me muito próximo de forma que foi possível vê-lo discursar com boa nitidez em meio ao mar de gente. De fato, é muito contagiante ver a alegria das massas. Quando Lula começou a discursar, por volta das 19h20min, a euforia foi total. Podem torcer o nariz, fazer careta, mas tem-se que admitir: Lula não é um mero político, é um fenômeno de massas com um carisma digna dos grandes líderes. Sua origem humilde, operária e líder do mais organizado sindicato do país o transformou em um dos grandes políticos do mundo. Certamente, a figura humana do ex-presidente é o último dos grandes estadistas deste país. Seus adversários e inimigos viscerais sabem muito bem disso, além de toda a grande mídia sabe muito melhor e, justamente por causa dele, de sua força perante a multidão, temos a matriz fascista do golpe em curso.

Lula não poupou o gogó e falou da necessidade de defesa da democracia, da sua ida ao governo Dilma para “ajudá-la no que for preciso”, desabafou sobre as perseguições do judiciário, inclusivo do seu filho (não citou o esquema golpista da Lava Jato e nem a figura lacerdista do juiz Sérgio Moro, o neopaladino da ética sem ética), brincou sobre a fase “Lulinha Paz e Amor” (segundo ele, abandono-a) e argumentou com dureza a falta de “democracia” naqueles que segundo ele, “diz dá boca pra fora que são democratas, mas na pratica é outra coisa” (referência clara ao PSDB de Aécio Neves que não se conformam até hoje com a derrota eleitoral em 2014). Ainda falou que perdeu muitas eleições e soube respeitar o processo democrático, coisa que agora os tucanos não estão fazendo. Lula pediu união dos setores progressistas contra o golpe e em favor da democracia e o retorno à dignidade e “a alegria de ser brasileiro”.

A multidão acolheu as palavras de Lula, aplausos e palavras de ordem contrária ao golpe. O discurso de Lula, dividido em duas imensas plateias no centro da Avenida Paulista, um mar de gente sentido MASP até região do bairro do Paraíso e outro mar de gente sentido MASP à Rua da Consolação. Por volta das 20h, Lula encerrou sua fala se despedindo das duas plateias. Naturalmente, a multidão aos coros dizia novamente o “Não vai ter golpe!” e “Lula Guerreiro do Brasil”. Comovente!

Se alguém tinha dúvida do poder de mobilização das esquerdas, hoje foi uma resposta de grande envergadura e articulação em São Paulo. A força do carisma de Lula é tão grande que após sua fala a multidão, aos poucos, começou a dispersar com grande dificuldade devido ao fluxo enorme de pessoas.

Percorri toda a Avenida Paulista de ponta-a-ponta, não vi nenhum incidente, exceto na descida pela Rua da Consolação, um carro com quatro ocupantes, um deles se postou fora da janela e relinchou num só impeto: “petista vagabunda”. Quem era o alvo e seu “crime”? Uma mulher negra que estava descendo também a rua, quase paralelamente ao meu lado, e vestida com uma pecadora “camiseta vermelha”. Senti que a mulher sequer tinha ido à manifestação e duvido que seja também “petista”. Ela ficou indignada e xingou toda a política nacional. Sinais da onda fascista que entra em metástase da sociedade.


  1. Lições para o momento
Duas observações para o momento. A primeira observação, já previsível, é a canalhice do tamanho da Avenida Paulista do jornal da família Frias, a assumidamente golpista “Folha de S. Paulo”, dizendo que a manifesta pelo cretino DATAFOLHA registrou apenas 95 mil presentes na manifestação de hoje contra 500 mil na malta golpista de domingo, dia 13/03. Pergunto, como um graduado formado em Física pela USP, que infame contabilidade é esta que de uma mesma densidade de massa tem-se valores numéricos escandalosamente distintos? Será que o DATAFOLHA mediu em toneladas a presença de ambos as multidões? Se for assim, os gordos ricos de domingo de fato levariam vantagem e o ódio reinante da malta de domingo também tem muita massa para acumular! Já a presença de hoje, a massa corpórea deixa a desejar em termos de obesidade e nível de ódio infantilizado primitivo. Escreve sobre o suposto fracasso das manifestações contra o golpe e contra qualquer mobilização dos setores sociais e trabalhadora é obsessão do jornaleco da família Frias.

Ressalto que é pura canalhice das mais asquerosas que o jornal golpista da Folha vem jorrando mentiras, insisto, mentiras, diariamente em suas páginas e portal da UOL. Ainda tem a imensa cara-de-pau de dizer, numa matéria postada esta noite, 18/03, que com a crise que ela ajudou a fomentar, bateu todos os recordes de audiência do seu portal de notícias na “cobertura da crise política”. É nítido que quanto maior o nível de instabilidade do país, mais os abutres da grande mídia lucra exponencialmente em audiência e marketing (direto e indireto).  

