domingo, 13 de junho de 2021

A URGÊNCIA DE UMA VACINA PARA A DOENÇA DO MILITARISMO GOLPISTA NO BRASIL

 


O golpismo é a espinha dorsal do parasitismo jagunço militar brasileiro. Os militares nunca deixaram de apoiar Bolsonaro e seguirão à frente do poder somente para fazer o que melhor entendem: ocupar cargos, parasitar verbas, propagar a ideologia jagunça de Jeca Tatu e retroceder o país.

Lembrar que sobrevivemos diante de um governo civil com militares nos principais cargos no Governo Federal. Todo o desastre genocida da pandemia foi responsabilidade direta de militares parasitando o primeiro escalão do Ministério da Saúde, incluindo até mesmo um patético general que nunca soube fazer um curativo, no cargo de ministro! 

Nos comezinhos da República do genocídio, temos um desgoverno militar sem levantar baionetas na gestão da barbárie de Bolsonaro. Foi construído o "mito" do patriotismo e eficiência dos militares. Tudo não passou de apenas um mero mito tão mentiroso quanto às mentiras jorradas na boca de Bolsonaro.  Um exemplo da falta de escrúpulos do militarismo brasileiro foi, em pleno cataclismo pandêmico, os ociosos hospitais militares se recusarem a atender pacientes civis, diante de filas quilométricas em busca de socorro nos hospitais públicos. Outro exemplo é a insistência por parte do ministro-general pela propagação da famigerada cloroquina, cientificamente comprovada ineficaz contra a COVID-19. Será que realmente esta turma da farda verde-oliva é tão patriota quando é vendida sua mitológica imagem de sacrossanta guardiã da nação?

Achando-se invencível e dona do rebotalho institucional que vaga na República destruída pelo militarismo miliciano, as baixas patentes copiaram a insubordinação dos tubarões das patentes mais altas. Neste caso, Bolsonaro aposta suas fichas para conquistar seu sonho de golpe de Estado clássico com ajuda de policiais militares, tal como uma seita de jagunços fardados para servir de inúteis e agressivos boçais. Observando este apoio, Bolsonaro projeta uma linha de crédito especial para financiamento de imóveis para policiais que deverá ser anunciada nos próximos dias.

Um dos maiores erros da restauração da democracia, após o golpe de 1964, foi deixar impunes as monstruosidades causadas pelos militares golpistas. Nenhum militar golpista foi punido por seus assassinatos e destruição. Mas o maior deles foi ter promulgado uma Constituição, em 1988, tão dócil que favoreceu a continuidade do parasitismo militar no país.

Bolsonaro sabe que pode fazer o que quiser que nada irá acontecer com sua imagem de cavaleiro (ou motoqueiro!) do apocalipse brasileiro. Nem mesmo um genocídio pandêmico de meio milhão de mortos foi capaz de cessar sua insanidade perversa e de sua milícia de psicopatas. Diante do espetáculo da morte, Bolsonaro tem um público fiel de sociopatas de cerca de 30% do eleitorado que aplaude a toda e qualquer insanidade que ele defeca da sua boca de bueiro.

O compromisso de Bolsonaro é liderar a corrupção e as atrocidades para a sua milícia se fartar e promover a destruição do país. A tentativa explícita de golpe de Estado por parte de Bolsonaro e sua milícia é uma questão de tempo.

Qual o papel real das Forças Armadas? O que fazem estas instituições belicosas além de aglomerarem homens em quartéis, fazerem exaustivamente exercícios físicos e de guerrinha na selva, entoar cantigas de guerra em jogral e aqueles com patentes superiores aposentarem com salários estratosféricos? Sem inimigos externos, apenas internos, o Brasil urge pela necessidade de reparos constitucionais para colocar as Forças Armadas no seu devido lugar, ou seja, de fato, ser  usada como auxiliar na proteção do Estado brasileiro e não apenas parasitar o erário nacional. Ademais, é preciso aprofundar o debate para a extinção das polícias militares que nada servem de concreto para amenizar o estado de segurança dos cidadãos civis e, na prática, atuam muito como um corpo de agentes assassinos e transgressores dos Direitos Humanos por parte do Estado.

Não é possível que a sociedade brasileira ainda permaneça indiferente e passiva diante das atrocidades militares que usavam a tortura como modo de operação para acuar, amedrontar e matar supostos “inimigos” do regime militar. O tempo passa e a poeira do esquecimento orquestrado tenta encobrir, mas a injustiça permanece sem as devidas punições e retratações dos crimes dos velhos e caquéticos generais que impuseram ao país. Jamais a sociedade poderá ignorar o nefasto histórico de militares que apenas usam o Estado para seus interesses particulares disfarçados de corporativos.

