Apesar do samaritanismo governamental com viés eleitoreiro, os supostos esforços de "combate à miséria" no Brasil se tornou muito mais um bordão politico-demagógico do que uma real a preocupação de realizar o que prometem tais ações. Vale a pena lembrar alguns trechos da entrevista do professor da USP José Eli da Veiga, docente da pós-graduação do Instituto de Relações Internacionais da USP, à FOLHA DE S. PAULO:
FOLHA - O senhor acha que a linha de R$ 70 estabelecida pelo governo para definir miséria é correta?
José Eli da Veiga - Linhas de pobreza --ou de miséria-- não podem ser estabelecidas apenas com definições de níveis de renda monetária. Não creio que os colegas que estão no governo sejam imorais. Mas com certeza chegaram à insuficiente definição dos R$ 70 de renda domiciliar mensal per capita porque foram incumbidos de elaborar um plano factível, que possa ter sucesso em quatro anos.
FOLHA - Qual deveria ser, objetivamente, a linha que define quem é ou não miserável no Brasil?
VEIGA - Nas circunstâncias brasileiras, é miserável quem não tem acesso ao esgotamento sanitário. A rigor, além de tudo que está ligado ao saneamento ambiental e a um mínimo de conforto, duas outras coisas merecem destaque: o acesso a um serviço de saúde que realmente funcione e o acesso a um sistema educacional de qualidade.
FOLHA - Mas o número de domicílios sem esgoto tem diminuído nos últimos anos.
VEIGA - O número de moradias insalubres diminuiu dez pontos percentuais entre 1995 e 2002, e mais cinco entre 2003 e 2008. Mantidos tais níveis de desempenho, a universalização do esgoto com tratamento só ocorreria em 2060. Se o investimento dobrasse e a produtividade aumentasse um terço, essa meta poderia ser atingida em 2024. Seriam necessários quatro governos bem melhores que os de Lula para que a pobreza fosse minimizada.
Um interessante reportagem da Agência EFE sobre o condicionamento social frente a grandes e greves catastrófes naturais.
Os terremoto e o tsunami que vitimaram o território japonês em 11 de março não apenas criaram abalos na infra-estrutura e economia nacional mas também nos laços sociais dos habitantes no Japão.
A pesquisa exibida pela Agência EFE indicou forte procura por relacionamentos estáveis e também a ruputura definitiva dos casos que já haviam instabilidade antes da crise que abalou o Japão, culminando no que foi apelido de "divorcios do terremoto".
Importante é refletir sobre como o modo de vida fluído, consumista e efêmero atinge drasticamente o convivío social. Desta maneira, se mostra pertinente do ponto de vista das sociabilidades, paradoxalmente parece que somente em momentos de cataclismas urgem alguns espaços para a reflexão das ações dos indivídios bestializados num sistema de alienação social diante da sociedade do imediatismo espetáculo.
Se o futebol é uma das vitrines da “alienação” de milhões de indivíduos, ela também não pode ser negada como fonte de cultura, identidade, entretenimento e, claro, muito, muito e muito dinheiro do voraz e corrupto capitalismo patrocionado pela cartolagem do futebol globalizado. Longe de fazer uma pretensa “antropologia do futebol”, a preocupação das próximas linhas é imediata e latente sobre a corrupção enraizada na vida esportiva do Brasil, o neófito bufão ufanista esportivo derivado da herança megalomaníaca da Era Lula e sediador de maga-eventos na área como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Pela proximidade da data, o primeiro mega-evento é que mais urge preocupação no momento.
Antes mesmo de qualquer jogador tocar na bola, a corrupção endêmica do “jeitinho brasileiro” será levada ao auge diante dos desastrosos e atabalhoada preparativos da Copa do Mundo de 2014. Atrasos e após atrasos propositais das obras estão deixando o esperado rastro de cheirume do festival de corrupção governamental e gastança do erário do contribuinte. A desorganização é o esqueleto do “espírito da corrupção” necessário para o maior aproveitamento da voluptosa mordida no dinheiro público.
