sábado, 26 de outubro de 2024

MUDANÇA DE POLARIDADE


O catecismo identitário neoliberal, em particular, a Teologia Woke, empurrou a Esquerda para o pior dos mundos: assumiu uma pauta inócua fanaticamente culturalista e mordaz  conservadorismo moralista; se tornou inquisidora para o cumprimento do "politicamente correto"; um total abandono do campo econômico, da luta de classes, dos trabalhadores e, para a apoteose, se forjou como voluntariosa guardiã dos "bons costumes" de uma delirante ordem burguesa dos "descolados" e das "minorias". 

Enquanto isto, a Extrema Direita, sempre serva da ordem do capital, se posa de "anti-sistema", arauto da "mudança social" e da liberdade (sendo que isto, apenas signifique, um ultra-neoliberalismo a la Hayek e Mises).

Qual lado os trabalhadores pisoteados pelo neoliberalismo, os precarizados sem destino e os miseráveis sem vida terão maior simpatiza diante da zorra ideológica pós-moderna? 

(Wellington Fontes Menezes)

SINTOMA

 


A manchete é a síntese do que virou a Esquerda: uma grande nulidade.

Enquanto a Direita formata corações e mentes na classe dos trabalhadores e miseráveis à espera dos farelos assistencialistas, a Esquerda festeja em bloquinhos carnavalescos as neuroses de uma classe média descolada que se acha "progressista" com pautas sensacionalistas e moralistas.

Não foi apenas o Muro de Berlim que solapou e, tampouco, a desabamento da União Soviética. A Esquerda perdeu-se não apenas o rumo, mas, também, a memória política.

Hoje, temos o renascimento do pensamento neoclássico embalado na armadura draconiana do neoliberalismo. A pauta econômica é a hegemonia de um mundo onde os Mercados agem como se fossem um único Estado globalizado com fins privados.

A "guerra cultural", a doutrina woke, é um sintoma da decadência do pensamento e do posicionamento político da Esquerda.

Pouco importa o regime político ou grupos que assumem os governos, a agenda neoliberal domina todos os cenários.

(Wellington Fontes Menezes)

domingo, 8 de setembro de 2024

O SEQUESTRO DA RAZÃO

 


A Psicanálise, como criação de uma reflexão à partir da sociedade burguesa, tal como ferramenta seminal de Sigmund Freud, é de fundamental importância para compreender os dramas e as tramas do imaginário (consciente ou não) do chamado "homem burguês".

Nos últimos anos, o Pensamento Social, isto inclui a Psicanálise, vem sendo contaminado por uma caquética Sociologia do botequim, marejada pelo senso comum e operada por um discurso ficcional sobre a realidade brasileira.

Para este campo de retrocesso analítico, deu-se o nome de "Decolonialidade" (o termo em si já é uma bricolagem verborrágica!), ou seja, o pastoso discurso neoliberal da cultura "woke" estadunidense com ares pseudo-intelectuais que prima pela negação e distorção das Ciências e suas áreas sociológicas, imbuída de um binarismo tosco, senil e atroz entre "vítimas" e "vilões".

Assim como a Educação, a Psicanálise é calcada pela subjetividade em seus pilares e fundações teórica-arquitetônicas. Neste campo, a racionalidade dependerá do contexto empregado, uma vez que, a subjetividade dependerá de alguns mecanismos singulares, porém, mesmos assim, existem critérios de razoabilidade e limites, como todo o empreendimento científico.

É neste quesito que uma série de charlatões da vulgata "decolonial" se aproveitam para dispararem uma saraivada de pomposos discursos, sem valor substancial algum (em geral, embriagados da leitura vulgar de Michel Foucault), que nada tem de concreto, mas rendem falsas polêmicas e pode render muito dinheiro para os seus arautos de plantão.

Curiosamente, dentro da sedutora e autoritária onda identitária promovida pelo Grande Capital, como a impregnação de uma retrograda cultura nazista de supremacia racial às avessas, como a farsa doutrinária da "Pedagogia antirracista", os desvarios  maniqueístas dos "Estudos da branquitude", a fantasia da "Ancestralidade" (uma bizarra distorção deste conceito Antropológico) e o perverso "Constrangimento Pedagógico", trouxeram a  demência e o irracionalismo fascista para dentro das Ciências Sociais e a Psicanálise, onde o espaço de reflexão se tornou um boteco com petisco que promove um besteirol pseudo-acadêmico e uma perversa tentativa de fomentar uma guerra racial no país.

