segunda-feira, 20 de abril de 2020

OBSERVAÇÕES PONTUAIS DA SITUAÇÃO DO CORONAVÍRUS NO BRASIL E NO MUNDO




·        Números oficiais no Brasil (20/04/2020):
·         → Número de contaminados: 40.851
·         → Número de mortos: 2.575 (acréscimo de 113 mortos nas últimas 24 horas)
·         → Taxa de letalidade: 6,3%



1.       Em meio a pandemia, uma estranha alteração de dados no Brasil

Dados consolidados do Ministério da Saúde mostraram, hoje, 20/04, uma estranha modificação no número de mortos que caiu de um montante inicial divulgado de 2.845, para 2.575 corrigido às pressas e sem a habitual coletiva do ministério para a imprensa. Número esse que mostra uma diferença de 9%, ou seja, 270 mortos pelo novo coronavírus (SAR-Cov-2) e uma taxa pontual de letalidade de 6,3%! Segundo o próprio Ministério da Saúde, o erro da contabilidade se localizava no Estado de São Paulo que havia divulgado o número regional de mortos, nesta segunda-feira, 20 de abril, de forma “equivocada”. A taxa de evolução da contaminação nacional bate um novo patamar, com 40.851 casos confirmados de contaminação.

Em um momento crítico da pandemia no Brasil, parece pouco crível um erro tão grosseiro que distorce o número real dos casos de COVID-19 no país. Por outro lado, o governo de Bolsonaro, com apoio do grosso do patronato nacional, vem estruturando uma campanha midiática crescente nas redes de rádio e televisão, em particular, entre aqueles que receberam mais verbas do governo federal, para minimizar os efeitos da pandemia e criticar o isolamento social. Por sinal, o mesmo discurso genocida empenhado pessoalmente pelo presidente Jair Bolsonaro vem criando corpo ao longo do país, panfletando a quebra irresponsável da política sanitária de isolamento social e expor toda a população aos riscos catastróficos da contaminação por coronavírus.

O genocida discurso do cinismo negacionista da doença se limita à correlação de que o isolamento social afetaria o nível de emprego e prejudicaria a economia. Como se uma população contaminada e doente pudesse trabalhar com maior eficiência e como se o Governo Federal não pudesse lançar mecanismos próprios de assistência social, como a distribuição de renda mínima para todos que precisarem ficar em suas casas e ter recursos para a sobrevivência.

Para quem não compreendeu ainda os efeitos de quebrar ou “afrouxar” o isolamento social sem passar pelo pico de contaminação da pandemia, basta observar os casos da Itália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos, entre os principais destaques, que tiveram que voltar atrás na decisão equivocada e adotar o “lockdown”, ou seja, o fechamento ou interrupção total, de forma intensa, de toda a vida social de uma dada região, cidade ou país. Não é a toa que tais países lideram, no globo, em número de casos de contaminação e mortos.  

Não é possível falar em relaxar o isolamento social, diante de um vasto número de contaminados e mortos. O país não chegou ao pico de casos e teremos ainda uma consolidação de casos em investigação, com muita subnotificação que provocará uma distorção nos números finais. Ademais, com o avanço da contaminação pelo coronavírus, começa a se intensificar o número de leitos ocupados nos hospitais brasileiros, em particular, aqueles referentes ao atendimento público. A grande questão é evitar o colapso do sistema de saúde e não deixar milhares de doentes à própria sorte.

Com políticas frágeis, precárias e insanas de negação da doença, por parte do irresponsável governo Bolsonaro, o Brasil deverá ser um dos países de maior impacto arrasador da COVID-19 no mundo. O próprio presidente Bolsonaro faz uma militância assassina. Inacreditavelmente, todos os dias, Bolsonaro ocupa as mídias para descascar deboches sistemáticos contra as medidas de isolamento social e minimizar, com gracejos sórdidos, todos os dados referentes a pandemia no país. Nenhum outro presidente do globo conseguiu ter uma postura tão irresponsável diante da maior crise sanitária do século XXI no planeta!

As últimas novidades da insanidade, derivada das ações de Bolsonaro, em meio à pandemia, foi trocar seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta que vinha tendo uma atuação mais regular à frente do ministério e apoiando as recomendações da OrganizaçãoMundial da Saúde (OMS), para colocar seu compadre de campanha eleitoral, o obscuro Nelson Teich, um médico que não tem o menor vínculo com políticas públicas de saúde, sem a menor empatia governamental com a questão social e reza na cartilha nefasta negacionista da doença, derivada da insanidade genocida da cepa selvagem e ignorante da extrema direita brasileira. Um desastre anunciando que somente ampliará o número de corpos empilhados nos lotados cemitérios pelo Brasil afora...



2.       A taxa de letalidade da COVID-19

Em termos técnicos, temos que a taxa de letalidade é a proporção do número de mortos pelo número de casos confirmados de contaminados pelo coronavírus, ou seja, o percentual o qual se tem o esperado o número de mortos pelo conjunto populacional que foi contaminado. 

Em termos comparativos, com dados da OMS o coronavírus SARS-Cov-2  está com uma taxa de letalidade média de 6,8% no mundo, abaixo ainda de outras doenças globalizadas como a MERS-COV (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) em torno de 34% e a SARS-COV (Síndrome Respiratória Aguda Grave) ao redor de 10%, o sarampo com 1,4% e a gripe comum (influenza, como a H1N1 e outras gripes) com taxa abaixo de 0,1%. A mais letal de todas as doenças de histórico recente ainda é a ebola, com as incríveis taxas que variam entre 25 a 90%. A taxa de letalidade é variável no incremento do nível de idade e de situações específicas como doenças pré-existentes da população.



3.       Brasil e a comparação com o cenário mundial

O Brasil segue com uma das maiores taxas de letalidade do mundo com 6,3% e elevação crescente da curva de mortos por COVID-19. Como dados oficiais, o mundo hoje se encontra com 2.481.298 casos de coronavírus e 170,436 mortos (dados até as 23 horas do dia 20/04), ou seja, uma taxa de letalidade crescente de 6,9%. Observando estes dados, é possível analisar uma tendência crescente e assustadora da “história natural da doença” que poderá caminhar para uma letalidade média em torno de dois dígitos!

