O ápice
da arrogância do fascismo racialista consiste em apresentar-se como paradigma
de superioridade moral, convertendo a ideologia neoliberal em um suposto
"letramento racial". Trata-se, em última análise, de um ritual de
submissão simbólica, segundo o qual todos — leia-se: os "brancos" —
deveriam curvar-se diante dos autoproclamados herdeiros de divindades
ancestrais e de uma África mítica, idealizada e imaculada, construída para
seduzir os ingênuos e favorecer os oportunistas de ocasião.
A
convergência entre bolsonaristas e identitários possui um propósito evidente:
parasitar, deformar e ideologizar o já combalido aparelhamento jurídico
brasileiro. Soma-se a isso um permanente espetáculo retórico destinado a
convencer a sociedade de que todos os problemas sociais decorreriam de um
suposto "preconceito raciológico", como se uma construção dessa natureza
possuísse qualquer fundamento científico ou pudesse resistir ao mais elementar
exame racional.
Os
arautos da militância identitária procuram conferir legitimidade a um amplo
mecanismo assistencialista que, na perspectiva aqui defendida, afronta princípios
constitucionais ao instituir e naturalizar uma nova categoria de privilégios
baseada em critérios racialistas. Para isso, recorrem às doutrinas da ideologia
woke estadunidense e às narrativas vitimistas do romanceiro
colonialista, configurando aquilo que se poderia descrever como uma forma
tropicalizada de neossionismo político no século XXI.
O
resultado é um espetáculo dantesco que reúne oportunismo, charlatanismo,
anticientificismo, anti-intelectualismo, negacionismo sistemático e ataques
dirigidos ao marxismo — reduzido, de forma caricatural, à condição de
"coisa de homem branco" —, bem como às formulações racionalistas que
historicamente fundamentaram diferentes concepções progressistas de mundo.
(Wellington
Fontes Menezes)
👉 PARA SABER MAIS: https://www.tjmt.jus.br/noticias/2026/6/curso-sobre-letramento-racial-promove-equidade-no-ambiente-institucional-pj
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