segunda-feira, 15 de outubro de 2018

15 de outubro - Dia dos Professores: o que há para comemorar?


Nós professores sofremos hoje um dos piores ataques contra a profissão docente de todos os tempos. Sofremos com a desqualificação da carreira, salários humilhantes, violências verbais e físicas em sala de aula, temos que atuar para além do aspecto docente para mediação de conflitos, desvalorização e escárnio social da profissão.
E, se não bastasse todas as agruras, Bozonaro, o candidato jagunço psicopata a presidente, inundou as redes sociais de criminosa difamação de que nós seriamos doutrinadores, aliciadores e abusadores de alunos. É surreal tamanho são os absurdos que a milícia criminosa de Bozonaro vem pregando contra os professores.
Além de todos os ataques insanos, agora temos o ataques contra a existência da carreira docente com o uso do "Ensino a Distância" (EaD) cujo objetivo principal é ampliar os lucros das empresas que exploram este segmento de mercado conduzindo a demissão em massa de professores e diminuição no custo de logística do ambiente físico escolar. Por sinal, Bozonaro que não entende absolutamente nada sobre coisa alguma do planeta Terra, muito menos de Educação, prometeu, se for desgraçadamente eleito, fazer uma insanidade monstruosa: levar o EaD para a alfabetização e o Ensino Básico. A maldição do "novo currículo do Ensino Médio" do governo golpista de Temer vai também nesta direção: tornar a Educação uma mera bricolagem inútil, insignificante, apenas para cumprir obrigações constitucionais e o descarte da profissão docente.
Ser professor hoje virou saco de porrada para treinamento de boxeadores. Nas redes sociais, a tosca ignorância virou a moda do momento e o professor que buscar colocar um pouco de razão na histeria coletiva é apedrejado.
A cultura da ignorância, agora promovida a exaustão pela milícia de Bozonaro, colocou os professores como "inimigos da sociedade". É preciso dar um basta e recolocar a tarefa docente no campo da razão e do esclarecimento.
Lutar para a valorização profissional, social e, acima de tudo, a autoestima seriamente abalada dos professores diante de sucessivos e covardes ataques a nossa profissão e nossas vidas. Mais do que a devida reflexão diante do dantesco momento histórico, estamos diante da perspectiva urgente para a manutenção da democracia brasileira ameaçada pela figura psicopata de Bozonaro que já prometeu perseguir professores e destruir a Cultura, a Educação, a Ciência e tudo que este monstro e sua horda miliciana desejarem pulverizar em nome da selvageria jagunça.
Mais do que nunca, cabe a nós professores atribuirmos de nossos valores que rege a ética democrática e o compromisso com o saber para lutar contra todas estas opressões em prol do projeto civilizacional. Lembremos que não existe nenhuma civilização possível sem a atuação dos professores de todos os níveis e de todas as áreas. Estamos todos na mesma situação e na mesma batalha. Lutemos por dignidade, compromisso, democracia em prol da civilização humana.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Nada mais insano do que o Power Point do Bozo relativo ao seu "Programa de Governo"



