Três figuras amorfas que passariam despercebidas em
qualquer insossa festa de criança realizada em um buffet com atendimento
pré-fabricado, mas que somente a astúcia do oportunismo poderia transformar em
"musas inspiradoras" de seus respectivos segmentos, séquitos,
bajuladores e zumbis das redes sociais.
O que há em comum entre as três figuras é o industrial
senso de oportunismo que o desejado elevador da engessada mobilidade
capitalista permite aos vitoriosos lumpens das franjas sociais. Temos duas
mulheres de meia-idade casadas com velhos políticos que ocuparam e ocupam a
Presidência do país e, para fechar a tríade, uma outrora desconhecida e insípida
alpinista social que surfou, habilmente, na atual onda do lobby da
"transfobia" e sagrou-se porta-voz de uma causa da qual ela própria
se beneficia.
Ambas as esposas são produtos do velho e bem conhecido
mecanismo de ascensão social meteórica por meio dos laços matrimoniais do
patrimonialismo patriarcal. Todavia, cada uma, a seu modo particular, adora
criticar o mesmo mecanismo que deu vida ao seu "protagonismo"
midiático, mas degusta suas majestosas e incessantes benesses, sorvendo cada
gota de suas iguarias. A outra percebeu os frutos deliciosos que somente o
parasitismo político demagógico poderia oferecer ao ego e à conta bancária.
O destacado trio de figuras que ocupa parte do teatro
das pautas da miséria política brasileira nutriu-se da exploração de um suposto
e explorado imaginário: o "preconceito estrutural". Segundo tal lenda
da decolonialidade colonizada pelo identitarismo estadunidense, haveria uma
mácula na formação de Pindorama, penetrando na sociedade brasileira desde os
tempos das caravelas portuguesas, e que existiria até os dias atuais, tão
rígida quanto as rochas que constituíram os sedimentos do solo brasuca.
Diante desse pressuposto atávico de deterioração moral à
brasileira, o trio é vendido como divindades virginais e pastoris de um novo
modelo de puritanismo moral que busca apresentar-se como a neófita carapuça da
moralidade social.
Curiosamente, o trio critica o mesmo modelo
sociocomportamental que catapultou suas vidas das trevas da irrelevância
obscurecida pelo anonimato para os generosos holofotes narcísicos das grandes
"gênias" da política e da cultura de Pindorama.
Nada é mais hipócrita do que a política calcada no
moralismo puritano, seja o conservador, seja o progressista reacionário. Ambos
os campos trevosos operam com uma teologia própria, porém aproveitam-se do
sensacionalismo barato e da estupidez típica das massas de uma sociedade
aturdida e pasteurizada pela lobotomia do capital.
A doutrina neoliberal trouxe consigo sua reacionária
agenda ideológica e sua perversa artilharia culturalista de um fascismo que se
apresenta como promessa de ser dócil, justo, democrático e pautado na farsa da
cândida "diversidade", mas que carrega consigo a podridão de um
autoritarismo tão nefasto quanto inquisitorial.
(Wellington Fontes Menezes)
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