Na reportagem do Zero Hora, veículo de
comunicação do Rio Grande do Sul, apresenta-se uma entrevista com mais uma
fanática catequética, doutrinadora da Santíssima Trindade da lacração do
fascismo identitário.
Todavia, quem não fica atento a matérias jornalísticas
sensacionalistas como esta acaba comprando gato por lebre e engolindo sapo
pensando que é caviar. O uso da palavra "Matemática",
explicitamente em destaque, serve apenas para atrair o leitor no título da
reportagem. Quem lê logo imagina que se trata de uma artista dos números,
munida de uma varinha de condão que magnetizou todos os seus aluninhos com os
"místicos saberes" da Matemática. Pois é, mas não há nada desse
romantismo abobalhado escolar!
O foco da catequese da presente missionária, fantasiada
de "professora", é a "menstruação das alunas" e o debate
sobre os infinitos gêneros. Claro, como até as pedras da Pangeia sabem, tal
doutrina é a base fundamental da Aritmética!
Para quem não se lembra, a "Escola sem
Partido", um movimento de extrema direita que tinha tara por perseguir
professores nas escolas e buscava impor um desnorteante "currículo
conservador" (seja lá o que significa tal bordão), jamais chegou nem perto
do preocupante estrago que guetos reacionários e fanatizados, fantasiados como
se fossem a última bolacha do pacote do "progressismo" e embriagados
de fascismo identitário, vêm causando em todos os níveis da Educação. Tal
panfletagem ideológica representa mais um processo de conversão ideológica
cognitivo-degenerativa ao qual muitos aderem por ignorância, modismo ou mero
oportunismo de autointeresse.
Vale lembrar que o identitarismo é um sedutor cavalo de
Troia que foi parido a partir da delirante "esquerda" estadunidense
(aquela gororoba ideológica pretensiosa que finge ser
"anticapitalista"), contaminou uma senil Esquerda Ocidental, órfã de
um projeto de mundo após a queda do Muro de Berlim, e hoje constitui o
principal braço político-ideológico do neoliberalismo, com jeitinho de virgem
de meretrício, que muitos oportunistas e desavisados querem amar e cortejar
dentro das esferas políticas e sociais devido aos seus supostos poderes
ancestrais do "politicamente correto".
Nessa delirante catequese identitária, todos os
problemas do universo se resumem à tríade fatalista e reducionista: gênero,
raça e sexo. Trata-se da tentativa de impor uma idiotização social por meio de
um debiloide culturalismo tão inútil quanto estéril, que resulta em uma guerra
cultural comportamentalista de todos contra todos, enquanto os donos e
operadores do grande capital assistem do camarote e gargalham de orelha a
orelha.
O momento político é dantesco, e temos um cenário em que
qualquer medíocre e estúpida vulgata ideológica do capital não encontra nenhuma
barreira factível, impondo-se como pensamento único e hegemônico no Ocidente.
(Wellington Fontes Menezes)