quinta-feira, 17 de março de 2016

Aos instantâneos Doutores em Política das redes sociais


Aproveito a oportunidade para dar-lhes parabéns a todos que conseguiram se formar em doutores em ciências políticas e sociais somente assistindo a TV Globo e como leituras do Estado, Folha, e revista Veja e alguns desorientados vídeos anônimos do Youtube.

Fico com uma baita inveja, pois é tão cansativo e longo o processo de formação da graduação ao doutorado. Espero que em breve obtenha o meu título, mas nunca da forma tão fantástica e rápida daqueles que analisam política nacional sem ao menos ter um único livro digno de História do Brasil. Sim, assumo minha incompetência por não conseguir obter de forma tão imediata!

Sim, cada um tem sua opinião, mas ofender os demais que são contrários a sua opinião além de ser deselegante é insensato e pouco agrega para a civilidade. Não estou subestimando a inteligência de nenhum dos "doutores", fazendo um apelo à consciência.


Como sempre escrevo, a política não é uma novela da Globo. Como diria um velho bordão de comercial: parece, mas não é. Ela estabelece um longo vínculo de problematizações e conjecturas que não são triviais a qualquer leitura enviesada de Jornal Nacional entre uma garfada do jantar e um olhar na telinha.

Como diria o escritor Umberto Eco, escritor italiano falecido recentemente, as redes sociais se transformaram na seara dos imbecis. Ele foi um tanto duro, mas o que estamos vendo é um festival de grosserias sem nexo, sem propósito onde apenas o ódio e lançado como se fosse análise torrencial da política. Pior que isto poderá transpor para o cotidiano social, agressões toscas por alguém ser contrário ou a favor de algum fato ou portando uma dada vestimenta de uma determinada cor. Não podemos entrar na paranóia da Inquisição de execução sumária!


Vale ressaltar que podemos gostar ou não de política, mas acima de tudo, devemos manter a sobriedade e cordialidade entre os pensamentos dos outros. Ser adversário é diferente de ser inimigo! O primeiro é o confronte de idéias e o segundo é um rito de guerra. Não podemos partir para uma infantilizada guerra tribal a qual sequer os seus participantes sabem exatamente por que estão gritando uns aos outros.

Enfim, vamos com calma que o andor é de barro, já diria um velho ditado. Ao contrário que a grande mídia expele a todo o momento a fim de gerar um clima de histeria coletiva, a política é muito mais complexa do que a simplificação grotesca deseja desenhar com um único propósito: enganar deliberadamente as pessoas as quais tem pouco ou contato com a política.

Ademais, é preciso entender que se um país adentrar uma crise de esfacelamento das instituições democráticas, todos iremos pastar juntos sem direito a alfafa. Todos os mais pobres e desprotegidos, pois aqueles que provocaram tal crise, os ricos, pegam seus passaportes e dão o fora estourando champanhe e degustando caviar. Xingar, gritar entrar em clima de convulsão histérica contra esta ou aquela figura pública, por sinal, sempre aquela que a mídia quer que seja linchado, apenas mostra que o nível da intelectualidade política não é das mais requintadas.

Criticar sim, mas também procuremos ouvir outras versões, entender que não é possível que de repente, como num passe de mágica, todos ficaram de birrinha e querem que o país se exploda. Viver é, acima de tudo, conviver! Sabemos que o convívio mútuo é uma arte das mais refinadas. Ressalto que somente e tão somente xingar políticos com orgulho no coração não é debater política, mas justamente o contrário, é mostrar claramente que quem faz tal atitude não entende nada dos meandros políticos. Sim, você pode xingar quem desejar, mas lembre-se que o ódio é uma doença de fácil contágio.

Sem idéias mais sólidas, xingar por xingar cai na banalidade a qual não se sustenta sequer a um vento provocado por asas de pernilongo. A propósito, conversas de botequim são bacanas e legais, mas não significa também que entre uma cerveja e outra, o sujeito fica mais consciente em falar sobre os rumos do mundo da política.

Por fim, apenas reafirmo que não é fácil chegar ao doutorado. Não quer dizer que a pessoa é mais ou menos inteligente, todavia ao menos pressupões que ela tenha um pouco mais de leitura e amadurecimento sobre algum dado assunto em particular. Também não significa o entronamento de ninguém, uma vez que a política é a arte da sua prática, assim como tem muitos professores, sindicalista, militante de movimentos sociais e pessoas de uma simplicidade maravilhosa são mais astutos sobre a política sem ter um burocrático título.