Não precisaria de futurologia ou cartomante para enxergar os previsíveis atrasos nas obras dos estádios que culminariam na aproximação dos prazos ditados pelo notório antro da corrupção esportiva mundial, a poderosa FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), dona da patente do espetáculo. Agora, faltando cerca de três anos para o pontapé inicial da estréia da Copa de 2014, a “pressa” funciona como um eficiente trator para fazer os governos das três esferas liberar medidas fomentadas pelo baú do erário com efeito de atender a "emergência" da situação onde serão executadas inúmeras obras na enxurrada de licitações públicas. Driblando toda e qualquer fiscalização, no lugar de incrementar a educação, a saúde, a habitação popular e o saneamento básico, o poder da corrupção endêmica pode ser visto na condução da farra do dinheiro público na construção e reforma dos estádios em todo o país (alguns ainda sequer saíram da maquete!).
Os custos se elevam cada vez mais para atender os inúmeras e arrogantes exigências da FIFA para a construção de estádios que sequer respeitam a dinâmica das cidades que acolhem os jogos. Sob o olhar matreiro da corrupção, no Brasil houve uma inflação de doze cidades-sedes para sediar um mísero punhado de partidas de futebol da Copa de 2014: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Brasília (DF), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Natal (RN), Recife (PE) e Salvador (BA). O risco é notório de se polvilhar “elefantes brancos” de concreto armado em praças onde o futebol tem uma dinâmica insipiente e praticamente irrisória diante do cenário nacional. De nada serviu o exemplo perdulário dos inúteis "elefantes africanos" dos estádios custeados com o suado dinheiro do contribuinte local na insossa Copa da África do Sul em 2010. É espetacular o poder da corrupção de bastidores que impôs a realização de vitrines da Copa do Mundo em países de pouca tradição no esporte, como as futuras Copas do Mundo de 2018 sediada na Rússia e a de 2022 no impensável Catar. É compreensível que no reinado do corrupto presidente Joseph Blatter, quando se trata da impune FIFA, a ordem é sempre esbanjar, gastar e faturar nas comissões e relações promíscuas entre o dinheiro publico e o enriquecimento privado.
Ainda lembrando o exemplo sul-africano da Copa de 2014, entronar simplesmente mega-estádios em cidades não é sinônimo crível de "desenvolvimento local", exceto para quem irá "lucrar imediatamente" com tais praças esportivas. Portanto, sob o olhar operante da corrupção, o teatro armado de um coliseu esportivo pode ser visto com um avatar exuberante da impune farra da gastança pública com exemplos catastróficos. O estádio majestoso do Maracanã é uma draga de dinheiro público no Rio de Janeiro com suas inexplicáveis e sucessivas obras de reforma com valores astronômicos. Porém, como exemplo mais emblemático da farra preparada para Copa no Brasil é o caso da cidade-sede de São Paulo. Depois de muito blablablá e jogo de cena sobre qual seria o estádio a ser utilizado para os jogos da Copa no estado, a irresponsabilidade do Poder Público tripartite (Federal, Estadual e Municipal) atingiu o auge ao optar por descarregar dinheiro público (em particular, abrindo mão de tributação fiscal) na promessa da construção do estádio do Corinthians em Itaquera, zona leste da cidade paulistana. Paradoxalmente, imbróglio após imbróglio, o “Fielzão” até hoje não passou de uma mera maquete, o bairro continua com sua costumeira precariedade e segue o vendaval de propaganda bairrista nos meios passivos de comunicação.
Desde Lula a Dilma, após ser rasgado todo o padrão ético da história partidária e aderir a uma espécie de “neoliberalismo populista”, é sintomático quando se leva em consideração que o atual partido hegemônico no governo federal, o Partido dos Trabalhadores (PT), se mantém conivente e servidor atuante da corrupção generalizada no interior da gestão esporte brasileiro, em particular, dando o suporte político para as sucessivas fraudes do Ministério dos Esportes com o inapto ministro Orlando Silva, filiado da sigla do ex-comuna PC do B.
Para coreografar o trágico e tétrico enredo, o país assiste impunemente a condução fraudulenta e mafiosa de Ricardo Teixeira entronado há mais de duas décadas na presidência soberana da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Agora, Teixeira desfila à frente como um audaz líder predestinado da organização brasileira da Copa de 2014 e ainda segue absoluto sendo o farol bisonho do esporte nacional.
Do ponto de vista do dinheiro público, se a seleção brasileira irá ou não conquistar seu sexto título da competição é o que pouco importará. A única e lastimável certeza é que até 2014 a corrupção parasitária usurpadora do erário do contribuinte irá atingir níveis inimagináveis no histórico dos esportes e na vida pública no Brasil. Tudo com a cínica e complacente chancela da ação governamental e o bestializado silêncio da população. Na tabelinha entre Blatter e Teixeira, está a raíz de um verdadeiro golaço da corrupção e da impunidade.
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Abaixo, segue um trecho o programa “Tabelinha” da UOL comandado por Juca Kfouri e Birner que comenta o escoamento do dinheiro público para fomentar o “sigilo” das licitações podres.
Na fluidez imediatista e fragmentária da Pós-Modernidade com seu atroz e contaminante mal-estar, nunca é tarde para refletirmos e questionarmos nossos posicionamentos perante a sociedade.
Neste “Dia das Mães”, 08 de maio, segue abaixo um registro atualíssimo da suposta “luta por reconhecimento” dos tais “valores sociais” que se projeta em nome de uma "reivindicação social".
Entre tantas possíveis questões e sem cairmos em histerias sencionalistas ou narcisistas, é salutar refletirmos até que ponto valores imediatos de alguns interfere no futuro daqueles que sequer tem alguma consciência do mundo ao seu redor. Qual a real responsabilidade das mães e também dos pais pela prole que geram? E acima de tudo, qual o papel ético e moral da responsabilidade do Estado sobre seus cidadãos? (WFM)
"Mulher empurra carrinho de bebê decorado com desenhos de folhas de cannabis, durante protesto pela legalização da maconha, em Buenos Aires, na Argentina" neste sábado, 07 de maio de 2011. (Fonte do fragmento: Folha.com e Foto: Juan Mabromata/AFP)
Para quem não conhece a revista, a REA é uma interessante e valorosa publicação eletrônica ligada ao Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e editada pelo Prof. Antônio Ozaí da Silva. Recomendo o acesso regular desta publicação de periodicidade mensal.
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Resumo:
A onda neoliberal vem permeando cada vez mais aspectos no discurso da realidade brasileira. Em crise sistêmica, o debate em torno da Educação Básica pública se fragiliza coercitivamente quando seus pilares fundamentais são cerceados pelas imediatas veleidades da economia de livre mercado. Com o declínio dos sindicatos de profissionais da área educacional e a pouca (ou nula) cooperação entre universidades e escolas públicas os sintomas do deslocamento da centralidade do debate na esfera do interesse público são evidentes. A privatização dos espaços de reflexão a respeito da educação possui efeitos deletérios ao abrir caminho para interesses privados de ONGs e entidades similares com questionáveis ações de filantropia e idoneidade. Longe de resultarem alguma eficácia prática, ostensivas exposições de marketing eleitoral do asséptico discurso da meritocracia e a aplicação de provas sumárias como recurso para a majoração da idílica “qualidade total” na Educação. O discurso do mérito se tornou prática recorrente dos atuais governos em suas frágeis políticas públicas. O presente artigo buscar refletir sobre algumas falácias pertinentes do discurso neoliberal e seus impactos no atual debate do sistema público de Educação Básica no Brasil.
No último domingo, 17 de abril, o ex-governador das Minas Gerais, atual senador e futuro postulante ao Planalto, o tucano Aécio Neves no alto de sua soberba de político “democrático” foi flagrado numa situação patética no Rio de Janeiro. Parado numa blitz na Avenida Bartolomeu Miltre, no Leblon, o tucano ávido herdeiro da moral e dos bons costumes se recusou a fazer o teste do bafômetro. Para completar o inusitado quadro, sua habilitação estava vencida. No computo da situação da digníssima eminência parda do bom mocismo da política nacional, Aécio levou para casa (sem dirigir, é claro) a "polpuda" multa de R$ 957,69. Diga-se de passagem que foi louvável a atitude dos policiais que realizaram a abordagem do veículo sem se submeteram a popular "carteirada" do ilustre desabilitado que é tão comum da genealogia cultural do "jeitinho brasileiro".
Dias atrás, o mesmo senador tucano inflava seus pulmões nas tribunas do Senado um discurso inflamado e se autoproclamando o guardião da “oposição responsável” no país contra o governo neopetista de Dilma. Seria cômico se não fosse tragicômico que no Brasil ser “oposição” é tão somente reverberar laudatórias demagogias e pleitear mais cargos para os “aliados” em gordas boquinhas no vespeiro infeccioso da administração publica de alto escalão.
