sábado, 22 de março de 2014
A violência estrutural
É preciso levar adiante o debate sobre a Segurança Pública com mais seriedade e menos histrionismo.
Assim poderemos de fato perceber (e quem sabe, convencer boa parte da sociedade) o quanto ela se encontra enraizada em estruturas arcaicas e autoritárias.
Quem sabe, a sociedade também começar a se convencer o quanto ela é estruturalmente autoritária, e goza com isto (no sentido lacaniano), e o quanto as estruturas policiais espelham tal grandeza autofágica.
Sem este convencimento, nada irá adiante e as autoridades governamentais se sentem bem mais a vontade em patrocinar o jogo cômodo de criminalização de todos os fenômenos sociais, ou seja, hiperdimensionando o papel das forças policiais.
Na lógica "bandido bom é um bando morto", teremos também a premissa que "policial bom é aquele que mata". Há uma forte demanda para se acreditar nesta lógica coercitiva e que reproduz no ideário de todas as classes sociais.
Daí o estrago que se faz e o quanto é complexo a mudança de postura por parte dos próprios agentes policiais dentro de uma sociedade profundamente desigual e aonde os lastros de solidariedade vem se apagando cada vez mais dentro de uma arquitetura de medo, intolerância e agressividade banal.
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