sexta-feira, 27 de março de 2020

COVID-19: A IMPORTÂNCIA DO ISOLAMENTO SOCIAL NO ENFRENTAMENTO CONTRA O CORONAVÍRUS NO BRASIL



É fundamental compreender a importância do isolamento social para preservação do maior número de vidas possível.



O que é? 

O isolamento social, ou seja, a reclusão de pessoas em seus próprios domicílios dentro um determinado limite de tempo, objetiva retardar a velocidade do contágio da covid-19. Em alguns casos específicos, o isolamento social poderá até mesmo bloquear momentaneamente o vírus da doença em algumas áreas geográficas.




Para que serve?

É fundamental atenuar a curva de crescimento que representa a velocidade de transmissão do coronavírus de pessoa para pessoa. O isolamento social serve fundamentalmente para que muitas pessoas não se contaminem ao mesmo tempo e não precisem usar os serviços hospitalares todos ao mesmo tempo dentro de curto espaço. Se todos precisarem de atendimento hospitalar simultaneamente, não haverá possibilidade física ou logística para internar pacientes graves. Por maior que seja a expansão do número de leitos hospitalares, não será possível atender a todos os possíveis doentes ao mesmo tempo correndo o risco de pacientes graves sequer conseguirem encontrar leitos disponíveis para serem atendidos.




Como conviver com esta realidade?

No Brasil, está evoluindo de forma ascendente a curva de crescimento da covid-19. Ainda não se chegou ao momento mais crítico que possivelmente ocorrerá a partir de meados do mês de abril.  Os casos de países afetados pelo efeito do covid-19 que optaram pelo isolamento social apresentaram resultados benéficos e foi refletido na atenuação do pico máximo de contágio.


Por mais desgastante e neurótico que seja o isolamento social, com possíveis consequências psíquicas e de ordem econômica, é o único meio, até o momento, disponível de uma sociedade conseguir diminuir a possibilidade de contágio entre as pessoas.

Não é preciso entrar em pânico, mas não se pode acreditar que a covid-19 é apenas uma “gripezinha”. É uma doença que afeta principalmente o aparelho respiratório e que, em casos muito graves, poderá levar a óbito. O número de mortes pela covid-19 é muito baixo e, no Brasil, a taxa de letalidade está abaixo de 3%, ou seja, para cada 100 pessoas que forem contaminadas, menos de 3 delas morrerão devido a doença.  Importante ressaltar que esta taxa de letalidade se altera de acordo com a faixa etária dos contaminados.

Não se deve ignorar os feitos da doença para os casos graves em pessoas acima de 60 anos de idade ou com alguma doença pré-existente (em especial, problemas cardiovasculares, pulmonares, diabetes e deficiências imunológicas). Em geral, na grande maioria das pessoas contaminadas, a covid-19 apresenta um quadro clínico semelhante a uma gripe comum. Porém, quem está contaminado, nem sempre apresenta sintomas da doença e poderá transmiti-la para outras pessoas e ampliar o número de infectados. Neste caso, sem saber a pessoa que está contaminada poderá ampliar o quadro de transmissão da doença.


O que faz a covid-19 ser a maior pandemia dos últimos cem anos? 

Entre 1918 a 1920, a pandemia do vírus influenza, conhecida como a “gripe espanhola”, infectou aproximadamente um quarto da população mundial na época. No caso da covide-19, a velocidade de contágio é a maior de todas as doenças conhecidas. A rapidez da transmissão entre as pessoas e a letalidade entre pessoas acima de 60 anos ou com problemas de saúde pré-existentes não possui parâmetros.



Um enfrentamento onde todos nós somos protagonistas


A economia é importante para a manutenção da vida, mas sem a vida não há sequer economia. Hoje, o mundo inteiro está (ou pelo menos, deveria estar) em enfrentamento efetivo contra a covid-19. Neste sentido, pensar a contaminação do coronavírus como um enfrentamento mundial será a melhor maneira possível que devemos encarar de forma responsável este novo desafio imposto para todo o planeta.