A questão central é que a política é para além (muito além!) de uma partida de futebol. No futebol, o campeonato acaba e o único vencedor comemora o restante lamenta-se. Na vida prática, a política é diária e vencedores e perdedores são os elos que se constrói o mundo capitalista os quais nos inseriram a contragosto (Alguém pediu para nascer?).

Todavia, fico feliz que muitos acreditam serem doutores em sociologia política simplesmente num passe de mágica. Doravante, é prudente o destilar de menos ódio gratuito e mais ouvidos e razão. A vida não deve ser um campo de guerra de todos contra todos sem compreender para que lado se atire. O clima da desinformação semente serve aos interesses daqueles que querem se aproveitar justamente da ignorância alheia. O tempo certamente provará quem tem razão. Mais uma vez, vamos como muita calma que o andor é de puro barro. 

A solidariedade é o motor que é distingue os seres humanos e os objetos inanimados. Não precisamos de um diploma para ter conhecimento de mundo, mas precisamos do amor, esse afeto mais caro e árduo de ser operar, e que nos possamos (re)construirmos como seres humanos vivendo em conjuntos com outros seres igualmente humanos. Discordâncias sim, agressividades jamais! Não vamos nos esquecer: a solidariedade é sempre maior do que qualquer estupidez.


segunda-feira, 14 de março de 2016

A Caixa de Pandora: um balanço de um dia nefasto.


Toda avaliação dos fatos no momento de sua digestão corre o risco de ser parcial ou equivocada. Todavia é preciso assumir a realidade das intempéries para que se possam contribuir para franjas de debates e discussões. Logo, as seguir, algumas breves observações no "balanço das micaretas" deste domingo, 13 de março de 2016.

O termo “micareta” é o que melhor o autor consegue traduzir pela percepção visual, alegórico, predominação do amarelo em “homenagem” a camisa da Seleção Brasileira de futebol e conteúdo festivo, que lembra as típicas manifestações carnavalescas tão profícuas no país.

Sendo assim, alguns pontos são possíveis de destacar a partir das micaretas, ou seja, os atos promovidos em diversas cidades do país patrocinados por partidos tidos como “oposicionistas” do governo Dilma, a saber: PSDB, DEM, PP, parte do PMDB e grupos de direita e extrema-direita, inclusive alguns deles suspeitos de receberem dinheiro de empresas "filantrópicas" estadunidenses (como o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua). Ao contrário das edições anteriores registradas no ano passado, este ato de 13 de maio é o primeiro oficialmente declarado pelos partidos oposicionistas do governo Dilma:

1.) Ao contrário do mote do seus organizadores que seria um “movimento contra a corrupção” (sic), efetivamente foram manifestações escancaradamente anti-PT e contra as figuras da presidenta Dilma e, principalmente, o ex-presidente Lula (o líder do PT e que não exerce nenhum cargo público ou político desde que saiu da presidência, em 2010). O nível de conhecimento político dos seus participantes foi escandalosamente alarmante, alicerçado com um viés surreal (pedidos em cartazes de todo sortilégio de desejos sem fundamentação política ou até mesmo desejo de morte da figura de Lula) e, o mais preocupante, um nível de niilismo pseudo-politizado irresponsavelmente perigoso;

2.) A priori, a questão da participação popular foi amplamente dos setores mais privilegiados da sociedade e descontentes com o legado do PT de inserção dos mais pobres na vida econômica. Pouco se viu críticas sobre a questão econômica, supostamente seria um nível de descontentamento da crise que assola parte do país, mas sobressaiu-se o máxima da "corrupção" exclusivamente petista. Por detrás de um verniz supostamente "apartidário" ou "apolítico", ressalta-se estruturalmente a luta de classes interiorizada na sociedade brasileira;

3.) O jogo político transbordou numa seara de grande perigo de alucinação dos afetos. A deflagração da política do ódio pelo ódio fomentado pelos grandes meios de comunicação e extravasado pelas redes sociais, além de um declarado ódio contra o PT, vem ecoando com muita força o ódio pela política, inclusive, o ódio pela democracia. Aqui, segundo participantes, a democracia sendo sentida como sinônimo de "fracasso econômico" para alguns e/ou também de “inviabilidade da vida social”. Este último, temos um discurso fortemente conservador de extrema-esquerda e a crítica mordaz pelas ações sociais promovidas dos governos Lula/Dilma (o “Bolsa Família”, um programa de redistribuição de renda, foi um dos mais citados como “retrocesso” do país);