Os perigos do irracionalismo são conhecidos e incontáveis. Todos os exemplos da Alemanha de Weimar e o III Reich parecem que nunca foram aprendidos! Assim, como os países como Estados Unidos e Africa do Sul, que levaram suas políticas racialistas ao pé da letra com terríveis consequências.

No Brasil, a mequetrefe cópia de carbono da Decolonialidade estadunidense é o abandono da razão e da realidade histórica para abraçar uma fantasia projetiva de um Brasil colonial escravagista, uma disputa de senhores de engenho e escravos, congelado no tempo e no espaço. Para a seita decolonial, a cultura é estática, e não dinâmica! Uma verdadeira aberração conceitual manipulada para que seus chatalães decoloniais ocultem o metabolismo metamórfico do capitalismo e as lutas de classe.

Nesta decadente fabriqueta de alucinação identitária, o país se congelou no século XVIII, e sequer houve a proclamação da República e o capitalismo tardio que nos move até o momento. Delírio pouco é bobagem!

Para deixar a questão ainda mais adentro do sanatório, sequer a Psicologia e a Psicanálise tinham sido criadas para serem usadas nestas fantasias revisionistas colonialistas verborrágicas da Decolonialidade! Logo, como a Psicanálise pode explicar algo na qual ela não foi projetada e, ainda, mesmo que fosse possível, que valor, para a realidade atual, isto tem de fato?

Uma pergunta que merece destaque para finalizar este artigo. Afinal, se a Decolonialidade é um pântano de irracionalismo, por que ainda faz tanto sucesso?

A resposta é menos obscura do que aparenta. A Decolonialidade é uma cepa do irracionalismo pós-moderno, seu modo de operar é anti-marxista, por excelência, nega, vorazmente, a luta de classes e as relações capital-trabalho não existem, além de condicionar as pautas efêmeras e indolor na crítica do espantalho do "pensamento eurocêntrico" e as falsas querelas da sacrossanta tríade identitária (racialidade, sexualidade e gênero).

O Grande Capital percebeu o potencial desta seita decolonial pró-capital e passou a promovê-la, com forte veemência, grande aporte de recursos e sensacionalismo sofisticado. Neste sentido, o fascismo oculto da Decoloniedade coloca no chinelo às pseudo-teorias da Extrema Direita clássica.

Figuras, totalmente, irrelevantes intelectualmente saíram do subsolo da mediocridade para se tornarem arautos dos "novos tempos" do capital em estágio absoluto de dominação ideológica. Portanto, a hipocrisia de criticar o "pensamento eurocêntrico" e invocar uma fantasiosa África Subsaariana, mas se casar com europeu e adotar o sobrenome do marido europeu, como fez a rainha da "decolonialiadade brasileira", Lélia González, faz parte desta astuta e estratégia decolonial: fazer a crítica dos "brancos europeus", mas querer as benesses e o conforto, os títulos acadêmicos com medalha de ostentação e, o principal, o dinheiro que oferta o mundo do "branco europeu".

Não é a toa que, dentro do mundo acadêmico, o pensamento crítico vem cedendo espaço para esta seita decolonial neoliberal e seus charlatães de plantão com suas teorias estapafúrdias tão solidas como prego fincado na gelatina, que atacam o Marxismo e a racionalidade, e se mostram como as ferramentas auxiliares e ideológicas do Grande Capital, mais sedutora já criadas, negando toda a realidade histórica e distorcendo a compreensão das construções sociais.

Pensar a Educação e Psicanálise é fundamental para que os campos científicos evoluam e não caíam em armadilhas caricaturais, dogmáticas e sectárias. Todavia, jamais abandonar a racionalidade, a lógica analítica e negar a realidade histórica, sob o risco de transformar as Ciências Sociais e a Psicanálise em um grande parque de diversões da miséria cognitiva nutrida pelo senso comum e do charlatismo pseudo-científico.

(Wellington Fontes Menezes)


👉 PARA SABER MAIS: https://diplomatique.org.br/psicanalises-a-brasileira/


domingo, 1 de setembro de 2024

DECOLONIALIDADE E IDENTITARISMO: UMA GRANDE FARSA IDEOLÓGICA DO CAPITAL DO SÉCULO XXI

 


A Pós-modernidade, com sua vulgata irracional da decolonialidade, é uma grande e confortável fantasia maniqueísta da História, como se estivéssemos numa redoma do tempo e congelados no Brasil colonial, perfazendo um romanceiro de Pindorama.

Em todo o texto (vide o link abaixo), nenhuma palavra do autor sobre o capitalismo ou sobre sua existência no mundo, nenhuma crítica, nada, zero!... Bizarro!

