quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Momento mundo-cão: assalto da saidinha de banco


Muito cuidado nas saídas de bancos e caixas-eletrônicos devido aos constantes assaltos da pequena parcela da delinquência da juventude-ostentação que adora ostentar bens materiais com o dinheiro alheiro. Nada mais fascinante para um otário-pobre do que e imaginar sendo um otário-rico e, cada vez mais raro é o assalto por motivos famélicos para este tipo de modalidade do crime. O resto é mais uma sinfonia desafinada do discurso da inesgotável violência cotidiana brasileira.
Uma amiga foi assaltada ontem na saída de um banco na região da Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Ela sacou dinheiro do caixa eletrônico de uma agência do Bradesco. Ao sair do recinto, por volta das 16 horas (ou seja, em pleno entardecer do horário de verão!) e foi abordada por dois jovens que levaram dinheiro e o celular dela. Ou seja, é o típico assalto da "saidinha de banco".
O capitalismo a todo o momento invoca o desejo da perversão consumista e cria na mente do pobre-diabo sem um tostão furado no bolso a ideia fascinante de que a tal "vida loka", referenciada pelos medíocres ícones-pops do lumpemproletariado, é a saída para sua situação de desejo burguês. Como disse certa vez um dos meus ociosos alunos-turistas do ensino médio da escola pública do Estado: "melhor viver pouco e bem do que viver muito e fudido". Seria ele mais um filósofo" da marginalidade tão cultuado pelo culturalistas burgueses de plantão? Naturalmente, o que um professor trabalha ao longo de meses em sala de aula com seu aluno (na educação pública básica, nos limites da precarização) é destruído em segundos pelo sensacionalismo consumista exibido à exaustão em todas as mídia possíveis. A questão é complexa e vai além dos limites destas poucas linhas aqui.
De fato, o que temos é uma sociedade que aceita o ilícito como virtude e faz apologia ao consumismo patológico. Para quem dispõem de recursos financeiros, poderá consumir até se enfartar em qualquer quitanda de esquina. Para quem não tem tais recursos, tem duas opções de prontidão: escraviza-se no trabalho para se tornar um escravo do consumismo ou, simplesmente, optar pela "vida loka". Tal como enxugar gelo no deserto, o resultado não acaba bem para o primeiro caso e, pior ainda, para o segundo. Socialmente, a tragédia cotidiana é registrada os inúmeros assaltos, violências e assassinatos dentro ou fora das estatísticas oficiais.
A barbárie cotidiana se transformou em elemento intrínseco da miséria humana cotidiana e na banalização da perversão e violência como extrato normativo das relações da servidão para o capital.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Safatle: A face da pseudo-esquerda ilustrada acadêmica

Em artigo nesta sexta-feira , o professor Vladimir Safatle, ligado ao PSOL, mostrou, mais uma vez, todo o mau-caratismo que lhe é muito...