 4.) O nível de rejeição e intolerância pelo governo Dilma a partir da demanda dos participantes pareceu ser bem nítida que pouco importa que a presidenta Dilma faça a partir de agora. Uma vez que para os defensores de sua “expulsão do poder” (aqui, serve qualquer saída, inclusive a defesa da “intervenção militar” como alguns grupos apregoam em redes sociais e em cartazes exibidos em praça pública), ou seja, execram-na independente se ela tiver alguma suposta ligação real com corrupção ou se seria uma insegura “má gestora da economia”. O ódio apregoado e mal disfarçado de “crítica politica” é contra a figura da mulher Dilma (perceptível pelo número de cartazes de insultos misóginos) e contra o que ela representa como suposto governo "exclusivamente petista ou comunista". Todavia, é do encontro quase irreal de uma mosca azul conseguir que algum dos participantes definirem com mínimo de exatidão o que seria um “governo comunista”. O pedido de “impeachment” da presidenta por parte dos participantes foi uma questão muito mais de desejo narcísico e não de motivos substanciais para destituição do cargo;

5.) Uma certeza categórica: a grande mídia pode ser definida simbolicamente do ponto de vista de um protagonismo ideológico traduzido em mobilizações “apolíticas” perante os elementos constituintes da sociedade, o “maior partido político” do país. A grande mídia com seus braços em todos os meios de comunicação foi quem criou todas as condições para que pessoas comuns e completamente despolitizadas, ignorantes da política como prática e como teoria, se transformassem em perfeitos “zumbis” cheios de rancor e ódio sem alicerçar maiores fundamentos que pudessem traduzir a natureza perceptível dos fatos. Vale ressaltar o poderoso monopólio de comunicação, nas modalidades de mídia impressa, digital, televisiva e radiofônica, que exerce de forma peremptória as Organizações Globo, o grupo Abril e, em São Paulo, os dois principais jornais do estado, a Folha e o Estado, entre outros grupos como o Grupo Bandeirantes, a rádio Jovem Pan e o canal do governo do Estado de São Paulo, a TV Cultura, transformado em braço jornalístico do governador Geraldo Alckmin;

6.) Sob aspectos da dimensão partidária, a direita continua desorganizada como braço político sem um nome de consenso definido. Em plena Avenida Paulista, cidade de São Paulo, berço dos protestos paulistas, a hostilidades contra os presidenciáveis tucanos para 2018, o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves mostraram a derrocada dos planos de capitalização eleitoral imediata das micaretas promovidas pelo próprio PSDB, região do principal celeiro eleitoral do partido;

7.) Nitidamente se percebeu, por parte de muitos participantes, um clamor por medidas autoritárias e truculentas deram vozes mais agudas à um fascista como o deputado Jair Bolsonaro. Curiosamente, Bolsonaro foi político mais aclamado como “mito” (talvez o único) por muitos participantes presentes no ato onde ele compareceu ao lado do novo “herói nacional”, graças a sua projeção midiática e hipertrofia de suas ações sensacionalistas, o juiz Sérgio Moro, responsável direto pela investigação dos supostos desvios da Petrobrás, apelidado de “Operação Lava Jato”. Sintomaticamente, um deputado fascista representante das forças policiais e um juiz como “heróis nacionais” foram os elementos mais lembrados pelos participantes, em especial, Moro, como uma espécie de “redentor da dignidade brasileira”;

8.) É razoável compreender que estamos definitivamente num período político muito conturbado (um sintoma de “clima de incertezas”), onde a razão e a responsabilidade vem perdendo forças bruscamente para a insanidade e histeria coletiva. Sintomático que nas vésperas dos protestos encabeçados pelo PSDB, na noite da sexta-feira, 11 de março, sem maiores explicações, a Polícia Militar de São Paulo tenha invadido a subsede do Sindicato dos Metalúrgicos em Diadema, no momento que a entidade fazia um ato pró-Lula. A Caixa de Pandora aos poucos vai se abrindo e o serpentário começa a mostrar as suas garras, não apenas na desertificação da política, mas que reflete diretamente nos ânimos da vida cotidiana com ensaio de agressividade supostamente por motivação política;

