quinta-feira, 13 de março de 2025

O GRANDE CAPITAL E AS FORMAS MERCADOLÓGICAS DE MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO


 

1.      UM MUNDO NUMA ESTRANHA METAMORFOSE

 

Na tarde desta terça-feira, 11 de março, coordenei de forma remota o PAINEL “Gestão da informação e comunicação em bases democráticas” do V Seminário Internacional sobre Democracia, Cidadania e Estado de Direito, uma realização conjunta de pesquisadores de três instituições: Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade de Vigo, na Espanha. Por sinal, um evento que faço parte do Comitê Científico.

Ao todo, dezoito trabalhos de Pós-graduação com a participação de estudantes e pesquisadores espalhados por todo o país, os quais, em sua maioria, destacaram a questão do volume massivo de informações impregnado na sociedade sem controle por parte do Estado.

As leis de proteção aos dados ainda engatinham no país, e as grandes empresas de tecnologias, as chamadas “Big Techs”, ou seja, um braço tecnológico do Grande Capital internacional. Tais empresas possuem caminhos, praticamente, livres para fazerem o que bem querem, sem que o alcance das leis governamentais dos Estados Nacionais possa coibir seus ataques, manipulações e adulterações dentro da sociedade.

Uma outra questão relevante e altamente problemática é a chamada “Inteligência Artificial” (IA) que está sendo desenvolvida também por Big Techs. Não há nenhum tipo de controle público com o avanço de tecnologias criadas por empresas de tecnologias e que dominam todo o cenário mundial.

Na minha concepção, uma das grandes consequências do deserto jurídico que se instalou no campo do “mundo digital” está correlacionado com a própria estrutura da fragilidade democrática que sucumbe com a metástase do neoliberalismo, acarretando consequências dilacerantes dentro da sociedade.

No topo da pirâmide de lucratividade no mundo, temos os quatro primeiros lugares ocupados por empresas de tecnologia, sendo uma de comércio eletrônico exclusivamente na internet. Observando o valor de mercado em 2025 para cada empresa, segundo o site especializado Investing.com (2025), temos: Apple (3,7 trilhões de dólares); Nvidia (3,4 trilhões de dólares) Microsoft (3,2 trilhões de dólares); Amazon (2,2 trilhões de dólares) e Alphabet Inc. (empresa dona do Google, 2,1 trilhões de dólares). Em termos de comparação, o PIB do Brasil, em 2024, foi cerca de 2,2 trilhões de dólares, ou seja, é inferior aos primeiros colocados deste ranking!

As Big Techs vêm se mostrando, cada vez mais, com um caráter manipulador da ordem social ao introduzir elementos que atingem frontalmente a opinião pública, criando instabilidade entre governos em nome de lucros bilionários.

 

 

2.      NOVO TESTE DA DEMOCRACIA NA CORDA-BAMBA

 

Após a tentativa de golpe escancarado, no Brasil, no maior circo dos últimos tempos, no fatídico 08 de janeiro de 2023, foi arquitetado, em grande parte, nas redes sociais e em fóruns de debates, na internet, alimentados por grupos de Extrema Direita apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O objetivo da política de promoção do ódio foi o nutrir um estado de alienação de sujeitos que se forjaram como uma malta de imbecis, lobotomizados desde as famigerados jornadas de inverno, em 2013.

A livre circulação de todo o sortilégio de mentiras se tornou combustível para um dos processos de deterioração da mentalidade coletiva mais retrógrada das últimas décadas. Ademais, apesar de todas as atrocidades feitas pela militância da Extrema Direita, a Justiça segue a passos lentos no sentido de condenar os extremistas e, corre-se o risco, de banalizar todo este processo de ataques sistemáticas ao regime democrático.

 No próximo ano, em 2026, teremos mais um grande teste para esta nossa bombardeada democracia cambaleante. Será o processo eleitoral que escolherá o representante ao Planalto. Com o avanço da Extrema Direita no Ocidente e, no Brasil, temos o avanço da Direita em cenário nacional, as tensões serão tão preocupantes quanto as duas últimas eleições presidenciais.

Assim como em 2016, 2018 e 2022, a enxurrada de insanidades oriundas das redes sociais visando provocar um oceano de desinformações estará em pleno vapor. Principalmente, quando o bufão das “fake News”, Donald Trump, e o seu aliando bilionário fascista, Elon Musk, estão no comando do maior império do planeta.