O contágio agressivo do coronavírus aprofunda o que teimamos, arrogantemente em não acreditar ou levar a sério. Todos nós somos frágeis, independente de cor, raça, crença partidária ou religiosa, gênero ou qualquer identidade que teima em nós distinguir uns dos outros. A doença do covid-19 mostrou-se, mais uma vez, que todos os humanos são seres frágeis e dependentes um dos outros, ou seja, somos seres coletivos e, ao mesmo tempo, precisamos transformar o respeito ao próximo como a única alternativa plausível de sobrevivência. Há certas obviedades que precisam ser sempre ressaltadas e nunca esquecidas!

Cuidar de si mesmo é cuidar dos demais com prevenções pessoais e isolamento social. Ressaltando, todos estão expostos à doença que poderá ter seus efeitos minimizados se cada um se conscientizar, se responsabilizar e fizer os devidos procedimentos básicos de higiene pessoal e cuidados com as demais pessoas.

Evitar aglomerações e, caso precisar sair de casa, minimizar o tempo e contato com demais outras pessoas. Sim, estamos em guerra, mas é um enfrentamento invisível, silencioso e sorrateiro.

Do ponto de vista estrutural, cabe aos governantes de cada país (e de forma coordenada entre si em larga escala) conduzir de forma responsável às políticas necessárias para conter o avanço da dispersão do vírus dentro do aglomerado humano. O isolamento social impõe sacrifícios de todos, mas também uma possibilidade singular para a reflexão. As grandes armas diante da pandemia do ponto de vista do indivíduo são o equilíbrio emocional, a serenidade, os cuidados de higiene e o respeito ao próximo. Ninguém se preparou para um momento tão indescritível de sua existência, mas a única tarefa que resta, no momento, é buscar fazer o possível para estar em isolamento social que terá duração de algumas semanas.

A vida não deve ser temida, descartada ou banalizada, mas valorizada com toda a consciência de sua efetiva importância. Deve-se ressaltar, toda a vida é importante e esta é uma das grandes lições que a ferocidade do coronavírus escancara mundialmente para todos! Mais do que nunca, é o momento de refletir valores, compreender a necessidade de pausar a velocidade da vida imposta pelo ritmo dilacerante do capitalismo, observar a fragilidade da existência e o olhar para dentro de si, os valores que fazem cada indivíduo viver e dar significado à sua existência.

Passada a tempestade, a solidão do isolamento social logo dará espaço para o reencontro com desejo do espaço coletivo. Com a união de todos aqueles que compreendem o valor da vida, venceremos e teremos fortalecido o sentido social de vivermos em coletividade. Será oportuno urgir visceralmente em cada um que se atente para o momento, um olhar responsável para a construção de uma vida coletiva mais socializante e de respeito à dignidade humana.  A importância da vida de um é à base da importância para a vida social de todos.

A solidão do cárcere voluntário será o combustível para a vindoura possibilidade de ampliarmos o horizonte da coletividade com ares mais humanos, mais fraternos e mais essencialmente cooperativistas.

(Wellington Fontes Menezes)

segunda-feira, 16 de março de 2020

APOCALIPSE BOZOVÍRUS: QUEM VAI PAGAR PELA CRISE?


O vírus da insanidade se alastrou no território brasileiro. Desde 2013, a caixa de Pandora foi aberta com todos os vírus da demência fantasiosa da direita radical que estava embolorando no armário. Em 2018 a sociedade assinou seu atestado da demência psicossocial elegendo o maior boçal do baixo clero da Câmara dos Deputados como o primeiro presidente miliciano do Brasil. 

O mais insano de tudo que está sendo visto de forma perplexa é observar que agora todos estes imbecis grotescos estão no poder! Gente tosca, xucra, ignorante que além de não ter mínima condição de manifestar alteridade, é incapaz de ter uma gota de lucidez perante tudo ao redor.

