segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

QUANDO O CHARLATANISMO ADENTRA A UNIVERSIDADE

 

O chamado “pensamento decolonial” configura-se como um poço sem fundo de charlatanismo, operando por meio de antagonismos exacerbados e alimentando-se da celeuma sensacionalista em torno do “preconceito”. 

Apresentado como o suprassumo do “pensamento crítico pós-moderno”, esse receituário reacionário decolonial reduz-se, na prática, a uma colagem de pseudo-conceitos que resulta em um caldo caricatural, no qual predomina uma oposição dicotômica simplista e se invoca uma irracional “guerra cultural”.

Diante desse quadro e com base no lero-lero das premissas decoloniais, observando-se a reportagem em questão (vide aqui), questiona-se: o princípio segundo o qual o “terreiro ensina” seria legitimado, enquanto as demais seitas e religiões permanecem relegadas à marginalidade? Um conjunto específico de “saberes ancestrais” passaria a ser considerado válido, ao passo que outros seriam sistematicamente desqualificados?

Segundo essa lógica monolítica, o culto em terreiros de umbanda ou candomblé é tratado como legítimo, enquanto se dirigem críticas aos cultos evangélicos associados às igrejas neopentecostais ou ao alegado “eurocentrismo” da Igreja Católica.

Esse conjunto difuso de elaborações fantasiosas, associado ao discurso decolonial, passa a ser mobilizado como justificativa para campanhas em torno do chamado “preconceito religioso”, frequentemente empregado como categoria explicativa genérica e universalista, pouco delimitada e insuficientemente problematizada no interior dessas narrativas.

Adotam-se pesos e medidas diferenciados quando se substitui a necessária e cética neutralidade científica do pesquisador por um ativismo irresponsável, inquisidor e performático, baseado em conceitos alucinógenos oriundos do senso comum. Eis o núcleo de uma distorção acadêmica que se manifesta quando a lógica da pesquisa é submetida a pressupostos ideológicos frágeis, característicos do charlatanismo decolonial.

Qualquer crítica a esse modelito medíocre, simplório e caricatural é taxada, por seus ativistas, de “preconceito” e se torna alvo sistemático de perseguição inquisitorial por parte de seus séquitos, colonizados pelas querelas catequéticas dos chamados “estudos decoloniais”. Eis o nível repugnante, desonesto e escatológico da doutrina decolonial, fantasiada de “pensamento progressista”.

Nesse contexto, quando a universidade se converte em extensão de construções teóricas destituídas de rigor, promovidas por pseudo-pesquisadores, a Educação e a Pesquisa Científica e Acadêmica degradam-se em um amálgama de senso comum superficial, disseminado por agentes oportunistas.

Cabe, portanto, indagar se o papel da universidade consiste em difundir pseudo-conhecimentos de natureza religiosa ou mística. O ensino e a produção acadêmica não devem servir como espaço para a introjeção de militâncias passionais de cunho narcisista, partidário, alucinógeno ou messiânico, mas constituir ambientes orientados pelo rigor intelectual, pelo estudo sistemático, pelo compromisso social e, naturalmente, pela observância de metodologias adequadas.

A luta contra falsificações científicas, construções ilusórias e distorções conceituais torna-se cada vez mais complexa quando o senso comum passa a ocupar o lugar de critério legitimador no interior das escolas e universidades. Trata-se de uma tarefa civilizatória afirmar o conhecimento acumulado ao longo de séculos como elemento fundamental, tanto para ampliar a visão crítica de mundo quanto para construir uma sociedade que beneficie todas as pessoas, e não apenas um grupo restrito.

(Wellington Fontes Menezes)


PARA SABER MAIS: https://g1.globo.com/pa/santarem-regiao/noticia/2026/02/07/o-terreiro-ensina-evento-em-santarem-une-saberes-academicos-e-fe-no-combate-ao-racismo-religioso.ghtml


 

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