Da mesma maneira, como houve excessivas manipulações nos processos de propaganda eleitoral dos últimos anos, não basta apenas precaver a tragédia: é preciso punir. Até agora, os responsáveis pela pornochanchada golpista de 08 de janeiro de 2023 estão soltos e com todo o vigor para cometerem os mesmos crimes e construírem um cenário de aberração social do mais cristalino projeto da carcomida operação de manipulação das massas. 

O passado se repete no presente não com tragédia, mas como aberração de uma farsa que gera novas tragédias: a constância da alienação do Grande Capital como sabotadora das democracias. Não existe as variantes fascistas sem investidores com vultosa distribuição de capital que possam promover e alimentar a grande rede de canalhices dos grupos que buscam sabotar a democracia em nome de mentiras e das distorções que espatifam algum projeto que visa ampliar a cidadania.

 

3.      AS LIÇÕES DE WEIMAR


Se, por hipótese, existisse uma máquina do tempo e trouxesse o ministro nazista da Propaganda Política do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, para a atualidade, o braço direito de Hitler ficaria encantando! Um universo inteiro para manipular sem que nada intervenha e ninguém seja punido por mentiras, distorções, infâmias escrachadas no universo da internet. 

Assim como na Alemanha da chamada República de Weimar (1919-1933), berço da desordem que imperou na primeira experiência democrática alemã após a hecatombe da Primeira Guerra Mundial, o extremismo político tomou de assalto as ruas e, liberalmente, quebrou ossos e tirou a vida de muitos dos entusiastas por violência em um mundo sobre os escombros de uma guerra perdida.

O limbo “democrático” de Weimar e da miséria imposta por soldados que nada mais tinham, exceto a desonra e a miséria, nasceu o nanico Partido Nazista, a agremiação política mais temida do mundo no século XX.

Inicialmente, o Partido Nazista, em suas origens, era apenas um grupo majoritário de soldados sem rumo e encontrou na figura insólita de um ressentido Adolf Hitler, a voz e a vocação de uma vertiginosa “missão” para servir o povo e, para isto, para proferir todos os impropérios contra a República em nome do “povo alemão”.

É importante frisar que a Alemanha de Weimar foi palco exemplar de todo sortilégio de loucura em nome da “democracia”. Sem nenhum constrangimento, lutas tribais foram travadas nas ruas por motivações políticas e, depois, racialistas, na epifania da loucura das massas contra os judeus.

Carregados de ódio, mentira e distorções, uma série obscuros panfletos e jornais de livre circulação provocaram uma rede de mentiras que terminaram em desorganizar ainda mais o pensamento dos cidadãos. O Partido Nazista liderava as manifestações e política de ódio contra comunistas, judeus e tudo que suas lideranças considerassem “indesejáveis”.

Sem o lastro de miséria, desamparo e desespero, tantas mentiras não encontrariam morada nas mentes e corações dilacerados do povo alemão. As crises econômicas viscerais da crise de hiperinflação de 1923 e o colapso da economia mundial em 1929, colocaram a Alemanha de joelhos, e refém dos grupos extremistas e suas soluções mágicas em nome do sepultamento da democracia e o levante do autoritarismo. Neste lastro de irracionalismos, desesperança, fome, desemprego e orgulho ferido, ascendeu o grupo político mais nefasto de todo a história do século XX e mudaria o mundo para sempre: Partido Nazista entra a República de Weimar e ergue o famigerado Terceiro Reich.

 

4.      NO DILACERANTE DESERTO DA DESESPERANÇA, EIS A MORADA IDEAL DAS IDEOLOGIAS FASCISTIZANTES


A quem interessa uma sociedade fragmentada, intoxicada de falsas informações e alienada do seu direito de pensar? A batalha da informação que está sendo travada é para quem conseguir desconectar as pessoas de suas próprias vontades e construir narrativas impostas como se fosse delas próprias.

Nada é mais manipulador do que as estruturas do capitalismo que sabe operar o inconsciente coletivo e transformar o desanimo e a desesperança em um barril de pólvora para alimentar o ódio e o ressentimento.

Não há nada novo que já não foi testado com objetivo de manipular uma sociedade de massa. O que temos agora, é uma veloz escala industrializada de mentiras jamais vista na história!

Nada que a história não deixou suas lições que não possam ser lidas e aprendidas! Até quando ousaremos repetir os piores momentos da História da civilização humana?

