terça-feira, 26 de novembro de 2013

Simplificações do maniqueísmo lesbo-feminista e a dura realidade da violência contra a mulher.






Mais uma da série do lesbo-feminismo que Revista Fórum nos brinda com a lógica simplista onde tudo é culpa dos homens, que todos são feios, sujos e maus contra as pobres virgens e imaculadas mulheres. Nesta lógica "anti-homem", a única solução seria do estilo "cada macaco no seu galho", ou seja, meninas não brincam mais com meninos e viva a neurose sexual da pós-modernidade travestida de "progresso da emancipação sexual". Ledo engano!

Sintomaticamente temos uma profunda construção social violenta contra as mulheres que é uma chaga histórica, mas insisto que não se trata de meramente transformar tal questão num mero maniqueísmo simplificado com histeria generalizada. Percebe-se tal sintoma na nova redação do artigo 213 do Código Penal Brasileiro, para atender a Lei nº 12.015, de 2009, que classifica o estupro como constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Nesta interpretação, não há mais a tipificação do termo "atentado ao pudor". Logo, na prática, tudo virou "estupro" e o que explica o salto (inflado) estatístico deste tipo de crime no país nos últimos anos. Na prática, há uma generalização para todas as situações que tecnicamente se enquadraria como "estupro". Claro que não será apenas mudando um artigo do código de leis que algum crime se minimizará num passe de mágica. É preciso avançar nas formas de prevenção e ser impositivo em suas penalidades.

Nestas relações de violência de gênero, deve-se ressaltar as relações sadomasoquistas envolvendo relacionamentos de concordância entre homens e mulheres, que são de difíceis tratamentos e, praticamente, impossíveis de serem protegidos previamente pelo Poder Público, via ação policial ou judicial. Ressaltando que a questão da violência contra a mulher, a criança e idosos são muito mais difícil de serem denunciados quando provém dentro o núcleo familiar.

Não será com histeria neurótica e demagogia sexista que resolveremos a questão de qualquer tipo de violência social, em particular, contra a mulher. Mas ressalta-se que é no respeito e na convivência, e também a escolhas de melhores possibilidades de relacionamento e resistindo aos abusos impostos, também são mecanismos possíveis de enfrentamento de um dado tipo particular de violência contra a mulher (a chamada "violência consentida"). A mulher precisa construir um novo enlace afetivo-existencial que permita ser ela a protagonista de sua própria história. Essa questão vai além da ação do Estado e se trata do tipo mais difícil de ser colocado em prática.

As quadrilhas de exploração da fé e a articulação política no brasil





A onda conservadora, entre outras patologias, tem um forte componente pseudo-religioso com a organização cada vez mais empresarial das quadrilhas de exploração da fé no país. O avanços desta bancada evangélica vem ganhando força no Congresso Nacional e em cada eleição vem buscando consolidar fortes tentáculos dentro da política nacional, impondo uma visão de política que beira a um espécie de fascismo reacionário em desacordo com regras básicas referentes aos Direitos Humanos.

A busca de inventarem tabus sociais por parte destas quadrilhas, como o aborto ou a questão da homossexualidade, são estratégias que visam tão somente provocar falsas polêmicas e manter tais quadrilhas como os únicos arautos das famílias brasileiras, o que também se veem órfãs da representatividade política. O recuo da igreja Católica das áreas mais pobreza criou condições para os tentáculos destas organizações empresariais de exploração da fé se aproveitar deste vácuo e ocuparem terreno na lógica multiplicadora do gueto: em cada esquina, um bar, uma desesperança e uma igreja.

Ademais, além de buscarem um retrocesso cada vez maior no que tange os Direitos Humanos no país, com mais poderes e maior pujança econômica, tais quadrilhas vem se aproximando em contato com as facções criminosas ligadas ao narcotráfico, o que explica elos entre pastores e narcotraficantes em favelas e dentro do sistema carcerário. O que poderia explicaria inclusive, o livre-trânsito de pastores nas prisões e, por exemplo, impedimentos físicos por parte de traficantes, de terreiros de religiões de origem africana dentro das favelas cariocas.

No silêncio de quem conta causticamente dízimos e acumula vasta riqueza nas costas dos bestializados, o que temos pela frente, é um cenário novo e bizarro para a sociedade brasileira e nada animador.
Um panorama descritivo da distribuição da bancada evangélica no Congresso Nacional poderá ser encontrada no artigo: http://www.revistaovies.com/reportagens/2011/12/um-estado-laico-com-bancada-evangelica/

As prisões da miséria brasileira e a retroalimentação da violência social





O Estado brasileiro não permite a pena de morte em suas leis penais, porém, ou outro e mais devasso sistema punitivo se encontra nas condições subumanas das prisões. Não se trata de transformar tais lugares em "hotéis cinco estrelas" como muitos acreditam de forma debochada, mas deve-se entender que estes locais de encarceramentos são um reduto agregador de seres humanos que deverá ter toda a assistência básica do Estado.

Devemos lembrar que Justiça brasileira opera de forma torta, morosa e que propícia aqueles mais bem afortunados e que podem pagar advogados com maior desenvoltura dentro dos burocráticos trâmites judiciários. A grande maioria da população sequer consegue pagar qualquer tipo de advogado e os fornecidos gratuitamente pelo Estado são completamente exíguos e praticamente inacessíveis. Desta forma, dentro de um Estado que não respeito os Direitos Humanos básicos, qualquer cidadão potencialmente poderia estar sujeito à adentrar nestes alojamentos prisionais que muito mais lembra alguma imagem do inferno. Todas as formas de violência, desde a simbólica até aquela sujeita a contrair doenças fatais, passam livremente nestes ambientes prisionais.

Entra e sai governo com rótulo de direita ou esquerda no Planalto, de FHC a Lula, nada foi substancialmente realizado para minimizar os efeitos deletérios da quarta maior população carcerária do mundo. Todas as formas de desrespeitos aos valores humanos dentro das prisões que apenas contribuem para orquestrar as facções do crime organizado que diante do total colapso do sistema, controlam e mantêm-se na orquestração de crimes fora do seus muros.

O sistema prisional brasileiro esta falido e morto. O Estado, mais uma vez, finge que não vê o que passa dentro de suas prisões da miséria e do abandono e, por sua vez, diz não entender como cresce a criminalidade, em particular, o crime organizado, que conta com apoio de facções de policiais corruptos e agentes administrativos criminosos.

Para implementar o cotidiano explosivo brasileiro, esta massa de absurdos e indiferença do Poder Público diante da falência prisional induz ainda mais violência, na condição de retroalimentação de um sistema perverso que atinge indistintamente a todos dentro da sociedade.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Educação básica pública brasileira: uma queda para o infinito



Mais uma vez, o MEC metendo os pés pelas mãos, numa briga de foice no escuro sem fim. As lambanças são cada vez mais desastrosas e populistas onde reina a demagogia rasteira, asquerosa e barata. Depois do lançamento das bolsas de turismo acadêmico, sem eira nem beira, para alunos da graduação do programa "Ciência sem Fronteiras" e cortar verbas para os alunos da Pós-graduação, agora é dar mais "bolsa-incentivo" para ver se terá alguma alma querendo lecionar no Ensino Básico. É muito surrealismo irresponsável e demagógico! Mais dinheiro público jogado no ralo para objetivos sem contexto, sem sentido e sem lastro com a realidade.

Impressiona a quantidade de bobagens que o MEC vem fazendo na Educação neste país. Uma medida mais esdrúxula do que a outra. O problema não é a falta de professores, mas falta de infraestrutura mínima para seguir carreira na Educação Básica. Sem carreiras definidas, jogada às traças, dependendo da esmola de um piso nacional salarial e, por sua vez, com salários ínfimos, exceto aqueles de desejam por fé e esperança se tornarem professores deste segmento, o restante faz por falta de outra opção e tem que se formarem de forma mambembe em faculdades igualmente mambembe, daí uma das causas seríssimas do péssimo nível dos professores: o ciclo da ignorância consentida pelo Estado. O profissional da Educação Básica vive a base de esperança e entalados de comprimidos de clonazepam e similares.

No Estado de São Paulo, onde a monstruosidade é maior na área de Educação Básica, praticada pela dinastia do PSDB e jorrando uma política canalha por excelência no campo da Educação. Para contemplar a perversidade completa, até mesmo o governo do Estado submeteu os professores a ridícula humilhação pública a fazem provinhas imbecis para supostamente ganharam uns trocados a mais em seus holerites (ou seja, o aumento do salário estaria atrelado as malditas provinhas que a metodologia neoliberal dos tucanos vem causando um lastro de excremento pelo país). O resultado, é claro e transparente: a Educação Básica público no fosso, uma classe docente adoecida e um sindicalismo da área parasita e conivente com os desmando dos governos tucanos. E quanto o PT? Simples: copia a mesma cartilha tucana e coloca uma estrela imbecilizada no alto da página e, para dar um ar de sofisticação, incrementa ainda a técnica dos cursos à distância para tapear com mais rapidez e distribuir papéis timbrados que querem ser chamados por "diplomas", ou seja, como se o computador fosse resgatar nosso atraso abissal!

Temos uma realidade muito difícil com governos completamente estúpidos e incompetentes na área de Educação Básica, seja petistas, seja tucanos ou qualquer outra sigla. Dar royalties do petróleo para Educação em um futuro qualquer é bonito politicamente, mas demagógico e não condiz com a realidade daqueles que não podem mais esperar a ilusão política do pré-sal (que por sinal, pelas políticas neoliberais aplicados pelo neopetismo, anda sendo fatiada para doar para as empresas multinacionais do setor!). Em sua maioria, até mesmo os partidos de esquerdas mais radicais não possuem propostas que sejam serias para a área, exceto alguns estereótipos doutrinários que num mundo democrático e respeito à dignidade humana não poderiam serem levadas a sério (que me perdoe os colegas que acham que o significado da vida é fazer celibato dogmático do messianismo operário-camponês!).

De todos os problemas estruturais no país, após a questão da Segurança Pública (que certamente é o maior desafio atual de uma América Latina que tenta se reestruturar economicamente e absurdamente desigual socialmente), a crise da Educação é a maior de todas e a mais difícil de resgatar, onde se encontra os maiores papagaios de pirata que nada sabem do que fazem em seus gabinetes monitorados por ar condicionado e ainda levam a mais atraso (com cara de "progresso") ao país.

Para a desgraça deste Brasil, que teima em jogar fora grandes oportunidades históricas no campo da cidadania, a Educação, cada vez mais, parece ser uma queda para um fosso infinito e rumo ao vazio existencial.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O Eu, o Outro e a terceirização existencial





Há uma onda sintomática na sociedade e parece se enveredar pela "vitimização", ou a "terceirização de responsabilidades individuais". Muito se reclama do Estado de sua ineficiência histórica, fato realmente verdadeiro, mas este mote é repaginado para todos os fatores, inclusive os pessoais. Estaríamos vivendo a era da “terceirização” da existência?

Como fazer os indivíduos serem sujeitos de suas próprias histórias e não reféns de externalidades ou do Outro? Afinal, quem quer ser protagonista de seu próprio enredo? Observado casos estritamente passionais, os indivíduos se atolam em relacionamentos patológicos e não assumem suas devidas responsabilidades. Muitos colocam o termo "machismo" em todos os casos que deveriam ser estritamente são do departamento de polícia ou mesmo qualquer situação do cotidiano, por mais simples que possa acontecer. A situação é tão neurótica e, uma boa parte destes movimentos histéricos lesbo-feministas contribuem para uma catarse da sublimação do desejo, onde um simples esbarrão em uma mulher já seria motivo dela lançar seu repressor olhar para o indivíduo como se ele fosse seu potencial estuprador (Até eu já virei já uma "vítima" destes olhares inquisidores em pleno tumulto avassalador do final de tarde no metro em região central de São Paulo, cujo metro quadrado corpóreo é exíguo e o oxigênio é escasso).

Quando a cidadania é substituída pelos "direitos do consumidor", a lógica dos direitos humanos passa pelo viés dos direitos de reclamar pontualmente das mercadorias. Neste ínterim, as relações pessoas se tornam também objetivamente mercantis. A judicialização da vida se torna um mecanismo balizador dos direitos, ou seja, para reconhecer a dignidade humana de alguém, tem que recorrer a um tribunal, contratar um advogado e esperar a sentença de um togado. Nós viciamos nesta lógica simplista e perversa com tutela estatal e tribunal de pequenas ou grandes causas.

O neoliberalismo quando transpõem sua perversa lógica econômica, contamina a política e seduz a esfera social. Portanto, todas as relações, desde a mera amizade até a sexual, criam uma lógica de distanciamento do outro, terceirizando experiências, sensações e sublimando responsabilidades. Assim é fácil, cada um faz suas presepadas e culpa o outro (um elemento ou a toda a sociedade) por sua baixa maturidade existencial e suas escolhas infelizes.

Naturalmente, não se deve buscar culpados ou caçar bruxas imaginárias e, por sua vez, não seria prudente culpar os indivíduos por suas escolhas (isto seria uma bobagem inquisitória e inútil!). Devemos é repensar o conceito de convívio humano, entender o quanto premissas dos elementos coletivos se reproduzem no indivíduo e, por sua vez, quanto o indivíduo poderá contribuir para transformar aridez em polimento.

Na lógica de mercado, a terceirização se tornou um sinônimo de eficiência e rapidez de processos, todavia é uma experiência que o conjunto não tem conhecimento das partes, ou seja, são peças desarticuladas e que são apenas anexadas para um dado interesse. Eis o perigo de transportar estes processos para a vida cotidiana, os laços sociais e afetivos. Quando o processo não está de acordo com o desejo esperado (elemento mutável e subjetivo), troca-se, muda-se e contrata outro processo já terceirizado. Tendo em vista tais premissas, do ponto de vista do imaginário coletivo, na aceleração econômica brasileira, a avidez de monetizar direitos sociais em economias voláteis, solaparam as possibilidades mais reais de construção da cidadania como um valor social fundamental. Neste contexto, a materialização da sociedade, com seu “boom” de consumo se tornou mais importante do que valorizar questões básicas de infraestrutura social, como saúde, educação, moradia, transporte, saneamento básico e segurança pública. A avidez pelo atendimento ao desejo mais latente ocultou as necessidades reais de uma nação com forte demanda reprimida de cidadania.

Ao materializar o desejo social, capacitando as classes menos favorecidas com um mínimo poder de comprar, o Estado se distancia do processo de promoção da cidadania e terceiriza as possibilidades de quaisquer reclamações para reduzi-las para o âmbito policial ou jurídico. Vale a premissa da carnavalização da barbárie: “moramos na favela, subempregados ou escravos pontuais do tráfico de drogas, mas vamos assistir ao jogo da Copa do Mundo em TV digital “a gato” de 50 polegadas”! Para as demais demanda, tudo é uma promessa para os próximos anos.

A “responsabilidade do consumidor”, diz a regra dos direitos materiais, é reclamar se o produto não estiver de acordo com as especificações fornecidas. Ao produtor, cabe vender o máximo possível e para qualquer eventualidade tem sua equipe de advogados e seguro contra externalidades desta natureza. A troca é mercantil, entre consumidor-fornecedor, não há nenhuma valorização da conduta ética com o ser humano, tão somente negócios e trocas imediatistas de satisfação material.

Com a aceleração dos padrões materiais, aceleraram-se também as relações humanas, tornando-as mais próximas e distantes, simultaneamente. As relações pessoais se materializaram com os mesmos níveis das trocas mercantis, do desrespeito à dignidade humana e apenas a satisfação imediata do desejo latente. Para qualquer problema, é usar a cartilha dos direitos dos consumidores, reclamar pelo excesso de auto-consumo e encontrar um responsável pela infelicidade imediata.

Não é difícil de entender a onda conservadora, narcísea e autoritária que vem se avolumando sorrateiramente em algumas sociedades ocidentais (sobretudo em profunda crise econômica, se encontra a Europa e, claro, há respingos no Brasil, com outros contextos e suas variantes canibalizadas). Aliás, culpar o Outro é sempre o mais fácil (para isto que foi inventado Deus e o Diabo, e a transferência de responsabilidade pessoal). Enquanto as premissas fetichistas do consumo e do descarte enfileirarem as demandas de uma sociedade brutalmente desigual economicamente, cinicamente intolerante entre seus próprios cidadãos e sem observarem suas próprias responsabilidades neste processo, a cidadania e seus valores fundantes da dignidade humana continuaram apenas a ser uma promessa.

Com soluções prometidas e terceirizadas para um futuro improvável e onde uma horda de milagreiros de plantão ofertará aos bestializados o caminho para o desejado Éden terreno. Mais uma vez, continuando a lógica comentada, o Outro é tanto o culpado como também um guia do destino do próprio “Eu” (uma espécie de casamento da frustração do encanto com a sinergia reconfortante da histeria). Assim, neste deslocamento para o vazio, prosseguiremos uma encruzilhada perigosa e a história já cansou de mostrar como é o final deste enredo.

sábado, 16 de novembro de 2013

O teatro da justiça brasileira: mensalão, grande mídia, pesos e medidas





Finalmente a sede de vingança por parte da ala mais conservadora da sociedade se concretizou com a condenação do núcleo "duro" do episódio mais nebuloso do governo Lula conhecido como "Mensalão". Sim, de fato, que houve transição entre dinheiro e votos não tenham muitas dúvidas, todavia a questão não é tão simples quanto possa parecer perante os olhos da grande mídia.

Em um país mergulhado historicamente em diversos tipos de corrupção, é sintomático que os primeiros que realmente vão para cadeia são derivados de partidos de esquerda, em particular, do PT. Certamente, a mesma convicção que o juiz supremo do STF e do Universo, Joaquim Barbosa, não teve para abrir os casos do governo FHC, principalmente com o maior escândalo da República pós-golpe militar, que foi o processo de privatização das empresas públicas e, vale lembrar também, o famigerado PROER, plano de ajuda estatal com dinheiro público para financiar as falcatruas dos bancos privados e tirá-los da bancarrota. A grande imprensa, o atual setor político de oposição mais organizado no país, martelou incessantemente contra o Mensalão e se calou como um coelhinho com medo da chuva perante todos os escândalos dos governos tucanos. Lembrando ainda que em termos financeiros de usurpação do erário, as falcatruas tucanas dão de goleada no caso do Mensalão petista.

O PT errou, sim. Feio e irresponsavelmente, melhor dizendo, errou para se acertar eleitoralmente. Seu projeto político, ou seja, seu projeto original se perdeu e foi atirado no ralo quando quis compactuar com a conservadora classe média e os setores do grande capital financeiro nacional e internacional. O preço foi alto, muito alto do ponto de vista político e das possibilidades de se fazer uma nova forma de fazer política no Brasil. As eleições, em nível federal, foram vencidas, duas vezes por Lula e uma com Dilma, mas com um leque de alianças que incluía desde o PC do B até o PP de Maluf, e todos os oportunistas de plantão num imenso bailo de gatos. O almofadinha do Eike Batista foi uma destas figuras do universo da bandidagem burguesa que muito se aproveitou do envolvimento com a alta cúpula do governo petista. Como em qualquer governo de coalizão e com problemas de governabilidade, a lista de parasitas apoiadores da Republica petista é longa, inclui desde sindicalistas pelegos até as famigeradas ONGs.

O mensalão não foi uma novidade, uma vez que as políticas entre o Poder Executivo e o Legislativo é uma promiscuidade bem mais "consolidada" e "legitimada" nas diversas esferas de poder. O próprio governo tucano de FHC utilizou das premissas mensalônicas que o neopetismo copiou e se ferrou com a grande mídia. O recado é simples: a direita pode roubar o erário como desejar, todavia, já à esquerda, se o fizer, deverá ir para a cadeia! E fim de papo.

O PT errou também por que não soube entender que não se poder servir a dois amos. Não se pode agradar a todos. Não abraça ao mesmo tempo Deus o e o capeta. Demagogia tem limites e o tempo mostrou tais limites!

Que a Justiça brasileira é punitivamente seletiva, isto é um fato histórico e as cadeias superlotadas de pobres é um exemplo vexatório. O populismo jurídico atende a interesses meramente econômicos, políticos e, praticamente, não se lixa para qualquer senso de responsabilidade social. Vale a premissas: aos amigos, afagos; aos inimigos, a rigidez das leis. Desta maneira, o bajulado STF, não teve nenhuma vontade para apurar quaisquer escândalos na gestão tucana, mas se empenhou ao máximo para punir os petistas. Ninguém é ou deve ser tratado como querubim, mas que todos devem ser punidos, indistintamente, se de fato, comprovado suas participações em atos ilícitos.

Com os resultados desta sexta-feira, 15/11, não me parece que as condenações de envolvidos com o Mensalão tenham grandes motivos para comemorações, exceto pelos ares de vingança contra o PT. Tudo em indica, na onda conservadora que vem sendo conduzido o país, ficará muito mais na história como um revanchismo oportunista e pontual do que a aplicação de fato das normas jurídicas, indistintamente, perante todos os criminosos do colarinho branco.

Não será na grande teatralização neste episódio, que teremos no Brasil uma necessária e real onda de caça à criminosos do colarinho branco. Quando os holofotes cessarem e a onda vingativa espairecer, tudo voltará como antes e os magistrados voltarão a se esconderem bem debaixo de suas togas da covardia e do oportunismo político.

A REAL AMEAÇA À SOBERANIA E À DEMOCRACIA BRASILEIRA: TRÊS VAGABUNDOS EM BUSCA DO PLANALTO

  É assustador que, diante de um processo eleitoral tão tétrico, haja tanta passividade na sociedade brasileira. Cada vez mais, a qualidade ...