Paulo Guedes, o bicheiro fantasiado de super-ministro da Economia, é o maior jagunço no poder.  Em plena crise, o tosco Guedes quer impor mais cortes do financiamento público que até o mais liberal dos economistas com miolos sabe que isto é um tiro nos tímpanos! 

Mais uma vez, o gado que apoia um boçal psicopata miliciano na presidência foi para as ruas pedir para extinguir a liberdade de ir para as ruas! Qual país do mundo que populares vão as ruas pedir fechamento do Congresso e o STF e baixar uma "ditadura"? O Brasil é um caso patológico! Além de toda esta demência do bozofanatismo, não há parâmetros para tanta insanidade em um momento que o mundo passa por um pandemia de um vírus que não se tem um conhecimento completo de sua ação territorial e destrutividade.  

Diante de um cenário de nova crise do capital e as bolsas do mundo derretendo, estamos reféns dos seres mais boçais e desprezíveis desta nossa perversa sociedade! 

"Crise" é a palavra ordem de um mundo que adora flertar com ela! Como sempre, historicamente, quem paga a conta das crises cíclicas do capital são os trabalhadores e os miseráveis que são os mais vulneráveis. As vidas de milhões deles nada significam para os pervertidos milionários que concentram quase toda a riqueza do mundo!  Ninguém, nenhum chefe de Estado, ousou, até agora, balbuciar a respeito, por exemplo, de taxar as grandes fortunas ou ir em direção ao confisco de bens e capitais dos grandes sonegadores dos Estados nacionais. Sabidamente, milionários sempre ficam muito bem protegidos pelo aparelhamento estatal operado por suas tropas de choque igualmente muito bem compradas com dinheiro especulativo. 

No caso brasileiro, em plena crise que beira o surrealismo, toda a sociedade fica refém de uma classe de desmiolados no poder sendo apoiados por um segmento social que é desprovido de quaisquer operações do córtex cerebral. 

O cenário interno e externo é de grande preocupação. A ação para reverter esta desordem ainda se mantém distante e pouco se sabe o que fazer diante de todo o caos instalado. A falta de compreensão e inação do momento vivenciado por parte do segmento que mantém alguma lucidez na sociedade é a arma que se nutre os perversos psicopatas que parasitam o poder. Não há horizonte de sociabilidade possível com um milícia de insanos no Planalto que ditam as ordens espúrias e debocham todos os dias do sofrimento social em um país que se desmancha paulatinamente. 

Salvador Dalí, o grande nome do Surrealismo, ficaria surpreso com a sociedade brasileira bozofascistizada. A distopia é aqui!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A NATURALIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA BARBÁRIE


Uma das grandes desgraças da ascensão do jaguncismo fascista de Bolsonaro ao poder é a naturalização da barbárie como mecanismo de operação da vida em sociedade.

Entretanto, tal mecanismo é tão velho quanto o estéril debate sobre o sexo dos anjos ou o formato geométrico da Terra. Exceto no período da perversão assassina da ditadura militar, ele nunca foi tão institucionalizado em um regime democrático como agora está acoplado ao grupo grotesco que dá sustentação às insanidades de Bolsonaro.

Em pouco mais de um ano com a faixa presidencial, Bolsonaro já falou tantas patifarias que é impossível listá-las minimamente nestas linhas. Salvo alguns raros momentos de indignação da imprensa com a profunda grosseira do presidente com o cordão umbilical ligado às milícias criminosas do Rio de Janeiro, tudo vêm sendo conduzido com a maior complacência da sociedade (leia-se, burguesia e setores das classes médias), da grande mídia corporativa e dos demais poderes do que restou da república pós-golpe de 2016.

O país se acostumou rapidamente a naturalizar as escrotices de Bolsonaro como se fosse à coisa mais habitual do planeta Brasil! O parâmetro quando se coloca uma figura tão despreparada e abjeta no mais alto cargo público do país é que todos abaixo dele poderão repetir seus feitos imbecis e não terá nenhum elemento impeditivo.