9.) Diante de uma visível e estéril polarização ideológica e afetiva entre pró-PT e anti-PT, alicerçada cotidianamente pela grande mídia e fomentada a cada “fato novo” oriundo dos vazamentos seletivos inquisitórios da Operação Lava Jato, neste ínterim, tanto as esquerdas fragmentadas quanto os intelectuais progressistas simplesmente parece se manterem imóveis ou sonolentos. Logo, sobre o silêncio de uma contraposição que possa se mostrar contrária a sanha reacionária que naufraga o país, o processo de “fascistização da sociedade” avança dada vez mais e, como sintoma foi visto a partir dos protestos de 2013, agora, parece não ter controle desejo por parte dos "abridores" da Caixa de Pandora;

10.) Há um vazio político muito perigoso, o qual somente a figura de Lula, como o PT e seus simpatizantes desejam, é muito pouco ou insuficiente para ocupar no momento, uma vez que sobre ele toda a mídia centra fogo cerrado contra sua figura política. Ademais, o governo Dilma a cada semana se encontra mais enfraquecido pelas circunstâncias políticas e por um Congresso Nacional profundamente oportunista, reacionário e chantagista. No campo da direita, conforme já indicado, há outro vazio com alguns postulantes, mas sem consenso no atual estágio do atoleiro político. Daí o sensível risco de "salvadores da pátria" surgem para satisfazer o nível de ansiedade produzido pelo clima hostil e histérico que se contra parte da população assumidamente dos setores mais privilegiados. Neste sentido, figuras completamente hostil à democracia como o fascista Jair Bolsonaro ou neo-heróis midiáticos, como o juiz Sérgio Moro podem ser paridos como tais “salvadores” em meio à fogueira de acontecimentos atropelados pela razão e guiado apenas pelas trevas do oportunismo;

11.) Para finalizar, não é apenas o governo Dilma que se encontra em risco de golpe de estado, das mais diversas formas e modalidades, mas a própria democracia que se encontra em perigo. Justamente nesta segunda demanda que mora todos os mais preocupantes níveis de tensão desde o início da redemocratização do país na segunda metade dos anos 1980.

Diante da Caixa da Pandora do destino brasileiro, o surrado mote “contra a corrupção” é o cacoete da direita de dizer qualquer coisa que não tem nenhuma sustentação. Como se fosse uma guerra higienizadora entre os puros e impuros beirando a um obscuro fanatismo. O “combate a corrupção” é a demanda daqueles que na falta absoluta de idéias e projetos, procuram se envernizar de um conceito que todos estão de acordo. Afinal, quem é a favor da corrupção? Logo, a falácia é apenas um “cavalo de Tróia” para a projeção de elementos que podem transformar a atual democracia em um terreno fértil para aventuras golpistas, conforme o Brasil já assistiu e foi alvo de retrocessos de perversas orquestrações.

É tempo de reflexão e profunda sensibilização, pois o que está em jogo não é apenas um governo de uma dada presidenta ou partido político, mas o presente e o futuro de um país que parece estar perdendo o nível mínimo de sobriedade dos elementos que comandam as instituições vitais para a condução democrática, nas três esferas do poder, justamente em momentos, como este agora, que em as situações mais agudas tendem a demandar prudência e responsabilidade. A História serve como fundamental retrovisor e o presente não pode ser simplesmente um jogo de mero oportunismo sem rédeas dos atores políticos o qual,  torrencialmente, poderá comprometer todo o futuro democrático do país. 

sexta-feira, 11 de março de 2016

A FAVOR DA DEMOCRACIA, A FAVOR DE DILMA


Apoio a presidenta eleita democraticamente, Dilma Rousseff, contra o golpe que prende ser orquestrado neste país. Como sempre na frágil democracia povoada de aves de rapina, os mesmo que provocaram a crise no governo se apresentam como salvadores da pátria.

Basta de conjecturas golpistas! A grande mídia fascista quer transformar pessoas pacatas e alienadas politicamente em monstros ensandecidos de ódio em nome dos interesses canalhas e mesquinhos do PSDB, DEM e parte do PMDB, além de outras corjas partidárias que são satélite das migalhas do poder.