Nos últimos dias, a Bélgica com 5.828 mortos tomou o topo dos italianos, com a maior taxa de letalidade do mundo com relação ao número de contaminados, que está em torno de 14,5%. A Itália que liderou o número de mortos no mundo, até poucos dias, atualmente está com 24.114 óbitos por COVID-19 e uma taxa de letalidade de 13,3%. A França, com 20.265 mortos e o Reino Unido com 16.509 mortos, possuem taxa de letalidade em torno de 13%. Espanha, com 10,4% de taxa de letalidade, contabiliza 20.852 óbitos.

Os Estados Unidos que estavam com a incrível marca de um terço dos casos confirmados de COVID-19 no mundo, caiu para 17% (782.987 casos registrados), apesar do maior número de mortos do globo (41.777), com uma taxa de letalidade de cerca de 5%. Da mesma forma que Bolsonaro no Brasil, o presidente estadunidense, Donald Trump, vinha debochando da doença até perceber, tardiamente, a catástrofe que se abateu no próprio país. O coronavírus abateu mais estadunidenses do que qualquer atividade terrorista em seu território e muito mais letal que o fatídico atentado ao World Trade Center, em 2001, em número de mortos. Observando outra perspectiva, o número de mortos pela COVID-19 nos Estados Unidos está se aproximando do total de soldados estadunidenses mortos durante todo o período da dispendiosa e sangrenta Guerra do Vietnã, no período de 19 anos, quando o governo de Washington decidiu invadir o pequeno país do Sudeste Asiático. Apesar dos números avassaladores, há uma demonstração de que os Estados Unidos podem estar chegando ao pico da contaminação da doença, com um discreto declínio do número de casos em algumas regiões do país.

Em números mais alentadores, em dados comparativos, a China, primeiro país do planeta a sofrer com a pandemia, possui hoje 82.747 casos confirmados com 4.632 mortos e uma taxa de letalidade de 5,6% e, posteriormente, a Coréia do Sul com 10.674 casos confirmados e 236 mortos e com uma das mais baixas taxas de letalidade do planeta, com 0,1%. Importante ressaltar que o governo da China não registra mais casos de mortalidade e possui apenas novos casos de contaminação em número baixo  (cerca de duas dezenas diárias) cuja origem não é por transmissão comunitária, mas por elementos externos ao país (contaminados de outras origens que ingressaram em território chinês). O mesmo ocorre com a Coreia do Sul. Praticamente, tanto a China quanto a Coréia do Sul poderão se dizer, temporariamente, livres da contaminação por coronavírus. 



4.       Alertas finais

É preciso ficar muito alerta aos dados divulgados pelo Ministério da Saúde na nova gestão do bolsonarista Teich. Simplesmente, o novo ministro recusou-se, até agora, a aparecer em público, não formulou nenhuma medida concreta de combate a pandemia e vetou a  entrevista coletiva da equipe do Ministério da Saúde para a imprensa que havia se tornado rotina na antiga gestão de Mandetta. 

A obscuridade ganha dada vez mais espaço no proposital descontrole federal diante da maior crise sanitária dos últimos tempos causada pelo novo coronavírus. A sonegação ou a distorção das informações sobre o avanço do coronavírus no Brasil prejudica severamente o estudo e o controle da pandemia e, por fim, traz também prejuízos econômicos e sanitários graves ao não estimar as devidas medidas governamentais de posterior abertura social e comercial que possa proteger devidamente a população. Mais uma vez, a irresponsabilidade do governo Bolsonaro é criminosamente grotesca!

Patrocinada pela ala extremista do governo federal tendo a frente o próprio Bolsonaro, o país segue com sua ode ao irracionalismo da extrema direita. Parcela deste grupo obscurantista que abraça o fascismo tupiniquim, em plena pandemia e contrariando todas as recomendações da OMS, foi às ruas de algumas cidades brasileiras, neste último domingo dia 19/04, para debochar (sim, debochar!!!) do coronavírus e pedir insanamente intervenção militar. Certamente, tais atos escrachada e delirantemente golpistas foram os únicos da história do planeta Terra que grupos saíram de suas casas para se aglomerarem correndo risco de contaminação para negarem a existência de uma doença cujos números acima relatados são assustadores!

É importante lembrar que o maior fator de risco que ocasionaram milhares de mortos em todo o globo e, em particular, no Brasil, é a supremacia da ignorância e da estupidez daqueles que teimam negar a realidade e zombar das medidas necessárias de isolamento social. A tosca ignorância causa mais mortes do que a ação devastadora do próprio vírus!



[Taxas elaboradas por Wellington Fontes Menezes com dados consolidados do Ministério da Saúde e Worldometer.info de 20/04/2020]



Wellington Fontes Menezes é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da Universidade Federal Fluminense (PPGSD/UFF)

quinta-feira, 16 de abril de 2020

BOLSONARO QUER TRANSFORMAR O BRASIL NO MAIOR CEMITÉRIO DO MUNDO



Nesta quinta-feira, 16/04, Bolsonaro derrubou o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um dos poucos (talvez o único!) da milícia governamental que tinha mínima coerência e buscava seguir os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) na batalha contra a covid-19.

Em plena crise da pandemia do coronavírus, o Brasil segue com taxa exponencial crescente de contaminação e já bateu a marca de 30 mil casos confirmados de covid-19 a uma taxa de letalidade acima de 6%. Bolsonaro puxa o tapete do ministro que pregava o isolamento social como única arma efetivamente comprovada e, seu efeito, minimiza o avanço do contágio.

É preciso deixar bem claro, Bolsonaro é um psicopata cujo objetivo sempre foi a promoção da morte. Agora ele irá forçar que tudo volte à insana “normalidade” em meio ao pico de contágio para que haja o maior nível possível de mortes por contaminação.

Bolsonaro é uma espécie macabra de bobo da corte psicopata a serviço das perversões do capital nacional. O patronato brasileiro segue o exemplo assassino do patronato italiano que debochou da pandemia e resultou no incessante genocídio no norte daquele país.

O Brasil paga caríssimo pelo surto psicótico de 2018 quando entronou um miliciano psicopata no mais importante cargo da república dos infectados.