Prepare o seu coração que a tragédia é terrível!.
Alguém conhece o Programa de Governo do Bozo? Oficialmente, além do que o economista do Bozo Paulo Guedes fala ou o vice do Bozo, General Mourão tagarela, oficialmente foi divulgado um Power Point (a moda do Dellagnol colou) intitulado "Caminho da Prosperidade: Proposta de Plano de Governo" cuja capa trás uma menção bíblica "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará"(João 8:32) e possui exatas 81 páginas (melhor dizendo, slides!). Cita também na capa do programa que será estabelecido em três eixos: constitucional, eficiente e fraterno (o "fraterno" é de uma meiguice que só o Bozo têm! Que lindo!).
Todo o sofrível material é recheado de frases feitas, palavras de ordem e patrióticas e citações do senso comum. Claro, a busca de incriminar as esquerdas por todas as desgraças no país. Interessante que este documento não está disponível no site oficial do partido do Bozo, o PSL, mas em link do site do filho do Bozo, o vereador do Rio de Janeiro, o Carlos (aquele que postou recentemente imagem de apologia à tortura). O que disponibilizo aqui é de um site que não tem referência direta ao site do partido do Bozo ou do seu clã.
O país que é laico será regido pela Bíblia! O fundamentalismo das máfias evangélicas bancando o programa "Brasil acima de tudo. Deus acima de tudo" do boçal Bozo e citações a respeito dos valores da família.
De todo o jorro de senso comum encontrado nas redes sociais, ou seja, todo aquele besteirol que antes era falando na mesa do bar agora é postado nas redes sociais (por exemplo, o mote "minha bandeira jamais será vermelha", é transcrita ao logo do Power Point!) despencou no Programa de Governo do Bozo. Creio que a passagem mais "fantástica" do Programa do Bozo é esta pérola abaixo que explica a "trajetória" do Brasil recente:
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"Nos últimos 30 anos o marxismo cultural e suas derivações como o gramscismo, se uniu às oligarquias corruptas para minar os valores da Nação e da família brasileira... Queremos um Brasil com todas as cores: verde, amarelo, azul e branco".
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É assombroso o nível de amadorismo destes imbecis! Para uma visão daqueles que produziram o material para o BOZO, o Brasil foi governado nos últimos trinta anos por uma junção de marxistas e oligarcas!!! Como seria possível que elementos de classes tão díspares poderiam fazer tal mágica da governabilidade? Nem alunos do Ensino Médio ou do Fundamental II escreveriam tamanha birutice sem nexo algum!... O mais insano ainda é que justamente as "oligarquias" das bases ruralista e da mineração, além das máfias evangélicas, empresas de distribuição/redes de lojas e a indústria bélica são os principais "apoiadores" que sustentam (financeiramente) a candidatura do BOZO!
Todo o Power Point é recheado de infantilidades, por exemplo, como aquele que associa os estados da federação com alto índice de violência/criminalidade com os governos "participantes do Foro de São Paulo" (sic)... Com direito a uma figura com o mapa do Brasil cercada de estrelinhas vermelhas e símbolo da foice e do martelo (a alusão da "ameaça comunista"). Ah?... Como é que é?... É como se o PT, PCB, PCdoB, PCO, PSTU, PSOL governassem praticamente todo Brasil nas últimas décadas!... Seria então a sucursal "Brasil" da URSAL, a hilária organização mundial "comunista" inventada pelo fanático religioso Cabo Daciolo, candidato a pastor-presidente? Haja estupidez com esta extrema-burrice de monstros retardados! É inacreditável!
De resto é o receituário liberalóide de frases soltas: diminuir ministérios, privatizar tudo e deixar para o mercado resolver por si só todos os problemas da economia. Mágica! O mais terrível, entre tantas insanidades, para os trabalhadores é uma tal "carteira de trabalho verde e amarela" que será na prática mero papel se valor jurídico algum que prevalecerá o "contrato individual" sobre a CLT. Em outras palavras, será a LEGALIZAÇÃO da escravidão!!! Há uma menção sobre o "Bolsa Família" que diz que irá manter e até aumentar seu rendimento sem nenhuma explicação de como será feito isto. Mas, quem acredita em fascista?
Não, não dá para aguentar!... É urgente vencer a extrema-burrice para que possamos ter um mínimo de sociabilidade no Brasil infestado de intolerância que é promovida pela política do ódio representada por uma candidatura profundamente nefasta com viés sociopata!
A profunda e infantilizada idiotice não poderá ser vencedora estas eleições para o bem de toda a sociedade que carece se manter civilizada.


(Link de acesso ao Power Point do Bozo: http://politicaedireito.org/br/wp-content/uploads/2018/08/PLANO_DE_GOVERNO_JAIR_BOLSONARO_2018.pdf )

sábado, 29 de setembro de 2018

Os bozolóides da Bozolândia



O sujeito não sabe nenhuma gota da diferença entre capitalismo ou socialismo, liberalismo ou economia planificada, fralda descartável ou tampax, onde se localiza no mapa a Venezuela ou Cuba e, tampouco, as dimensões da própria ignorância e goza ao posar de “cientista politico” no mundo da Bozolândia.  O mundo para ele é plano, raso, regido pela violência, ignorância abissal e orientado por onde o nariz apontar.

Os apoiadores fervorosos do Bozo, os bozolóides, não entendem porque ficam efusivamente histéricos em apoiar um fantoche de militar com pantufas, mas como zumbis, gritam que ele seria um “mito”, sem saber realmente por qual motivo ele ganhou ou ainda mereceria tal alcunha.
Perguntar sobre “programa de governo” do Bozo é pior que ofender a mãe do bozolóide. O sujeito fica completamente aturdido com tal ofensa. Afinal, qualquer coisa que seja minimamente construtivo é motivo de briga de foice no escuro.

Bozolóides não possuem um único argumento plausível que possa explicar o motivo racional pelo qual deposita tanta confiança em uma velha raposa da politicagem do "baixo clero", com três décadas de inutilidade perdulária na Câmara dos Deputados, sem nenhum único projeto útil à sociedade aprovado, que não sabe nenhum conteúdo de qualquer assunto que não seja “meter bala” nos outros, que não tem uma gota de civilidade que não seja ameaçar as pessoas (inclusive a ex-mulher dele), que não explica seu enriquecimento estratosférico escondido de declarações de renda, que não consegue completar uma única frase que não seja insultar os outros (em especial, mulheres, “esquerdistas” e gays) e, sua especialidade, é o campeão de invocar mentiras grotescas alucinógenas.

Quando o bozolóide é questionado pela escolha que, ou seja, momento sacrificante que implica seus neurônios rangendo buscar construir mínima sinapse, surta, grita, faz beicinho, bate o desespero e ataca feito um boi bravo que arrebentou a cerca de arame farpado. Daí o diálogo vira demência de sanatório, um conflito patético que é tão produtivo quanto contar grãos de areia no deserto. O interlocutor, devidamente aparelhado com a benevolente paciência de Jó, que tentar buscar alguma coerência com o pensamento irracional e alienado do bozolóide acaba sendo vencido pelo cansaço e o tédio com a falta mínima de coerência ou bom senso, além do ejacular incessante de grosserias gratuitas.