Não vai ter golpe e não vai ter aceitação gratuita da violência dos boçais, que na falta absoluta de argumentação, parte para a agressão gratuita, o rancor e o ódio. Lembremos que os mesmos que querem destruir a democracia, depois ficarão com o rabo entre as pernas diante do cabresto da pressão dos militares. A História é farta em exemplos trágicos. Quem depois vai ter que sofrer na carne para tirar o país do atoleiro? Os progressistas e esquerdistas que mesmo não apoiando todo o governo de Dilma, mas que acredita que é impossível ver numa sociedade sem democracia. A direita desgraça o país e depois sai correndo como sempre fez e continua a fazer.

A destruição da democracia somente interessa aos interessa parasitários do poder e os oportunistas de plantão. Gostando ou não do governo Dilma, um golpe de estado é o retrocesso abissal para o nosso país.

Sem radicalismos golpistas e sem o jogo de marionetes da grande mídia sensacionalista sedenta por sangue e ódio. Dilma fica e esperamos que ela possa ter a tranquilidade de buscar saídas para a crise fabricada. Somente com uma guinada para a esquerda, com projetos que atendam os mais desfavorecidos deste país, que poderemos dar um novo horizonte para o Brasil.

quinta-feira, 10 de março de 2016

O BRASIL DAS MICARETAS ALUCINADAS: Aos participantes das marchas fascistas dos horrores que apoiam golpe de estado em prol da histeria da insanidade coletiva


Aos que ficam patrocinando marchas para o golpe de Estado lembre-se de algumas coisas:
1. Você que é patrão não obrigue seus empegados a participarem de micaretas em prol dos seus interesses cretinos, isto é ilegal e chama-se "assédio moral". Nada de levar a empregada para lavar e desamassar as panelas que você fica amassando com seu rancor e ódio infantil!
2. Você que é trabalhador, não seja trouxa e nem vaca de presépio de patrão. Se as coisas já estão complicadas no momento, imagine então manifestações grevistas em plena ditadura civil-militar?
3. Você que é da classe média, mas insiste em acreditar que é membro-efetivo da Casa Grande, tome seu laxante ou clonazepam e entenda que o mundo é muito maior que o seu mero umbigo narcísico e que as elites as quais tanto tanto sua língua bajula nunca estiveram preocupadas com uma gota dos seus gritos histéricos.
4. Você que é alienado mesmo, aquele não sabe a diferença entre o dia e a noite, antes de ajudar a foder o país mais ainda, faça algo de último para si mesmo: vá puxar um ronco e não seja mais um pangaré na massa de manobra daqueles que querem incendiar o país em benefício próprio.
5. Você que é da ala mais a esquerda e está torcendo para que o país pegue fogo e acha que vai ter uma alucinada "revolução campesina-proletária" quando o PT for para o espaço juntamente com a nossa frágil democracia, segue um conselho: abrace com tesão seu coelhinho da Páscoa, livre-se do recalque e da dor-de-cotovelo e seja muito feliz!
6. A todos aqueles que não sabem nem o que significa "democracia", "política", "partido político", "classes sociais", "lutas de classes" e detesta a História (e tem um ódio flatulento daqueles que conhecem os significados destas palavras), ficam se posando de intelectuais manguaceiros das redes sociais e defecando ódio por todos os lados, um lembrete: larguem estes alucinógenos que já estão fazendo muito estrago nas suas vidas e destruindo os poucos neurônios que ainda restam na cachola esvaziada.
Observação: Não venha com este papo furado que é "sem partido", puro, casto, virgem e com hímen intacto vociferando ódio com seu fora Dilma/Lula/PT e apoiando toda a corja de ladrões tucanos e afins. Não existe santo na política, nem na sociedade e tampouco você é um detentor de aréola na vida social. Ao menos, assuma sua posição, solte a tresloucada franga fascista que existe em você e deixe de hipocrisia fanática e pseudo-moralista.
Tudo que o país não precisa agora é um exército de reserva operante de bestas tagarelas e desmiolados fanáticos alucinados serviçais da Casa Grande. Este filme é tão podre e velho quantos os golpes desferidos em nossa débil e solapada democracia.


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A tarefa docente: A arte do ofício na sociedade pós-moderna sob a égide neoliberal brasileira


Há um discurso que beira a hipocrisia dentro de uma sociedade cada vez mais projetada com as trágicas lições do neoliberalismo à brasileira voltadas para o consumismo imediatista, satisfação instantânea e o narcisismo compulsivo em detrimento do olhar crítico perante aos dilemas da totalidade social. Neste sentido, a Educação é vista como algo individualizado e movida à promoção do capital no que tange a destruição da educação pública e a louvação mercantilista da atividade privada, em especial, na Educação básica.