Como é possível que um Estado permita que empresas se expandam de tal forma que se transforma em monopólios mundiais deixando o próprio Estado refém delas? As empresas mais ricas no “top 10”, segundo o site Investing.com, representam monopólios mundiais da tecnologia.

Desta forma, estão elas que ditam as regras do mercado mundial e criam condições de operarem ao seu bel-prazer! Quebrar o monopólio destas empresas deveria ser uma obrigação urgente dos governos de todos países, inclusive das principais potências, uma vez que os próprios poderes estatais se tornaram refém dos interesses do capital privado!

O aprofundamento do avanço das tecnologias, curiosamente, muitas vezes, com aporte de capital estatal, permitiu um nível de manipulação social que é, cada vez, de maior complexidade de detecção e, pior ainda, as metamorfoses do processamento do controle das informações atingem escalas inimagináveis. Tudo isto, controlado por empresas privadas internacionais operando como verdadeiros Estados Nacionais, com orçamentos anuais maiores do que o PIB da maioria dos países do mundo, e que não são submetidas por nenhuma lei, apenas pelos desígnios de seus abutres acionistas sedento por lucros!

Não se pode apostar no lançamento de dados à espera da sorte dar números positivos na roleta do grande cassino da civilização. A ideologia neoliberal procura sempre normalizar a barbárie ao criticar e condenar sempre a ação do Estado contra os interesses do Grande Capital.

As velhas e novas formas de tirania sempre tiveram como base o controle e a manipulação das informações vigentes em uma sociedade. No caso das Big Techs, sem nenhum controle social e sem quebrar o monopólio das empresas transnacionais, o resultado é uma submissão completa, ou seja, um planeta inteiro sitiado por uma espécie de “terra de ninguém”, operadas por interesses do Grande Capital que possam manipular diretamente os núcleos dos governos estatais do mundo inteiro e entregue à barbárie do ultraliberalismo cujo força vital é moer tudo e a todos em nome dos lucros do Grande Capital.

 

Wellington Fontes Menezes

(wfmenezes@uol.com.br)

 

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quarta-feira, 5 de março de 2025

O SHOW DE TRUMP

 


Ontem, 04 de março de 2025, no primeiro discurso de Donald Trump no Congresso dos Estados Unidos, em Washington, o bufão bravateiro fez seu show de bizarrices: ofendeu tudo e a todos, acusou sem provas quem ele quis, zombou da previdência social, anunciou um pacote de 500 bilhões de dólares para as Big Techs, usou a habilidosa estratégia de vincular toda da Esquerda com a insanidade da ideologia "woke", se mostrou solidário com as vítimas de violência causadas por "criminosos imigrantes ilegais", chamou ao palco pessoas de casos dignos de programas sensacionalistas de quinta categoria da televisão. Mentiu, ameaçou e distorceu fatos até se esgotar!

Ademais, Trump prometeu uma cruzada contra a todos os países do mundo, contra a imigração ilegal, contra os "mexicanos traficantes" e associou "imigrantes" à criminosos. Trump afirmou que vai tomar tudo que for do interesse estratégico estadunidense para os Estados Unidos, do Canal do Panamá até a Groelândia, inclusive o planeta Marte!

Trump vociferou um mundo de charlatanismo típico do tiozão do churrasco de família, mas quase nada de política concreta, exceto a transferência direta do capital estatal migrando para os cofres da plutocracia estadunidense.

Aqui está a grande jogada de Trump: enquanto diverte o seu eleitorado estadunidense de fanáticos e um bando de otários pelo mundo, ele começa aplicar o maior "choque de ultra-liberalismo" na administração federal, transferindo recursos públicos para o setor privado, ampliando ainda mais a participação e os ganhos dos sedentos bilionários.

Enquanto isto, ontem, Trump reafirmou a negativa da ajuda das forças armadas e financeira para a União Européia e, desta forma, se avizinha a liquidação da OTAN. Em virtude destas medidas de Trump e usando a Ucrânia do comediante fascista Zelensky como bode expiatório e elegendo Putin como o "novo vilão do mundo", a União Europeia está criando um fundo de quase um trilhão de dólares para uma corrida armamentista que só tem precedentes no período que antecederam das duas genocidas guerras mundiais no século XX.

Quem vai ganhar com a loucura desesperada européia para comprar monstruosidades de guerra? A maior indústria bélica do mundo, os Estados Unidos do "herói pacifista" Tramp!