De um ponto de vista psicanalítico, o superego descolado no lastro social não fomenta a Lei necessária que produz laço como requer a convivência no liame social. Desde um microbiano ministro da Educação que ofende sistematicamente estudantes à vigarista que apresenta programa em televisão aberta que ofende jornalistas dizendo que "todos são maconheiros"! A escrotice jagunça virou o parâmetro da comunicação entre os viventes nas terras de Pindorama. Fazendo uma rasteira analogia de um velho ditado popular, no Brasil da horda miliciana de Bolsonaro, a banana come o macaco.

Vem sendo esquartejado qualquer parâmetro de mínima racionalidade e sociabilidade a tal ponto de assistirmos anestesiados o próprio Bolsonaro postar em suas famigeradas redes sociais apoio explicito à uma suposta "convocação cívica" para uma manifestação abertamente golpista cujos objetivos delinquentes são fechar o Congresso Nacional, suspender garantias constitucionais e impor uma ditadura nos moldes do jaguncismo bolsonarista. Por sinal, tamanha aberração dentro de uma democracia razoavelmente em funcionamento era motivo imediato de cassação de mandato de qualquer eleito pelo sufrágio popular!

Não é possível aceitamos passivamente sem uma gota de reflexão responsável a naturalização da barbárie  na sociedade de forma a contaminar todos os níveis de sociabilidade. O risco é a ampliação do frágil, assimétrico e tácito contrato social o que rege a vida em sociedade do ponto de vista da ampliação da endêmica violência.

Os bizarros episódios do motim de milicianos de cepa bolsonarista disfarçados de policiais militares no estado do Ceará resultaram, direta ou indiretamente, em um dantesco saldo de quase duas centenas de pessoas assassinadas em um espaço de poucos dias. Um mórbido quadro que demostrou a dimensão da barbárie apoiada pelo nefasto presidente da república e silenciada coniventemente por todos os demais poderes.

A oposição de esquerda e os sindicatos no Brasil viraram purpurina, confete e serpentina no "carnaval da resistência". A burguesia nacional se agarrou cega e insanamente às birutices de um jagunço dublê de bicheiro que se passa como ministro da Economia que não sabe nada de Economia, exceto parasitar o mercado financeiro para auferir vantagens para seus bolsos.
Com o nível de desemprego estratosférico e pauperização crescente, a classe trabalhadora vem se contentando voluntariamente em ser afanada de seus direitos básicos e sobreviver de forma mutilada achando que o destino-manifesto da vida de servo da rapinagem do capital é se tornar o glamourizado e precário "uber"!

Para colocar uma cereja apodrecida no bolo da desfiguração nacional, o Brasil derrete sua credibilidade a cada dia com posições cada vez mais covardes, submissas e patéticas no cenário da diplomacia internacional e, pior ainda, Bolsonaro transformou o Itamaraty em embaixada dos velhacos inferninhos da região da boca do lixo da Paulicéia bem paulistana!

Um Brasil em transe é o sustentáculo para toda uma celeuma psicótica de elementos que irriga a pavimentação da barbárie naturalizada. Todo este cenário foi amplamente alertado, escancarado e desenhado durante as fraudulentas eleições presidenciais de 2018, porém os ouvidos insanos e apoiadores da barbárie fizeram questão de serem cinicamente tampados.

Ficamos reféns de nossa própria estupidez grotesca e a conta salobra não demorou a chegar! É preciso acordar deste imenso pesadelo antes que possamos internalizar que a barbárie é "inevitável" como processo social.

É fundamental recusarmos a nossa "animalização" do darwinismo social imposto pelos seres mais monstruosos do país. Não merecemos tamanha destrutividade em nossas vidas e em nossa sociedade cuja burguesia aposta no esmagamento das classes subalternas como obsessivo mecanismo de controle psicossocial. Sim, só para variar, é a velha e sangrenta luta de classes fervilhando como sempre e com uma horda de sociopatas no poder.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

É FUNDAMENTAL DERRUBAR O MAIOR IMBECIL DO BRASIL NO PODER




Bolsonaro é uma farsa completa parida por uma conjectura golpista que foi escancarada desde 2013.