Aliás, para a tropa de arautos identitários da fantasia mística decolonial, o capitalismo e suas aberrações sociais, os trabalhadores e as lutas de classes nunca existiram no planeta!

O "apagamento" (usando um bordão da moda!) da História, a partir do século XVIII, é assustador devido a tamanha grosseria destas pseudos-teorias decoloniais que se propõem a serem, de forma megalomaníacas, "revolucionárias e libertadoras".

Nesta linha irracionalista e delirante do pensamento pós-moderno que mistura rancor, negacionismo e ódio da História pela deturpação decolonial, só e, somente só, existiram (e existem!) foucaultianas "opressões" étnicas-raciais, racismo, "corpos oprimidos" e machismo! Todas as demandas e adversidades universais se convertem em maleáveis e inesgotáveis "preconceitos" e, portanto, os "culpados" (leia-se, "todos os brancos", seja lá o que signifique isto, em um Brasil estruturado pela miscigenação étnica) deverão ser punidos! 

Se não bastassem as loucuras maniqueístas decoloniais, há uma "tese" da seara do charlatanismo, tão cretina quanto insana, que afirma existir, historicamente e por séculos, um suposto "pacto de branquitude" de todos os tais "brancos" do Brasil contra os "negros". Além da sordidez desta falácia que é inexequível, tamanho "pacto" que só se imagina em uma teoria fantasiosa da conspiração, é de uma infantilidade medonha e grotesca.

É sempre muito mais confortável assassinar o pensamento crítico e arranjar fáceis "culpados" pelas agruras do mundo. Pois bem, para o estábulo decolonial, tudo é culpa do espantalho criado por uma imagética sensacionalista da matriz "homem-branco-hetero-eurocêntrico".

Sem nada substancial para propor, basta pregar mentiras e distorções da realidade. Os bordões decoloniais é um vazio de idéias, nada além de "culpa" cristã e culpados que deverão arder na fogueira decolonial... Tudo bem simples, binário e simplório, sem gastar nenhum dos neurônios. Ponto final!

Fica muito nítido os motivos pelos quais o Grande Capital injeta, sistematicamente, grande quantidade de dinheiro e influencia políticas públicas para patrocinar arautos da picaretagem que se propõem a serem parlapatões revisionistas da História.

Ademais, todo o sectário e nazista catecismo identitário "antirracista" e afins de supremacia raciológica dos trópicos está tomando espaço na Educação e na sociedade, em todos os seus âmbitos, produzindo uma geração de alienados e serviçais úteis para o capital.

Afinal, antes de embarcar na montanha russa do sanatório decolonial, é importante para compreender o mundo atual, quais os motivos que o Grande Capital se "interessa" por teses ficcionais da História, produzidos por fascistas clássicos, neofascistas e, agora, os atuais identitários decoloniais.

(Wellington Fontes Menezes)

 

👉 PARA SABER MAIS: https://outraspalavras.net/descolonizacoes/decolonizalizacao-o-desafio-do-pensamento-outro/

sábado, 17 de agosto de 2024

OS ESPINHOS DO ÉDEN NARCÍSICO


 

A práxis da liberdade, no sistema capitalista, é uma eterna e sedutora prisão voluntária. Eis o nível de regressão da maturidade dos sujeitos Pós-modernos na era da infantilização alienada da vida.

Na Ética Pós-Moderna, se faz necessário criar neologismos para inventar e justificar o encantamento apologética dos "corpos livres" (a bravata do delírio foucaultiano que impregnou o mundo acadêmico pós-moderno!) diante de currais para a diversão (supostamente, livres do fetiche dos "olhares preconceituosos") sob o véu da doutrinação narcisista sobre o vazio existencial.

Um exemplo peculiar é o bordão do neologismo da "não-monogamia", ou seja, a ficção verborrágica para o sujeito que é solteiro (ou solitário!), mas se acha tão importante para o "planeta Universo" que não poderá se vincular a nenhum outro ser ou grupo social. Tal bordão vai além do apelo sexual, mas se instrumentaliza na dissociação do sujeito diante da negação da sociabilidade.

Contudo, a observa-se o sentido da premissa do "Ser Livre", ou seja, o "Ser Insocial", não aderente à lógica da socialização humana. A patologia do umbigo é tão atroz que não se constrói vínculos efetivos nos laços sociais. Deste modo, toda a coletividade não se tornaria mais importante, uma vez que a sociedade, outrora "coletiva", seria construída apenas por indivíduos, remetendo a um conhecido aforismo provindencial da ex-Primeira Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, a rainha do neoliberalismo.