Faltarão pregos, tábuas e lágrimas para dar conta do mar de corpos caso Bolsonaro não seja interditado e extinta a sua política de genocídio da população brasileira.

A sociedade brasileira não poderá aceitar ser passivamente infectada e morta por uma política genocida promovida por um covil de monstros que sequestraram qualquer sentido de humanidade e que tem a mais abjeta e débil criatura na cadeira de presidente da república.

(Wellington Fontes Menezes)

quinta-feira, 2 de abril de 2020

QUEM SOMOS NÓS E PARA ONDE VAMOS?



            Em épocas de crises sem precedentes e que desafia a própria existência, entre tantos dilemas, uma das questões que mais assola a mente humana que busca alguma racionalidade, é sobre a finidade da vida. Afinal, quem somos nós e qual o futuro que nos reserva?


1.      A terra das certezas absolutas

O século XXI parecia estar fadado à consagração do sucesso da onipotência estadunidense diante de um mundo que, muitos arautos da globalização tecnológica, se gabavam dos privilégios de uma série de parafernálias futuristas, nunca antes vistas na história. O futuro teria chegado sublimando o presente e esquecendo arrogantemente o passado. Houve aqueles que já decretaram o “fim” da própria história civilizacional, com a receita do sucesso neoliberal, após a queda do Muro de Berlim: Estado enxuto, democracia à la estadunidense e liberdade absoluta para a divindade chamada “Mercado”.

Sem um parâmetro político para se contrapor ao capitalismo, os 1990 começaram com o apogeu do mercado e o declínio de quase todas as utopias possíveis que suscitassem algum confronto com a realidade. Os perigos globais, claro, eles existiam e estavam ancorados em extremismos políticos autoritários, sanguinários e desprovido de qualquer razão, diante do fracasso de políticas neoliberais que desarticularam o estado de bem-estar social dos países europeus e dos Estados Unidos, elaborados no pós-guerra, frente aos desafios da Guerra Fria. “Deixem os mercados agirem e se autorregularem!”, diziam, acreditando que a mão invisível de Adam Smith, seria a própria mão de Deus.

O mundo virou uma ilha, tal era a interação da circulação de pessoas e mercadorias sem fim, em uma escalada de conectividade jamais vista na história. Tudo parecia ser imutável, duradouro, sem sobressaltos, com as classes sociais mais pauperizadas razoavelmente bem domesticadas pelas grandes elites dominantes. 

A democracia ocidental e seus arremedos orientais criavam uma aura de “normalidade” social e afastamento ou confinamento dos “indesejáveis”, em bolsões de miséria e abandonados à sua própria sorte. Com um forte aparato repressivo, os descontentes eram rapidamente desmobilizados e seus sindicatos transformados em entidades cada vez mais desacreditadas, através de uma burocracia inútil. 

Tudo parecia caminhar para um destino-manifesto de uma globalização excludente, reinando o receituário miraculoso da administração neoliberal: política de austeridade, Estado mínimo, privatização de bens públicos e a imposição lei da selva do Mercado e na vida social.Até que apareceu um vírus errante...



2.      E o vírus chegou...

Nada mais biológico e destrutivo para tirar uma casquinha da ferida do narcisismo humano, do que pragas típicas de animais e plantas acossarem a pretensa racionalidade material, colocando o ego de joelhos e mãos clamando à algum salvador imaginário. Pandemias não são novidade na história humana. Desde a chamada “peste negra” em tempos medievais, entre 1343 e 1356, causando a morte estimada de 75 a 200 milhões de pessoas no planeta à época. Em 1817, uma pandemia de cólera matou centenas de milhares de pessoas. De 1918 a 1920, o vírus influenza causou a chamada “gripe espanhola”, exterminando entre 40 e 50 milhões de pessoas ao redor do globo.

Enfim, sem pedir licença, se impôs ao invencível e tecnológico século XXI. Pandemias, com resultados menos letais, foram registradas com a ação de variâncias de coronavírus que causou o SARS (Síndrome Respiratória Aguda Severa) que matou 774 pessoas e infectou mais de 8 mil em 2003 e o  MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) que vitimou 858 de apenas 2500 pessoas infectadas, em 2012, no Oriente Médio. Entre 2009 e 2010, de 700 milhões a 1,3 bilhão de pessoas foram infectadas pela variante do vírus influenza, o H1N1, chamada de “gripe suína”, com uma estimativa de até 500 mil mortes. Na África Subsaariana, entre 2015 e 2016, o vírus ebola contaminou cerca de 30 mil pessoas, causando a morte de mais de 11 mil pessoas.

Mas o pior estaria por vir... No final de 2019, a partir da cidade chinesa de Wuhan, o mundo conheceu um novo tipo de vírus que infestava rapidamente a população local, provocando adoecimento entre os adultos e uma alta mortalidade entre os mais velhos. A nova ameaça surgia, sorrateiramente, a partir dos subterrâneos dos mercados chineses de animais exóticos, para a sanha comestível da população local, o mais mortal dos inimigos da humanidade, deste o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial: o novo coronavírus, denominado SAR-COV-2. Da província chinesa de Wuhan para o mundo, em poucos meses, praticamente todos os países foram infectados, com altíssima velocidade de transmissão. Uma nova palavra passou a atormentar o vocabulário dos cidadãos dos dois hemisférios: covid-19, a doença causada pela atuação cataclísmica e virótica do SAR-COV-2.

O coronavírus SAR-COV-2 se apresenta altamente perigoso e devastador. Atualmente, início de abril de 2020, ultrapassou um milhão de pessoas infectadas no planeta, causando mais de 50 mil mortes, em especial na Itália, Espanha, Estados Unidos e França. Os números de contaminados e mortos ampliam-se velozmente a cada dia ao redor do globo. China e Coreia do Sul, primeiros países a sofrerem com a novata epidemia do SAR-COV-2, conseguiram, momentaneamente, controlar o avanço do coronavírus, com a adoção de seríssimas medidas restritivas, além da detecção e controle sistemáticos de possíveis contaminados. O vírus ainda não atingiu o pico da epidemia global, mas mudou radicalmente todas as estruturas socioeconômicas de forma jamais vista, na história humana do planeta Terra.

