
Érica Hilton, Janja e Michelle Bolsonaro. Três irmãs
siamesas a serviço do neoliberalismo. São três exemplos de miséria política que
surfam na fabricada onda identitária que graceja na sarjeta apodrecida do
pensamento social vulgar de um Brasil no limbo do século XXI.
Três figuras amorfas que passariam despercebidas em
qualquer insossa festa de criança realizada em um buffet com atendimento
pré-fabricado, mas que somente a astúcia do oportunismo poderia transformar em
"musas inspiradoras" de seus respectivos segmentos, séquitos,
bajuladores e zumbis das redes sociais.
O que há em comum entre as três figuras é o industrial
senso de oportunismo que o desejado elevador da engessada mobilidade
capitalista permite aos vitoriosos lumpens das franjas sociais. Temos duas
mulheres de meia-idade casadas com velhos políticos que ocuparam e ocupam a
Presidência do país e, para fechar a tríade, uma outrora desconhecida e insípida
alpinista social que surfou, habilmente, na atual onda do lobby da
"transfobia" e sagrou-se porta-voz de uma causa da qual ela própria
se beneficia.
Ambas as esposas são produtos do velho e bem conhecido
mecanismo de ascensão social meteórica por meio dos laços matrimoniais do
patrimonialismo patriarcal. Todavia, cada uma, a seu modo particular, adora
criticar o mesmo mecanismo que deu vida ao seu "protagonismo"
midiático, mas degusta suas majestosas e incessantes benesses, sorvendo cada
gota de suas iguarias. A outra percebeu os frutos deliciosos que somente o
parasitismo político demagógico poderia oferecer ao ego e à conta bancária.
O destacado trio de figuras que ocupa parte do teatro
das pautas da miséria política brasileira nutriu-se da exploração de um suposto
e explorado imaginário: o "preconceito estrutural". Segundo tal lenda
da decolonialidade colonizada pelo identitarismo estadunidense, haveria uma
mácula na formação de Pindorama, penetrando na sociedade brasileira desde os
tempos das caravelas portuguesas, e que existiria até os dias atuais, tão
rígida quanto as rochas que constituíram os sedimentos do solo brasuca.
Diante desse pressuposto atávico de deterioração moral à
brasileira, o trio é vendido como divindades virginais e pastoris de um novo
modelo de puritanismo moral que busca apresentar-se como a neófita carapuça da
moralidade social.
Curiosamente, o trio critica o mesmo modelo
sociocomportamental que catapultou suas vidas das trevas da irrelevância
obscurecida pelo anonimato para os generosos holofotes narcísicos das grandes
"gênias" da política e da cultura de Pindorama.
Nada é mais hipócrita do que a política calcada no
moralismo puritano, seja o conservador, seja o progressista reacionário. Ambos
os campos trevosos operam com uma teologia própria, porém aproveitam-se do
sensacionalismo barato e da estupidez típica das massas de uma sociedade
aturdida e pasteurizada pela lobotomia do capital.
A doutrina neoliberal trouxe consigo sua reacionária
agenda ideológica e sua perversa artilharia culturalista de um fascismo que se
apresenta como promessa de ser dócil, justo, democrático e pautado na farsa da
cândida "diversidade", mas que carrega consigo a podridão de um
autoritarismo tão nefasto quanto inquisitorial.
(Wellington Fontes Menezes)