O narcisismo é, portanto, uma forma de doutrinamento e controle social arregimentado pelas rédeas sedutoras do capital. Nesta lógica de operação de manipulação de massas, se pauta a Educação neoliberal que coloca o estudante (sujeito esse que nada sabe e está na condição de aprendiz), como centro do mundo e, de antemão, um sujeito de suposto saber inato à existência!

Daí, tem-se o sucesso do "mito do empreendedorismo" na sociedade atual: o sujeito que se ergue, economicamente, por si mesmo, sem ajuda no malévolo "Estado". Premissa negacionista aplicada à exaustão, na Educação, em todos os níveis, que fazem Friedrich Hayek e Ludwing von Mises, apóstolos do ultra-liberalismo, contorcerem-se de gozo no jazigo do umbral do Inferno.

O narcisismo se tornou, no mundo da hegemonia neoliberal, um formidável instrumento de controle social. Muito além dos limites impostos por um psicologismo estéril, é preciso compreender o funcionamento das estruturas psicológicas como eficientes alicerces de domesticação dos sujeitos em um mundo onde o pensamento hegemônico neoliberal opera, silenciosamente, pela dissolução da própria sociabilidade.

(Wellington Fontes Menezes)


👉 Para aprofundar a leitura: 

https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/08/17/forro-nao-mono.htm 

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

TAGARELAS DA LACRAÇÃO: QUEM AGÜENTA TANTO INÚTIL FALATÓRIO NARCISISTA?


A mediocridade, arrogância e a fanfarronice são as marcas do excremento cultural que vegeta os últimos anos no Brasil.

A literatura brasileira virou uma xepa de feira das "escrevivências", ou seja, a amorfa auto-ajuda vitimizada. O enredo é, invariavelmente, o mesmo, onde o eu-lírico é o próprio autor, direta ou indiretamente, que induz o leitor a sentir piedade da dor e orgulho da "volta por cima" do auto-personagem, diante de um mundo sempre "preconceituoso". Logo, todas as agruras do mundo se tornam "vozes silenciadas". Será?

O eufemismo do "silenciamento" em voga na boca de lacradores, significa que é a hora e a vez do jaguncismo ser "ouvido" por todos! É o autoritário " narcisismo das pequenas diferenças", descrito por Sigmund Freud, imposto via autoritarismo egoico em detrimento da saúde mental alheia. É um espelho do que acontece nas redes sociais, onde a ignorância é o carro-chefe de sujeitos que nunca abriram um livro, mas se acham especialistas em tudo!

Itamar Viera é da turma de tagarelas lacradores que não tem, absolutamente, nada para dizer, exceto o choramingo da vitimização. Assim como a marqueteira lacradora-rainha, Conceição Evaristo, e as lacradoras-mirins, como a garota-propaganda Djamila Ribeiro, a figura non sense de Itamar Viera é fruto da desertificação da cultura brasileira e parido como mercadoria criada para consumo instantâneo de um segmento da classe média que pensa, pretensiosamente, ser intelectualizada e "progressista" por aderir ao ideário culturalista neoliberal.

Sem horizonte de futuro, o Brasil faz suas braçadas em um pântano que não encontra vazão para prosseguir. Estamos diante de um atoleiro, vivendo um dia de cada vez, onde a miséria cognitiva é resultante de um mundo onde o neoliberalismo se impõe como hegemônico e doutrinário. Todavia, em terreno onde o neoliberalismo se estabelece como via única, nada cresce, exceto a alienação e a ignorância da miséria humana.

(Wellington Fontes Menezes)

 

Para saber mais: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/a-literatura-abraca-historias-que-querem-ser-contadas-porque-nos-foram-negadas-diz-itamar-vieira/

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

UNICAMP JUSTIFICA OS DELÍRIOS DA EXTREMA DIREITA

 


É puro deboche da avacalhação identitária na UNICAMP: realizar uma "aula aberta" para ser "ministrada" por um ilustre desconhecido “funkeiro" metido a "intelectual do gueto". Afinal, do que se trata o saber da academia ou, sinteticamente, o saber universitário?

A questão não é “censurar” algum expositor, mas ter algum mínimo critério que faça jus do que é formada a academia e quais os compromissos que ela representa enquanto instituição pública ou que tem algum compromisso com o saber universitário. Pior ainda, são fatos, que vem se avolumando, quando as universidades, que deveriam privilegiar o saber técnico e o científico, tratarem tais sujeitos oportunistas e cafetões da mediocridade como grandes "intelectuais", ou, de forma mais abrangente, “intelectuais públicos”.

