O
identitarismo é a ideologia culturalista do neoliberalismo. Utiliza-se da
sensacionalista, desonesta e chorosa vitimização como arma sedutora para posar
e impor um falso puritanismo reacionário, catequético e persecutório.
Como uma
face mais profissional do fascismo contemporâneo, o identitarismo atua por meio
de uma ampla rede de arautos performáticos, colaboradores profissionais e
amadores, partidos políticos, empresas privadas fantasiadas de ONGs e
desavisados úteis, funcionando como um motor contínuo para acuar, insultar,
constranger, humilhar, ameaçar e extorquir qualquer opositor que ouse
questionar suas alucinações pseudopolitizadas e parasitárias.
A maior
especialidade operacional do identitarismo é utilizar-se do lobby político para
chantagear o Estado e impor e implementar um cabedal de políticas neoliberais
pseudoprogressistas, tais como: o cotismo (ou seja, a destruição da isonomia e
da igualdade entre os cidadãos); a prática da segregação social, com o uso
exacerbado de fantoches narcísicos e a conveniente superexploração do
"preconceito" (a performática onipresença do "racismo"
constitui sua principal catapulta e arapuca sedutora); e a falsificação da
História e a deturpação da realidade como mote para uma justificativa histriônica
da extorsão político-midiática.
O
identitarismo é o grande e sedutor fascismo pós-moderno que embala corações
perversos e mentes desorientadas. Assim como a extrema direita, o identitarismo
também é financiado pelo grande capital e por mecenas bilionários. Um verdadeiro
jorro de dinheiro, não apenas oriundo do capital privado, mas também captado
por meio de políticas estatais, financia grupos identitários por intermédio do
lobby político.
No Brasil
dos anos petistas, o serpentário do identitarismo brotou, alimentou-se, cresceu
e se constituiu, inclusive, em ministérios estatais que se transformaram em
verdadeiros cabos de tração da ideologia identitária na sociedade, algo visto
apenas em períodos de ferrenhas ditaduras.
Em suas
raízes mais profundas, a ideologia identitária ganhou força no Brasil a partir
da implementação do modelo neoliberal, em particular após os anos 2000. Suas
políticas de segregação social — uma nefasta tentativa de introduzir um
simbólico e teatral "apartheid" à brasileira — e a irradiação
visceral da cartilha neoliberal vêm sendo operacionalizadas pelo Estado,
independentemente da orientação ideológica dos governos que assumem o poder,
seja o bolsonarismo em São Paulo, seja o petismo no Governo Federal.
Apesar da
retórica empolada entre o conservadorismo da extrema direita e o falso
progressismo do identitarismo, em ambos os campos ideológicos não existem
diferenças práticas. Enquanto a extrema direita encontra-se mais concentrada no
campo da direita, o identitarismo é uma ideologia parasitária e descentralizada
que pode atuar tanto como um cavalo de Troia no campo das esquerdas quanto como
um braço político de grupos da extrema direita, como o partido Alternativa para
a Alemanha (AfD), na Alemanha.
Todavia,
as diferenças particulares entre a extrema direita e o identitarismo
encontram-se no campo operacional. A primeira busca alcançar e agarrar-se ao
poder por meio da corrosão de democracias fragilizadas; o segundo objetiva
parasitar e galgar espaços estratégicos nas entranhas dos aparelhos estatais e
privados.
Ambos os
campos ideológicos, a serviço do grande capital, seus verdadeiros mentores e
patrocinadores, operam de forma harmônica e coexistem, fantasiando-se sob uma
falsa polarização para formar uma camarilha de apoiadores políticos e
financeiros.
Quem não
compreende — ou insiste em ignorar — a face devastadora do identitarismo será
consumido por suas entranhas, além de poder tornar-se um servo útil e
subserviente aos interesses do grande capital, seja de modo involuntário, seja
por um espontaneísmo perverso.
(Wellington Fontes Menezes)
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