A crise de autoridade do professor esta na mesma esteira da crise de identidade típica dos fenômenos da Pós-modernidade, onde as certezas mais factíveis viraram transformações líquidas de um mundo cercado de muitas bugigangas tecnológicas, relações efêmeras objetais, massificação do consumismo e o transbordamento da angústia existencial.

Sintomaticamente, as carreiras voltadas à Educação seguem em baixa, tanto no seu prestígio social, quanto a remuneração por suas atividades. Nítido o déficit de professores em especial, nas áreas mais ligadas as ciências. O incentivo à carreira, as dificuldades operacionais e os péssimos salários comparado à outras carreiras de exigência de formação similar contribuem para explicação da baixa procura por candidatos à tarefa docente nas faculdades e universidades. Lembrando ainda a frágil formação dos cursos ligados as licenciaturas, tendo em vista uma precarização de currículos e estrutura para a formação dos futuros profissionais da área. A mídia também participa do papel de descaso do professor ao transformar a profissão em motivo de chacota de programas humorísticos, transformando o docente em “pobre coitado”, digno de pena pública, cercado por um bando de imbecis com indagações patéticas, que seriam os alunos.

A educação com engajamento de reflexão crítica e humanista vem vertiginosamente perdendo espaço dentro da Educação Básica. O conteudismo é hoje a matéria orgânica que garante a sobrevivência das escolas da rede privada, quanto que no bojo da educação público é o sintoma do abandono por parte do Estado (por exemplo em São Paulo, o maior centro econômico do país, onde se assiste um alarmante e sistemático sucateamento do sistema estadual de educação).

Os caríssimos sistemas de ensino privado com todo um modelo de marketing de didatismo mecanicista oriunda da “decoreba” de conteúdos para os vestibulares aliados com alguns floreios “divertidos” para ocupar o tempo do aluno e justificar o alto investimento das mensalidades por parte dos pais dele. De modo geral, o ensino básico do sistema privado virou um grande cursinho pré-vestibular cuja única meta é a promessa aos pais para uma vaga numa (boa) faculdade pública aos seus filhos. Por outro lado, a tarefa dos pais, dentro de um modelo de consumismo desenfreado, é fazer a burocrática transação comercial entre os filhos e a escola e ponto final. Assistimos assim a terceirização das responsabilidades dos pais que são protocoladas em escolas bem remuneradas pelo suor dos seus “investimentos”. Não é a toa que se associa de forma pejorativa o termo oriundo da Economia, o “investimento” mercantilizado associado a um “fundo de longo prazo”, com elementos da Educação cujo slogan bem sintético é travestido em: “invista no seu filho para um futuro melhor!”

O reconhecimento profissional e social do professor é cada vez menor e é margeado pela política de produtividade perante seu oficio. A idéia de “bom professor” hoje é  aquele que dá “show” na sala de aula, sobre nas luminárias e dá cambalhota, que deve fazer de tudo para que o aluno, omisso e supostamente desinteressado, possa “aprender”. Em nada o aluno é vocacionado para ser minimamente cobrado de suas responsabilidades individuais e sociais, não há castração simbólica, mas somente a bajulação sistemática em agradar o aluno sem frustra-lo minimamente. Outro sintoma é o circo armado por parte da associação espúria entre empresas de formaturas e escolas e nome da diversão dos alunos a um alto custo: tudo vira festa, zoeira e irresponsabilidade em nome dos bons e garantidos lucros.

A transição de modelos educacionais sólidos e rígidos, característicos da Modernidade, para modelos líquidos e imediatistas típicos da Pós-Modernidade foi avassalador, mas ambos ainda permanecem igualmente agressivos. O que era um conjunto de regras rígidas e coercitivas virou um festival de niilismo e consumo. A escola perdeu a força conjectural da transformação, ora virou um grande parque de diversões utilitarista, ou um celeiro de fomentação do vazio bárbaro, onde o aluno se ofender o docente é ele, o professor, que deverá beijar os pés do aluno para pedir “desculpas”. Caso o aluno não goste da cara do professor, ele corre imediatamente para a coordenação pedindo a “cabeça” dele. Como bons clientes, para a escola preocupada com os lucros, o aluno sempre tem razão!