A única medida que se apresentou com significativa eficácia para retardar a velocidade de infestação pelo novo coronavírus foi o isolamento social, ou seja, o confinamento dos cidadãos dentro de seus domicílios. Essa medida drástica impacta diretamente na interrupção de todas as atividades econômicas e sociais de uma forma jamais vista. Diante dos exemplos chinês e sul-coreano, quase todos os países do mundo estão experimentando algum tipo de isolamento total ou parcial, buscando conter o avanço agressivo do SAR-COV-2.

Trocando em miúdos, diante das consequências do avanço da infestação do novo coronavírus, praticamente, a maior parte da economia planetária, com maior ou menor intensidade, está de quarentena! Vidas, famílias, amigos, trabalho, impactados diante da dinâmica social alterada, drasticamente, pela mudança abrupta do estilo de conduzir o cotidiano de bilhões de pessoas. O cenário distópico, outrora presente em filmes de ficção científica, se materializou na vida real: ruas desertas, comércio fechado, transportes racionados, ausência de espetáculos, jogos, adiamento de Olimpíadas que se realizaria no Japão. O mundo simplesmente estava sem humanos em suas quilométricas ruas!

Aglomerações típicas da cultura humana viraram sinônimo de perigo iminente e são recomendados por autoridades governamentais e científicas a não serem formadas, a fim de não propiciar o contágio. Seja nos grandes centros, seja nas cidades de menor porte, a vida social se transformou em vida confinada. Como se, finalmente, a Terra tivesse parado e o medo ventilado na atmosfera!

Medo é a palavra de ordem. As certezas se reduziram a angustiantes notícias de diversas mídias, as quais bombardeiam uma macabra contabilidade de contaminados e corpos. O medo que impregna o cerne, nem água com sabão consegue eliminar! Cuidados para evitar a contaminação e a preocupação com o futuro, se tornaram elementos norteadores da ansiedade social que se desenrola como fobia social. Na luta pela sobrevivência diária, diante de um inimigo invisível, outrora reservados ao uso restrito,  máscaras de proteção e álcool gel ou álcool 70%, se tornaram objetos do desejo de toda a humanidade e, consequentemente, repercutiu em escassez e preços elevados. Limpamos sistematicamente os nossos corpos, como uma forma obsessiva de purificação salvadora da alma.

Um microscópico vírus impôs a maior de todas as ironias perversas da natureza humana: o contato humano é fator de risco para a própria espécie! Conversar próximo ou tocar o outro, simples gestos humanos, se tornaram um pavor real, diante de uma pandemia que se transmite por emissão de gotículas de agentes patógenos de um individuo contaminado que, encontrando mucosas faciais de outro indivíduo, prossegue a contaminação exponencialmente. Uma nova sociabilidade se forjou com o uso do distanciamento social. Pessoas desconhecidas ou entre os próprios familiares e entes queridos falando com distância mínima de segurança e com uso de algum tipo de proteção. Todas estas medidas objetivaram inibir o contágio e não contribuírem para que todos fiquem doentes ao mesmo tempo, repercutindo em colapso nos sistemas de atendimento à saúde regional.

Hoje a humanidade se encontra refém de um vírus que, simplesmente, irá levar à uma das maiores depressões globais de todos os tempos. A questão central não é mais a dúvida quanto a este fator, mas o percentual possível de quedas significativas nas economias dos principais países do globo. Nada mais emblemático que o fato dos principais aeroportos do mundo estarem praticamente às moscas. As medidas restritivas impactaram no bloqueio de fronteiras e fluxos aéreos.

A globalização tem, como componente fundamental, o intenso fluxo de pessoas e produtos comerciais, desde o final do século XIX e intensificada de forma extraordinária no século XX. Nenhuma das duas grandes guerras do século XX conseguiu fazer o que o novo coronavírus está fazendo agora, de forma abrupta e planetária: o cerco por completo das nações e o imobilismo do fluxo comercial que afeta diretamente o capitalismo. A guerra invisível ao coronavírus se transformou na própria guerra que implica na sobrevivência no capitalismo, do setor produtivo que enfrentará o anunciado e avassalador abalo sísmico, o qual poderá se aproximar da grande da crise do capital de 1929. Afinal, sem crises cíclicas não há capitalismo!

Quem poderia imaginar que, diante de tantas tecnologias e velocidade dimensionada para a produtividade da vida sem descanso, um vírus seria causa de estagnação e retração socioeconômica? Pessoas e não objetos ou máquinas são quem movem realmente o mundo. O mundo do capitalismo desenfreado pariu o neoliberalismo, a partir dos anos 1980, com a promessa de liberdade máxima dos mercados e atuação ou intervenção mínima do Estado.

           Com a hecatombe de mais uma crise econômica que se intensificou com a pandemia do coronavírus, assistimos, diariamente, todos os Estados intervindo drasticamente nas economias afetadas pela crise, derivada do isolamento social, que repercute em todas as esferas econômicas de produção e circulação. O coronavírus escancarou a lembrança da força da mão de obra trabalhadora, como o principal motor da produção e, por sua vez, fez recordar a importância dela no processo da dinâmica da economia. 

       Nada mais sintomático é o pedido de regulação dos mercados pelo Estado e forte intervenção na economia, tanto para combater o coronavírus, quanto para salvar as empresas privadas da falência. Portanto, o coronavírus representou descrédito e desmoralização das práticas neoliberais e reconduziu o Estado mais intervencionista, não apenas com bilhões de dólares ou euros, mas na casa dos trilhões de investimentos, ao estilo de políticas econômicas keynesianas.



3.      Isolamento do mundo, aproximação de si?

Para os países que adotaram o isolamento social, com maior ou menor nível de confinamento, repercutiu como método para frear a velocidade de contágio, cujo seu efeito colateral custa ferozmente o declínio da economia local. Diante da necessidade de reclusão social, o combate ao coronavírus produziu sociedades que invocaram um verdadeiro estado de sítio momentâneo. 

As liberdades civis ficaram restritas ao direito de ir a locais essencialmente de abastecimento alimentar, saúde e alguns serviços. Com o fechamento de todas as demais atividades comerciais, o isolamento permitiu uma oportunidade de profunda reflexão sobre os impactos de um mundo voltado para o narcisismo e materialismo extremo. 