A própria incompetência política misturado com uma ingenuidade poliana e soberba do PT permitiram bem debaixo do próprio nariz que uma quadrilha instalada no Ministério Público e setores da Polícia Federal arquitetassem com juízes da extrema-direita oportunista um teatro chamado "Lava Jato". A partir daí, fortaleceu a pandemia de fanatismo midiático que jorraria na sociedade a celeuma paranóica de que o maior problema do país seria a tal "roubalheira do PT".

Acuado e sem reação, diante de toda a grande mídia disparando sensacionalismo falseado intenso e covardemente, o PT foi incapaz de construir um discurso de defesa de si e da gestão dos governos petistas.

O resultado trágico foi o golpe de 2016, a imposição do estado de exceção alavancado pela cúpula do judiciário e com ele todo o sortilégio de retrocessos econômicos e sociais. Deve-se lembrar de que desde o primeiro ano de Lula, o seu governo buscou melhorar com todas as dificuldades possíveis. Reitera-se que o período petista não foi nenhum paraíso terreno de Pindorama, mas foi o cenário mais favorável possível das últimas décadas. Para qualquer dúvida flertada pelo senso comum de uma criança na fase oral freudiana, basta analisar as estatísticas e reportagens responsáveis do período.

A retomada do controle do Estado de forma absoluta e sem concessões de classe, por parte da burguesia se deu com a derrubada de Dilma Rousseff com um golpe de estado disfarçado de "impeachment" e entregue as rédeas no instável e desastroso governo-tampão de do vice de Dilma, Michel Temer. A partir daí, oficialmente, foi o início do contra-reformismo anti-petista e a instalação da agenda ultraliberal que se estendeu até a tumultuada eleição fraudulenta do ser mais abjeto da política nacional, o bufão da política do baixo clero, Jair Bolsonaro. Lembrar ainda que a farsa representada pela prisão de Lula, que liderava todas as pesquisas de opiniões colocou meteoricamente Bolsonaro na liderança e vitória, particularmente a encenação de outra farsa: a facada de Juiz de Fora.

Em quaisquer circunstâncias normais, uma figura tão tosca e caricatural como Bolsonaro dificilmente seria eleita para qualquer cargo majoritário. Todavia, a burguesia que nunca teve apreço pela questão nacional, diante da fragilidade das candidaturas neoliberais conhecidas, apostava naquele que poderia trazer o caos e, com o caos, as desculpas esfarrapadas para aprovar uma monstruosa agenda ultraliberal de desertificação de qualquer projeto de país em nome de lucros voláteis e imediatistas.

Imerso em um caldo catastrófico de um obscuro "medievalismo" inédito no Brasil, Bolsonaro se tornou a voz bizarra e delirante de uma pequena e histriônica parcela da sociedade brasileira cada vez mais fanatizada por mafiosos evangélicos e que se assume escancaradamente perversa.

Diante do caos, os partidos de esquerda se perderam como instrumentos de oposição à extrema-direita de alucinação bolsonarista. Com discursos narcísicos, fetichistas, neoliberais, anti-intelectuais e, até mesmo, anti-marxista, parte significativa das esquerdas, em particular, a culturalista-identitária, viraram uma caricatura incompreensível para os trabalhadores e, estes, por sinal, se encontraram órfãos e "traídos pelo PT" diante da narrativa midiática do ódio anti-petista.

Salienta-se que toda orfandade política é sempre capturada por um discurso extremista, daí a projeção midiática de Bolsonaro que de um completo boçal deputado federal foi catapultado meteoricamente para o Planalto.

Nesta última terça-feira, 24 de setembro de 2019, todos os temores do desastre do discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi confirmado: não há registro na história do Brasil de um presidente tão desqualificado quanto o do representante das milícias fluminenses na Câmara dos Deputados lançado como chefe do Estado brasileiro.