O militarismo golpista está no âmago da fragilidade democrática do país desde às suas “origens republicanas” e constitui como uma trágica doença deletéria e permanente que vem assombrando e chantageando a sociedade brasileira. Desde que Bolsonaro assentou-se na cadeira do Planalto, a conspiração golpista não parou de exalar seu fétido odor de morte e destruição. Cada vez mais acuado devido às pressões internas e externas devido ao genocídio perpetrado pela junta miliciana no poder, Bolsonaro não dará trégua até perpetrar, de fato, um golpe de Estado o qual ele tanto anuncia aos quatro cantos desde que saiu expurgado do exército e foi parar na vida política dos rincões fluminenses. Até o final de 2022, teremos o desenrolar das atrocidades do vírus e os atentados diários da junta militar-bolsonarista contra a moribunda democracia brasileira.  

 

Wellington Fontes Menezes é Doutor em Ciências Jurídicas e Sociais (Universidade Federal Fluminense/UFF)

segunda-feira, 31 de maio de 2021

A PANDEMIA DE ESTUPIDEZ E O REBOTALHO CIVILIZATÓRIO

 


O que esperar da civilização quando a estupidez é cultivada como elemento central da cultura? Ao desvalorizar ou minimizar os estudos das Ciências, em prol de outros proselitismos narcisistas na Educação, um ensino voltado para a superficialidade da castração intelectual promove a falta de construção crítica do sujeito-aluno. Por sinal, a Educação é um sintoma dos processos políticos, econômicos e culturais que transita e transforma uma sociedade.

         Na trama neoliberal para domesticação social, o dito cidadão, ou seja, aquele sujeito às amarras neoliberal do capital, não consegue ver além do mero horizonte umbilical. Impregnado por subjetividades promovidas pela indústria cultural, o seu mundo não passa de meia dúzia de bricolagens cotidianas, as quais ele não consegue elaborar com um nível maior de profundidade.

           Neste percurso da fragilidade excessiva da condição humana pós-moderna sob a égide do capital, a liquidez das relações sociais, como apontou Zygmunt Bauman, se torna inevitável: nada é para durar e tudo é tão perene e instável como uma bolha de sabão. A indiferença e o medo do outro se tornam elementos de uma coletividade que não se enxerga, paradoxalmente, como participante de um coletivo! Temos então mais uma demonstração das contradições inatas do capitalismo que resulta na promoção da "sociedade dos inimigos" que tanto é cultivada pelas barbáries de uma atroz burguesia para enjaular e colocar todos contra todos entre as classes trabalhadoras e miseráveis.

Na esteira da esquizofrenia, os debates da esfera pública se transformam em um teatro do sanatório, uma vez que nada relevante é questionado e um punhado de polêmicas tolas conquistam vultos de uma demência coletiva. Na onda da destruição dos saberes, em prol da estupidez coletiva, professores e intelectuais são destituídos de seus postos como referências de conhecimento, para ser entronada uma horda de ignorantes e oportunistas que se utilizam das redes sociais, como se fossem um palanque eletrônico de uma imensa "feira do rolo", diante de um oceano de estupidez. 

Durante a pandemia, a escola voltou a ficar em evidência. Não por ela ser uma entidade de importância vital para a Educação da sociedade, mas como depósito de crianças cujos pais não mais aguentam ficar em isolamento social com a sua prole! Mais uma vez, se revela a distorção que vem sendo nutrida na sociedade: o conhecimento no posto de bricolagem descartável e a estupidez como espetáculo! Os impactos com a pandemia atingiram sem piedade os mais pobres. No caso mais específico das famílias de trabalhadores e desempregados, a fome e a falta de estímulos para a Educação compactuam com a falta de estrutura para o ensino à distância. Uma perda significativa de aprendizado já tem sido observada em decorrência dos diversos problemas oriundos da fragilidade do sistema educacional e agravado com a pandemia. Sendo assim, mais um convite para a estupidez crônica, voluntária ou não, aprofunda ainda mais o fosso social.  