O típico apoiador do Bozo, um ignorante por excelência, é pior que a própria criatura, pois Bozo sabe que faz um personagem teatralizado, uma tosca caricatura de si mesmo. Já o apoiador fiel do Bozo é natural, sem couraça, que se livrou do armário e, agora, gira sua metralhadora de estupidez sem piedade. Os militares são cortejados por eles como semi-deuses, não importa se eles não sabem absolutamente nada da vida real que não seja infantis joguinhos de guerra e destruição de tagarelices toscas sobre a vida social. A mesma democracia que permite seus uivos infanto-juvenis pelas ruas, eles negam e a repudiam com veemência e irracionalidade sem limite. Para um bozolóide fervoroso, seus sonhos de consumo é viver recheada de bordoadas de cacetes de militares, final a robusteza verde-oliva é o suprassumo da macheza viril em seus mais onanísticos delírios homoeróticos.

Pior que a nefasta e abjeta figura de Bozo, são seus fiéis e perversos bozolóides que pouco importa com a realidade social, o mundo material, o sofrimento alheio, a miséria humana, a brutalidade cometidas por agentes militares ou policialescos ou sequer com a de democracia. Por sinal, paradoxalmente, o ódio do bozolóide é contra a democracia, segundo eles, deveria ser destruída pelas botinas de generais. Seus únicos e insanos interesses são sempre em busca de brutalidade, irracionalidade e sangue a todo vapor. É um caldo tão inacreditável que é preciso uma profunda análise de como é possível que parte da sociedade brasileira descer tão profundo nas mais alucinógenas formas de autodestruição em pleno século XXI.


sábado, 22 de setembro de 2018

O “Efeito Bozo”: Para além de Bolsonaro



O eleitorado do Bolsonaro é o que pior aflorou no pós-golpe de 2016. Não representa nenhuma novidade em termos de cultura política no país, mas há na esfinge atual uma naturalização dos elementos mais primitivos como mediadores da convivência social.

Não se engane a respeito do “efeito Bozo”: ele não é um fato novo na vida nacional. O apoio bolsonarista de extrema-direta não se consistiu necessariamente em elementos de um "fascismo clássico europeizado" (tema sempre controverso do ponto de vista de análise histórica, mas com resultados conhecidamente nefastos), mas finca com bases na amálgama autóctone abrasileirada. Ademais, basta lembrar nossa constituição fascista à brasileira, o "Integralismo" de Plínio Salgado dos anos 1930. A extrema-direita hoje brasileira constitui-se de homens e mulheres que desprezam quaisquer valores democráticos, ignoram qualquer sofrimento alheio e não se sentem mais reprimidos para dizer o que realmente pensam em relação ao outro. O espetáculo da indiferença tomou forma em torno de um show midiático de pura ostentação da selvageria e da truculência como forma deturpada de sociabilidade.

O suprassumo do individualismo que encontrou no comportamento de massa alguns elementos para irradiar sua repressão que em situação de isolamento atomizado teria grande dificuldade para manifestar com toda a sua energia. Bolsonaro é o canalizador destes elementos represados, recalcados e que se sentiam acuados em um mundo de fragilidades existências, crise sócio-político-econômica e valores simbólicos banalizados.

O ódio sempre fez ligação direta entre o medo, o sentimento de perda e a irracionalidade. Não se combate moralistas apontando suas distorções morais, pois isto é o sistema de retroalimentação deles. Dizer simplesmente que os adeptos ao bolsonarismo são “preconceituosos” é condecorá-los como uma espécie de medalha de sangue em peitos de balão inflável diante da constituição da linguagem que apenas produz um rito caricatural de ofensas desconexas disparados à todos os seus supostos inimigos. As redes sociais, pelo seu anonimato e facilidade de manipulação para qualquer pessoa que não requer maiores conhecimentos de tecnologia ou, quiçá, norteador de mundo, se tornou um terreno fértil para a dispersão de um vasto oceano de deturpações da realidade histórica, ofensas banais, manifestações de intolerância e graves ameaças pessoais. Os desejos destrutivos da pulsão de morte mais profundos do “cidadão de bem” não se encontram mais entre os limites tênues do inconsciente e da consciência, mas manifestadas explícita e energeticamente nas redes sociais.  

A classe burguesa brasileira, aquela que detém de fato as rédeas do poder e que não teve pudores nenhum em se aliar a golpes de estado na História recente do Brasil, tem uma sua constituição “bolsonarista” bem antes da figura caricatural do parlamentar-bufão resgatado do limbo após vagar por 27 anos ininterruptos na penumbra da Câmara de Deputados sem um destaque que merecesse uma gota de atenção e alçado como o candidato da ignorância coletiva ao Planalto.


É importante deixar claro que o resgate midiático do patriarca do clã nepotista Bolsonaro só foi possível mediante uma terrível conjuntura política com um golpe disfarçado de “impeachment” que destitui a presidenta Dilma diante da onda anti-PT, derretimento momentâneo do campo das esquerdas mergulhada na orfandade de ação e abduzida por uma onda identitarista neoliberal. Diante deste quadro, destaca-se acima de tudo, o rol de horrores imposto do governo Temer cuja base aliada impulsionadora do golpe (PMDB, PSDB e DEM) e sua saraivada de retrocessos históricos para a sociedade brasileira apoiada pela cumplicidade vexatória do aparelhamento jurídico e a parceria carnal das grandes empresas que dominam os meios de comunicação no país.

