A máquina industrial do lobby identitário não dorme. Opera incessantemente e sem a menor parcela de escrúpulo. Naturalizar, em plena democracia brasileira do século XXI, um dos expedientes mais odiosos dos tribunais nazistas constitui uma das maiores infâmias promovidas pelos arautos da ideologia teológica woke, empenhados em impregnar o imaginário da miscigenada sociedade brasileira com categorias raciais incompatíveis com sua própria formação histórica.
A lógica neoliberal das cotas e seus grotescos tribunais da classificação
racial foram empurrados goela abaixo da sociedade brasileira, sem qualquer
debate público sério, apenas para atender aos interesses de grupos lobbistas
parasitários financiados pelo Grande Capital, por intermédio de ONGs,
bilionários e banqueiros.
Para agravar esse cenário, uma parcela acéfala, irresponsável e desorientada
da Esquerda aderiu a essa agenda racialista, acreditando que, com isso,
conquistaria o apoio eleitoral de oportunistas e ingênuos de ocasião. Enquanto
isso, a Extrema Direita observa, gargalha e celebra a reedição de um de seus
mais antigos estratagemas: a obsessão pela "pureza racial". Eis o
retrato da falsa dicotomia entre a Esquerda neoliberal e a Extrema Direita.
Somente a estupidez ou a perversidade podem sustentar a crença de que seja
possível promover "justiça social" por meio de metodologias
inspiradas em critérios de classificação racial.
Todo repúdio é pouco diante desse nível de desonestidade intelectual,
perversidade política e degradação moral representado pela pretensão de
classificar seres humanos com base em meros traços fenotípicos, como se fossem
espécimes submetidos a processos seletivos de uma fauna catalogada.Trata-se de
um profundo retrocesso, celebrado pelos reacionários fascistizados de plantão
como se fosse uma "grande inovação progressista".
Os espectros doentios do Terceiro Reich parecem encontrar novo fôlego na
frágil e delirante democracia brasileira. Uma das mais engenhosas estratégias
do neoliberalismo consiste em dispensar governos explicitamente fascistas.
Basta arregimentar, embrutecer e alimentar uma sociedade fascistizada, capaz de
reproduzir espontaneamente os mecanismos de controle, segregação e vigilância
que outrora dependiam da ação direta do Estado.
(Wellington Fontes Menezes)
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