O segundo ponto é que as esquerdas começaram a acordarem do seu sonho anestésico vendo o projeto “neodesenvolvimentista” iniciado no primeiro ano do governo Lula a desmoronar e, pior ainda, às vésperas de ser roubado até mesmo o direito de se manifestar contrário a tudo que está se escondo pelo ralo. Há muita gente disposta a lutar contra o golpe e que 1964 não será “repaginado” em 2016. Temo que o explicito desejo por sangue e cadáveres dos psicopatas articuladores do golpe coloque este país próximo de uma guerra civil sem precedentes. É uma total insanidade levar este golpe à diante e da forma mais cretina possível. Ninguém esta disposto a retroceder seus direitos e sequer serem feitos de otários somente porque um grupelho político é irresponsável e troglodita o suficiente para não aceitar derrotas em eleições democráticas.

Adianto: a guerra começou hoje! Deu seu ponta-pé inicial nas massas e uma cartaz que um jovem exibia com orgulho em meio a multidão, traduziu muito bem um recado para a presidenta: “Dilma, sua base aliada é o povo”.

Agora, terminando este relato, retorno da Avenida Paulista com uma boa sensação que a luta contra o golpe continua firme e forte, mas a guerra promete ser grande com muitas batalhas e, infelizmente, será muito difícil não ter sangue. Em nível nacional, leio que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aderiu irresponsavelmente ao golpe contra Dilma com o charmoso rótulo de “impeachment”. Parece delírio alucinógeno! Sem a menor leitura de conjectura, um rito de pura alucinação egóica golpista de uma das categorias mais conservadoras do país e, desgraçadamente, um equivocado tiro de escopeta na cara da sociedade democrática. Logo, a OAB nacional leva mais uma assinatura na carta em branco da convulsão social. Esqueça o papo furado de “combate a corrupção” ou ser “contrário ou favorável” ao governo Dilma: no Tribunal do Santo Ofício, escancarou que o combate pseudo-puritano-sacrossanto-cristão-jurídico é contra o PT e, somente, tão somente, contra o PT, Dilma e Lula: vivos ou, como querem, mortos e enterrados!  E o resto? Todos os corruptos se posam de bons moços com hímen intactos e livres de toda e qualquer culpa e acusando o PT de ser “uma organização criminosa instalada no poder”.


  1. O retorno do fascismo à brasileira
A força do fascismo, tanto nas suas origens como nas facetas atuais, inicia-se com a alegoria do puritanismo social e reside na imagem da polarização higienista: corruptos (“lixo humano a ser destruído”) e não-corruptos (“cidadãos de bem”). A grande mídia constrói a imagem dos “bons corruptos” e dos “maus corruptos” e, claro, este último cabe vaticinar ao “indefensável” PT. E os outros?

Toda a matilha corrupta entre políticos, empresários, classes médias, “intelectuais de gabinete” e todo sortilégio de oportunistas se postam com uma aréola de purificação e sequer foram circuncisados ainda de tão puros e castos. “Corrupção sim, temos que combater, mas, é claro, somente dos outros!”, rege o sermão do bom cidadão. Não é assim que se trata a bucéfala ética do brasileiro puritano “cidadão de bem” que saneia, espanca mulher, sonega, pratica todo tipo de assédio, sacaneia colegas de trabalho e se diz politizado e querubim sem assas? Direitos? Só pra ele, é claro! Inclusive o “direito” de estacionar em vaga para deficientes físicos e idosos!

O que restou para quem não comunga com a supressão de direitos? A guerra agora é pela manutenção da nossa cambaleante democracia. Pra que servirão os advogados se a sociedade não mais acreditar na Lei e na segurança jurídica? A ordem jurídica é apenas para a burguesia golpista e os “puritanos anti-corrupção”? Quem em são consciência é favorável a corrupção? Mas, quem ganharia a médio e longo prazo com a sociedade imersa no caos e desesperança? Dias difíceis e mais difíceis ainda virão... A oposição parece não reconhecer que o avanço do fascismo jamais irá votar no PT e, ao contrário que os tucanos pensam, não votarão no PSDB, mas sim em um herói do momento de um partideco qualquer. E os nomes? Rapidamente vem emergindo das trevas: Jair Bolsonaro, Sérgio Moro, Joaquim Barbosa... Se alguém tiver alguma dúvida, veja a sinuca de bico que entrou os Estados Unidos com a ascensão do fanfarão fascista do Donald Trump à sucessão de Barack Obama que nem mesmo o seu partido, o Republicano, não consegue mais parar. As conjecturas já estão dadas. É luta ou ceder a um retrocesso que ninguém, nem os golpistas, têm a menor idéia do que poderá acontecer.

É absolutamente irresponsável apostar que qualquer grupo dos setores golpistas consiga controlar a malta fascista que está surgindo cada vez mais fortes municiadas com insanidades midiáticas todos os dias, todas as horas e em todos os minutos nas redes sociais. Ninguém, nem os golpistas tucanos irão se beneficiar desta malta sem rumo, sem compromisso partidário e excretando puro ódio.