O pesadelo bolsonarista brasileiro precisa ter um fim para minimizar a angústia geral da nação. Bolsonaro tem que ser barrado agora, imediatamente, para que o país se livre de um delirante estorvo desastroso e, ao mesmo tempo, seja possível minimizar a humilhação histórica que o Brasil vem sofrendo pelo planeta desde a posse dele.


sexta-feira, 2 de agosto de 2019

PROFETAS DO SENSO COMUM EM PROL DOS PERVERSOS


Adorável um presente e alarmista covardia intelectual frouxa que só regurgita senso comum niilista e não tem nenhuma capacidade crítica de desvelar a realidade arreganhada nas esquinas das cidades onde a voraz estrutura metabólica do capital tritura sem piedade seus trabalhadores!
Há uma "turma" sintomática de pseudo-intelectuais ou pseudo-críticos contemporâneos que fazem muito "sucesso" nas "rodas de conversas" de parte da "intelectualidade". Até mesmo as quais parte das esquerdas abraça com desespero patético qualquer modismo de momento para chamar de "meu guru". Vale ressaltar que as estratégias mais efêmeras das esquerdas sempre formam mimetizadas pelos chacais mais astutos da extrema-direita e alimentaram (e ainda são nutridos) mecanismos de conquistar adeptos à causas extremistas da direita.
A "crise da razão" como muitos pregam, esquecem que o cerne desta crise é do modelo de capital que não quer mais tolerar mais nenhuma "conciliação de classe" denominada amplamente de "democracia". A tal "turma" dos descolados coveiros dos trabalhadores não passa de um bando de burgueses que satisfazem seus egos ao serem os arautos da propaganda da morte dos mais fracos. Por sinal, tais coveiros são incapazes de ousar questionar os modelos de realidade impostos para satisfazer um desejo destrutivo dos detentores reais do capital.
"Naturalizar" a perversão e dizer que estaria inevitavelmente tudo "terminado". Diante do contexto, é desconhecer de forma leviana os intrincados caminhos da História e das formulações metabólicas do sistema capitalista e, por sua vez, a força das lutas sociais.
O último "pensador" que disse que a História havia "terminada” foi liberal estadunidense Francis Fukuyama e ideólogo conservador, publicado em 1989 e repercutiu nos anos 1990. Diante da realidade atual, o próprio já voltou a atrás do seu cretinismo determinista onde dava como certo a supremacia da democracia neoliberal a la estadunidense.
O artigo do historiador camaronês Achille Mbembe[1] segue a mesma linha conformista com viés maníaco-depressiva e suicida que nada acrescenta a reflexão crítica. Pior ainda, alimentam um clima de desmotivação e enfraquecimento para a luta dos trabalhadores em busca da própria sobrevivência em tempos da ascensão dos modelos autoritários para preservar os lucros dos capitalistas.
Para estes oportunistas midiáticos de mercado, é sempre muito mais fácil propagandear proselitismos identitários vitimistas e manter intocadas as fundações do poder da escravidão real que arde nas estruturas da perversão capitalista.
O derrotismo acovardado contribui tão somente para satisfazer o jogo psicológico da opressão, ou seja, a adesão voluntaria dos trabalhadores para serem engolidos pelas estratégias da burguesia. Por sinal, tais estratégias sempre foram de minar, primeiramente, a auto-estima e depois, se ainda resistir, a destruição física de todos aqueles que ousarem a confrontar as ideologias de um modelo estruturalmente perverso.




[1] O artigo foi publicado, originalmente, em inglês, no dia 22-12-2016, no sítio do Mail & Guardian, da África do Sul, sob o título "The age of humanism is ending". Disponível em:  http://www.ihu.unisinos.br/186-noticias/noticias-2017/564255-achille-mbembe-a-era-do-humanismo-esta-terminando

quarta-feira, 29 de maio de 2019

UM BRASIL À DERIVA

(Manifestante em Belo Horizonte em apoio a Bolsonaro no ato de domingo, 26 de maio.)