O medo de contágio pelo coronavírus consolida outro olhar perante a própria relação humana com os demais. De repente, famílias conseguiram ficarem mais próximas em meio ao isolamento, tendo a possibilidade de despertar outros olhares sobre si e sobre a realidade que as cerca. Todavia, este olhar é de um otimismo, diante da catástrofe humana, causada pelos estragos de um vírus, cuja letalidade ultrapassa a expectativa de infectados e corpos dentro de sacos pretos.

            O momento é de união entre as pessoas, entre os Estados. União de esforços e com o distanciamento físico necessário entre as pessoas. Cabe aos governos uma ampla implementação de renda mínima não apenas agora, emergencialmente, mas que possa se prolongar de tal forma que jamais um ser humano fique desassistido, minimamente, durante a sua existência. O programa de transferência de renda tem que buscar ser universal e com prazo indefinido, enquanto ainda houver alguma pessoa em situação de risco. É hora de mudar as estruturas da perversão do capital, em nome da possibilidade real de bem-estar social.

Não é possível mais aceitar que um microscópico grupo de pessoas possa represar para si, uma quantidade de recurso equivalente a quase metade de toda a riqueza do globo. É urgente a criação da taxação de grandes fortunas, para que possam ser transferidas, estas riquezas, para a geração de recursos voltados às vítimas do isolamento social e à manutenção dos serviços de saúde. O parasitismo capitalista é mais danoso para a espécie humana, do que qualquer inimigo biológico!  Qual a razão de se acumular tantos recursos para si se estiver morto? O vírus não reconhece nenhuma classe social e é voraz para todos aqueles que desafiarem sua arquitetura de contato.

Tudo o que foi pensado sobre os avanços da tecnologia não foi páreo para o que está sendo visto. Um mundo acuado e isolado em suas residências, diante de uma emergência sanitária de origem biológica, cuja proporção em termos de volume de recursos, perdidos ou investidos, são de valores amplamente inéditos na história da civilização humana. Estamos em mais um desafio enquanto seres que ainda habitam o planeta Terra: mudamos certos modos de nos relacionarmos entre nós e com o mundo, ou seremos brevemente tão reduzidos, cujas formas de sobrevivência colocarão em risco a própria existência humana.

Nós somos uma espécie biológica de incrível resistência, mas também somos uma espécie que, mesmo com extraordinários recursos de toda a memória histórica construída por milhares de anos, teimamos em ignorar todas as evidências científicas e racionais para, ainda, vivermos segregados e domesticados nas gritantes divisões entre ricos e pobres, entre os que têm problemas de saúde devido aos excessos de alimentação e a morte moribunda de famélicos, entre os que dormem em palacetes e os vagam sem sequer terem um chão para se deitar. Será preciso um vírus grotesco e selvagem para ceifar milhares de almas de indistinta classe social, para que possamos compreender a finitude e a fragilidade da dimensão humana?

Da crise sanitária causada pelo coronavírus, cairemos no lamaçal de uma crise econômica profunda, cujos reflexos podem durar anos para a total recuperação. Porém, poderá ser acelerada, se forem redefinidos os padrões de acesso aos bens produzidos e coibido o nível de especulação parasitária financeira. Toda crise sempre deixa suas lições de grande valor para aqueles que conseguem sobrevier com lucidez. Em toda crise há caminhos que podem ser observados, para serem desbravados sobre olhares que permitam superar os antigos obstáculos.

Estamos diante de uma das maiores crises humanitárias de todos os tempos. Entre dúvidas e especulações alucinógenas, busquemos o refúgio na serenidade e na racionalidade. Sairemos desta crise mais fortalecidos do que antes, quando fomos tragados para suas entranhas. Não podemos esquecer a devida sensibilidade e a projeção de um mundo que reduza ou elimine as diferenças de classes sociais e multiplique o trabalho, a renda, a produção e as possibilidades de manutenção da vida humana. Mais do que nunca, isolados em nossos domicílios, poderemos dispor de algum tempo para refletir, de forma mais complexa, sobre a necessidade de compreensão sobre nossa própria existência: nós somos o que somos e o que faremos com tudo isto?


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Wellington Fontes Menezes – Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense (PPGSD/UFF)








sexta-feira, 27 de março de 2020

COVID-19: A IMPORTÂNCIA DO ISOLAMENTO SOCIAL NO ENFRENTAMENTO CONTRA O CORONAVÍRUS NO BRASIL



É fundamental compreender a importância do isolamento social para preservação do maior número de vidas possível.



O que é? 

O isolamento social, ou seja, a reclusão de pessoas em seus próprios domicílios dentro um determinado limite de tempo, objetiva retardar a velocidade do contágio da covid-19. Em alguns casos específicos, o isolamento social poderá até mesmo bloquear momentaneamente o vírus da doença em algumas áreas geográficas.




Para que serve?

É fundamental atenuar a curva de crescimento que representa a velocidade de transmissão do coronavírus de pessoa para pessoa. O isolamento social serve fundamentalmente para que muitas pessoas não se contaminem ao mesmo tempo e não precisem usar os serviços hospitalares todos ao mesmo tempo dentro de curto espaço. Se todos precisarem de atendimento hospitalar simultaneamente, não haverá possibilidade física ou logística para internar pacientes graves. Por maior que seja a expansão do número de leitos hospitalares, não será possível atender a todos os possíveis doentes ao mesmo tempo correndo o risco de pacientes graves sequer conseguirem encontrar leitos disponíveis para serem atendidos.




Como conviver com esta realidade?

No Brasil, está evoluindo de forma ascendente a curva de crescimento da covid-19. Ainda não se chegou ao momento mais crítico que possivelmente ocorrerá a partir de meados do mês de abril.  Os casos de países afetados pelo efeito do covid-19 que optaram pelo isolamento social apresentaram resultados benéficos e foi refletido na atenuação do pico máximo de contágio.


Por mais desgastante e neurótico que seja o isolamento social, com possíveis consequências psíquicas e de ordem econômica, é o único meio, até o momento, disponível de uma sociedade conseguir diminuir a possibilidade de contágio entre as pessoas.