Ainda no campo da pandemia, a estupidez foi a maior responsável por quase meio milhão de mortos no Brasil, até o momento, e milhões de contaminados. Todo o aparelhamento do governo federal nas mãos da milícia de Jair Bolsonaro produziu uma série de insanidades para desinformar a sociedade, contaminar e sabotar, ao máximo, a aquisição de vacinas contra a COVID-19. Nunca a estupidez genocida estatal matou tantos brasileiros e em tão pouco tempo na história do país. Vivenciamos um genocídio que já deixa marcas horripilantes para as futuras gerações terem ojeriza de nossa geração de bestificados. 

Como desgraça pouca é mera retórica diante da realidade, o farelo cultural não para de produzir estupidez. Ao optar pelo desígnio narcísico do sujeito, outro grupo de fanáticos anti-intelectuais ganhou espaço na agenda da estupidez pós-moderna, os chamados identitários. Na onda do revisionismo histórico e cultural, típico das hordas fascistas, os identitários reduzem todo o pensamento à militância histérica e a pregação deste grupo é produzir uma nova onda moralizante da Santíssima Trindade Identitária, cuja visão de mundo se resume em uma tríade de neuroses obsessivas: a infantilização da sexualidade, o alucinado revanchismo racial e o fomento das disputas de pré-adolescentes a respeito dos gêneros durante o recreio escolar! Ao abandonar a complexidade das estruturas socioeconômicas e políticas moldada pelas perversões do capital, os militantes desta simplificação de mundo se embriagam em superficiais elementos narcísicos que buscam operar por via da panfletagem de uma espécie de naturalização de “antagonismos estruturais culturalistas”. 

Nada mais sintomático é observar que uma “nova moral”, típica de adolescentes querendo descobrir o mundo, é objeto de “empoderamento” do mercado neoliberal. Claro, toda esta “militância empoderada” conta a participação ativa e as bênçãos do capital para criar novos nichos de mercado e atender a novas demandas de consumidores que pulsionam novos fetiches de consumismo. Na onda onde tudo é “preconceito” para “cuidar do meu corpo”, todos são inimigos, exceto o afago das idiossincrasias do mercado. O pior de tudo é observar uma parte significativa de uma esquerda política, sem melhor juízo ou senso crítico, embarcando nesta estupidez sem tamanho, promovida por um “neoliberalismo cognitivo”. 

Por mais que a estupidez seja uma desgraça para o conjunto da humanidade, ela oferece espetaculares lucros para o capital que, simultaneamente, mantêm o controle social das massas populares, as quais não enxergam que são exploradas e, pior ainda, sequer se mobilizam efetivamente para sair deste julgo de dominação! 

A ideologia imposta pelo capital em suas diversas variantes é um vírus tão poderoso que nem mesmo o fantasma de antigas vacinas "revolucionárias" parece coibir a contaminação. A estupidez como espetáculo, seja em redes sociais, seja em programas televisivos, demonstra que o processo de imbecilização social é uma perversa construção cultural. Não foi a toa que o Brasil, desde 2013, embarcou na onda da loucura social dos protestos que resultou em um golpe de estado em 2016 e a ascensão da escória miliciana ao poder, em 2018. Com a pandemia, o teatro tétrico da estupidez megalomaníaca brasileira ganhou sua cereja gigantesca sobre o bolo de milhares de covas ao logo das terras de cemitério pelo país. 

A estupidez que a indústria cultural impõe como, por exemplo, os dejetos sonoros produzidos pelos divulgadores de músicas no país são alarmantes. O escroque civilizatório da estupidez produziu uma trilha sonora onde se torna emblemático o estrume pastoso em que o capital quer transformar o país. Não é a toa que verdadeiros boçais, sem nenhum talento para sequer balbuciar algumas palavras, se tornam "astros" de uma plateia que não se importa de ser enganada e, pior ainda, ser reduzida ao mesmo nível de excremento dos seus "ídolos". A decadência cultural é mais um sintoma da destruição corrosiva do capital e a adestração da sociedade para se conformar com a barbárie programada. 

O desafio que poucos conseguem enxergar é, de fato, uma colossal e turva batalha civilizacional. Uma nova era de subdesenvolvimento se instalou no país com todo o sortilégio de perversões nos tonéis gigantescos de estupidez para arquitetar uma sociedade tão tosca quanto passiva. Nossa estupidez não é um fato fortuito de uma depressiva decadência inevitável, mas um mecanismo de controle social que os donos do capital e seus subalternos diretos impõem para manter as velhas rédeas do poder em nome da exploração e miséria física e psíquica de milhões de seres condenados à própria sorte.