Em apenas cinco meses desde o seu início, não há registros que um governo eleito pelas urnas implore para seus mais fiéis eleitores vá as ruas defender sua administração.  Jair Bolsonaro assinou o decreto de sua total incompetência em lidar com a governabilidade ao clamar aos seus seguidores ortodoxos para defender seu desgoverno. 

Um tiro de bazuca no pé em quaisquer circunstâncias fossem elas processadas nas ruas. Todavia, a esvaziada micareta da promoção do ódio e da barbárie deste domingo não foi a favor exatamente do desgoverno de Bolsonaro. O paradoxo se instala uma vez que seus participantes foram apoiar apenas a figura "mítica" do Bolsonaro e tudo que ele barbariza no Twitter escrito pelo filho interneteiro, o Carlos. O desgoverno Bolsonaro e o próprio Bolsonaro foram separados, como se fossem duas entidades completamente distintas pelo messianismo da ignorância do jaguncismo verde-amarelado. Uma procissão fantasmagórica que tem como Bolsonaro sua santidade ungida pelo deus da máfia de Edir Macedo e seu escudeiro Sancho Moro, o ex-juiz que unica coisa que fez na vida foi exibir sua tara obsessiva por Lula. 

O mais sintomático dos peregrinos da insensatez bolsonarista é o "esquecimento do PT" e o ataque direto aos apoiadores e ex-afetos do Bolsonaro, tais como o MBL, o grêmio estudantil de jovens fascistas que parasitou a onda de ódio anti-PT, um dos primeiros apoiadores do Bozo e que alguns dos seus membros foram eleitos na onda Bozo. Os ataques dos peregrinos de ontem também incluiriam o Congresso Nacional, o "Centrão", ou seja, o grupo de congressistas pró-Bolsonaro que estão descolando do seu ex-"mito", o presidente do Congresso Nacional na figura de Rodrigo Maia, o STF, além de apoio a Reforma da Previdência para destruir direitos. Como louca pouca é bobagem, apoio aos cortes de verbas na Educação e contra as universidades!

Neste caldo de total insanidade turbinados por robôs eletrônicos e fanáticos da extrema-direita pelas redes (in)sociais, Bolsonaro mostrou que não quer mais governar. Logo, resta a ele três caminhos: o mais curto, a renúncia; a espera de um impeachment; ou ainda uma tentativa de um golpe de estado clássico com apoio de militares (que já demonstraram não estarem dispostos a tal feito no momento). 

De qualquer modo, Bolsonaro pariu sua própria ingovernabilidade, sem rumo e sem lastro. Neste cenário de total incerteza, Bolsonaro cada dia perde mais apoio e os brasileiros afetados pela ignorância política começam a sair da abdução bolsonarista. Diante dos fatos, única coisa que a burguesia brasileira quer e espera do Bolsonaro é a Reforma da Previdência. Se for votada, o "mito" ganhará sobrevida, caso contrário seu descarte será antecipado. Contudo, o Brasil está soterrado pelo mar de lama alucinógena do desgoverno. O cenário futuro é a própria  incógnita!


segunda-feira, 20 de maio de 2019

O CAPITALISMO NÃO É UMA ABSTRAÇÃO FANTASMAGÓRICA!


A abstração no campo da Política é um péssimo condutor para uma via reflexiva em momentos que exigem maior densidade de compreensão de fenômenos críticos na sociedade. Toda ação real somente poderá ser operada dentro da realidade concreta dos fatos. O capitalismo foi criado e continua sendo gerenciado por pessoas físicas (que podem e, geralmente estão, fantasiadas pela couraça de "pessoas jurídicas”) e não por abstrações fantasmagóricas como a "entidade mística" do "dinheiro" ou do "sistema”.

