sábado, 4 de julho de 2026

O GRANDE SERPENTÁRIO BRASILEIRO: O FASCISMO CULTURALISTA NEOLIBERAL COM SEMBLANTE DE MULHER

 

Érica Hilton, Janja e Michelle Bolsonaro. Três irmãs siamesas a serviço do neoliberalismo. São três exemplos de miséria política que surfam na fabricada onda identitária que graceja na sarjeta apodrecida do pensamento social vulgar de um Brasil no limbo do século XXI.

Três figuras amorfas que passariam despercebidas em qualquer insossa festa de criança realizada em um buffet com atendimento pré-fabricado, mas que somente a astúcia do oportunismo poderia transformar em "musas inspiradoras" de seus respectivos segmentos, séquitos, bajuladores e zumbis das redes sociais.

O que há em comum entre as três figuras é o industrial senso de oportunismo que o desejado elevador da engessada mobilidade capitalista permite aos vitoriosos lumpens das franjas sociais. Temos duas mulheres de meia-idade casadas com velhos políticos que ocuparam e ocupam a Presidência do país e, para fechar a tríade, uma outrora desconhecida e insípida alpinista social que surfou, habilmente, na atual onda do lobby da "transfobia" e sagrou-se porta-voz de uma causa da qual ela própria se beneficia.

Ambas as esposas são produtos do velho e bem conhecido mecanismo de ascensão social meteórica por meio dos laços matrimoniais do patrimonialismo patriarcal. Todavia, cada uma, a seu modo particular, adora criticar o mesmo mecanismo que deu vida ao seu "protagonismo" midiático, mas degusta suas majestosas e incessantes benesses, sorvendo cada gota de suas iguarias. A outra percebeu os frutos deliciosos que somente o parasitismo político demagógico poderia oferecer ao ego e à conta bancária.

O destacado trio de figuras que ocupa parte do teatro das pautas da miséria política brasileira nutriu-se da exploração de um suposto e explorado imaginário: o "preconceito estrutural". Segundo tal lenda da decolonialidade colonizada pelo identitarismo estadunidense, haveria uma mácula na formação de Pindorama, penetrando na sociedade brasileira desde os tempos das caravelas portuguesas, e que existiria até os dias atuais, tão rígida quanto as rochas que constituíram os sedimentos do solo brasuca.

Diante desse pressuposto atávico de deterioração moral à brasileira, o trio é vendido como divindades virginais e pastoris de um novo modelo de puritanismo moral que busca apresentar-se como a neófita carapuça da moralidade social.

Curiosamente, o trio critica o mesmo modelo sociocomportamental que catapultou suas vidas das trevas da irrelevância obscurecida pelo anonimato para os generosos holofotes narcísicos das grandes "gênias" da política e da cultura de Pindorama.

Nada é mais hipócrita do que a política calcada no moralismo puritano, seja o conservador, seja o progressista reacionário. Ambos os campos trevosos operam com uma teologia própria, porém aproveitam-se do sensacionalismo barato e da estupidez típica das massas de uma sociedade aturdida e pasteurizada pela lobotomia do capital.

A doutrina neoliberal trouxe consigo sua reacionária agenda ideológica e sua perversa artilharia culturalista de um fascismo que se apresenta como promessa de ser dócil, justo, democrático e pautado na farsa da cândida "diversidade", mas que carrega consigo a podridão de um autoritarismo tão nefasto quanto inquisitorial.

(Wellington Fontes Menezes)

 

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