Não será estranho se a economia estadunidense crescer e se manter aquecida nos próximos meses ou até a reeleição de Trump.

Zelensky foi um fantoche útil bancado por Biden e Kamala para afrontar Putin. Agora, Trump vai utilizar este mesmo fantoche para a União Européia mergulhar na loucura armamentista e aquecer com euros o parque industrial dos Estados Unidos.

Todo o circo do show de Trump flertando com a Terceira Guerra Mundial, em um mundo com lideranças e democracias esvaziadas e fragilizadas, atores globais ainda em indefinição, todo sortilégio de fascismos em ascensão no Ocidente e o capitalismo, para variar, em nova crise sistêmica. 

(Wellington Fontes Menezes)

terça-feira, 4 de março de 2025

ALEGRIA, ALEGRIA: VIVA O CARNAVAL?

 


Que lindo é o carnaval! Você é um dos sete milhões de desempregados no Brasil das estatísticas oficiais. Na realidade, um potencial para treze milhões de almas boiando à céu aberto no sol de Mefisto sem carteira de trabalho.

Seja sobrevivendo de bicos, seja respirando com ajuda parental ou bolsa-qualquer-coisa governamental, o tempo passa sem vida. Pressionado pelas circunstâncias, o sujeito é esmagado até a raiz do cabelo e da alma, sem perspectiva alguma na inútil e sôfrega vida. De antemão, o futuro é uma palavra desconhecida no vocabulário.

Todavia, se acalme e deixe tudo para lá! Agora, é carnaval! Você poderá soltar a franga, sambar, rebolar, chacoalhar, gritar, cacarejar até cair nas ruas e praças públicas. Não dizem que é a alegria que move o mundo?

Quem sabe até um Oscar para um filme que você não assistiu e tampouco entenderá, talvez poderá mudar a sua vida? A ignorância é um balsamo para querubins, pecadores e espoliados! Alegria, alegria, já dizia Caetano em uma das suas mais famosas canções. Será verdade esta premissa alegórica de carnaval?

Viva o colírio alucinógeno que transforma trabalhadores e desesperados em cordiais cordeiros de um imenso sanatório naturalizado!

Viva a boçalidade da modinha da "ancestralidade", onde um punhado de ratazanas fantasiadas de baianas do acarajé de posam como farsantes intelectuais da miséria de uma África Subsaariana saqueada, empobrecida, abandonada e padece com infinitas guerras locais fratricidas!

Viva o reino da perversão de um mundo onde bilionários, sem a intermediação de vassalos fascistas e neoliberais obedientes ao dispor deles, tomam o poder com as próprias mãos e destroçam a vida do oceano de atordoados úteis e inúteis diante o moinho satânico do capitalismo!

Viva a dispersão de vermes mutantes do fascismo que escoam para fora do esgoto! Uma malta de sociopatas sedentos por ódio cego e sangue inocente se apresentando na esfera pública, fartamente bancada pelo Grande Capital, fingindo estar à serviço da honra estrupada dos trabalhadores desalentados!

Viva uma apodrecida Esquerda partidária, inútil e eleitoreira que perdeu o bonde descarrilhado da História e foi sequestrada por parasitas narcisistas e rastejantes jagunços oportunistas de plantão.

Trabalhar, trabalhar, trabalhar e, depois, virá o inevitável descarte! No frio do inverno ou derreter como banha de porco na frigideira dos tormentos climáticos. Tudo por um salário de miséria e, ainda, tem uma malta fascista das falsas identidades que azucrina o otário trabalhador para fazê-lo acreditar que tudo se reduz a um problema de preconceito sexual, gênero, racial ou xenófobo!

Alegria só é válida com vida correndo nas veias daqueles que trabalham, lutam pela sobrevivência e dignificam o sentido humanidade. Basta de alegria tola e gratuita!

Quem não bebe da fonte desértica de esperança deverá se embriagar de indignação! Toda mobilização por mudança pressupõe como matéria-prima a indignação.

Não há outra alternativa! Só uma indignação combativa, coletiva, organizada, solitária e estratégica poderá canalizar alguns lampejos de mudanças sociais diante de um mundo que impõe a miséria da alegria conformista como obrigação.

Na história processual das civilizações, jamais a alegria alienada se convergiu em mudança concreta! Pior ainda, para qualquer mobilização, é na frustrante alegria melancólica da quarta-feira de cinzas se encontra o pior dos inimigos subjetivos.