Ao dizer que é o "dinheiro" que controlaria os processos da democracia, como afirmou o eminente estudioso do capitalismo, David Harvey em sua entrevista na "Revista Época", redundou em um equivoco desnecessário e reducionista!  Quem ou o que seria o "dinheiro"? Uma entidade metafísica, imaterial, fenomenológica e paranormal? Certamente que não! O dinheiro é o elemento simbólico em essência que dá fluido nas relações socioeconômicas e permite a circulação de poderio econômico com voraz rapidez e magnitude.  Quem detém o poder de concentração do dinheiro? Em linhas gerais, são e continuam sendo os donos dos meios de produção material e seu aporte imaterial que é a financeirização cujas posses estão nas mãos de homens e mulheres terrenos.

Ao utilizar um termo “místico” como o dinheiro, Harvey ajuda involuntariamente mascarar com uma "abstração mística", os reais interesses de classes daqueles que detêm o poder econômico e que interagem para sistematicamente sabotam o "sistema democrático".  Com todo respeito à David Harvey, tudo que esquerda e o pensamento crítico não precisam agora é caírem no desespero e no abstracionismo.

A sabotagem contra o sistema democrático é uma praxe constante nas sociedades ocidentais, em particular, aquelas associadas ao de capitalismo tardio, dependentes das variações externas e gerenciadas por instituições governamentais de solidez gelatinosa. Tal percurso acontece quando a burguesia sente perder as rédeas da condução do poder real na sociedade ou, quando é mais usual, segue com tranquilidade as regras que o próprio núcleo burguês que detêm o poder de concentração de renda e produção impõe para a dinâmica socioeconômica. 

Não há abstração que se sustenta no campo da Economia real. De fato, o que há na prática, os grandes esquemas operativos para mascarar (ou escancarar) a fluidez do capital e, por sua vez, a manipulação da concentração, circulação e retenção especulativa. Nunca deve se esquecer que é o lucro, acima de tudo e de todos, que sustenta a matriz lógica do sistema capitalista.

O embate entre as relações sociais materiais (formadas por indivíduos em número e sujeitos de auto-interesses) produz as classes igualmente materiais e suas formas de operarem dentro da sociedade. A democracia como forma de relação político-social, é visceralmente formada por ações sociais mediadas por uma fluida ideia de igualdade ancorada por sistemas de leis de proteção jurídica e física. A manipulação dos elementos ditos "democráticos" está na esfera de valores e desejos dos grupos sociais dominantes economicamente (o que se constitui no termo clássico de "burguesia").

Cabe aqui ressaltar os bons trabalhos de Harvey, mas ninguém está imune às críticas. Quando se evoca abstrações no debate político, opera-se um mecanismo subjetivo carregado de sintomas neuróticos e psicóticos no seio social de que "nada é possível de mudar", ou seja, toda dinâmica social é nula. Tal premissa é tudo que a burguesia, detentora do poder real, deseja projetar no imaginário social e, naturalmente, se consolidar.

O abstracionismo é o pior dos terrenos para o debate política e se constitui na certeza da derrota e a perda de referências de percepção sobre a realidade. Desta maneira, é um desserviço à reflexão de mundo e a luta contra as formas brutais (veladas ou não) de exploração e desigualdades socioeconômicas evocar abstrações que ao invés de desvelar as formas de operação do mundo material, apenas jogam mais areia nos olhos daqueles que continuam fechados (e muitos desejam com sofreguidão!).

(Wellington Fontes Menezes)


Para ler a entrevista de David Harvey à Revista Época, acesse o link:
https://epoca.globo.com/david-harvey-o-dinheiro-quemk-controla-processo-democratico-nao-asn-pessoas-23076538?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=compartilhar

A REAL AMEAÇA À SOBERANIA E À DEMOCRACIA BRASILEIRA: TRÊS VAGABUNDOS EM BUSCA DO PLANALTO

  É assustador que, diante de um processo eleitoral tão tétrico, haja tanta passividade na sociedade brasileira. Cada vez mais, a qualidade ...