As cenas de intolerância contra as próprias lideranças tucanas é um exemplo. O PSDB saiu da construção social-democrática fundado em 1988, no ano da promulgação da Constituição Brasileira para ser uma voz para as classes médias e setores da burguesia paulistana e um contraponto ao PT de base trabalhadora e cunho mais radical. Todavia, desde 2013 é perceptível com mais clareza a guinada conservadora e fascista que este partido vem produzindo na sociedade, sendo liderado por um completo irresponsável e anedótico senador fanfarrão que é o playboy Aécio Neves.

A metamorfose entre PSDB e PT é curiosa: enquanto o segundo se movimentou de um ideário radical-revolucionário para a consolidação de um partido tipicamente da social-democracia reformadora; o primeiro fez um outro caminho, partiu dos ideais social-democratas e vem se jogando na aventura fascista a qual eles não estarão preparado. Pior que seja, nenhum líder do PSDB poderá ser considerado um necessariamente fervoroso fascista, mas que nutrem práticas que possam sedimentar um perigoso verniz fascista. Por exemplo, práticas do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como esconder dados públicos, maquiar estatísticas da polícia, desejar fechar sumariamente escolas, usar o corpo policial para bater em manifestantes das forma mais covardes são agressões ao Estado Democrático de Direito as quais ninguém parece se importar dentro do perímetro paulista.
  
Sintomaticamente, nesta sexta-feira, 18/03, um tradicional tucano paulista, Andrea Matarazzo, um anti-petista convicto, sempre participante de governos tucanos, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, atual vereador de São Paulo e aliado do senador tucano José Serra, se desfilou do PSDB. Uma vez que não conseguiu emplacar sua candidatura interna nas fileiras do seu partido para a corrida eleitoral pela Prefeitura da cidade, Matarazzo reclamou de supostos “métodos fascistas” praticados pelo governador Geraldo Alckmin para impor o nome do seu apadrinhado, o surreal almofadinha playboy, João Dória Jr, uma figura que representa a nata da escrotidão fascista da burguesia paulistana. Sintoma que a guinada fascista tucana parece que veio para ficar e, não temo em dizer: Geraldo Alckmin, com sua cara de paisagem, sabe muito bem articular conchavos entre poderosos industriais da FIESP e o braço armado das polícias civil e militar (inclusive, seu atual Secretário de Segurança Pública tem ligações indiretas com a maior facção criminosa do estado). Aqui temos um tucano, ou melhor, ex-tucano, reclamando dos “métodos fascistas” do governador paulista. Imaginemos se fosse um petista reclamando? Ninguém daria nenhum crédito!


  1. Horizonte com escolhas definidas: A democracia ou o caos.
Para finalizar, um lembrete trágico: um golpe de estado (escolha qual nome desejar, “impeachment”, intervenção via ordem jurídica/militar” ou a ascensão do pinguim vermelho do palhaço Bozo) é o mesmo que pular do alto do prédio da Gazeta, Avenida Paulista, número 900, sem paraquedas e tirando “selfies” sem olhar para o chão. Sim, quando os ânimos de um país se dividem, não tenhamos uma gota de dúvida: sim, é puro golpe. Para quem se recorda, o caso do ex-presidente Collor unificou as forças do país e o seu afastamento consolidou a neófita ordem democrática após o seu primeiro ano de eleições livres e democráticas. Agora, tal como Getúlio e Jango, os ânimos estão completamente divididos. Se houver golpe, nenhum outro governo parará em pé pois não terá nenhuma legitimidade e se esfacelando esta ilusão (in)consciente que é o “pacto social”.

Qualquer mente menos brilhante daqueles que exibem suas lindas e fálicas carteirinhas da OAB, deve entender, por exemplo, sem a percepção da realidade cotidiana da sociedade, a lei é, tão somente, apenas tirania. A idílica idéia do “império da lei” é uma abstração jurídica pautada em um pacto social. Por exemplo, que toda a favela não desce o morro e toma de assalto a sociedade? Há um pacto social onisciente (não-verbalizado) que rege as estruturas simbólicas dos indivíduos na sociedade. Dai a necessidade dos governos de regiões com grandes desigualdades sociais terem poderosos exércitos de forças públicas para impor a ordem pelo medo: se sair “fora da lei”, cadeia ou caixão (não, necessariamente, nesta ordem).

A ordem se faz de acordo com as circunstancias presentes e não pelo falo egóico de gostar ou não gostar de um dado governo. Em meio a um mar congressistas ladrões do erário regido por dois presidentes corruptos do Congresso Nacional, Senado e Câmara dos Deputados, com qual moral quer tirar uma presidente democraticamente eleita e reeleita? Sim, isto é golpe! Quem consegue sustentar diariamente, horas e mais horas, enxurradas de alucinações inquisitórias no Jornal Nacional diante do olhar de mosca de padaria que flerta com o pão doce do William Bonner ou do seu xará, o Waack?