Aceitar as injustiças é compactuar com suas perversões. Em um sistema onde o acúmulo de riquezas é para satisfazer excentricidades de um punhado de perversos espertalhões, tudo se destina à cômoda mesmice.

Padecemos de um conformismo naturalizado que corrói nossas vísceras e a nossa capacidade de enxergar a realidade. Uma orgia da ignorância sistêmica que faz acreditar que tudo é aceitável, inevitável e adaptável: do nascer ao sepultamento. Entre os dois extremos, é aprendido à fórceps, que todos que sustentam uma lucidez alegre e comedida devem se equilibrar diante do sofrimento, suor, sangue e migalhas sazonais de alegria.

Assim, entre a alegria do delírio e a alegria da lobotomia, aceitaremos passivamente uma vida sem sentido e de vil sofrimento para dar todo o conforto possível para a classe capitalista usurpadora e parasitas que sempre explorou da força de trabalho sem uma gota de piedade.

Enfim, é inevitável para todos que desejam uma vida saudável com justiça socioeconômica e consciente: sem indignação não poderá existir liberdade!

(Wellington Fontes Menezes)

sábado, 1 de março de 2025

A VEZ DO LUMPEN-INTELECTUALISMO NO CULTO AO "PERIFERISMO"


 

A mediocridade e a irrelevância social e política na qual a universidade se revelam quando deixa de cumprir o seu central papel humanitário, civilizatório e técnico-científico para se preocupar com as ondas voláteis e demagógicas do populismo em busca de autoafirmação e seletivas claques instantâneas.

Somente em tempos de refluxo cognitivo identitário, patrocinado pelo neoliberalismo, que os arautos da playboyzada periférica se transformam em virtuosos "intelectuais públicos", cujo grande mérito é falar sobre o próprio umbigo narcísico, projetar uma idealização de ostentação do consumismo, fazer careta de "homem mau" e destilar a inveja ressentida pela playboyzada rica "de fato".

Tal estratégia não é aleatória e carrega consigo a fantasia reacionária, rasteira e demagógica a qual a universidade se "aproximaria do povo" premiando o rebotalho da cultura do gueto. Segundo esta lógica, ao produzir uma imagem de "popularesca servidora", a universidade se tornaria "útil à sociedade". Seria este papel de animador de velório o fulcral destino manifesto da universidade, em particular, a universidade pública?

A mesma lógica se integra na demagogia da política neoliberal do cotismo que auxiliou na fragmentação da cidadania e contribuiu para fabricar toscos ressentimentos, alienação sobre a história nacional, alimentar a onda fascista de supremacismos raciais e impulsionar os oportunistas do alpinismo social.

O "fetiche da periferia" é um sintoma do declínio político-cultural do pensamento progressista no Ocidente que ficou órfão, após a queda do Muro de Berlim, cujas ideologias de mudança social em macro-escala se transformaram em errantes distopias reacionárias, narcísicas e culturalistas.

Com a globalização do neoliberalismo, o Ocidente mergulhou em uma viagem sem volta e sem um novo horizonte que não seja a própria decadência de um tempo histórico.

Diante deste paradigma civilizatório, os mentecaptos da Escola Austríaca foram reabilitados e revigorados (em destaque, Mises e Hayek) e plasmados naquilo que se transformou na macroestrutura ideológica  ultra-capitalista do neoliberalismo.

No Brasil, o processo é muito similar: uma sedução pela bricolagem estética culturalizante e pela aclamação dos desvios daqueles que usam os interesses pessoais como projeção do mote do "vítimismo da sociedade".

Ao premiar arautos do neoliberalismo com a centelha do "periferismo", a universidade faz um duplo jogo perdido: se rende à um retorno da estética Kitsch, ou seja, da cafonice fantasiada de modernidade e acena para alimentar a ideologia neoliberal que cria seus falsos "heróis" (ou seja, os ditos "heróis silenciados" que os arautos identitários adoram alardear aos quatro ventos).

Tais heróis paridos a partir da fantasia de uma suposta e idílica "história esquecida", mas, conforme a cartilha neoliberal com viés da "ideologia woke", são personas pró-ativas, oriundas de uma ancestralidade perdida e, sob a cena principal, são imagéticos empreendedores do próprio Ego.