Diante do universo de desconstrução do ensino, é cada vez mais comum o caso de agressões físicas por parte de alunos contra seus professores por motivos torpes e banais. Ademais, é mais um aspecto da sociedade pós-moderna, a incapacidade do sujeito em lidar minimamente com as frustrações de um mundo complexo e cheio de questões latentes.  Seguindo o lastro das dificuldades docentes, há um grande número de profissionais com sérios problemas psicológicos derivados da precarização do seu ofício e as angústias oriundas da pressão por parte de direções escolares com olhar da avidez capitalista e alunos agressivos ou tensões psicológicas típico do excesso de seres humanos confinados em diminutas salas de concreto armado.

Com o declínio do poder docente, menos pela ação dos seus profissionais, mas muito mais para um mundo que se tornou muito mais permissível a banalização do conhecimento e regrado por uma série de atrativos tecnológicos de expressividade questionáveis. A escola, na maioria das suas entidades, se comprometeu a simplesmente ser um passatempo dos alunos para que não ocupe o tempo dos pais. A ação lúdica é peça integrante da aprendizagem, todavia o seu excesso se torna pasteurizado e inútil. Afinal, o professor é “pago para cuidar dos filhos (deles)”, como muito se ouve em enfadonhas reuniões de pais mais exaltados com atitudes grosseiras perante o professor, o feitor terceirizado dos filhos.

A educação deixou de ser um bem público universal para se tornar mais uma mercadoria na feira de variedades do capital. Uma frase lapidar do grande educador brasileiro, Paulo Freire (1921-1997), dizia que “[...] a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. Neste contexto, apesar dos ataques sistemáticos que tenta manipular a Educação ora como mais um elo da produtividade capitalista de formação de produtos (no caso do ensino privado), ora como um elemento social sucateado relegado à sua própria sorte (no caso do ensino público), a tarefa dos docentes que toma seu oficio como significação de seus desejos, ainda resiste de forma valente.


Por fim, algumas ações pontuais ainda mostram que a situação não está completamente perdida, como a revalorização dos institutos federais de Educação Básica por parte das últimas gestões do Governo Federal.  Por mais cínica que seja a construção ideológica momentânea presente numa sociedade, seus atores sociais entendem que por mais que seja desconstruída a Educação pela ação de um capitalismo desenfreado, somente ela é o alicerce social para qualquer estrutura humana que carece essencialmente da transmissão da cultura, seja ela mais elaborada, seja ela mais elementar. A tarefa dos atores docentes que se seguem na “aventura” da Educação como ofício, ainda os desafios tão profundos quanto a fragmentação da própria estrutura da sociedade atual.

sábado, 31 de outubro de 2015

O boteco político e o sujeito que goza na sua ignorância primária como mecanismo de defesa