É bom deixar bem claro, se não existisse uma “vitalidade” e “verdade” dentro das pessoas que irresponsavelmente são acusadas de crimes sem provas, no caso de Dilma e Lula, não haveria ninguém, insisto novamente, ninguém para apoiar tais figuras políticas na sociedade. Fernando Collor, o caçador de ex-marajá de Alagoas, conseguiu ser a unanimidade do repúdio púbico que culminou no seu impedimento. Mas, agora, por que querem apoiar Dilma? Tais pessoas querem algo simples e que os golpistas intolerantes e anencefálicos não entendem: não é o governo Dilma seus burros, é a democracia em jogo! Ninguém quer recuar um milímetro dos seus direitos e sequer perder conquistas já consagradas. Existe uma massa que ascendeu da miséria e virou consumidores e desejos por mais consumo e direitos. Negros, mulheres, LGBTs e emergentes sociais, todos eles, querem exercer seus direitos já conquistados sem concessões.

Ficou muito explícito que ninguém foi para as ruas nesta sexta-feira defender o neoliberalismo do PT, as lambanças econômicas da equipe tucana de Dilma, mas somente o Estado Democrático de Direito. Ninguém é completamente idiota para não saber que qualquer mudança da ordem democrática é um perigo abissal. Não precisa ser nenhum cientista político, apenas ser qualquer cidadão que sente com o coração e não relincha ódio pela cloaca. Por que digo “coração”? Simples, a política das massas é a política dos afetos. Não se trata de manipulação, necessariamente, mas a necessidade de dizer: estou vivo e quero viver!

Se for para apostar na insanidade golpista, temo que afundaremos em mais um período de trevas e que, talvez, seja maior dimensionalmente que as insanidades do período militar. O fato importante é que não se tem base nítida e nem ânimo manifesto nas fileiras das forças armadas para uma nova aventura. Agora, o tempo é outro, os meios é outro, a ambientação narcísica pós-moderna é de não-tolerância à negação. Todavia, cabe ressaltar que a História pode se apresentar como farsa e criar outros modelos de coerção social. Neste sentido, na atual conjuntura, o Poder Judiciário com seus inacreditáveis desmandos e posturas que estupram qualquer ética se mostra não mais solução dos conflitos, mas o maior obstáculo para a democracia na vida politica e social do país.


  1. Epílogo (?).
 A esperança, ou melhor, a minha esperança, é que os partidos políticos mais comprometidos e os psicopatas do Poder Judiciário utilizem rapidamente suas camisas de força, cessem minimamente este oportunismo suicida em prol da manutenção do Estado Democrático de Direito. Sim, o pacto politico já era, assim como o presidencialismo de coalizão. Não é o momento de inventar novos modelos, mas de apaziguar as animosidades.
Se apostarem na guerra, ela irá ocorrer, talvez nos enfiaremos numa maldita “venezuelização” da sociedade de conflito aberto a qual ninguém, absolutamente, ninguém ganha com isto, nem mesmo os psicopatas de plantão.

Os trabalhadores ganha com todas as turbulências? Não acredito em vantagens com sangue de inocentes. Aliás, repudio qualquer uso de “mártires da tumba” para levar qualquer bandeira. Para avançarmos no processo civilizacional é preciso abrir mão da sede de sangue inocente. Da desgraça não nasce luz, mas apenas um mar de cruzes. Logo, responsabilidade e amor às pessoas.

A calmaria dos atos de domingo e de hoje não durará para sempre. Ânimos acirrados é um convite para o caos. Com exceção dos sociopatas, ninguém quer um banho de sangue sem a menor necessidade. A nossa atual conjuntura é o maior teste da possa república desde sua redemocratização, em 1985. Se sobrevivermos, sairemos mais fortes com um país menos cretino e mais democrático, onde os ditos “oposição” e “situação” ganharão em alguns nacos de credibilidade e confiança em prol de um novo olhar para a sociedade, uma oportunidade para recomeçarmos com mais força e a fundamental inserção da participação popular. Se sucumbirmos, os cemitérios terão que ampliar seus terrenos.  É preciso escolher os lados: um país democrático e popular ou o caos reinante das trevas. 

quinta-feira, 17 de março de 2016

Aos instantâneos Doutores em Política das redes sociais


Aproveito a oportunidade para dar-lhes parabéns a todos que conseguiram se formar em doutores em ciências políticas e sociais somente assistindo a TV Globo e como leituras do Estado, Folha, e revista Veja e alguns desorientados vídeos anônimos do Youtube.

Fico com uma baita inveja, pois é tão cansativo e longo o processo de formação da graduação ao doutorado. Espero que em breve obtenha o meu título, mas nunca da forma tão fantástica e rápida daqueles que analisam política nacional sem ao menos ter um único livro digno de História do Brasil. Sim, assumo minha incompetência por não conseguir obter de forma tão imediata!

Sim, cada um tem sua opinião, mas ofender os demais que são contrários a sua opinião além de ser deselegante é insensato e pouco agrega para a civilidade. Não estou subestimando a inteligência de nenhum dos "doutores", fazendo um apelo à consciência.


Como sempre escrevo, a política não é uma novela da Globo. Como diria um velho bordão de comercial: parece, mas não é. Ela estabelece um longo vínculo de problematizações e conjecturas que não são triviais a qualquer leitura enviesada de Jornal Nacional entre uma garfada do jantar e um olhar na telinha.