 

_______

Wellington Fontes MenezesDoutor em Ciências Jurídicas e Sociais (UFF); Mestre em Ciências Sociais (UNESP); Bacharel e Licenciado em Física (USP).

sexta-feira, 30 de abril de 2021

ILUSÕES PÓS-PANDEMONÍACAS

 


Há um otimismo exagerado em algumas análises que se nutrem da queixa do "cansaço da pandemia", acreditando que todo o mal-estar gerado, trará um "mundo melhor", quando a humanidade domesticar o novo coronavírus. Será possível acreditar em um "nirvana pandêmico" de purificação da consciência humana, ou tudo acabará numa volúpia hedonista de criança mimada?

Uma visão poliana seduz muitas das análises otimistas, mas não resiste muito tempo diante da realidade. Tudo parece ser promissor, se não fosse pelo fato de que o progresso não é linear e, tampouco, como se as estruturas sociais não sofressem diferentes impactos sistêmicos, de acordo com a região. Por outro lado, hedonismo sem recursos econômicos é como "praia de paulistano" com um vazio na carteira: visitar vitrine de "shopping center" sem poder comprar suas mercadorias.

Diante da realidade, se o vírus ataca a todos, nem todos tem os mesmos mecanismos de proteção. Europa, Estados Unidos, China e os ricos países asiáticos sairão das turbulências pandêmicas muito melhor, se comparados ao resto de mundo, na pós-pandemia.

O otimismo exagerado cria uma blindagem contra o senso crítico e as ilusões cavalgam sem destino. Da ansiedade na descoberta de vacina contra o vírus, chegou-se à guerra por seu acesso. A disparidade entre ricos e pobres segue fazendo o mesmo percurso conhecido: quem pode mais, vacina primeiro! Logo, vacinadas prioritariamente por terem recursos para pagar às grandes farmacêuticas, serão estas regiões que darão os primeiros saltos para a estabilização econômica. O resto do globo ficará com a xepa do que sobrar, se sobrar algo!

Neste sentido, nas localidades  de maior desenvolvimento econômico, haverá uma demanda reprimida resultante do período de pandemia. Logo, diante da possibilidade de retomar o "velho normal", acenderá o consumismo e os desejos imediatistas. Assim os capitalistas e seus serviçais farão de tudo para atender de pronto a todos aqueles que tiverem recursos econômicos para trocar dinheiro por gozo irrefreável e ilimitado. Para a inflexível ordem do capital, tudo é bem claro: ou "money", ou nada!

No caso brasileiro, graças aos esforços devassos do desgoverno de Bolsonaro, teremos um saldo histórico em mortos por COVID-19, como sendo o mais genocida do mundo. No Brasil que vê destruída sua sociabilidade de forma avassaladora, há um descontrole que é um verdadeiro hospício do terror, com uma economia em recessão sem freio e um povo dividido entre os aplausos sádicos para o genocídio diário e a covardia coletiva aceitando passivamente a morte.

Da devassidão pandêmica ao suposto alívio pós-pandêmico, temos a clareza de que a humanidade continuará a ser o que sempre foi: fantasticamente brilhante quando os interesses se restringem aos egoísmos narcísicos e, por interesses do capital, leniente quando se trata de ampliar os horizontes solidários, referentes a um mundo por mais equidade socioeconômica. Porém, em detrimento de toda a realidade fratricida, há aqueles que preferem viver fazendo o desmedido uso do colírio do delírio civilizacional e do hedonismo como destino.


Para ler maishttps://brasil.elpais.com/cultura/2021-04-27/caminhamos-pros-novos-anos-loucos-de-hedonismo-pos-covid.html

quinta-feira, 18 de março de 2021

POPULISMO IDENTITÁRIO NA ANPOCS

 


 "Neste ano, teremos 20% de reserva de vagas para pesquisadores/as pretos/as, pardos/as, trans ou com deficiência que participem dos SPGs ou GTs como expositores/as de paper. No caso das Mesas Redondas, não serão habilitadas propostas que não contemplem ao menos uma pesquisadora como expositora. As Ciências Sociais brasileiras estão atravessadas, ainda, por desigualdades regionais que se fazem ainda mais significativas no cenário atual de desfinanciamento da educação e da pesquisa. Assim, também são observados critérios de representatividade regional na seleção de propostas. Essas Políticas visam estimular que a diversidade constitutiva da comunidade de cientistas sociais se faça presente nas mais variadas áreas temáticas que compõem a programação do Encontro e se guiam pela autodeclaração dos/as pesquisadores/as no momento da submissão de seus resumos." 