Temos aqui um obscuro e preocupante fenômeno da construção de sujeitos midiáticos, irrelevantes social e cognitivamente, como se fossem “intelectuais públicos”. No mundo do estrelato artificial e efêmero, surgem figuras que desfilam um flácido verniz de saberes, mas se vendem como "doutores" de si próprios, o micromundo do umbigo! Em nome de um populismo academicista, ou uma espécie de “vale tudo” como expressão de “conhecimento”, exalta-se uma pobreza reacionária fantasiada de “rebeldia” fetichizada.

O identitarismo, assim como boa e sedutora cepa do fascismo, procura fabricar seus “intelectuais” cujo conhecimento se limita apenas a se posar de vitimas e a tagarelar sobre o próprio umbigo. Portanto, se vale colocar um lacrador “funkeiro” cujo feito maior é ter milhares de seguidores em redes sociais para balbuciar narcisismo em “aula aberta”, logo, por que não poderá ter o mesmo “privilégio” as criaturas do naipe de um “beato” como Fernandinho Beira-Mar ou o Pastor Silas Malafaia? Assim, o dantesco impasse se forma, arrepiam até os pelos da extremidade mais opaca, porém, é preciso ser sanado!

Oras, se vale para uma forma de “fascismo colorido” do “politicamente correto”, deverá servir para as outras aberrações monocromáticas. E, paulatinamente, a universidade é corroída, diante da submissão covarde e silenciosa à ignorância da Caverna de Platão, doutrinada por uma boçalidade medíocre e tosca, de todas as frentes ideológicas, como base do conhecimento pós-moderno!

Trocando em miúdos, é a ética midiática pós-moderna do oportunismo narcísico dos sujeitos que buscam surfar na onda do delírio egóico e galgar degraus no alpinismo social. Claro, mediante um mundo cujas perspectivas são cada vez mais turvas, tudo se torna válido em busca de dinheiro, fama e ostentação da própria mediocridade.

Entre o oportunismo e a cretinice inescrupulosa, assim se atracam os papagaios de pirata no lodaçal ideológico do neoliberalismo. Eis o fetiche pós-moderno: fraturar, distorcer, destroçar o conhecimento e fazer apologia à falácia de um senso comum cada vez mais delirante, centrado no narcisismo e corrompido pela ideologia do capital. A mesma lógica que rege o instrumental fascista diante da realidade.

Para quê labutar, estudar, escrever e pesquisar, anos à fio com seriedade e tenacidade, se basta qualquer criatura estúpida soltar um flato que se faz, por si mesmo, um grande evento da cultura cósmica universal?

Depois, os mesmos lacradores que tentam transformar as universidades em um grande circo non sense de bestialidades e charlatanismos, vem reclamar quando a Extrema Direita grita, com furor orgástico, que os cursos de humanidades nas universidades é puro esterco que só serve para torrar dinheiro público!

Do alto do sanatório, os cursos de humanidades vêm sendo abduzidos por uma onda irresponsável de fetichismo obsessivo do oba-oba "decolonial", daí, vem a porra-louquice identitária para justificar as histerias dos fanáticos extremistas. Nunca a Extrema Direita chegou a fazer tanto estrago ideológico dentro das universidades qual como vem se mostrando, recentemente, o fascismo pós-moderno neoliberal fantasiado com o fetiche das identidades!

O mundo está sendo consumido por duas guerras preocupantes simultâneas. A Extrema Direita cresce em todas as partes do mundo. O Brasil vive um processo cavalar de desindustrialização, retorno à dependência das exportações de commodities e desemprego estrutural... E a UNICAMP vai dar ouvidos aos oportunistas abobalhados da lacração?

É, simplesmente, inacreditável uma universidade como a UNICAMP, um centro de referência para a intelectualidade e o saber acadêmico no Brasil e no mundo, deveria ser mais reflexiva e cuidadosa à esta invasão de oportunismos que usam as estruturas universitárias para promoção pessoal! Quando um centro de excelência da intelectualidade crítica se aliena com ondas de modismos do capital e começa a chocar os ovos de um serpentário, imaginemos o que está acontecendo com a própria sociedade dentro da Caverna de Platão!

(Wellington Fontes Menezes)

 

FONTE: https://www.terra.com.br/visao-do-corre/mc-hariel-participa-de-aula-aberta-na-unicamp-e-fala-sobre-a-filosofia-do-funk,68da6e70a58ed71aecbae1aa293f9d68ktb8i9kf.html

 

A REAL AMEAÇA À SOBERANIA E À DEMOCRACIA BRASILEIRA: TRÊS VAGABUNDOS EM BUSCA DO PLANALTO

  É assustador que, diante de um processo eleitoral tão tétrico, haja tanta passividade na sociedade brasileira. Cada vez mais, a qualidade ...