Como diria o escritor Umberto Eco, escritor italiano falecido recentemente, as redes sociais se transformaram na seara dos imbecis. Ele foi um tanto duro, mas o que estamos vendo é um festival de grosserias sem nexo, sem propósito onde apenas o ódio e lançado como se fosse análise torrencial da política. Pior que isto poderá transpor para o cotidiano social, agressões toscas por alguém ser contrário ou a favor de algum fato ou portando uma dada vestimenta de uma determinada cor. Não podemos entrar na paranóia da Inquisição de execução sumária!


Vale ressaltar que podemos gostar ou não de política, mas acima de tudo, devemos manter a sobriedade e cordialidade entre os pensamentos dos outros. Ser adversário é diferente de ser inimigo! O primeiro é o confronte de idéias e o segundo é um rito de guerra. Não podemos partir para uma infantilizada guerra tribal a qual sequer os seus participantes sabem exatamente por que estão gritando uns aos outros.

Enfim, vamos com calma que o andor é de barro, já diria um velho ditado. Ao contrário que a grande mídia expele a todo o momento a fim de gerar um clima de histeria coletiva, a política é muito mais complexa do que a simplificação grotesca deseja desenhar com um único propósito: enganar deliberadamente as pessoas as quais tem pouco ou contato com a política.

Ademais, é preciso entender que se um país adentrar uma crise de esfacelamento das instituições democráticas, todos iremos pastar juntos sem direito a alfafa. Todos os mais pobres e desprotegidos, pois aqueles que provocaram tal crise, os ricos, pegam seus passaportes e dão o fora estourando champanhe e degustando caviar. Xingar, gritar entrar em clima de convulsão histérica contra esta ou aquela figura pública, por sinal, sempre aquela que a mídia quer que seja linchado, apenas mostra que o nível da intelectualidade política não é das mais requintadas.

Criticar sim, mas também procuremos ouvir outras versões, entender que não é possível que de repente, como num passe de mágica, todos ficaram de birrinha e querem que o país se exploda. Viver é, acima de tudo, conviver! Sabemos que o convívio mútuo é uma arte das mais refinadas. Ressalto que somente e tão somente xingar políticos com orgulho no coração não é debater política, mas justamente o contrário, é mostrar claramente que quem faz tal atitude não entende nada dos meandros políticos. Sim, você pode xingar quem desejar, mas lembre-se que o ódio é uma doença de fácil contágio.

Sem idéias mais sólidas, xingar por xingar cai na banalidade a qual não se sustenta sequer a um vento provocado por asas de pernilongo. A propósito, conversas de botequim são bacanas e legais, mas não significa também que entre uma cerveja e outra, o sujeito fica mais consciente em falar sobre os rumos do mundo da política.

Por fim, apenas reafirmo que não é fácil chegar ao doutorado. Não quer dizer que a pessoa é mais ou menos inteligente, todavia ao menos pressupões que ela tenha um pouco mais de leitura e amadurecimento sobre algum dado assunto em particular. Também não significa o entronamento de ninguém, uma vez que a política é a arte da sua prática, assim como tem muitos professores, sindicalista, militante de movimentos sociais e pessoas de uma simplicidade maravilhosa são mais astutos sobre a política sem ter um burocrático título.

A questão central é que a política é para além (muito além!) de uma partida de futebol. No futebol, o campeonato acaba e o único vencedor comemora o restante lamenta-se. Na vida prática, a política é diária e vencedores e perdedores são os elos que se constrói o mundo capitalista os quais nos inseriram a contragosto (Alguém pediu para nascer?).

Todavia, fico feliz que muitos acreditam serem doutores em sociologia política simplesmente num passe de mágica. Doravante, é prudente o destilar de menos ódio gratuito e mais ouvidos e razão. A vida não deve ser um campo de guerra de todos contra todos sem compreender para que lado se atire. O clima da desinformação semente serve aos interesses daqueles que querem se aproveitar justamente da ignorância alheia. O tempo certamente provará quem tem razão. Mais uma vez, vamos como muita calma que o andor é de puro barro. 

A solidariedade é o motor que é distingue os seres humanos e os objetos inanimados. Não precisamos de um diploma para ter conhecimento de mundo, mas precisamos do amor, esse afeto mais caro e árduo de ser operar, e que nos possamos (re)construirmos como seres humanos vivendo em conjuntos com outros seres igualmente humanos. Discordâncias sim, agressividades jamais! Não vamos nos esquecer: a solidariedade é sempre maior do que qualquer estupidez.


segunda-feira, 14 de março de 2016

A Caixa de Pandora: um balanço de um dia nefasto.


Toda avaliação dos fatos no momento de sua digestão corre o risco de ser parcial ou equivocada. Todavia é preciso assumir a realidade das intempéries para que se possam contribuir para franjas de debates e discussões. Logo, as seguir, algumas breves observações no "balanço das micaretas" deste domingo, 13 de março de 2016.