                                                                    🔸🔸🔸

Acima, temos um fragmento da chamada para o Encontro Anual da “Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais” (ANPOCS) para a edição de 2021. A organização deveria zelar por critérios técnicos para a pesquisa científica na área de Ciências Sociais, mas parece enveredar no desnecessário e preocupante percurso do modismo que ecoa diante de um sedutor populismo identitário, o qual começa a grassar nos meios acadêmicos e nas pesquisas científicas.

Preocupa-se quando as escolhas sobre pesquisas científicas não são pertinentes aos critérios técnicos e científicos, mas supostamente subjetivos e identitários! Qual o sentido de fazer cotas para a pesquisa científica, se os trabalhos são submetidos aos pareceristas do evento, supostamente de forma anônima, conforme são as regras de submissão?

Ao se optar pelas cotas, o efeito não é de privilegiar os diferentes, mas acentuar as desigualdades de quem está do lado que, supostamente, carece delas, precisando de privilégios para serem reconhecidos como “pesquisadores”. Nesta “inclusão excludente”, a ANPOCS, no seu afã populista identitário, parece que, ironicamente, esqueceu-se de incluir os povos originários. Se a premissa que está sendo imposta é a pauta identitária em detrimento do mérito científico, será que eles não seriam também interessantes ou haveria outros motivos mais ocultos para não incluí-los?

É importante ressaltar: uma questão é o acesso à universidade pública diante das disparidades da Educação Básica brasileira, mas outra questão bem diferente se situa no nivelamento de conhecimento e de produção científica. Logo, parece pouco plausível a distinção por meio de cotas para um suposto nível de conhecimento entre os pesquisadores. Qual o critério de escolha de trabalhos acadêmicos para congressos científicos? Qual a lógica da autodeclaração de etnia, gênero ou sexualidade para a submissão dos trabalhos científicos? Se os sujeitos atingiram a capacidade de serem pesquisadores e estão imersos em uma crise de desvalorização da Educação e da Ciência, logo, indistintamente, afeta a todos que fazem pesquisa científica.

Diante do quadro tenebroso que a Ciência vem sofrendo no Brasil pós-golpe e o massacre da política genocida de Bolsonaro, não parece que existam ilhas de privilégios nas Ciências Sociais, como permite suscitar a convocação para os trabalhos do Encontro da ANPOCS. Por sinal, no Brasil, as Ciências Sociais já ficam à margem diante do minguado fomento de financiamento de pesquisa, em comparação as demais Ciências. Afinal, qual a lógica da obsessão de adentrar no reino do irracionalismo em nome do populismo das identidades, tão patrocinado pelo neoliberalismo e seus arautos ideológicos?

O proselitismo e a demagogia são os piores meios para uma suposta "superação das desigualdades sociais", via descarte do mérito da pesquisa em um congresso científico! Lembrar que os revisionistas e negacionistas rejeitam a Ciência em nome de seus esdrúxulos dogmas subjetivos e identitários!

Na lógica do pensamento mágico identitário, basta colocar um elemento "representativo" da Santíssima Trindade Identitária, para que todo o conhecimento aflore por osmose, as injustiças sociais se evaporem como fumaça de chaminé de escolhas papais e a verdade se firme como um prego fincado na gelatina! Diante dos fatos, causam demasiada surpresa os quesitos impostos na construção do Encontro Anual da ANPOCS. Lastimável que chegamos ao ponto da demagogia populista nas organizações científicas, as quais deveriam zelar pela pesquisa científica em Ciências Sociais.

Para que servem os estudos e pesquisas arduamente trabalhados se o que vale, no final, é a subjetividade do sujeito em nome da sua suposta identidade egoica e alegóricas dimensões sociais? No meio de uma pandemia de irracionalismo, parece que a ANPOCS foi severamente contaminada. Sendo assim, é preciso ser vacinada com a Ciência para evitar o vírus do obscurantismo e do irracionalismo! Não é possível aceitar que o populismo identitário se torne a nova onda negacionista dentro da Ciência, e que é mais grave ainda, em nome de supostas subjetividades reprimidas de demandas que podem ser justas socialmente, mas que não combinam com a objetividade que a pesquisa científica necessita, para se oferecer como mecanismo de conhecimento real para a humanidade.