Não é preciso entrar em pânico, mas não se pode acreditar que a covid-19 é apenas uma “gripezinha”. É uma doença que afeta principalmente o aparelho respiratório e que, em casos muito graves, poderá levar a óbito. O número de mortes pela covid-19 é muito baixo e, no Brasil, a taxa de letalidade está abaixo de 3%, ou seja, para cada 100 pessoas que forem contaminadas, menos de 3 delas morrerão devido a doença.  Importante ressaltar que esta taxa de letalidade se altera de acordo com a faixa etária dos contaminados.

Não se deve ignorar os feitos da doença para os casos graves em pessoas acima de 60 anos de idade ou com alguma doença pré-existente (em especial, problemas cardiovasculares, pulmonares, diabetes e deficiências imunológicas). Em geral, na grande maioria das pessoas contaminadas, a covid-19 apresenta um quadro clínico semelhante a uma gripe comum. Porém, quem está contaminado, nem sempre apresenta sintomas da doença e poderá transmiti-la para outras pessoas e ampliar o número de infectados. Neste caso, sem saber a pessoa que está contaminada poderá ampliar o quadro de transmissão da doença.


O que faz a covid-19 ser a maior pandemia dos últimos cem anos? 

Entre 1918 a 1920, a pandemia do vírus influenza, conhecida como a “gripe espanhola”, infectou aproximadamente um quarto da população mundial na época. No caso da covide-19, a velocidade de contágio é a maior de todas as doenças conhecidas. A rapidez da transmissão entre as pessoas e a letalidade entre pessoas acima de 60 anos ou com problemas de saúde pré-existentes não possui parâmetros.



Um enfrentamento onde todos nós somos protagonistas


A economia é importante para a manutenção da vida, mas sem a vida não há sequer economia. Hoje, o mundo inteiro está (ou pelo menos, deveria estar) em enfrentamento efetivo contra a covid-19. Neste sentido, pensar a contaminação do coronavírus como um enfrentamento mundial será a melhor maneira possível que devemos encarar de forma responsável este novo desafio imposto para todo o planeta.


O contágio agressivo do coronavírus aprofunda o que teimamos, arrogantemente em não acreditar ou levar a sério. Todos nós somos frágeis, independente de cor, raça, crença partidária ou religiosa, gênero ou qualquer identidade que teima em nós distinguir uns dos outros. A doença do covid-19 mostrou-se, mais uma vez, que todos os humanos são seres frágeis e dependentes um dos outros, ou seja, somos seres coletivos e, ao mesmo tempo, precisamos transformar o respeito ao próximo como a única alternativa plausível de sobrevivência. Há certas obviedades que precisam ser sempre ressaltadas e nunca esquecidas!

Cuidar de si mesmo é cuidar dos demais com prevenções pessoais e isolamento social. Ressaltando, todos estão expostos à doença que poderá ter seus efeitos minimizados se cada um se conscientizar, se responsabilizar e fizer os devidos procedimentos básicos de higiene pessoal e cuidados com as demais pessoas.

Evitar aglomerações e, caso precisar sair de casa, minimizar o tempo e contato com demais outras pessoas. Sim, estamos em guerra, mas é um enfrentamento invisível, silencioso e sorrateiro.

Do ponto de vista estrutural, cabe aos governantes de cada país (e de forma coordenada entre si em larga escala) conduzir de forma responsável às políticas necessárias para conter o avanço da dispersão do vírus dentro do aglomerado humano. O isolamento social impõe sacrifícios de todos, mas também uma possibilidade singular para a reflexão. As grandes armas diante da pandemia do ponto de vista do indivíduo são o equilíbrio emocional, a serenidade, os cuidados de higiene e o respeito ao próximo. Ninguém se preparou para um momento tão indescritível de sua existência, mas a única tarefa que resta, no momento, é buscar fazer o possível para estar em isolamento social que terá duração de algumas semanas.

A vida não deve ser temida, descartada ou banalizada, mas valorizada com toda a consciência de sua efetiva importância. Deve-se ressaltar, toda a vida é importante e esta é uma das grandes lições que a ferocidade do coronavírus escancara mundialmente para todos! Mais do que nunca, é o momento de refletir valores, compreender a necessidade de pausar a velocidade da vida imposta pelo ritmo dilacerante do capitalismo, observar a fragilidade da existência e o olhar para dentro de si, os valores que fazem cada indivíduo viver e dar significado à sua existência.

Passada a tempestade, a solidão do isolamento social logo dará espaço para o reencontro com desejo do espaço coletivo. Com a união de todos aqueles que compreendem o valor da vida, venceremos e teremos fortalecido o sentido social de vivermos em coletividade. Será oportuno urgir visceralmente em cada um que se atente para o momento, um olhar responsável para a construção de uma vida coletiva mais socializante e de respeito à dignidade humana.  A importância da vida de um é à base da importância para a vida social de todos.

A solidão do cárcere voluntário será o combustível para a vindoura possibilidade de ampliarmos o horizonte da coletividade com ares mais humanos, mais fraternos e mais essencialmente cooperativistas.

(Wellington Fontes Menezes)

segunda-feira, 16 de março de 2020

APOCALIPSE BOZOVÍRUS: QUEM VAI PAGAR PELA CRISE?


O vírus da insanidade se alastrou no território brasileiro. Desde 2013, a caixa de Pandora foi aberta com todos os vírus da demência fantasiosa da direita radical que estava embolorando no armário. Em 2018 a sociedade assinou seu atestado da demência psicossocial elegendo o maior boçal do baixo clero da Câmara dos Deputados como o primeiro presidente miliciano do Brasil. 

O mais insano de tudo que está sendo visto de forma perplexa é observar que agora todos estes imbecis grotescos estão no poder! Gente tosca, xucra, ignorante que além de não ter mínima condição de manifestar alteridade, é incapaz de ter uma gota de lucidez perante tudo ao redor.

Paulo Guedes, o bicheiro fantasiado de super-ministro da Economia, é o maior jagunço no poder.  Em plena crise, o tosco Guedes quer impor mais cortes do financiamento público que até o mais liberal dos economistas com miolos sabe que isto é um tiro nos tímpanos! 