O termo “micareta” é o que melhor o autor consegue traduzir pela percepção visual, alegórico, predominação do amarelo em “homenagem” a camisa da Seleção Brasileira de futebol e conteúdo festivo, que lembra as típicas manifestações carnavalescas tão profícuas no país.

Sendo assim, alguns pontos são possíveis de destacar a partir das micaretas, ou seja, os atos promovidos em diversas cidades do país patrocinados por partidos tidos como “oposicionistas” do governo Dilma, a saber: PSDB, DEM, PP, parte do PMDB e grupos de direita e extrema-direita, inclusive alguns deles suspeitos de receberem dinheiro de empresas "filantrópicas" estadunidenses (como o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua). Ao contrário das edições anteriores registradas no ano passado, este ato de 13 de maio é o primeiro oficialmente declarado pelos partidos oposicionistas do governo Dilma:

1.) Ao contrário do mote do seus organizadores que seria um “movimento contra a corrupção” (sic), efetivamente foram manifestações escancaradamente anti-PT e contra as figuras da presidenta Dilma e, principalmente, o ex-presidente Lula (o líder do PT e que não exerce nenhum cargo público ou político desde que saiu da presidência, em 2010). O nível de conhecimento político dos seus participantes foi escandalosamente alarmante, alicerçado com um viés surreal (pedidos em cartazes de todo sortilégio de desejos sem fundamentação política ou até mesmo desejo de morte da figura de Lula) e, o mais preocupante, um nível de niilismo pseudo-politizado irresponsavelmente perigoso;

2.) A priori, a questão da participação popular foi amplamente dos setores mais privilegiados da sociedade e descontentes com o legado do PT de inserção dos mais pobres na vida econômica. Pouco se viu críticas sobre a questão econômica, supostamente seria um nível de descontentamento da crise que assola parte do país, mas sobressaiu-se o máxima da "corrupção" exclusivamente petista. Por detrás de um verniz supostamente "apartidário" ou "apolítico", ressalta-se estruturalmente a luta de classes interiorizada na sociedade brasileira;

3.) O jogo político transbordou numa seara de grande perigo de alucinação dos afetos. A deflagração da política do ódio pelo ódio fomentado pelos grandes meios de comunicação e extravasado pelas redes sociais, além de um declarado ódio contra o PT, vem ecoando com muita força o ódio pela política, inclusive, o ódio pela democracia. Aqui, segundo participantes, a democracia sendo sentida como sinônimo de "fracasso econômico" para alguns e/ou também de “inviabilidade da vida social”. Este último, temos um discurso fortemente conservador de extrema-esquerda e a crítica mordaz pelas ações sociais promovidas dos governos Lula/Dilma (o “Bolsa Família”, um programa de redistribuição de renda, foi um dos mais citados como “retrocesso” do país);

 4.) O nível de rejeição e intolerância pelo governo Dilma a partir da demanda dos participantes pareceu ser bem nítida que pouco importa que a presidenta Dilma faça a partir de agora. Uma vez que para os defensores de sua “expulsão do poder” (aqui, serve qualquer saída, inclusive a defesa da “intervenção militar” como alguns grupos apregoam em redes sociais e em cartazes exibidos em praça pública), ou seja, execram-na independente se ela tiver alguma suposta ligação real com corrupção ou se seria uma insegura “má gestora da economia”. O ódio apregoado e mal disfarçado de “crítica politica” é contra a figura da mulher Dilma (perceptível pelo número de cartazes de insultos misóginos) e contra o que ela representa como suposto governo "exclusivamente petista ou comunista". Todavia, é do encontro quase irreal de uma mosca azul conseguir que algum dos participantes definirem com mínimo de exatidão o que seria um “governo comunista”. O pedido de “impeachment” da presidenta por parte dos participantes foi uma questão muito mais de desejo narcísico e não de motivos substanciais para destituição do cargo;

5.) Uma certeza categórica: a grande mídia pode ser definida simbolicamente do ponto de vista de um protagonismo ideológico traduzido em mobilizações “apolíticas” perante os elementos constituintes da sociedade, o “maior partido político” do país. A grande mídia com seus braços em todos os meios de comunicação foi quem criou todas as condições para que pessoas comuns e completamente despolitizadas, ignorantes da política como prática e como teoria, se transformassem em perfeitos “zumbis” cheios de rancor e ódio sem alicerçar maiores fundamentos que pudessem traduzir a natureza perceptível dos fatos. Vale ressaltar o poderoso monopólio de comunicação, nas modalidades de mídia impressa, digital, televisiva e radiofônica, que exerce de forma peremptória as Organizações Globo, o grupo Abril e, em São Paulo, os dois principais jornais do estado, a Folha e o Estado, entre outros grupos como o Grupo Bandeirantes, a rádio Jovem Pan e o canal do governo do Estado de São Paulo, a TV Cultura, transformado em braço jornalístico do governador Geraldo Alckmin;

6.) Sob aspectos da dimensão partidária, a direita continua desorganizada como braço político sem um nome de consenso definido. Em plena Avenida Paulista, cidade de São Paulo, berço dos protestos paulistas, a hostilidades contra os presidenciáveis tucanos para 2018, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves mostraram a derrocada dos planos de capitalização eleitoral imediata das micaretas promovidas pelo próprio PSDB, região do principal celeiro eleitoral do partido;