domingo, 7 de março de 2021

GETÚLIO VARGAS

Datada de 24 de agosto de 1954, a carta de suicídio de Getúlio Vargas (1882-1954) é considerada um dos grandes documentos políticos da história contemporânea brasileira. Controverso, mas incisivo líder revolucionário de 1930, Vargas instalou uma ditadura e flertou com o fascismo até o início da Segunda Guerra Mundial. Apesar da empreitada autoritária, foi astuto e camaleônico e, quando se sentiu isolado politicamente, abraçou o populismo e acabou nos "braços do povo". Vargas, foi um conciliador de classes com olhar progressista e, certamente, foi o político mais importante do país no século XX. Considerado o "pai dos pobres", com uma série de leis que beneficiou a regulação do trabalho assalariado, contudo, Vargas impulsionou a dinâmica capitalista nacional e contribuiu para fomentar a riqueza da burguesia nacional. O político da terra de São Borja (RS) foi fundamental na transição do Brasil recém-republicano imerso em políticas provinciais para uma estrutura centralizada de poder de Estado.



NÃO BASTA FINGIR RESPONSABILIDADE, É PRECISO TER RESPONSABILIDADE


Há momentos que exigir um responsável bom senso jornalístico é pedir água no deserto. Em geral, a BBC Brasil que, ao contrário de muitos veículos de imprensa que fizeram o país ir para a cova do golpismo, faz uma boa cobertura sobre a pandemia. Porém, nesta confusa reportagem em destaque, o veículo de imprensa de matriz inglesa, deixa margem para os negacionistas genocidas atuarem com suas narrativas psicotizadas da morte.

Diante da gravidade monstruosa da segunda onda de COVID-19 patrocinada pelo desgoverno assassino de Jair Bolsonaro, ao questionar entre "imunização natural" (infecção via contágio) e "imunização artificial" (estímulo de anticorpos via vacinação), permite uma leitura que pode induzir a população ao entendimento de que, se deixar contaminar para uma "auto-imunização", é mais rápido do que gastar bilhões em vacinas! Observemos o perigo desta possível e deletéria conclusão de botequim!

A chamada "imunização de rebanho" por contágio é puro genocídio e expõe toda a população a dilacerantes sofrimentos e mortes desnecessárias, ao sabor da voracidade do vírus. Só uma vacinação eficaz e massiva será capaz de salvar vidas e minimizar sofrimentos.

Neste sentido, uma reportagem mal redigida ou desorientada é, para o leitor, tão nociva quanto o maremoto de "fake news" que circulam nas redes sociais, perversamente, de modo a confundir e imbecilizar amplos segmentos da população.

A informação correta e amparada em bases científicas é fundamental numa guerra genocida diante de vírus mortífero, onde a canalhice sistêmica de uma burguesia monstruosa e assassina levou, impiedosamente, o país ao nível mais abissal do precipício social.

Não basta fingir uma suposta "ética jornalística", é preciso atuar de forma fidedigna aos princípios da veracidade dos fatos, sem induzir o leitor a equívocos ou interpretações dúbias, referentes às informações fornecidas.

domingo, 7 de fevereiro de 2021

NARCISO NO BERÇÁRIO

 


Quando a infantilização não tem idade, a projeção narcísica se torna o sacrossanto altar a ser ostentado.

A Pós-modernidade embriagada pelos valores do capital se constituiu em um retrocesso da razão e uma construção mítica da negação da maturidade do sujeito.

A adolescentização da vida, tal como numa propaganda de refrigerante, se forjou como uma resposta inconsciente ao medo e a insegurança diante de um mundo em decomposição das grandes certezas e forjado pela necessidade narcísica da aparência dos sujeitos.

Nesta lógica do imediatismo mágico, não basta parecer "sempre jovem", tem que montar o corpo como se fosse a idealização de uma idílica "juventude rebelde". Na prática, a projeção narcísica não passa do desejo de ser notado, reconhecido e validado pelo Outro.

Longe de ter alguma materialidade, as identitadades pós-modernas se constituíram na argamassa da subjetividade alimentada pela projeção narcísica do sujeito e de acordo com a modulação de seus voláteis desejos.

Importante salientar os valores ideológicos do capital tanto no linguajar mimetizado pelos sujeitos "pós-modernos", quanto na sua (inútil) tentativa de ser individualizar diante do oceano plasmado da unilateralidade do neoliberalismo.

A URGÊNCIA DE UMA VACINA PARA A DOENÇA DO MILITARISMO GOLPISTA NO BRASIL

  O golpismo é a espinha dorsal do parasitismo jagunço militar brasileiro. Os militares nunca deixaram de apoiar Bolsonaro e seguirão à fren...