A premiação de "representantes culturalistas" diz mais sobre a penumbra do tempo histórico o qual sobrevivemos com olhos cerrados e menos sobre a questionável qualidade dos premiados.

(Wellington Fontes Menezes)

 

PARA SABER MAIS: https://www.metropoles.com/sao-paulo/racionais-mcs-doutor-honoris-causa-unicamp

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

A NOVA DESORDEM MUNDIAL



O histórico bate-boca ao vivo entre Trump e Zelensky, na Casa Branca, deixou claro que a ordem mundial azedou de vez! 

Trump afundou a OTAN e, por consequência, vai abandonar a Europa à sua própria sorte. Fato nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial. 

Não há mais organizações mundiais resistentes. A ONU se tornou obsoleta e a tendência serão os acordos diretos entre as nações, como era antes da Primeira Guerra Mundial.  

Trump, Putin e Zelensky. Três canalhas sociopatas loucos para jogar o mundo em uma carnificina Terceira Guerra Mundial.

O mundo se torna cada vez mais caótico e perigoso, onde cada um por si lutará com unhas e dentes por seus próprios interesses. 

Um show de retrocessos que só alimenta a insanidade da guerra e a barbárie. Que pesadelo!


(Wellington Fontes Menezes)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

LULA, O GRANDE ULTRA-LIBERAL

 
Lula dando posse a Galípolo, o novo presidente do Banco Central (01/01/2025).

É, absolutamente, inacreditável, que até há pouco tempo, não havia qualquer partido, puxadinho ou figura política que se dizia de "Esquerda" com uma cara-de-pau suficiente para defender a famigerada "independência do Banco Central". Somente nas cabeças mais delirantes do neoliberalismo a la Escola Austríaca, isto seria possível de dizer publicamente, sem receio de parecer, em demasia, patético ou serviçal.

O mito do "Banco Central independente" significa toda a economia real nas mãos dos grandes banqueiros. Desta forma o Banco Central se reduziria a uma espécie de sucursal dos interesses financeiros privados em detrimento dos interesses públicos.

Pois bem, a realidade perverte qualquer fantasia e, temos, Lula, o suposto "líder" das Esquerdas, fazendo juras de amor ao parasitário capitalismo financeiro brasileiro e prometendo que o Banco Central continuará a ser totalmente "independente". Quem ainda se surpreende com o velho devoto do sindicalismo de resultados?

Lula é a prova viva, tagarelante e atuante da falência da Esquerda brasileira, sem nenhum projeto político, sem uma gota de vergonha na cara e fazendo todos os mimos da fracassada "conciliação de classes", cujo objetivo é atender os milimétricos desejos da perversa burguesia brasileira.

Enquanto a militância de Esquerda faz claque para Lula e fica fiscalizando a fantasia obsessivamente neurótica dos preconceitos sexistas e "racismos coloniais", o país afunda em um estágio de total submissão ao capital, cujo objetivo é enfraquecer o Estado e a entrega passiva da direção da política econômica ao Grande Capital.

O Brasil não carece sequer de uma Extrema Direita ejaculando a cartilha de Mises e Hayek, basta ter no poder nominal uma Esquerda demagógica, covarde e submissa que adote, sem ressentimentos, todo o receituário ultra-liberal.

 (Wellington Fontes Menezes)


👉 PARA SABER MAIShttps://www.youtube.com/watch?v=y4iIKktw7Qk 

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

TRUMP NÃO FOI UM (NOVO) ACIDENTE DA HISTÓRIA. FOI UMA ESCOLHA!

 


Quase todas as tentativas de explicação que surgem do campo de uma Esquerda, magnetizada pelo identitarismo, é de uma infantilidade atroz, quando se debruça sobre o fenômeno Donald Trump e do crescimento e popularização da Extrema Direita.

O maior equívoco é querer entender ou enquadrar o fenômeno Donald Trump ou, no caso de Pindorama, Jair Bolsonaro, como tragédias pontuais ou "acidentes históricos". Essas figuras nefastas representam muito mais elementos de continuidade e aprofundamento da agenda neoliberal do que pontos erráticos de inflexões ou ruptura no curso da mobilidade do capital.

Sem uma preocupação analítica, minimamente metodológica, essa Esquerda pós-moderna, anti-marxista, anti-intelectual e neoliberal trata este tema como fosse um mero problema de "moralidade binária raciológica": empoderadas "minorias" boas contra os racistas homens brancos maus.