Mais uma vez, o gado que apoia um boçal psicopata miliciano na presidência foi para as ruas pedir para extinguir a liberdade de ir para as ruas! Qual país do mundo que populares vão as ruas pedir fechamento do Congresso e o STF e baixar uma "ditadura"? O Brasil é um caso patológico! Além de toda esta demência do bozofanatismo, não há parâmetros para tanta insanidade em um momento que o mundo passa por um pandemia de um vírus que não se tem um conhecimento completo de sua ação territorial e destrutividade.  

Diante de um cenário de nova crise do capital e as bolsas do mundo derretendo, estamos reféns dos seres mais boçais e desprezíveis desta nossa perversa sociedade! 

"Crise" é a palavra ordem de um mundo que adora flertar com ela! Como sempre, historicamente, quem paga a conta das crises cíclicas do capital são os trabalhadores e os miseráveis que são os mais vulneráveis. As vidas de milhões deles nada significam para os pervertidos milionários que concentram quase toda a riqueza do mundo!  Ninguém, nenhum chefe de Estado, ousou, até agora, balbuciar a respeito, por exemplo, de taxar as grandes fortunas ou ir em direção ao confisco de bens e capitais dos grandes sonegadores dos Estados nacionais. Sabidamente, milionários sempre ficam muito bem protegidos pelo aparelhamento estatal operado por suas tropas de choque igualmente muito bem compradas com dinheiro especulativo. 

No caso brasileiro, em plena crise que beira o surrealismo, toda a sociedade fica refém de uma classe de desmiolados no poder sendo apoiados por um segmento social que é desprovido de quaisquer operações do córtex cerebral. 

O cenário interno e externo é de grande preocupação. A ação para reverter esta desordem ainda se mantém distante e pouco se sabe o que fazer diante de todo o caos instalado. A falta de compreensão e inação do momento vivenciado por parte do segmento que mantém alguma lucidez na sociedade é a arma que se nutre os perversos psicopatas que parasitam o poder. Não há horizonte de sociabilidade possível com um milícia de insanos no Planalto que ditam as ordens espúrias e debocham todos os dias do sofrimento social em um país que se desmancha paulatinamente. 

Salvador Dalí, o grande nome do Surrealismo, ficaria surpreso com a sociedade brasileira bozofascistizada. A distopia é aqui!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A NATURALIZAÇÃO INSTITUCIONAL DA BARBÁRIE


Uma das grandes desgraças da ascensão do jaguncismo fascista de Bolsonaro ao poder é a naturalização da barbárie como mecanismo de operação da vida em sociedade.

Entretanto, tal mecanismo é tão velho quanto o estéril debate sobre o sexo dos anjos ou o formato geométrico da Terra. Exceto no período da perversão assassina da ditadura militar, ele nunca foi tão institucionalizado em um regime democrático como agora está acoplado ao grupo grotesco que dá sustentação às insanidades de Bolsonaro.

Em pouco mais de um ano com a faixa presidencial, Bolsonaro já falou tantas patifarias que é impossível listá-las minimamente nestas linhas. Salvo alguns raros momentos de indignação da imprensa com a profunda grosseira do presidente com o cordão umbilical ligado às milícias criminosas do Rio de Janeiro, tudo vêm sendo conduzido com a maior complacência da sociedade (leia-se, burguesia e setores das classes médias), da grande mídia corporativa e dos demais poderes do que restou da república pós-golpe de 2016.

O país se acostumou rapidamente a naturalizar as escrotices de Bolsonaro como se fosse à coisa mais habitual do planeta Brasil! O parâmetro quando se coloca uma figura tão despreparada e abjeta no mais alto cargo público do país é que todos abaixo dele poderão repetir seus feitos imbecis e não terá nenhum elemento impeditivo.

De um ponto de vista psicanalítico, o superego descolado no lastro social não fomenta a Lei necessária que produz laço como requer a convivência no liame social. Desde um microbiano ministro da Educação que ofende sistematicamente estudantes à vigarista que apresenta programa em televisão aberta que ofende jornalistas dizendo que "todos são maconheiros"! A escrotice jagunça virou o parâmetro da comunicação entre os viventes nas terras de Pindorama. Fazendo uma rasteira analogia de um velho ditado popular, no Brasil da horda miliciana de Bolsonaro, a banana come o macaco.

Vem sendo esquartejado qualquer parâmetro de mínima racionalidade e sociabilidade a tal ponto de assistirmos anestesiados o próprio Bolsonaro postar em suas famigeradas redes sociais apoio explicito à uma suposta "convocação cívica" para uma manifestação abertamente golpista cujos objetivos delinquentes são fechar o Congresso Nacional, suspender garantias constitucionais e impor uma ditadura nos moldes do jaguncismo bolsonarista. Por sinal, tamanha aberração dentro de uma democracia razoavelmente em funcionamento era motivo imediato de cassação de mandato de qualquer eleito pelo sufrágio popular!

Não é possível aceitamos passivamente sem uma gota de reflexão responsável a naturalização da barbárie  na sociedade de forma a contaminar todos os níveis de sociabilidade. O risco é a ampliação do frágil, assimétrico e tácito contrato social o que rege a vida em sociedade do ponto de vista da ampliação da endêmica violência.

Os bizarros episódios do motim de milicianos de cepa bolsonarista disfarçados de policiais militares no estado do Ceará resultaram, direta ou indiretamente, em um dantesco saldo de quase duas centenas de pessoas assassinadas em um espaço de poucos dias. Um mórbido quadro que demostrou a dimensão da barbárie apoiada pelo nefasto presidente da república e silenciada coniventemente por todos os demais poderes.

A oposição de esquerda e os sindicatos no Brasil viraram purpurina, confete e serpentina no "carnaval da resistência". A burguesia nacional se agarrou cega e insanamente às birutices de um jagunço dublê de bicheiro que se passa como ministro da Economia que não sabe nada de Economia, exceto parasitar o mercado financeiro para auferir vantagens para seus bolsos.
Com o nível de desemprego estratosférico e pauperização crescente, a classe trabalhadora vem se contentando voluntariamente em ser afanada de seus direitos básicos e sobreviver de forma mutilada achando que o destino-manifesto da vida de servo da rapinagem do capital é se tornar o glamourizado e precário "uber"!