Apontar suas falhas materiais e incongruentes de visão de mundo dos seguidores do bolsonarismo seria um caminho promissor, mas não espere um grande avanço progressista em grupos embriagados de insensatez. Não se toma chá e torradas com tranquilidade fingindo ser um Lorde inglês diante de sujeitos que tem grandes dificuldades de se manifestarem sem causar nenhum espasmo emocional quando são confrontados com a realidade. Neste sentido, barrar a candidatura de Bolsonaro nas eleições ao Planalto é obrigação fundante de todos aqueles que almejam uma sociedade minimamente civilizada. Porém, é preciso entender que independente do resultado das eleições, mesmo com a derrota de uma representatividade tão vil de Bolsonaro, o seu legado de intolerância que sustenta a extrema-direita abrasileirada ainda se apresentará tanto nos parlamentos eleitos (federal e estaduais) com um corpo de deputados atrelados às suas parcas e abjetas ideias de mundo-plano bolsonarista, quanto na violência já manifestada na sociedade de matriz autoritária, desigual e excludente.

Os níveis da fascistização à brasileira não se poderá ser ignorado ou buscar fazer um irresponsável “diálogo republicano”: é preciso combater sem trégua todo o fantasma do retrocesso e da perversão latejante na sociedade do autoritarismo que sempre objetiva impor as mais terríveis agressões à classe dos trabalhadores e de todos aqueles socialmente vulneráveis às perversões do capital. Estar indiferente hoje diante de todo este processo de auto-barbárie social é se colocar como um voluntário passivo em prol da fascistização à brasileira e que finge ignorar os reais problemas do país que e atingirá a todos, indistintamente, de forma mais trágica possível. Urge que cada sujeito consciente tome partido contra uma ameaça tão grave, tão bestial e tão real diante da História recente do Brasil.




quarta-feira, 25 de julho de 2018

As esquerdas na Pós-modernidade: a perda de rumo



As esquerdas só caíram no conto do vigário vigarista do culturalismo identitário pós-moderno devido à orfandade logo após a queda do Muro de Berlim. A intensa frustração pela derrocada do regime soviético resultou que as diversas correntes de esquerdas boiarem em um oceano de incertezas perante o futuro e, consequentemente, à adesão intempestiva para qualquer paixão que pudesse chamar de "minha".
A carência foi tão profunda que boa parte dos partidos de esquerda adentrou em uma espécie de adesão sem luto à pós-modernidade e abraçou bandeiras profundamente neoliberais com afeições sociais que é o caso do culturalismo identitário. Na amplitude de tal carência de visão de mundo pós-muro, os partidos de esquerda se permitiram apaixonarem-se até mesmo por uma saraivada de histerias narcisistas autoritárias que nem nos piores pesadelos no ápice da Guerra Fria dos anos 1960 era possível de imaginar. 
Sucumbir ao neófito autoritarismo moralista identitário é estar de mãos dadas com o levante da extrema-direita clássica, mas agora com roupagem elegante com carinha de jovens donzelas e rapazes de fino trato. A cepa identitária é o pior que poderia acontecer às esquerdas pós-muro, uma vez que permitiram desnortearem-se dos históricos caminhos coletivos em prol dos trabalhadores e mergulharem uma insignificância juvenil ferozmente narcísica e profundamente individualista. Nada mais estranho ainda é ouvir dentro dos partidos de esquerda que subjetividades antropológicas, sexuais, psicológicas e comportamentais formariam as propaladas "novas classes" do século XXI. Pior ainda, segundo esta lógica de sequestro da razão do materialismo histórico, as lutas sociais se limitariam a "darem voz" aos devaneios narcísicos de cada indivíduo que, por sua vez, estaria dentro destas "novas classes".
As farsas articuladas midiaticamente e minuciosamente alardeada por grupos de interesses dão uma dimensão histérica de um conjunto de demandas neoliberais narcisistas. Nesta esteira de produção desvario, vem se constituindo em "verdades autoritárias empoderadas" tão nocivas como qualquer outra arbitrariedade perversa do balaio protofascista. As esquerdas precisam acordar desta abdução suicida e reagirem contra este cavalo de troia alojado em suas fileiras, caso ainda elas desejarem representarem os anseios cada vez mais inquietantes da imensa classe trabalhadora.

domingo, 27 de maio de 2018

Rumo ao precipício no pós-golpe: boleias de diesel para o caos




Diante da analise de conjuntura e dos retrocessos impregnados nela, é preciso cautela diante dos acontecimentos. Em 2013 vimos uma onda de "protestismos" afoitos de "indignados" e que foram usurpados pela burguesia e seus gerentes da direita. Resultou no golpe institucional de 2016 e o atual processo de degeneração de todas as recentes conquistas para os trabalhadores dentro de um conjunto social mais amplo. Por mais que foram insuficientes, é preciso reconhecer avanços significativos e que hoje rapidamente se encontra em um avassalador retrocesso.  Como foi previsto, a situação do país so piorou desde o golpe e com carga de dramaticidade agonizante.