7.) Nitidamente se percebeu, por parte de muitos participantes, um clamor por medidas autoritárias e truculentas deram vozes mais agudas à um fascista como o deputado Jair Bolsonaro. Curiosamente, Bolsonaro foi político mais aclamado como “mito” (talvez o único) por muitos participantes presentes no ato onde ele compareceu ao lado do novo “herói nacional”, graças a sua projeção midiática e hipertrofia de suas ações sensacionalistas, o juiz Sérgio Moro, responsável direto pela investigação dos supostos desvios da Petrobrás, apelidado de “Operação Lava Jato”. Sintomaticamente, um deputado fascista representante das forças policiais e um juiz como “heróis nacionais” foram os elementos mais lembrados pelos participantes, em especial, Moro, como uma espécie de “redentor da dignidade brasileira”;

8.) É razoável compreender que estamos definitivamente num período político muito conturbado (um sintoma de “clima de incertezas”), onde a razão e a responsabilidade vem perdendo forças bruscamente para a insanidade e histeria coletiva. Sintomático que nas vésperas dos protestos encabeçados pelo PSDB, na noite da sexta-feira, 11 de março, sem maiores explicações, a Polícia Militar de São Paulo tenha invadido a subsede do Sindicato dos Metalúrgicos em Diadema, no momento que a entidade fazia um ato pró-Lula. A Caixa de Pandora aos poucos vai se abrindo e o serpentário começa a mostrar as suas garras, não apenas na desertificação da política, mas que reflete diretamente nos ânimos da vida cotidiana com ensaio de agressividade supostamente por motivação política;

9.) Diante de uma visível e estéril polarização ideológica e afetiva entre pró-PT e anti-PT, alicerçada cotidianamente pela grande mídia e fomentada a cada “fato novo” oriundo dos vazamentos seletivos inquisitórios da Operação Lava Jato, neste ínterim, tanto as esquerdas fragmentadas quanto os intelectuais progressistas simplesmente parece se manterem imóveis ou sonolentos. Logo, sobre o silêncio de uma contraposição que possa se mostrar contrária a sanha reacionária que naufraga o país, o processo de “fascistização da sociedade” avança dada vez mais e, como sintoma foi visto a partir dos protestos de 2013, agora, parece não ter controle desejo por parte dos "abridores" da Caixa de Pandora;

10.) Há um vazio político muito perigoso, o qual somente a figura de Lula, como o PT e seus simpatizantes desejam, é muito pouco ou insuficiente para ocupar no momento, uma vez que sobre ele toda a mídia centra fogo cerrado contra sua figura política. Ademais, o governo Dilma a cada semana se encontra mais enfraquecido pelas circunstâncias políticas e por um Congresso Nacional profundamente oportunista, reacionário e chantagista. No campo da direita, conforme já indicado, há outro vazio com alguns postulantes, mas sem consenso no atual estágio do atoleiro político. Daí o sensível risco de "salvadores da pátria" surgem para satisfazer o nível de ansiedade produzido pelo clima hostil e histérico que se contra parte da população assumidamente dos setores mais privilegiados. Neste sentido, figuras completamente hostil à democracia como o fascista Jair Bolsonaro ou neo-heróis midiáticos, como o juiz Sérgio Moro podem ser paridos como tais “salvadores” em meio à fogueira de acontecimentos atropelados pela razão e guiado apenas pelas trevas do oportunismo;

11.) Para finalizar, não é apenas o governo Dilma que se encontra em risco de golpe de estado, das mais diversas formas e modalidades, mas a própria democracia que se encontra em perigo. Justamente nesta segunda demanda que mora todos os mais preocupantes níveis de tensão desde o início da redemocratização do país na segunda metade dos anos 1980.

Diante da Caixa da Pandora do destino brasileiro, o surrado mote “contra a corrupção” é o cacoete da direita de dizer qualquer coisa que não tem nenhuma sustentação. Como se fosse uma guerra higienizadora entre os puros e impuros beirando a um obscuro fanatismo. O “combate a corrupção” é a demanda daqueles que na falta absoluta de idéias e projetos, procuram se envernizar de um conceito que todos estão de acordo. Afinal, quem é a favor da corrupção? Logo, a falácia é apenas um “cavalo de Tróia” para a projeção de elementos que podem transformar a atual democracia em um terreno fértil para aventuras golpistas, conforme o Brasil já assistiu e foi alvo de retrocessos de perversas orquestrações.