Para colocar uma cereja apodrecida no bolo da desfiguração nacional, o Brasil derrete sua credibilidade a cada dia com posições cada vez mais covardes, submissas e patéticas no cenário da diplomacia internacional e, pior ainda, Bolsonaro transformou o Itamaraty em embaixada dos velhacos inferninhos da região da boca do lixo da Paulicéia bem paulistana!

Um Brasil em transe é o sustentáculo para toda uma celeuma psicótica de elementos que irriga a pavimentação da barbárie naturalizada. Todo este cenário foi amplamente alertado, escancarado e desenhado durante as fraudulentas eleições presidenciais de 2018, porém os ouvidos insanos e apoiadores da barbárie fizeram questão de serem cinicamente tampados.

Ficamos reféns de nossa própria estupidez grotesca e a conta salobra não demorou a chegar! É preciso acordar deste imenso pesadelo antes que possamos internalizar que a barbárie é "inevitável" como processo social.

É fundamental recusarmos a nossa "animalização" do darwinismo social imposto pelos seres mais monstruosos do país. Não merecemos tamanha destrutividade em nossas vidas e em nossa sociedade cuja burguesia aposta no esmagamento das classes subalternas como obsessivo mecanismo de controle psicossocial. Sim, só para variar, é a velha e sangrenta luta de classes fervilhando como sempre e com uma horda de sociopatas no poder.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

É FUNDAMENTAL DERRUBAR O MAIOR IMBECIL DO BRASIL NO PODER




Bolsonaro é uma farsa completa parida por uma conjectura golpista que foi escancarada desde 2013.

A própria incompetência política misturado com uma ingenuidade poliana e soberba do PT permitiram bem debaixo do próprio nariz que uma quadrilha instalada no Ministério Público e setores da Polícia Federal arquitetassem com juízes da extrema-direita oportunista um teatro chamado "Lava Jato". A partir daí, fortaleceu a pandemia de fanatismo midiático que jorraria na sociedade a celeuma paranóica de que o maior problema do país seria a tal "roubalheira do PT".

Acuado e sem reação, diante de toda a grande mídia disparando sensacionalismo falseado intenso e covardemente, o PT foi incapaz de construir um discurso de defesa de si e da gestão dos governos petistas.

O resultado trágico foi o golpe de 2016, a imposição do estado de exceção alavancado pela cúpula do judiciário e com ele todo o sortilégio de retrocessos econômicos e sociais. Deve-se lembrar de que desde o primeiro ano de Lula, o seu governo buscou melhorar com todas as dificuldades possíveis. Reitera-se que o período petista não foi nenhum paraíso terreno de Pindorama, mas foi o cenário mais favorável possível das últimas décadas. Para qualquer dúvida flertada pelo senso comum de uma criança na fase oral freudiana, basta analisar as estatísticas e reportagens responsáveis do período.

A retomada do controle do Estado de forma absoluta e sem concessões de classe, por parte da burguesia se deu com a derrubada de Dilma Rousseff com um golpe de estado disfarçado de "impeachment" e entregue as rédeas no instável e desastroso governo-tampão de do vice de Dilma, Michel Temer. A partir daí, oficialmente, foi o início do contra-reformismo anti-petista e a instalação da agenda ultraliberal que se estendeu até a tumultuada eleição fraudulenta do ser mais abjeto da política nacional, o bufão da política do baixo clero, Jair Bolsonaro. Lembrar ainda que a farsa representada pela prisão de Lula, que liderava todas as pesquisas de opiniões colocou meteoricamente Bolsonaro na liderança e vitória, particularmente a encenação de outra farsa: a facada de Juiz de Fora.

Em quaisquer circunstâncias normais, uma figura tão tosca e caricatural como Bolsonaro dificilmente seria eleita para qualquer cargo majoritário. Todavia, a burguesia que nunca teve apreço pela questão nacional, diante da fragilidade das candidaturas neoliberais conhecidas, apostava naquele que poderia trazer o caos e, com o caos, as desculpas esfarrapadas para aprovar uma monstruosa agenda ultraliberal de desertificação de qualquer projeto de país em nome de lucros voláteis e imediatistas.

Imerso em um caldo catastrófico de um obscuro "medievalismo" inédito no Brasil, Bolsonaro se tornou a voz bizarra e delirante de uma pequena e histriônica parcela da sociedade brasileira cada vez mais fanatizada por mafiosos evangélicos e que se assume escancaradamente perversa.

Diante do caos, os partidos de esquerda se perderam como instrumentos de oposição à extrema-direita de alucinação bolsonarista. Com discursos narcísicos, fetichistas, neoliberais, anti-intelectuais e, até mesmo, anti-marxista, parte significativa das esquerdas, em particular, a culturalista-identitária, viraram uma caricatura incompreensível para os trabalhadores e, estes, por sinal, se encontraram órfãos e "traídos pelo PT" diante da narrativa midiática do ódio anti-petista.

Salienta-se que toda orfandade política é sempre capturada por um discurso extremista, daí a projeção midiática de Bolsonaro que de um completo boçal deputado federal foi catapultado meteoricamente para o Planalto.

Nesta última terça-feira, 24 de setembro de 2019, todos os temores do desastre do discurso de Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU foi confirmado: não há registro na história do Brasil de um presidente tão desqualificado quanto o do representante das milícias fluminenses na Câmara dos Deputados lançado como chefe do Estado brasileiro.

O pesadelo bolsonarista brasileiro precisa ter um fim para minimizar a angústia geral da nação. Bolsonaro tem que ser barrado agora, imediatamente, para que o país se livre de um delirante estorvo desastroso e, ao mesmo tempo, seja possível minimizar a humilhação histórica que o Brasil vem sofrendo pelo planeta desde a posse dele.


UMA PRAGA PÓS-MODERNA: O FANATISMO IDENTITÁRIO DENTRO DA ESCOLA

  Na reportagem do Zero Hora , veículo de comunicação do Rio Grande do Sul, apresenta-se uma entrevista com mais uma fanática catequética, ...