1. O locaute dos caminhoneiros, oportunismos imediatos e o preço dos combustíveis


A greve de trabalhadores é um direito assegurado constitucionalmente, mas o locaute, isto é, a “greve dos patrões” (o locaute, derivado do inglês “lockout”) é proibido por lei por ser considerada prática abusiva. Das trevas, seguem os arautos da perversão buscando justificativa para "empoderar a greve" dos patrões e seus caminhoneiros: dizer que o locaute não é locaute e a greve é “legítima”. Porém, uma análise minimamente séria dos fatos, que mais irá se beneficiar com as chantagens do movimento é o patronato. Em nenhum momento se falou em questões trabalhistas e tampouco se questionou as condições de trabalho dos caminhoneiros. Em todo o momento o interesse de praticar um capitalismo sem nenhum custo: isenção de pedágios, isenção de impostos e, o principal, a bolsa-diesel, custo praticamente zero para os patrões com combustíveis. Sim, é absolutamente verdade a questão nevrálgica e que gerou toda uma insatisfação por parte dos patrões do setor de transportes e na sociedade devido a uma política de preços completamente absurda por parte da Petrobrás nas mãos do PSDB, principal partido articulador do golpe de estado de 2016, dentro do loteamento de pastas e estatais do governo de Temer.


A entrega da Petrobrás para o "livre mercado" mudou radicalmente a política de tarifas de combustíveis praticados pelos governos Lula e Dilma as quais eram controladas pela estatal brasileira. Do controle estratégicos de preços, a subida do governo Temer levou consigo os interesses de multinacionais estrangeiras no pós-golpe e a mudança estratosférica das tarifas. Obra direta do golpismo alavancado pela burguesia nacional, temos hoje a política surreal de reajustes diários de preços de combustíveis atrelada diretamente pelo mercado internacional de petróleo e, por sua vez, dando maior retorno aos acionistas da estatal. Por sinal, o atual presidente da Petrobrás, Pedro Parente e responsável direito pela política de reajustes diários de preços de combustíveis, já se mostrou em diversas ocasiões a preocupação por rentabilizar acionistas em detrimento dos serviços estratégicos prestado pela empresa.


A centralidade do petróleo é tema que interessa as grandes corporações estrangeiras, em particular os Estados Unidos, tanto no Brasil como na Venezuela. Colocar mais diesel na fervura e adesismos sem reflexão, diante de um chantagista locaute de donos de transportes de cargas e submissão da estratégia de “greve e caos” por parte de seus empregados terceirizados, demonstra mais uma vez que setores das esquerdas não aprendem lições históricas, não se utilizam de estratégias e mergulham de cabeça dentro do tanque de posto de combustível sem gasolina. Lembrando que a partir de um locaute reacionário com forte presença da extrema-direita (os caminhoneiros é um setor altamente precarizado, atípico de mobilização sindical e se posiciona de forma mais global e ideologicamente no campo reacionário). O mote de guerra visível é a "intervenção militar". A partir de um coletivo completamente difuso como são os trabalhadores do sistema de transportes de cargas, sem um sindicato trabalhista forte e agregador, sem nenhuma liderança significativa e sendo conduzido por surreais trocas de mensagens de aplicativo de celular, o "Whatsapp", o que temos é a insanidade coletiva de um amontado de caminhões que fazem chantagem contra a sociedade e com uma retórica reacionária em prol dos lucros imediatos. O amadorismo desta categoria de trabalhadores, baseada na truculência e no reacionarismo infantilizado é o reflexo da total desorganização e perversão de uma greve autofágica a qual ninguém irá ganhar absolutamente nada com sua dimensão. A inércia para resolver a situação é proporcional à sede de barganha deste setor “grevista” sabendo da fragilidade de um governo inepto e apodrecido.


O jogo oportunista de fazer demagogia imediatista do "combustível barato" ganha apoio instantâneo numa sociedade que faz apologia ao auto-interesse e cada vez mais refém ao medo e o ódio. A legitimidade de uma greve se desfaz quando interesses meramente egoístas corporativistas ou pessoais são os únicos alicerces em detrimento de todo um conjunto social. Para isto utiliza-se a tática perversa e criminosa de estrangulamento de bens e serviços que nem em países com conflito bélico costuma praticar, ou seja, cortar toda e qualquer forma de circulação de mercadorias numa dada região população de forma a buscar praticar uma eutanásia social prejudicando todas as classes sociais, particularmente os mais frágeis. É como colocar um arsenal na cabeça de um único sujeito e pedir para que ele abra a carteira! É repudiável a condução sociopata de movimentos chantagistas diante de um governo golpista e o qual os próprios “grevistas” apoiaram efusivamente para a deposição da presidenta Dilma.


A paralisação que completou uma semana afetou diretamente o setor produtivo e profundamente a circulação de mercadorias e abastecimento de praticamente todas as regiões do país. Mostra-se também o nível fantástico de fragilidade do processo desenvolvimentista brasileiro das últimas décadas centralizada e dependente em sua grande maioria no fluxo de mercadorias do transporte modal rodoviário que trás alto custo em toda a cadeia produtiva até o setor final, o consumidor.