Em uma guinda histórica, a Esquerda abandonou os trabalhadores e a luta de classes. Por sua vez, permitiu que a classe trabalhadora e os precarizados, órfãos políticos em tempos de devastação neoliberal, caírem nos braços da Extrema Direita.

Um fator que merece um grande destaque e motivo de ampla preocupação: a Extrema Direita se popularizou e consegue, atualmente ganhar as ruas em movimentos organizados. Do outro lado, esta mesma Esquerda que só pensa em guetos narcísicos, está recheada de inócuos artifícios: acusar de "racista" qualquer um que conteste sua teologia "antirracista"; uso da autoritária "cultura do cancelamento"; querer impor uma "língua neutra"; pregar o cotismo e o empreendedorismo como demagógicas "alternativas" ao desemprego estrutural e romancear supostas "minorias" sem nenhuma relevância populacional e dinâmica social. Todavia, nada que não seja dicotômico serve para esta Esquerda!

 


As urnas estadunidenses deram um sonoro repúdio contra a ideologia "woke", encarnada na candidatura de Kamala Harris. Aparentemente, na eleição estadunidense, mostrou-se um esgotamento das pautas identitárias conduzidas pelo Partido Democrata de Joe Biden e Kamala Harris. Sendo assim, fomentar a "guerra cultural" se tornou a obsessão narcísica da "nova" Esquerda, sitiada pelas neuroses de uma classe média descolada e pseudo-progressista.

A crise estrutural do capital gerou desemprego estrutural, desesperança e medo do futuro. O medo, a incerteza e a insegurança são as dores latentes que os trabalhadores convivem diariamente. Os trabalhadores assalariados não se sentem seguros e, o trator neoliberal está solapando todos os direitos (ainda sobreviventes!) dos trabalhadores. Contudo, nos Estados Unidos, Trump soube transformar todo este lamaçal existencial em votos!

No Brasil, a Esquerda perdeu o foco do sentido de sua existência. Quando oportunistas medíocres e irrelevantes como, por exemplo, Krenak, Evaristo Lacração, Sueli Carneiro, Djamila Ribeiro e Itamar Vieira, entre outros, são alçados na condução de "porta-vozes" da Esquerda, é um sintoma que ela atingiu o colapso ideológico e sucumbiu ao irracionalismo político.

Trump nos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil não foram meros "acidentes históricos", mas monstros excretados pela cloaca das condições históricas de um capitalismo cada vez mais selvagem e avassalador.

Os conceitos de Esquerda e Direita, hoje, na prática, só servem como referência de sinais de trânsito. O campo econômico se traduz na hegemonia da agenda neoliberal e, sob tal premissa, tanto a Esquerda quanto a Direta se convertem em fiéis súditos. Ambas operam em prol da financeirização do capital e do lucro estratosférico dos rentistas. 

Tanto Trump ou Biden/Kamala, quando Bolsonaro ou Lula, jamais foram "contra o sistema". Pelo contrário, foram hábeis gerentes do capitalismo predatório a tal ponto que tanto Bolsonaro quando Lula são, amplamente, favoráveis que o Estado se mantenha com a independência do Banco Central. Cumpriu-se, portanto, a premissa de Hayek e Mises, dois grandes vultos neoclássicos do ultraliberalismo que recomendavam separar a Economia capitalista das decisões "intempestivas" da Políticas.

A agenda dos costumes se tornou o novo cabresto da Esquerda que é incapaz de sair da sedutora e traiçoeira armadilha das identidades. Kamala e Trump são faces da mesma moeda. Bolsonaro e Lula também. A retórica do falso dilema entre bons mocinhos e maus vilões apenas serve de entretenimento para uma plateia de ignorantes, desalentados, desesperados e famintos.

Sem romper com a lógica neoliberal, os Trump, Kamala, Bolsonaro e Lula da vida seguiram intactos ocupando os espaços de poder, gerenciando a exploração dos trabalhadores e destruindo a sociabilidade humana civilizatória.

(Wellington Fontes Menezes)

O GRANDE CAPITAL E AS FORMAS MERCADOLÓGICAS DE MANIPULAÇÃO DA INFORMAÇÃO

  1.       UM MUNDO NUMA ESTRANHA METAMORFOSE   Na tarde desta terça-feira, 11 de março, coordenei de forma remota o PAINEL “Gestão da i...