terça-feira, 14 de julho de 2026

O IDENTITARISMO E A EXTREMA DIREITA: OS MONSTROS SIAMESES

 


O identitarismo é a ideologia culturalista do neoliberalismo. Utiliza-se da sensacionalista, desonesta e chorosa vitimização como arma sedutora para posar e impor um falso puritanismo reacionário, catequético e persecutório.

Como uma face mais profissional do fascismo contemporâneo, o identitarismo atua por meio de uma ampla rede de arautos performáticos, colaboradores profissionais e amadores, partidos políticos, empresas privadas fantasiadas de ONGs e desavisados úteis, funcionando como um motor contínuo para acuar, insultar, constranger, humilhar, ameaçar e extorquir qualquer opositor que ouse questionar suas alucinações pseudopolitizadas e parasitárias.

A maior especialidade operacional do identitarismo é utilizar-se do lobby político para chantagear o Estado e impor e implementar um cabedal de políticas neoliberais pseudoprogressistas, tais como: o cotismo (ou seja, a destruição da isonomia e da igualdade entre os cidadãos); a prática da segregação social, com o uso exacerbado de fantoches narcísicos e a conveniente superexploração do "preconceito" (a performática onipresença do "racismo" constitui sua principal catapulta e arapuca sedutora); e a falsificação da História e a deturpação da realidade como mote para uma justificativa histriônica da extorsão político-midiática.

O identitarismo é o grande e sedutor fascismo pós-moderno que embala corações perversos e mentes desorientadas. Assim como a extrema direita, o identitarismo também é financiado pelo grande capital e por mecenas bilionários. Um verdadeiro jorro de dinheiro, não apenas oriundo do capital privado, mas também captado por meio de políticas estatais, financia grupos identitários por intermédio do lobby político.

No Brasil dos anos petistas, o serpentário do identitarismo brotou, alimentou-se, cresceu e se constituiu, inclusive, em ministérios estatais que se transformaram em verdadeiros cabos de tração da ideologia identitária na sociedade, algo visto apenas em períodos de ferrenhas ditaduras.

Em suas raízes mais profundas, a ideologia identitária ganhou força no Brasil a partir da implementação do modelo neoliberal, em particular após os anos 2000. Suas políticas de segregação social — uma nefasta tentativa de introduzir um simbólico e teatral "apartheid" à brasileira — e a irradiação visceral da cartilha neoliberal vêm sendo operacionalizadas pelo Estado, independentemente da orientação ideológica dos governos que assumem o poder, seja o bolsonarismo em São Paulo, seja o petismo no Governo Federal.

Apesar da retórica empolada entre o conservadorismo da extrema direita e o falso progressismo do identitarismo, em ambos os campos ideológicos não existem diferenças práticas. Enquanto a extrema direita encontra-se mais concentrada no campo da direita, o identitarismo é uma ideologia parasitária e descentralizada que pode atuar tanto como um cavalo de Troia no campo das esquerdas quanto como um braço político de grupos da extrema direita, como o partido Alternativa para a Alemanha (AfD), na Alemanha.

Todavia, as diferenças particulares entre a extrema direita e o identitarismo encontram-se no campo operacional. A primeira busca alcançar e agarrar-se ao poder por meio da corrosão de democracias fragilizadas; o segundo objetiva parasitar e galgar espaços estratégicos nas entranhas dos aparelhos estatais e privados.

Ambos os campos ideológicos, a serviço do grande capital, seus verdadeiros mentores e patrocinadores, operam de forma harmônica e coexistem, fantasiando-se sob uma falsa polarização para formar uma camarilha de apoiadores políticos e financeiros.

Quem não compreende — ou insiste em ignorar — a face devastadora do identitarismo será consumido por suas entranhas, além de poder tornar-se um servo útil e subserviente aos interesses do grande capital, seja de modo involuntário, seja por um espontaneísmo perverso.

(Wellington Fontes Menezes)


👉 PARA SABER MAIS: 

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/janja-presta-solidariedade-a-michelle-e-damares-apos-ataques-nao-pode-soltar-a-mao-nao-importa-qual-campo-ideologico.ghtml

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