 2.     Os trogloditas e os desavisados pegam carona na boleia


Neste cenário de inédito surrealismo diante da repercussão, dentro do estado de exceção de um governo golpista, tosco, incompetente e apodrecido, tais caminhoneiros servem como uma excelente massa de manobra para os movimentos mais reacionários e dantescos dentro da sociedade. Tornou-se comum militares se posarem como "heróis da pátria, seja em manifestação de grupos da extrema-direita, seja no desfile de soldados e blindados da fracassada “intervenção federal” no Rio de Janeiro, assim como os ensaios para “observar” o locaute dos caminhoneiros são exemplos da rotina que tropas federais do exército estão presentes no cotidiano. Desde 2013, apoiadores de "intervenção militar" perderam a vergonha e expõe suas taras em público, inclusive gritam efusivamente o nome do candidato à presidência da extrema-direita, Jair Bolsonaro. Bem posicionado em todas as pesquisas eleitorais e deputado há mais de três décadas, Bolsonaro ocupa vaga na Câmara dos Deputados e muito conhecido pelo nepotismo ao colocar seus filhos para igualmente parasitar a política. Abaixo da tenda do circo de terror, maculando obrigações constitucionais, militares oportunistas não tem mais vergonha em aparecerem abertamente propagandeando uma ideologia protofascista. Generais demagogos usam as redes sociais para pregar sem o menor pudor uma "intervenção" contra os tais "políticos corruptos" para "salvar o Brasil". Esperando com muito ardor o caos social e sem nenhuma punição por ferimento constitucional, é crescente a arrogância prepotente de setores militares por aventuras autoritárias para se posarem de "heróis da pátria"!


A política do ódio tem como objetivo primordial ampliar a sensação de perda, orfandade e insegurança e avidamente construir uma aderência ao autoritarismo da segurança e controle social. Neste campo, a grande mídia, em particular a Rede Globo são responsáveis diretas pela efervecencia de um reacionarismo alucinógeno, agressivo e que fomenta sistematicamente desde 2013 ataques diretos ao PT, o ex-presidente Lula, a classe política e a idéia da “generalização da corrupção”. A democracia brasileira, a impregnação subliminar (muitas vezes, escrachado!) de um discurso autoritário, seria o mal que gera “políticos corruptos” e somente poderia se livrar desta moléstia com “autoridade”. Não é a toa a mudança de narrativa: quando interessava derrubar Dilma, o discurso era manifesto com a idéia do “PT ladrão”. Agora, com um país em crise de governabilidade e caos econômico, o discurso foi substituído por “político é tudo igual”. Portanto, com uma classe política em franca decadência de legitimidade do pós-golpe, surge os “patriotas do coturno”. O país está flertando erraticamente para soluções salvadoras e autoritárias. Sintomaticamente, observa-se efeito claro da "política do ódio" impregnada pela grande mídia na sociedade desde 2013 com a campanha anti-PT e a dispersão de elementos autoritários via apologia ao mercado como grupos organizados de extrema-direita que infestaram as redes sociais e transbordaram no liame político e social. Um outro sintoma é o movimento chamado “Escola sem Partido” que ataca majoritariamente professores em nome dos “bons modos e costumes” e grupos reacionários juvenis como o MBL e o Vemprarua, alimentados com verbas dos setores mais conservadores da sociedade, partidos da direita e ONGs estadunidenses.


O Brasil segue a deriva, às portas de um clássico golpe militar, mais uma vez, por pura ganância de facções alojada no poder econômico em busca de lucros fáceis nas costas de trabalhadores precarizados. Diante do circo com muita alucinação e irresponsabilidade (não há falta esta amalgama de combustível!), surfa na onda parte de uma esquerda, afoita para embarcar mais uma onda aventureira revolucionária da fase oral freudiana tal como foram as delirantes "jornadas de junho" de 2013. Retrato de uma série de protestos originados de protestos contra passagens de ônibus em São Paulo e espalhou-se pelo país, onde toda a horda de "patriotas" e reacionários tomou o país numa onda de "indignação seletiva" (leia-se, contra o PT) de um rastilho de autismo político promovida pela Rede Globo e seus comparsas midiáticos. Resultado: golpe institucional contra Dilma em 2016, um retrocesso reacionário histórico, prisão do ex-presidente Lula, o principal líder da oposição e líder nas pesquisas eleitorais para presidente, o país no fosso econômico e o estado de exceção abrindo as portas tétricas à um novo golpe militar.



3.     Perigo do tamanho de um caminhão sem freio


Em meio a todo este cenário, temos um Judiciário que foi um dos protagonistas fundantes do golpe de estado de 2016, impôs um estado de exceção descartando premissas constitucionais e se sentiu no “apogeu” diante da prisão ilegal e sensacionalista de Lula. O governo golpista de Temer apodreceu desde a sua usurpação da cadeira de Dilma e está em acelerado estado de decomposição. É preciso cautela com o jogo midiático e refletir para além do senso comum da política com visão de papo de botequim tão impregnado nos setores da classe média. Já cansamos de ver este filme com o golpismo de generais assassinos no golpe de 1964 e, observa-se que após mais de cinco décadas, parte significativa de setores da sociedade ainda está avida por trágica reprise.