É tempo de reflexão e profunda sensibilização, pois o que está em jogo não é apenas um governo de uma dada presidenta ou partido político, mas o presente e o futuro de um país que parece estar perdendo o nível mínimo de sobriedade dos elementos que comandam as instituições vitais para a condução democrática, nas três esferas do poder, justamente em momentos, como este agora, que em as situações mais agudas tendem a demandar prudência e responsabilidade. A História serve como fundamental retrovisor e o presente não pode ser simplesmente um jogo de mero oportunismo sem rédeas dos atores políticos o qual,  torrencialmente, poderá comprometer todo o futuro democrático do país. 

sexta-feira, 11 de março de 2016

A FAVOR DA DEMOCRACIA, A FAVOR DE DILMA


Apoio a presidenta eleita democraticamente, Dilma Rousseff, contra o golpe que prende ser orquestrado neste país. Como sempre na frágil democracia povoada de aves de rapina, os mesmo que provocaram a crise no governo se apresentam como salvadores da pátria.

Basta de conjecturas golpistas! A grande mídia fascista quer transformar pessoas pacatas e alienadas politicamente em monstros ensandecidos de ódio em nome dos interesses canalhas e mesquinhos do PSDB, DEM e parte do PMDB, além de outras corjas partidárias que são satélite das migalhas do poder.

Não vai ter golpe e não vai ter aceitação gratuita da violência dos boçais, que na falta absoluta de argumentação, parte para a agressão gratuita, o rancor e o ódio. Lembremos que os mesmos que querem destruir a democracia, depois ficarão com o rabo entre as pernas diante do cabresto da pressão dos militares. A História é farta em exemplos trágicos. Quem depois vai ter que sofrer na carne para tirar o país do atoleiro? Os progressistas e esquerdistas que mesmo não apoiando todo o governo de Dilma, mas que acredita que é impossível ver numa sociedade sem democracia. A direita desgraça o país e depois sai correndo como sempre fez e continua a fazer.

A destruição da democracia somente interessa aos interessa parasitários do poder e os oportunistas de plantão. Gostando ou não do governo Dilma, um golpe de estado é o retrocesso abissal para o nosso país.

Sem radicalismos golpistas e sem o jogo de marionetes da grande mídia sensacionalista sedenta por sangue e ódio. Dilma fica e esperamos que ela possa ter a tranquilidade de buscar saídas para a crise fabricada. Somente com uma guinada para a esquerda, com projetos que atendam os mais desfavorecidos deste país, que poderemos dar um novo horizonte para o Brasil.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O BRASIL DAS MICARETAS ALUCINADAS: Aos participantes das marchas fascistas dos horrores que apoiam golpe de estado em prol da histeria da insanidade coletiva


Aos que ficam patrocinando marchas para o golpe de Estado lembre-se de algumas coisas:
1. Você que é patrão não obrigue seus empegados a participarem de micaretas em prol dos seus interesses cretinos, isto é ilegal e chama-se "assédio moral". Nada de levar a empregada para lavar e desamassar as panelas que você fica amassando com seu rancor e ódio infantil!
2. Você que é trabalhador, não seja trouxa e nem vaca de presépio de patrão. Se as coisas já estão complicadas no momento, imagine então manifestações grevistas em plena ditadura civil-militar?
3. Você que é da classe média, mas insiste em acreditar que é membro-efetivo da Casa Grande, tome seu laxante ou clonazepam e entenda que o mundo é muito maior que o seu mero umbigo narcísico e que as elites as quais tanto tanto sua língua bajula nunca estiveram preocupadas com uma gota dos seus gritos histéricos.
4. Você que é alienado mesmo, aquele não sabe a diferença entre o dia e a noite, antes de ajudar a foder o país mais ainda, faça algo de último para si mesmo: vá puxar um ronco e não seja mais um pangaré na massa de manobra daqueles que querem incendiar o país em benefício próprio.
5. Você que é da ala mais a esquerda e está torcendo para que o país pegue fogo e acha que vai ter uma alucinada "revolução campesina-proletária" quando o PT for para o espaço juntamente com a nossa frágil democracia, segue um conselho: abrace com tesão seu coelhinho da Páscoa, livre-se do recalque e da dor-de-cotovelo e seja muito feliz!
6. A todos aqueles que não sabem nem o que significa "democracia", "política", "partido político", "classes sociais", "lutas de classes" e detesta a História (e tem um ódio flatulento daqueles que conhecem os significados destas palavras), ficam se posando de intelectuais manguaceiros das redes sociais e defecando ódio por todos os lados, um lembrete: larguem estes alucinógenos que já estão fazendo muito estrago nas suas vidas e destruindo os poucos neurônios que ainda restam na cachola esvaziada.
Observação: Não venha com este papo furado que é "sem partido", puro, casto, virgem e com hímen intacto vociferando ódio com seu fora Dilma/Lula/PT e apoiando toda a corja de ladrões tucanos e afins. Não existe santo na política, nem na sociedade e tampouco você é um detentor de aréola na vida social. Ao menos, assuma sua posição, solte a tresloucada franga fascista que existe em você e deixe de hipocrisia fanática e pseudo-moralista.
Tudo que o país não precisa agora é um exército de reserva operante de bestas tagarelas e desmiolados fanáticos alucinados serviçais da Casa Grande. Este filme é tão podre e velho quantos os golpes desferidos em nossa débil e solapada democracia.


Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica

Em artigo nesta sexta-feira , o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito...