sábado, 4 de julho de 2026

PARASITANDO O JUDICIÁRIO

 

O bolsonarismo da extrema direita que governa Mato Grosso estabeleceu um casamento ideológico com o fascismo identitário para promover a teologia da nova eugenia dos trópicos e difundir a farsa do chamado "racismo estrutural".

O ápice da arrogância do fascismo racialista consiste em apresentar-se como paradigma de superioridade moral, convertendo a ideologia neoliberal em um suposto "letramento racial". Trata-se, em última análise, de um ritual de submissão simbólica, segundo o qual todos — leia-se: os "brancos" — deveriam curvar-se diante dos autoproclamados herdeiros de divindades ancestrais e de uma África mítica, idealizada e imaculada, construída para seduzir os ingênuos e favorecer os oportunistas de ocasião.

A convergência entre bolsonaristas e identitários possui um propósito evidente: parasitar, deformar e ideologizar o já combalido aparelhamento jurídico brasileiro. Soma-se a isso um permanente espetáculo retórico destinado a convencer a sociedade de que todos os problemas sociais decorreriam de um suposto "preconceito raciológico", como se uma construção dessa natureza possuísse qualquer fundamento científico ou pudesse resistir ao mais elementar exame racional.

Os arautos da militância identitária procuram conferir legitimidade a um amplo mecanismo assistencialista que, na perspectiva aqui defendida, afronta princípios constitucionais ao instituir e naturalizar uma nova categoria de privilégios baseada em critérios racialistas. Para isso, recorrem às doutrinas da ideologia woke estadunidense e às narrativas vitimistas do romanceiro colonialista, configurando aquilo que se poderia descrever como uma forma tropicalizada de neossionismo político no século XXI.

O resultado é um espetáculo dantesco que reúne oportunismo, charlatanismo, anticientificismo, anti-intelectualismo, negacionismo sistemático e ataques dirigidos ao marxismo — reduzido, de forma caricatural, à condição de "coisa de homem branco" —, bem como às formulações racionalistas que historicamente fundamentaram diferentes concepções progressistas de mundo.

(Wellington Fontes Menezes)


👉 PARA SABER MAIS: https://www.tjmt.jus.br/noticias/2026/6/curso-sobre-letramento-racial-promove-equidade-no-ambiente-institucional-pj

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