O atual caos patrocinado pela horda de caminhões nas estradas criando um clima de medo e desabastecimento em todo o país é muito significativo e perverso. É primordial leitura de conjuntura e estratégia política para que os setores mais esclarecidos da sociedade não fomente o discurso do ódio e o país caia como um “pato” novamente na armadilha preparada pelos setores mais reacionários que desejam o aprofundamento do caos e utilização de medidas autoritárias de exceção. É preciso não correr na pista como um caminhão desgovernado em uma pista completamente esburacada! Há momentos que precisa avançar e saber também recuar diante das circunstancias que envolvem um perigo ainda muito maior dentro de um cenário de forte reacionarismo e obscurantismo psicológico. O jogo do momento é muito complexo e resultará no futuro imediato do país.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A ilusão eleitoral do pós-golpe: Boulos é o “cara legal”, mas não é alternativa real para a “lulodependência”



Nesta segunda-feira, 07/05, Guilherme Boulos, candidato à presidente pelo PSOL, foi o entrevistado no programa "Roda Viva" da TV Cultura, estatal do governo do Estado de São Paulo e controlada pelos tucanos do PSDB, partido-fundador do golpe de 2016. Foi bem, como um bom samaritano, proferiu palavras de esperança e afeto, lançou sua candidatura de então "ilustre desconhecido" para o público de São Paulo e teve que aguentar os grotescos dispartes neoliberais dos papagaios de pirata de alguns “entrevistadores” que a todo o momento dispararam galhofas e perguntas. Ressalta-se que Boulos, o nome protagonista do MTST, se mostrou com um discurso comprometido no campo das esquerdas e, fato esse, é muito louvável diante da perversão protofascista da onda conservadora que assola o país desde 2013!

Mas há problemas sérios na construção de uma possível “alternativa Boulos” para o campo das esquerdas. Questões em aberto que merece reflexão para pensar saídas factíveis para o impasse das esquerdas diante de uma tétrica conjuntura política pós-golpe. Uma questão introdutória seria: quem é Boulos e o que ele fez para merecer ser lançado como candidato à presidência? Marcelo Freixo, o deputado estadual carioca e sua prepotência "higienista" foi uma espécie de "inventor" da candidatura Boulos. Nitidamente para criar uma espécie de "Lula psolista" com a trajetória “atualizada” de Boulos, mas sem levar em consideração as conjunturas do pós-golpe em pleno estado de exceção e ataques protofascitas contras as esquerdas.  Neste cenário caótico após a queda de Dilma e desestruturação das esquerdas, Paula Lavigne, uma espécie de “empresária-socialite” da “esquerda festiva” tem seu dedo na “invenção Boulos”. Claro, a cúpula do PSOL vai jurar de pés juntos que “jamais pensou algo assim”, mas em tempos eleitorais, a sinceridade é um dos primeiros atributos a sucumbir. Para Lavigne, a esposa de Caetano Veloso, tanto faz apoiar Marina Silva ou Guilherme Boulos, o importante é “causar” em nome do fetichismo de uma pequena burguesia ilustrada do eixo Rio-São Paulo que julga ser “esquerda” com vivência em lugares “descolados” como o bairro paulistano da Vila Madalena ou o Leblon carioca.

É preciso fazer justiça: Boulos é uma grata e ótima promessa no campo das esquerdas, mas precisa passar pela vida pública minimamente e não ser catapultado logo para o Planalto. Em Política, toda fora de “ligação direta” soa como oportunismo descarado! Lembrando ainda o fato de Boulos simplesmente ter se filiado ao PSOL poucas semanas antes do anúncio de seu lançamento na aventura do Planalto. Até dias antes da sua filiação em 05 de março deste ano, Boulos articulava um esboço de partido o “Vamos”, possivelmente uma tentativa de mimetizar as conjunturas do “Podemos”, partido à esquerda espanhol, criado em 2014 que se popularizou rapidamente. O “Vamos”, com uma plataforma inicial altamente culturalista, não conseguiu ainda se transformar um partido político, que poderia ingressar alguns descontentes do PT, alguns outros nomes de setores progressistas e, possivelmente, o soterramento do PSOL. O mais incrível é que no dia 10 de março, ou seja, apenas cinco dias depois de sua filiação, Boulos era oficializado como candidato à presidência do país pelo partido!

Algumas questões que mereceriam maior reflexão, mas que agora se perdeu com o tsunami dos acontecimentos. Houve um real debate interno para encabeçar o nome de Boulos?  Certamente impossível dentro do prazo de filiação e escolha do candidato! Seria então Boulos uma “unanimidade” na política interna do partido? Pouco provável! E se sim, qual relevância tem Boulos para representar um nome para a presidência no campo das esquerdas? A possível justificativa cheira o odor do oportunismo. Não é prudente uma atitude desta natureza e soaria que o PSOL se transformou em um partido de aluguel para interesses particulares! Deixaremos a palavra aos então pré-candidatos a presidência pela sigla psolista, Plínio de Arruda Sampaio Jr. e Nildo Oriques.