O debate político nas redes sociais, e fora dela, é curioso. Particularmente, curiosíssimo! Um turvo esboço do tempo histórico o qual atravessamos.
Dentre das possibilidades em jogo, vejamos suas ações e consequências do tão alardeado "cidadão de bem", um novo (mas não tão novo assim) eufemismo para relatar o sujeito do cotidiano e que se apresenta como detentor da verdade divina e protegido pela sacralidade cristã.
Se o sujeito está doente, irá um médico. Se o sujeito está passando por problemas emocionais, irá a algum dos meus colegas psicólogos ou psicanalistas. Está-se com fome, certamente irá a um restaurante ou procura entender como se prepara uma refeição.
Porém, quando o assunto é política, o sujeito movido ao bom senso (o qual hoje se transformou no "senso infantilizado"), não tem dúvidas, trata tudo como se fosse matéria da geração espontânea da mente dele numa mesa de boteco, ingerindo todas as doses de cachaça possível para desenrolar um cabedal de bobagens sem limites.
Doravante, existem questões mais profundas. Entre elas a necessidade de refletir os motivos e quais os interesses de fazer da política não um instrumento essencial do sujeito da vida cotidiana, mas um mero objeto banal de pouquíssima importância real na sua vida, exceto para gozo da ignorância primária.
Não devemos canonizar a política (ou qualquer outra área do conhecimento humano), mas é pertinente responsabilizar nossos posicionamentos a respeito dela e, de todo assunto o qual se deseja manifestar como "sujeito-do-suposto-saber". Não é lícito atacar, ofender e depois sair correndo com a desculpa que precisa ir ao banheiro ou que não disse "aquilo" que se pretendida dizer. Atos falhos é a porta dos fundos de uma linguagem operada na inconsciência.
Voltando ao "cidadão de bem". Claro, que ele não quer ouvir ninguém que tenha um mínimo de conhecimento a respeito. Afinal, a tal "política", para esse sujeito, a macro-política, não é conhecimento derivado de um olhar histórico, social, conjectural e perceptivo. Segundo tal premissa, tal sujeito, com seu ego encharcado de ódio primal e ignorância recebida por osmose, tem a ciência que para ele a política é como piolho, ou seja, tem na cabeça de qualquer um que possa ler algumas páginas de revistas sensacionalistas ou noticiários tão elucidativos quanto à claridade das águas do rio Tietê.
Portanto, ao dizer afirmações aleatórias movidas apenas pelo ranço pessoal com se fosse o mais fino substrato da verdade, o desejo de gozar com o ato de odiar um objeto de suposto amor, o sujeito abre mão da possibilidade do debate, ressignificação de concepções e o enriquecimento de idéias, e abraça a sua ignorância primária. Fato que se tornou patente de orgulho famigerado e confiança alucinada do dito "cidadão de bem" diante dos mecanismos de defesa dele.
Diante da terra minada por areia e debates da profundidade de um pires, dentro ou fora das redes sociais, a política se tornou não mais um território da orquestração de suas idéias, posicionamentos e conjecturas, mas um território livre para as derivações composta de um nanômetro de conhecimento, o elogio profundo à estupidez e a consagração das alucinações do boteco no gozo da sua ignorância primária. O caminho é longo e os debates parecem se tornar cada vez mais curtos e povoados de afetações.

sábado, 24 de outubro de 2015

Sectarismo esquerdista e o complexo de Édipo mal resolvido


Entre os grandes problemas enfrentados por parte das esquerdas é o complexo de Édipo mal resolvido. Como é natural a tríade do desejo não-realizado, desejar matar o pai castrador (a direita) e desposar a mãe (o poder). Naturalmente, não aceita entender que sua luta provém da realidade política, de um cenário que não está no mundo da fantasia, mas do adensamento das condições conjecturais.
Quando o complexo de Édipo é mal resolvido, o resultado da vida adulta é a neurose com medo de ser castrado. Sim, esta parcela da esquerda mais sectária parece não admitir a possibilidade de existência do mundo real e, portanto, vive a fantasia de um mundo que será idealizado por força natural de alguma revolução fantasmagórica. Ademais, apesar de todos os indícios que não se pode fazer um omelete sem abrir a caixa de ovos e quebrar a casca do seu conteúdo, acreditam serem seres de uma pureza ímpar.
Desta forma, a obsessividade por limpeza, ao acreditarem serem arautos intocáveis de uma política não-dialogada com nenhum setor que não seja tão puritano quanto os agentes deste sectarismo, reforçam ainda mais a idéia de que o mundo seria feito a partir do narcisismo revolucionarista sem lastro com a realidade.
Naturalmente, o resultado não poderia ser outro a não ser o fiasco da construção simbólica de um mundo dividido entre puros e impuros, entre seres "revolucionários" e "agentes do Grande Mal". Na plenitude da zona de conforto, o berço ainda continua sendo o lugar mais quente e confortável para as políticas infantilizadas do puritanismo sectário destas esquerdas iluminadas.
Na politica, os opostos se encontram com uma justaposição quase perfeita. Enquanto o cata-vento da esperança continuar a girar sem norte, os sonhos pueris irão trabalhar de forma direta e voluntariamente para as posições mais à direita e seus radicalismos. Afinal, é de conhecimento público que o mundo não é lugar para amadorismo na política (ou seja, a chamada "realpolitik") e, para os sonhadores que se recusam a pisar no solo de um "mundo impuro", é melhor e mais confortável ficar preso ao berço das ilusões puritanas e gozar com ardor o complexo de Édipo mal resolvido.

UMA PRAGA PÓS-MODERNA: O FANATISMO IDENTITÁRIO DENTRO DA ESCOLA

  Na reportagem do Zero Hora , veículo de comunicação do Rio Grande do Sul, apresenta-se uma entrevista com mais uma fanática catequética, ...