A lógica da política brasileira de dignidade chinfrim é tão profunda quanto um pires. As elites econômicas talham a política conforme seus interesses privados e os “eleitos” apenas administram a “ordem pública” de acordo com a farra bisonha das contribuições pré-eleitorais. “Fatos pontuais” como desvios de conduta, corrupção endêmica e crimes eleitorais ou não, tudo é envolto num grande tear putrefato da política nacional que é tão moderna quanto os primeiros australopitecos que perambulavam no continente africano há quatro milhões de anos.
O curioso no caso do episódio envolvendo o senador tucano foi a postura de alcova da imprensa. A "Big Media" fez vista grossa ao principal nome da “oposição” da política brasileira. Tratou delicadamente o caso com um “desvio normal" que “qualquer ser humano poderia fazer". Claro, dirigir com habilitação vencida e se esquivando do bafômetro como o Diabo da cruz é algo realmente muito “normal” de qualquer “cidadão”! Não custa lembrar que o nobre senador é atualmente o nome mais forte para subir a rampa do Planalto. Caso vença a disputa interna do seu partido (particularmente na briga com o clã paulista representado pela dupla fratricida José Serra e Geraldo Alckmin), Aécio será o nome da tal “oposição” ao neopetismo em 2014 e se entronará como representante do setor mais neoliberal da sociedade brasileira. Naturalmente, a ocultação pela Big Mídia do deslize do senador tem como o óbvio e escancarado objetivo de colocar em formol o suposto ilibado caráter de “homem público honrado”.
A política é a arte da lobotomia casual. Em defesa do pobre tucano de bico sem bafômetro, vale ressaltar o episódio curioso ensaiado pela atitude do ex-cara pintada e neopetista de retórica atucanada, Lindberg Faria, o senador pelo Rio de Janeiro. Amigo no Senado, Lindberg do PT, com mesma rapidez que se nega o teste do bafômetro, de prontidão virou um inusitado guarda-costa do ilustre democrático e pudico tucano ao defender a “figura pública” do senador mineiro no Twitter. O cinismo na política somente não é mais bizarro porque é um elemento constituinte da genética da política brasileira e suas parasitárias práticas da leviandade corporativista. Em tese para "boi dormir", o PT do senador fluminense e o PSDB do colega mineiro são “partidos distintos”. Episódio como este, entre o senador desabilitado e seu colega bajulador fazem coro na farra da irresponsabilidade política dos tais “homens públicos” e que reduzem o debate político em meras retóricas estéreis entre o “vermelho” e o “azul”, o "bom" e o "mal" ou o que “rouba mais” e o que “rouba menos”.
Coroando a lambança do senador tucano, em vídeo gravado em julho de 2009 e disponível no YOUTUBE, mostra o então sorridente governador Aécio Neves anunciando a criação do batalhão de Trânsito em Minas Gerais. Mais irônico ainda é o depoimento colhido pela Agência Minas onde o desabilitado tucano falava vigoroso aos microfones sobre a “Lei Seca” e a tal responsabilidade do publicitário “Se beber, não dirija”. Eis o Brasil do cinismo cartorial: fazer milionárias campanhas publicitárias de manipulação popular voltadas principalmente aos mais jovens consumirem sedutoramente bebidas alcoólicas e tabaco pode... Beber não pode! Retóricas, retóricas e mais retóricas...
Aécio desabilitado é apenas mais um da via fácil da política que esquarteja a retórica bufona do discurso inflado da vida prática real. Neste lodaçal interminável de hipocrisia, segue a vida real numa sociedade com seus milhares de mortos anuais estirados no leito do asfalto devido aos acidentes de automotores movido pelo irresponsável consumo de bebidas alcoólicas aliada a inabilidade ao volante. Na estrada da via política do retrovisor quebrado, prossegue sem parada a trágica amálgama entre discurso e prática contaminada numa surreal democracia polvinhada de figuras públicas ridículas, irresponsáveis, sem freio e sem nenhum compromisso com a população.
Abaixo, uma imagem que resume o lastro das tragédias anunciadas das chuvas de verão pelo Brasil... Muito além da omissão governamental, até que ponto a ganância e a usura humana de curto prazo põem em risco a própria vida?
15.jan.2011: Cachorro Leão 'guarda' o túmulo de sua dona, Cristina Maria Cesário Santana, morta nas chuvas do Rio. Há dois dias, o animal não sai do lado do túmulo, em Teresópolis (Crédito da foto Vanderlei Almeida/AFP).