Para um partido que sempre critica o PT por “não fazer crítica interna”, o PSOL está perdendo a oportunidade de seguir seu próprio conselho. Tais atos de "invencionismos" não são da natureza das esquerdas (ao menos, não deveriam ser!), mas sim da Direita que fabrica nomes oportunistas para criar um "fato novo" e ludibriar o eleitorado. Não estamos em momento laboratorial para brincar com tubos de ensaio com nomes se nenhuma "musculatura" diante de terríveis acontecimentos que estão fazendo o país retornar às condições surreais e lastimáveis. Pior ainda é o nome da vice da chapa de Buolos, Sonia Guajajara, uma ilustre desconhecida para a imensa população brasileira, cujo único fator de relevância política é a “identidade indígena”. Sintoma exemplar dos delírios pós-modernos do culturalismo identitário que intoxicou o campo das esquerdas, em particular, o PSOL. Tudo tão lindo, angelical e romântico, se não fosse uma questão torrencial que precisa sempre ser ressaltada: estamos sob um golpe de estado via estado de exceção e não um campo idílico da edificante democracia nórdica dos bons, brancos e puros de coração!

Na prática, tanto Buolos do PSOL quanto a outra “invencionice” do PC do B, a candidata que se comporta mais com uma garota-propaganda de si mesma, Manuela D´Ávila, tudo indica, não conseguirão juntos 2% das intenções de voto do eleitorado.  Ambos são muito fracos e é muito preocupante ao ver que todo o campo das esquerdas “não-petista” se reduziu a um rapaz desconhecido com uma trajetória um tanto obscura via MTST e uma garota narcisista cuja beleza estética sempre lhe renderam mais simpatia do idéias críveis para a realidade mundana! 

Existe ainda uma “esquerda” sem o PT no campo eleitoral? A realidade mostra que não, apesar do massacre sistemático e midiático imposto ao PT e aos seus principais membros desde as jornadas de inverno em 2013 que fizeram levantar todo um circo de horrores autistas na política, entre  zumbis e protofascistas da direita que culminou no golpe de 2016. Todavia, a candidatura de Buolos poderá ganhar maior envergadura se Lula for impedido por definitivo de se candidatar por via da manobra golpista de um Judiciário que age com às rédeas do estado de exceção e, claro, se o PT apoiá-lo! Medida que na prática será pouco provável diante de uma eleição marcada pela farsa jurídica da prisão de Lula para impedi-lo de concorrer ao Planalto e o caos político pós-golpe.  Caso o Lula for definitivamente impedido, que é o cenário mais provável, o PT deverá então lançar candidato próprio conforme indica sua cúpula. Um nome forte que possivelmente poderá surgir é do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.  Todavia, será um jogo suicida apresentar um candidato às vésperas de uma eleição, em outubro. Uma composição com Ciro Gomes é a alternativa cada vez mais distante, pois o próprio consegue inviabilizar qualquer aliança entre as esquerdas com seu temperamento explosivo, arrogância autoritária, posicionamento neoliberal e “surfista” de partidos políticos com mais de sete siglas a começar pelo PDS (Partido Democrático Social), partido que sucedeu a Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido que dava sustentação à ditadura civil-militar no brasileira (1964-1984), passando pelo PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS até chegar o atual PDT. Entretanto, é importante compreender que diante da atual circunstância conjuntural, uma candidatura “puro sangue” de esquerda será praticamente impossível de ser eleita. Entre o “ideal” e o “real” existe um fosso chamado “estado de exceção” no país.

É importante salientar que o golpe de 2016 jogou o país um profundo fosso político. Nem mesmo, no campo dos golpistas, no momento, não há um consenso de um nome para levar o projeto de poder golpista até o Planalto pela via da ilusão eleitoral. Diante do fosso do pós-golpe, as esquerdas só tem um nome possível, com chances reais de vitória que é de Lula. Gostemos ou não! Levando em consideração que as esquerdas, ou seja, os principais partidos dentro deste espectro, querem realmente algo importante diante do cenário político turbulento, é preciso mais pragmatismo e menos alucinações inócuas e irrealistas.

Com todo o respeito que vem merecendo, Buolos, o neófito em pleitos e seria muito melhor como um futuro parlamentar, é aquele cara muito bacana que todos gostam para bater um papo e tomar um café, mas não para liderar o país em um dos momentos mais críticos de história recente. Um erro crasso que o fragmentado campo das esquerdas não fez e evitou ao máximo fazer: construir uma alternativa real, dentro dos limites impostos pelo golpe de 2016, ao poder sem cair na “lulodependência”.

O cenário político brasileiro seguirá confuso, turbulento e nenhuma hipótese poderá ser descartada, inclusive ações mais dantescas possíveis, como um novo golpe militar. Sequer as eleições de outubro estão declaradamente seguras diante do banditismo jurídico com total insegurança jurídica que “escolhe” quem pode ou não participar do pleito. O fosso político capitaneado pela grande mídia golpista no processo de “negação da política” e parindo figuras nefastas como Jair Bolsonaro que ainda goza de grande “intenção de votos” em pesquisas eleitorais, segue trágico imperando sem cessar na sociedade brasileira. Apesar de tudo que foi relatado, parece que as esquerdas ainda não se deram completamente convencidas desta realidade. A possível eleição de outubro não será a tábua de salvação do Brasil, mas um fracasso retumbante das esquerdas amarradas à ancora dos erros estratégicos jogará o país para um cenário mais dantesco do que já estamos sobrevivendo. A Caixa de Pandora dos pós-golpe se abriu e não há mais margem para os amadorismos e a falta de senso de realidade da macropolítica no campo das esquerdas.

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